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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Companheiros, ACORDAI... enquanto é tempo

"Podem pois calar-se os profetas da desgraça que, por despeito e incapacidade, procuram denegrir o autocaravanismo e que apoucam estas iniciativas registadas desde há um ano com a fundação do MIDAP e que agora chegam com sucesso ao seu termo com o Seminario de Cascais."

DeCarvalho, in Newsletter


Não somos profetas da desgraça, mas honramo-nos de desde a primeira hora ter denunciado a falsa generosidade de propósitos do salvador do autocaravanismo.

Agora que o seu jogo de mistificação conceptual e de manipulação atinge o auge, decidimos fazer uma interrupção silenciosa. Não por despeito, nem por incapacidade, mas como forma de protesto por esta ardilosa tentativa de legalizar o acantonamento das autocaravanas em cercas a que querem chamar “áreas de acolhimento de autocaravanas”.

Por vontade de muito poucos, as "áreas de acantonamento das autocaravanas" passarão a ser o único sítio onde o estacionamento de autocaravanas será autorizado por mais de 48 horas, retirando-nos os direitos que o actual Código da Estrada nos consagra.

Os espaços de recolha de autocaravanas vão florescer pelo país fora, tal como os campings floresceram com a instalação permanente de caravanas.

O momento é pois da maior gravidade para o autocaravanismo. Cansados de gritar, remetemo-nos agora a 7 dias de silêncio, esperando desta forma contribuir para ajudar à reflexão daqueles que têm a obrigação de fazer ouvir a sua voz.

Com o nosso silêncio dos próximos dias também queremos partilhar a tristeza dos milhares de autocaravanistas que, ignorando o que se está a passar ou sentindo-se impotentes para travar mais esta trapalhada, virão a ser as vítimas dos gestos irreflectidos de meia dúzia de pessoas que têm vindo a arrastar o autocaravanismo por caminhos pantanosos e que agora se preparam para o projectar no abismo.

Aqueles que com a sua cumplicidade têm incentivado e conferido uma pseudo legitimidade às iniciativas errantes e sem nenhuma representatividade, têm agora a oportunidade de se redimir, fazendo ouvir a sua voz em defesa dos autocaravanistas exigindo ampla discussão e não coloquiais discursos de puro exibicionismo, vazios de debate e do contraditório, e realizados nas costas dos principais interessados.

Se não conseguis ouvir as vozes de protesto que se vão levantando, ouvi pelo menos o ensurdecedor silêncio que deixou confrangedoramente a falar sozinho o dito jurisconsulto que se apresenta como salvador do autocaravanismo.

Pensem: quantas vozes se levantaram em defesa desta iniciativa disparatada?

O vosso silêncio só vos compromente ainda mais com esta traição ao autocaravanismo. Mais vale falar tarde do que nunca!

Acordai... enquanto é tempo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Com papas e bolos se enganam os tolos

Afinal companheiros, o que nos trás o “iluminado” projecto de lei do autocaravanismo apresentado pelos deputados do PSD(eCarvalho) e a fobia legisladora de uma minoria?
Que mais valia nos trás o referido projecto? Sejamos frios na análise!

Genericamente promove mais regras, minorando os nossos direitos. Exige um maior policiamento, logo mais “perseguição”. Traz-nos o “acantonamento” forçado, logo maior discriminação. E finalmente, obriga-nos ao contra-relógio, ou melhor, oferece-nos uma bomba-relógio, já que se nos atrasamos, pode “rebentar-nos” na mão uma coima que nos deixará umas semanas com a AC na garagem… (para os que a têm).

Quando formos passar um fim de semana fora, a qualquer lado, (e não pode ser daqueles prolongados ou com “ponte”), não se esqueçam do cronómetro em casa, pois o vosso tempo de lazer será contabilizado ao minuto. Não se descuidem no café, na cervejaria, no museu, na praia, no restaurante, na loja de artesanato, pois a factura pode crescer muito... em pouco tempo!

Em algumas artérias de cidades e vilas é comum o parquímetro, naturalmente fixo. Com esta lei, as nossas autocaravanas passarão a ser, elas próprias, uns parquímetros móveis!

Qual “cinderela” em conto de fadas, o autocaravanista tem que se precaver quanto à possibilidade do súbito fim do “sonho de liberdade” que pensou realizar quando comprou uma autocaravana. Se o tempo passar para além da hora marcada, o sonho virará um pesadelo!
Por isso não adormeça. Ponha o despertador a tempo. A sesta terá que ficar para a próxima paragem.

Com as papas do reconhecimento do interesse económico do Autocaravanismo (como “enchemos” o nosso ego com tão pouco!) e os bolos das ESA – Estações de Serviço para Autocaravanas em Bombas de Combustível (quase só as das auto-estradas, porque as outras ficam dentro das localidades e foram excluídas!), este projecto é, sobretudo, um atropelo ao livre estacionamento a que temos já direito por via do Código da Estrada.

Senão, pergunta-se:

- Para que existam hoje - embora em número ainda insuficiente - umas quantas áreas de serviço e “acolhimento” para as AC’s (Abrantes, Batalha, Aldeia da Luz, S. Pedro do Sul, Vermoil, Aveiro, Izeda, Castro Marim, Vila N. Gaia, Estarreja, Valhelhas, Terrugem, Moncorvo, Lorvão, Freixo Numão, etc., etc.) foi necessária alguma lei? Não!
Estas resultaram da iniciativa e da conjugação de esforços de pessoas individuais ou entidades associativas e afins, e de compromissos e interesses livremente assumidos por parte de autarquias.

- Para que em França, Itália, Alemanha, etc. existam “centenas e centenas” de “áreas de acolhimento” ou áreas de serviço e pernoita, foi necessária a existência de uma Lei das respectivas Assembleias Legislativas? Não!
Estas resultaram do interesse do poder local e da “sedução” que o movimento associativo exerceu junto delas.

- Para que sejam devidamente penalizados os procedimentos negativos, para a sociedade e o ambiente, que alguns proprietários de autocaravanas têm na sua passagem/estadia por esse país fora é necessária uma nova Lei? Não!
Já existem regulamentos e leis que proíbem e reprimem quem prevarica. Basta fazê-los cumprir!

- Naqueles países, para que fossem corrigidas algumas discriminações e perseguições injustas aos autocaravanistas foi preciso uma Lei? Não!
Bastou a actuação do movimento associativo junto da Justiça para que as leis gerais que existem, - tanto lá, como cá - repusessem a legalidade.

Então para que nos serve esta projectada Lei?

- Esta projectada lei, ardilosamente elaborada, parece querer dar-nos algo de substancial, quando na verdade nos tira muito mais do que o que nos dá.
Vemos várias alíneas de (correctos) deveres, inspirados, aliás, no que o Movimento há muito assumiu como seus, mas quanto a direitos... estamos conversados! - passaremos a andar a “toque de caixa”, de terra em terra à procura de uma vaga numa, ainda imaginária, Área de Acolhimento a Autocaravanas ou, naturalmente, num camping, para podermos descansar um pouco mais. De contrário, seremos forçados, de 48 em 48 horas a fugirmos à polícia.

Se há um ano tínhamos uma mão vazia e outra cheia de nada, amanhã teremos uma vazia e outra acorrentada.

Foi este o serviço público prestado aos autocaravanistas pelo frenético, mas insignificante e sem legitimidade representativa, grupo de protagonistas transversais que surgiu entre nós nos últimos meses. Os mesmos que ainda há pouco nos garantiam que a GNR lhes tinha assegurado que não havia nenhum problema legal com o estacionamento das autocaravanas. Se então falaram verdade aos autocaravanistas, como se justifica agora este Projecto-Lei para regulamentar o estacionamento das autocaravanas?

Para pior já basta assim!



Laucorreia

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MANIFesta… mente inconcebível!

Nesta tribuna, e muito justamente, aqui divulgámos, o texto de Vítor Andrade sobre o MANIFesta 09 a ter lugar em Peniche nos dias 21 a 24 de Maio.

Fizemo-lo, naturalmente, “sem nada pedirmos em troca”, ou sequer reivindicar qualquer protagonismo ou reclamar qualquer “parceria”.

O evento, fruto da iniciativa da ANIMAR e da conjunção de vontades da Câmara Municipal de Peniche e da ADEPE, tem uma componente apelativa para o Autocaravanismo, resultante do trabalho e da forte motivação do companheiro Vítor Andrade, do qual já vimos bons resultados em S. Pedro do Sul, aquando da realização das várias edições do Gesto Eco-Solidário.

É, por isso, confrangedor verificar como se “acotevelam” e se “põem em bicos de pés” algumas das entidades de quem se esperaria uma postura séria, contributiva sim, mas humilde e reconhecedora de méritos terceiros.

Ao visitarmos os fóruns quer do CPA, quer do CCP, constatamos a fobia de protagonismo, em ambos os casos, por parte dos respectivos responsáveis e da “forçada” (e forçosa, diremos nós) “emenda” ensaiada pelo moderador do CampingCarPortugal.

Senão vejamos:

Companheiros O CPA numa acção conjunta com o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CampingCar Portugal convida os seus associados a estarem presentes na MANIFesta de 21 a 24 de Maio.

InfoCPA (in forum CPA )

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Companheiros, Numa acção conjunta entre o Portal CampingCar Portugal, o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CPA, convidamos todos os autocaravanistas, que possam estar presentes, a comparecerem na MANIFesta de 21 a 24 de Maio, em Peniche. Esta participação é livre de qualquer inscrição ou pagamento, estando previstos estacionamentos dedicados às autocaravanas.
… … …
Paulo moderador (In forum CCP)
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Bom dia companheiro Paulo! Pode-nos esclarecer em que consiste a acção conjunta do CCP,CCCB e CPA para a Manifesta em Peniche?

DeMatos (In forum CCP)

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Caro amigo
Dematos, A iniciativa de ter os autocaravanistas na MANIFesta é exclusiva do companheiro Vitor Andrade, dada a sua proximidade à ANIMAR e às ADL. É uma ideia antiga e que nos foi ventilada após o Verão de 2008 (não nasceu agora!). O Portal CampingCar, o CPA e CCCB foram convidados pelo referido companheiro para a criação desta "acção conjunta" (reforço: o CampingCar é só e apenas convidado!).

A referida "acção" é, só e exclusivamente, de divulgação deste evento.

Paulo moderador (In forum CCP)

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É verdadeiramente lamentável o espectáculo “mediático” e triste a que se prestam tão ilustres defensores do Movimento Autocaravanista.

O CPA, que deveria ser o Clube de referência do Autocaravanismo em Portugal, depois de ter falhado essa missão, e de continuar a falhar, por evidente vazio de ideias, a organização coerente e objectiva dos colóquios ocorridos em Abrantes e na FIL durante a Nauticampo, parece cada vez mais orientado para a sua vocação de nascença: as festas e romarias. Basta atendermos às notícias veiculadas na imprensa sobre o Encontro de Abrantes e à total ausência de repercussão que esses eventos tiveram - até no respectivo fórum - para a clarificação da modalidade. Já todos perceberam que existem muitas autocaravanas, já todos perceberam que os autocaravanistas são potenciais turistas itinerantes e que apreciam a natureza, as cidades, os monumentos, a gastronomia, as manifestações culturais, etc.
Mas falta o essencial – a dura batalha pela não discriminação e pela criação das condições essenciais ao usufruto deste tipo de veículo/equipamento com dignidade e liberdade.

É por isso que qualquer companheiro insuspeito, como o é Vítor Andrade, seja forçado a referir, nos dois respectivos fóruns, o seguinte:

….....
Durante este tempo tenho sentido, como ninguém, o quanto falta faz uma instituição que represente e onde os ACs se sintam representados. Mas como sou uma pessoa persistente, não tendo cão caço com o gato.
….....

É claro que estas palavras se fossem ditas pelos subscritores desta Tribuna, não passariam de mais uma crítica infundada, feita de má vontade, por pessoas mal intencionadas e “intelectualóides”!
Não faltaria uma chuva de comentários azedos em fóruns, blogues, esferas e outras geometrias feitas a esquadro e compasso dos que à crítica fundamentada nas ideias e na razão, respondem com a calúnia.

Mas como somos, também, persistentes, manteremos vivo o nosso olhar crítico, verdadeiramente independente e livre.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cinco meses depois, já não é possível continuar a confundir o trigo com o joio

Passaram-se 150 dias sobre a criação da Tribuna Autocaravanista. Os propósitos que nos levaram a enveredar por este trilho verdadeiramente livre e independente estão plenamente justificados à luz da evolução do autocaravanismo em Portugal, sobretudo se tivermos em conta a intervenção dos principais “actores” nesta matéria. O grito de alerta que há cinco meses lançámos, e que caiu como uma pedrada no charco, tinha toda a razão de ser, como a realidade se encarregou de demonstrar.

Assumimos na altura uma ruptura, talvez incompreendida por muitos companheiros, essencial à clarificação e à “separação do trigo do joio”. É hoje indiscutível o papel que temos desempenhado na desmistificação de atitudes e procedimentos que, para além de quererem iludir as consciências livres de cada autocaravanista, procuravam calar qualquer voz crítica que os desmascarasse e que se opusesse ao acondicionamento mental (e físico) de um colectivo que, justamente ávido de um futuro mais digno, poderá não distinguir o acessório do essencial.

Invocando em vão o interesse colectivo, foram-se amontoando contradições e tentadas várias posições de “concertação” entre agentes com diferentes interesses e objectivos. Procurou-se, mascarar essa realidade com base em múltiplas plataformas “colectivas”, reuniões, círculos, etc., entre várias outras geometrias desenhadas a esquadro e/ou a compasso de espera da sua oportunidade mediática (ou política?).

Caluniou-se e denegriu-se quem não aceitou um jogo viciado onde a regra foi a da confusão de princípios e conceitos, em nome de uma unidade que não existirá nunca, se não for assente, precisamente, na clareza e na objectividade das metas a atingir e na verdadeira identidade do que é ser autocaravanista.

Para além do dúbio posicionamento do CPA, então clube de referência do movimento, balouçando entre a vertente “campista” e o canto de “novas sereias”, foram surgindo no espectro nacional um conjunto de “entidades”, umas mais virtuais que outras, que procuraram mudar de alguma forma o cenário, mas não a realidade.

Quando fomos protagonistas da evolução do CPA fomos mal considerados. Quando perante os primeiros sinais antecipámos o seu apagamento e desagregação, foi-nos respondido que essas evidências não passariam de “nados-mortos”. Infelizmente, a realidade está aí para nos dar razão, tal como previmos noutras situações.

A pulverização sem critério não uniu, mesmo que conjunturalmente o possam querer fazer crer, os seus protagonistas. A falta de critérios é gritante. O oportunismo mediático é avassalador. Quando a poeira assentar e o pano da teatral encenação se correr, vamos ver o que resta.

Pela nossa parte continuaremos a defender princípios e critérios objectivos ao serviço da liberdade autocaravanista. Denunciaremos o que pensamos oportuno fazê-lo, criticaremos o que nos parecer menos próprio e, como não podia deixar de ser, apoiaremos e elogiaremos o que de bom vier a ser feito para bem da comunidade que partilha os sentimentos e o estilo de vida do turismo itinerante em autocaravana.

Por isso, como dizia o poeta (Zeca Afonso):

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dáquém e Dálém-Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

Tribuna Autocaravanista

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Salazar e o autocaravanismo

Hoje, ao percorrer o ciber-espaço autocaravanista português dei comigo a pensar: afinal Salazar é o grande responsável pela actual situação do autocaravanismo em Portugal.
Não estou a delirar, sei muito bem que no tempo de Salazar não havia autocaravanas. Mas também sei que foi na sociedade que Salazar asfixiou que foram moldadas as mentes de mais de metade dos actuais autocaravanistas. Esta é a questão: Salazar deixou a sua marca indelével no comportamento (quantas vezes inconsciente) de várias gerações de pessoas, entre elas dos actuais autocaravanistas.
Salazar levou ao extremo o culto da personalidade e da autoridade do chefe. Hoje em dia o autocaravanismo está cheio de pessoas com tanto de vaidoso quanto de arrogante pois se sentem no direito de não ser questionados nem confrontados pelo simples facto de disporem de um qualquer estatuto de dirigente-chefe (independentemente da sua fonte de legitimidade ser ou não democrática).
Salazar cultivava o silêncio voluntário como forma de não se expor, ao mesmo tempo que pela força da repressão impunha aos seus adversários o silêncio. Há hoje por aí quem mostre o maior desprezo por aqueles que era suposto representar e quem ache que o autocaravanismo estaria muito melhor se aos autocaravanistas fosse proibido interpelar e/ou criticar os seus dirigentes.
Salazar formatou as pessoas na convicção de que sexo, religião, política e interesse colectivo não eram assuntos que se discutissem. Ora porque tinham uma complexidade que exigia conhecimentos só ao alcance dos iluminados, ora porque fazia despertar ideias perversas na cabeça do povo, ora porque só podia servir para criar inimizades entre amigos. O povo devia contentar-se em falar de futebol e em cavaquear sobre coisas mundanas, fúteis e circunstanciais, valorizando a confraternização no adro da Igreja celebrada com uns copos do vinho que dava de comer a 5 milhões de portugueses.
Também hoje o autocaravanismo está cheio de pessoas que se apresentam como os campeões da boa educação e da defesa da unidade. Mal alguém se envolve numa troca de argumentos ou confronta ideias logo vêm a terreiro clamar que acabem com as discussões que só servem para dividir o movimento autocaravanista. Que vergonha (dizem eles) transformarem a praça pública numa arena de combate pessoal. Daí o apelo que fazem: vamos mas é falar sobre o que nos une (querem eles dizer: não vamos falar de nada), vamos mas é confraternizar (que de festas e romarias é que o povo gosta).
Mas estes campeões da boa educação são também os primeiros a hipocritamente aparecerem de mansinho por detrás dos desavindos para os picar, para candidamente lançarem mais uma intriga, ou mais uma provocação, assim em jeito de quem atira a pedra e a seguir esconde a mão no bolso e assobia para o ar.

Moral da estória. Quer os dirigentes quer os autocaravanistas em que se apoiam sofrem do mesmo mal: a falta de cultura democrática de discussão. E o grande culpado disso é o Salazar que nos legou esta herança cultural.
Nunca é demais recordá-lo, menos ainda quando se celebra essa radiante madrugada que permitiu ao Povo português redescobrir-se e sentir o prazer de viver em Liberdade.
Modestamente aqui fica o meu tributo a todos os que tornaram o 25 de Abril uma realidade. BEM-HAJAM pela vossa acção e pelo vosso exemplo: Acreditar e lutar colectivamente organizados... é vencer.

Raul Lopes

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DE AUTOCARAVANA, PELA ESTRADA DA LIBERDADE


Comemoram-se em 2009, 35 anos de LIBERDADE política.
Tal como o fazemos hoje nas nossas autocaravanas, há séculos os portugueses revelaram novos mundos ao Mundo que percorreram, tomando conhecimento de novas e diferentes realidades. Mais tarde, tal como agora, esquecemos o direito à Liberdade e Identidade dos outros e quisemos aproveitar abusivamente o que nos era dado a conhecer, e acabámos a condicionar-lhes a vida, a cultura e a Liberdade, com os resultados que são de todos nós conhecidos. As quatro décadas do Estado Novo foram o período mais negro da nossa História, que quase fazia esquecer os gloriosos tempos da epopeia quinhentista. Por isso, a queda da ditadura foi um facto social e historicamente transcendente que modificou a face de um país fechado ao Mundo, à cultura, ao avanço civilizacional económico e social.


A 25 de Abril de 1974, a Democracia veio devolver a todos os cidadãos o Direito à Cidadania plena, que implica a co-responsabilização na vida de todos nós enquanto país e, com a nossa adesão à União Europeia, enquanto cidadãos europeus, membros de uma comunidade que acarreta uma história em que a LIBERDADE sempre procurou assumir o papel central desse Direito.


A necessidade de “gerir” essa LIBERDADE para todos os cidadãos obrigou à criação de Leis e Regras que deveriam prevenir comportamentos e reprimir atitudes que colidem com o bem-estar colectivo. Mas nem sempre o legislador conseguiu o desejável equilíbrio entre a Liberdade Individual e a Liberdade Colectiva, confundindo esta com interesses corporativos.


As “regras”, bastas vezes, resultam apenas do poder de influência de grupos de pressão (lobbies) que apenas pretendem fazer valer os seus interesses particulares ou de grupo. Ficam desprotegidos, geralmente, aqueles que querem verdadeiramente usufruir da LIBERDADE integral, entendida no quadro de respeito educacional e civilizacional que deve balizar a vida em sociedade. Ficam “marginalizados” aqueles que não querem submeter-se a lógicas de poder e “condicionamento” de ideias e movimentos, porque se assumem de espírito livre e verdadeiramente independente.
Estes são os excluídos e de alguma forma os proscritos, já que a Democracia pouco reforçou a sua capacidade individual de participação social e política e os seus direitos individualmente considerados, manietando o completo usufruto do verdadeiro âmago da LIBERDADE, enquanto bem único e Direito Humano Universal e Fundamental.


Ao contrário da humanização das sociedades, tendo em vista aquele bem essencial, estas vêm reforçando a componente da “harmonização forçada” do indivíduo, cedendo a uma “organização” pensada por poucos mas destinada a ser seguida, pelo menos, pela esmagadora maioria dos cidadãos.


Vêm estas palavras a propósito, também, do Autocaravanismo.


Na França, cujo lema republicano é a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, no espírito sobrevivente do Maio de 68, o Autocaravanista é um cidadão que goza de ampla liberdade e de apoios generalizados por parte da esmagadora maioria das autarquias locais, ao contrário do que acontece em terras lusas, onde se multiplicam as restrições à liberdade do autocaravanista e onde as autarquias “amigas” são uma minoria e, geralmente, estão localizadas em regiões do interior onde o turismo é uma miragem.
Em França nasceu e alicerçou-se um movimento associativo que sustentou e perspectivou com coerência e sentido de LIBERDADE o desenvolvimento do nosso estilo de vida e dos sentimentos que nos animam, obtendo resultados que a todos dignificam.


Por cá, pelo contrário, os principais “actores” ligados ao meio autocaravanista estão mais preocupados em como “gerir” comercialmente o mercado do “touring”, do que em assegurar a LIBERDADE dos Autocaravanistas, criando as condições adequadas a uma utilização socialmente correcta, mas livre, das autocaravanas.
Em Portugal tudo tem sido conduzido no sentido de condicionar a LIBERDADE autocaravanista, seja pelos “pró-campistas” com interesses comerciais ou associativos, seja pelos “ingénuos” representantes (e outros auto-intitulados) defensores do movimento que, com o “touring”, pretendem associar - confundindo - autocaravanismo e automobilismo.
Todos têm seguido uma política de conciliação de objectivos, tantas vezes ao arrepio da nossa LIBERDADE. Procuram parcerias e plataformas, ajustando interesses e sensibilidades, para nos convencerem da sua benevolência, procurando escamotear a apetência pelo condicionamento dos nossos movimentos e pelo nosso dinheiro.
Proclamam-se portadores de boa vontade e de seriedade, difamando quem tem a coragem de assumir a LIBERDADE de pensar diferente, procurando elevar-se no pedestal de uma pretensa vanguarda defensora do direito ao autocaravanismo (ou será antes ao “touring”?).


Tal como em França no rescaldo do Maio de 68, parece haver entre nós quem, receando a LIBERDADE, se junte em iniciativas e tomadas de decisão de, pelo menos, duvidosa representatividade. Com isso podem acabar por condicionar o ideal, mas, como a História revela, nunca conseguirão acabar com o seu espírito.
Por aqui, o espírito da LIBERDADE não morrerá, mesmo que os defensores do “touring” ordeiro e (a)condicionado consigam os seus intentos. Aqui na Tribuna Autocaravanista continuaremos a seguir pela Estrada da Liberdade, porque não há machado que corte a raiz ao pensamento.


Laucorreia

terça-feira, 21 de abril de 2009

O mau comportamento de alguns legitima a perseguição de todos os autocaravanistas


El Egido, na Província de Almeria, sul de Espanha, era tido como um paraíso selvagem para os autocaravanistas, já que as praias e o tempo ameno convidavam a ir até lá, e uma vez lá, “ninguém chateava”.
Não custa admitir o que por lá se foi passando, e as queixas de residentes não tardaram. No Verão passado um habitante fotografou um autocaravanista a despejar a sanita na sarjeta e com essa ilustração apresentou queixa no Município local.
A 3 de Dezembro último a Autarquia aprovou um regulamento que no seu artigo 26 estabelece:
No están permitidos los siguientes usos impropios de los espacios públicos y de sus elementos: acampar en las vías y los espacios públicos, acción que incluye la instalación estable en estos espacios públicos o sus elementos o mobiliario en ellos instalados, de tiendas de campaña o tinglados similares, así como la permanencia de autocaravanas o caravanas, salvo autorizaciones para lugares concretos. De incumplir esta norma de conducta, el Ayuntamiento podría sancionar al infractor con multas que oscilarían entre los 0,60 y los 300 euros.

Por agora a Polícia Local limita-se a dar um ultimato de 72 horas para os autocaravanistas retirarem, sob pena de serem rebocados. No Verão logo se verá o que acontece.
Uma coisa é clara desde já: esta é mais uma situação onde o mau comportamento de alguns legitima a perseguição de todos os autocaravanistas.
Definitivamente precisamos todos de compreender que pernoitar em autocaravana não pode confundir-se com acampar na via pública. Mais, se queremos ter legitimidade para reclamar os nossos direitos de turistas itinerantes, então temos que aceitar que o preço a pagar é impormos a nós mesmos um comportamento irrepreensível. De contrário continuaremos a ser vistos simplesmente como selvagens, seja pelas populações locais, seja pelos seus representantes institucionais.
Pior do que o efeito ambiental destas práticas é o efeito perante a opinião pública. Pensem nisso!

Raul Lopes
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vale a pena lutar... sob a liderança de instituições representativas!

O Município de Santander, em Espanha, instituiu um regulamento (mais um) a proibir indiscriminadamente o estacionamento de autocaravanas.

A FEAA (Federação Espanhola de Associações Autocaravanistas), pontualmente de forma conjugada com a PACA (Plataforma de Autocaravanas Autónoma), desencadeou um processo de defesa dos direitos dos autocaravanistas que passou por vários níveis de actuação: negociação directa com o Município reclamando a supressão da proibição e a criação de uma área de serviço; recurso administrativo para as autoridades regionais; recurso ao Provedor Público e disponibilidade para apoiar judicialmente os autocaravanistas na contestação das multas de que tenham sido vítimas.
Parece mesmo o que se passa por cá, não é?


Pois… por cá a Federação dos campistas reclama para si a tutela do autocaravanismo, mas na prática limita-se a usurpar os sinais internacionais indicadores das áreas de serviço (com o propósito de impedir a sua utilização fora dos campings). O CPA (que tal como a FEAA é filiado na FICM (Federação Internacional de Clubes Autocaravanas) vai-se entretendo a organizar arraiais… Aliás esta filiação internacional apenas tem servido para meia dúzia de pessoas anualmente participarem numa festa internacional organizada pela FICM.

Por sua vez, os patetas na sua doentia cegueira de dizer o contrário do que nesta Tribuna se vai dizendo, vão enaltecendo a criação de clubezinhos de amigos com autocaravana sem a menor preocupação com os problemas que preenchem a agenda do movimento associativo autocaravanista.

Enquanto isto, por cá os ecos que se fizeram ouvir sobre este caso resumiram-se ao aplauso de uma manifestação em Santander que reuniu uma centena de autocaravanas. Obviamente que nenhuma das instituições que tem estado sentada à mesa com o Município apoiou a convocação de tal manifestação. O sentido da dignidade e responsabilidade institucional assim o exigia. Só os patetas o não entendem.

Surpreendentemente, ou talvez não, entre nós foi precisamente pela mão dos principais lambe-botas da Direcção do CPA que se ouviu o aplauso a tal manifestação. Ou seja, aqueles que cá aplaudem quem se demite da sua responsabilidade institucional, são os mesmos que aplaudem os gestos de “contestação selvagem” capazes de colocar em perigo o sucesso da luta institucional que vem sendo desenvolvida em Espanha.

Fazem-no por incapacidade de definir uma linha de rumo coerente ou por ignorância? Num caso ou noutro, melhor seria que estivessem calados. Se não sabem do que falam… não falem.

Por mim registo mais esta deriva errante dos actuais protagonistas do autocaravanismo, lamentando que sejam pessoas destas a aconselhar os responsáveis do CPA, que, por sua vez, para além de não fazer nada sobre o assunto, “vende a alma ao diabo” deixando que seja a Federação Campista a reclamar-se do direito a falar em nome dos autocaravanistas. Tudo isto por contrapartida de um depoimento a pedido enxertado numa querela, sem o menor interesse para os autocaravanistas, destinada a dar cobertura a uma declaração infeliz de Ruy Figueiredo : que pequenez de espírito!
Quando será que percebemos que, mesmo sem bons casamentos, de Espanha sopram bons ventos? Já era tempo de algumas pessoas abrirem os olhos!
Raul Lopes
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Homenagem ao generoso inventor do touring

Directamente da cidade Luz, recebemos este naco de fina literatura que não resistimos a partilhar com os nossos leitores:

"À entrada do camping... Ainda espreitei pelo canto dos olhos para ver se estava por ali algum dos escorrimentos rancorosos e ressabiados, da bancada do bota-abaixo do movimento dos autocaravanistas. Mas não, ficaram a falar sozinhos na berma da estrada da internet, a olharem para os egos mal contidos pelos espelhos em que se remiram, babados na auto contemplação doentia. Ninguém à vista! E entrámos, suspeitando porém de uns feios bichos anões, um falcão, um lacrau, uma caracoleta e um tartarugo aluados e ranhosos, com ares de xerifes frustrados."

Quem é o “iluminado” autor? Ora descubra lá... nós ajudamos: é um autocaravanista sério, de boa vontade que, com serenidade, tranquilidade e perseverança luta de forma desinteressada, altruísta e voluntária por uma nobre causa de turismo, lazer e cultura, que alguns saloios designam por “touring” por pensarem que é mais fino e distintivo.

Ainda não descobriu quem escreveu aquela frase única? Nós damos mais uma ajuda. Leia lá esta obra prima do mesmo autor d´O Direito ao Autocaravanismo:

"Quem de certeza não representa os Homens, nem tem qualquer representatividade para questionar, senão o próprio ego, são os miseráveis que desenvolvem comportamentos anti-sociais, e se excluem do convívio em sociedade, e que no seu bota-abaixo falam sozinhos como autistas, perante espelhos que lhe reproduzem os gestos inconsequentes.
O movimento autocaravanista tem vindo a conhecer cada vez mais evidências de tomada de consciência pelo autocaravanismo, não apenas sobre os veículos, a problemática das autocaravanas e os estacionamentos, nem sobre questiúnculas entre autocaravanistas provocadas por quem não cresceu até ser Homem. Assim, multiplicam-se construtivamente, os blogs, as iniciativas e as realizações quer por parte da sociedade civil, quer por parte das autoridades públicas. O movimento dos autocaravanistas atingiu a sua maioridade, está pois em marcha: ordeira, consciente, cooperante e sistemática. Sem papas, sem papões, sem papás.
"

Do alto desta Tribuna fazemos uma vénia ao nobre e distinto autor deste fel que a Bocage faria inveja.

Para quem tivesse dúvidas, aqui está a prova de que o culto e erudito Doutor Luís Nandin de Carvalho é um autocaravanista de bem, sério, bem formado... e sobretudo muito bem educado!

Isto sim, é mostra de classe e nobreza só ao alcance dos iniciados e dos escolhidos. Faz tempo que a ditosa Pátria nos não legava um tão distinto filho. Que privilégio o dos autocaravanistas em poderem contar com ele, não exactamente entre nós, mas bem acima de nós.

Pela proliferaria das suas inigualáveis ideias, pelo empenho que tem colocado na construção de castelos na areia, pela insuspeita postura que em público e em privado tem mantido, pela esmerada educação e fino trato que tem revelado, já era altura dos autocaravanistas se unirem para lhe erguerem uma estátua, senão igual à do Marquês de Pombal, pelo menos com o gabarito de um elefante com o tamanho dos que cresceram até à idade de caminharem para o cemitério pelo seu próprio pé.
Assim sendo, daqui se convocam todos os autocaravanistas de bem e se lhes ordena: FAÇA-SE, JÁ! Nem que para isso seja necessário derrubar todas as estátuas erigidas a Gil Vicente, Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Saramago e outros que tais!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quem anda a enganar quem no autocaravanismo?

Durante esta semana passámos aqui em revista algumas das trapalhadas e malabarismos com que o "movimento transversal" dos autocaravanistas nos tentou fazer crer que são os salvadores da pátria do autocaravanismo. Para finalizar a semana escolhemos o tema das reuniões entre o MIDAP e o Turismo de Portugal.

Em Dezembro último uma delegação dos “autocaravanistas sérios” reuniu-se com dois técnicos do Turismo de Portugal e descreveu assim a reunião:

"Neste contexto, foi sublinhado o entendimento aliás maioritário no sector, de que a recente legislação sobre turismo do espaço rural e a portaria sobre parques de campismo apenas se aplica as autocaravanas se e quando usadas como alojamento em campismo, e não em autocaravanismo itinerante.
Deste modo, a actividade do autocaravanismo que não implique a pratica de campismo continua, do ponto de vista oficial, livre e desregulamentada, sujeitando-se apenas à legislação genérica, designadamente ao código da estrada, e demais diplomas do domínio do ordenamento do território e ambiental e ainda às posturas municipais
."

Este arrasoado não faz sentido e é contraditório nos seus próprios termos. Para ver que assim é basta pegar no final da frase e lembrar que não faltam por ai “posturas municipais” que definem como sendo campismo a simples utilização da autocaravana no espaço público. Mas, ... fixemos a nossa atenção noutro aspecto: quem constitui o tal entendimento maioritário no sector? Será a AECAMP, a FCMP, o CPA, o CAB e o MIDAP??? Uma coisa é certa, o membro do Governo responsável pela publicação da Portaria não é certamente como no final poderemos constatar…

Mais recentemente e ainda segundo o MIDAP, graças aos “esforços desenvolvidos de forma desinteressada, e em regime de voluntariado dos seus colaboradores”, ficamos a saber que está em curso “pelo núcleo de apoio ao autocaravanismo criado neste departamento do Estado” (Turismo de Portugal) várias iniciativas que vão proporcionar melhores condições para a prática individual e em liberdade do autocaravanismo.

Em rigor podemos dizer que FINALMENTE concordamos em absoluto com o MIDAP. Realmente o “trabalho” aqui mencionado pelo MIDAP em conjunto com o Turismo de Portugal vai proporcionar melhores condições para a prática do autocaravanismo. Como todos sabemos dentro dos parques de campismo temos à nossa disposição energia eléctrica, água, casas de banho, lavandarias, e outras infra-estruturas que não encontramos num simples estacionamento de automóveis… Não pensem os nossos estimados leitores que estamos de algum modo a ser irónicos. É que a (triste) realidade é mesmo esta, as melhores condições que o Turismo de Portugal vai proporcionar (em colaboração com o MIDAP) é remeter as autocaravanas para os parques de campismo. Certamente que nos próximos dias teremos mais uma investida do MIDAP e respectivos voluntários colaboradores a tentar desviar a atenção dizendo que o assunto da Portaria 1320/2008 está já mais que esclarecido de que só se reporta ao autocaravanismo enquanto campismo e que todos os que não pensem assim estão a agir de má fé….

Pois bem, para além dos elementos da Tribuna, que não acham que esta portaria só regulamenta o autocaravanismo enquanto forma de campismo e que ela é altamente lesiva dos nossos interesses enquanto praticantes do turismo itinerante, existe pelo menos mais outra pessoa que (acreditando nas palavras do MIDAP) está a agir de má fé nesta questão. Essa pessoa é apenas o Secretário de Estado do Turismo (o membro do governo responsável pelo Turismo de Portugal e pela portaria 1320/2008), que nas sessões de esclarecimento sobre o Novo Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos claramente indica que uma das novas modalidades do novo regime será o Autocaravanismo, a que, finalmente, é dada a autonomização face ao campismo, através da portaria 1320/2008….

Curiosamente esta informação está disponível no site do…Turismo de Portugal!!! Para aceder clicar aqui e ver o slide 13, que seguidamente reproduzimos.


E agora, quem engana quem? Serão os elementos desta tribuna que desde sempre alertaram para os perigos que a publicação da portaria traria para o autocaravanismo enquanto turismo itinerante, ou serão, os elementos do MIDAP que desde o primeiro momento se congratularam por terem ajudado a alterar (em prejuízo da nossa liberdade) a portaria?
Será isto apenas o resultado da incompetência e das trapalhadas próprias de quem entrou em frenesim para “mostrar serviço” escondendo a sua incapacidade para reflectir sobre autocaravanismo, ou será que existem outras motivações para sistematicamente andarem,
“simplesmente”, a mistificar a realidade tentando iludir os autocaravanistas?

Sabemos que no jogo político a demagogia não é crime, mas há limites para tudo, até para a demagogia. Todos temos presente que a justificação dada para a criação atabalhoada do MIDAP foi para ir a tempo de intervir na discussão pública da Portaria sobre campismo. Entretanto fizeram-no, com os resultados que estão à vista de todos, mas não revelaram capacidade para fazer o que quer que fosse de positivo (tão pouco mostraram saber sobreviver sem a protecção tutelar do fundador). Esgotado que está o projecto do MIDAP, não seria altura de decidirem acabar com a palhaçada e extinguir aquilo que verdadeiramente nunca existiu?

Seguramente esse seria o melhor serviço que actualmente o MIDAP poderia prestar ao autocaravanismo português.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Legislação sobre Autocaravanismo:... mais trapalhadas transversais

Quando se fala em legislação sobre autocaravanismo há duas posições igualmente legítimas e sensatas sobre o assunto. Há quem pense que a única maneira de impedir que as Autarquias Locais continuem a perseguir os autocaravanistas é obter do Governo legislação que reconheça os direitos dos autocaravanistas. Mas há quem duvide da possibilidade de se conseguir um adequado enquadramento legal e, consequentemente, pense que a melhor estratégia é não promover a criação de legislação nenhuma, o que nos permitirá continuar a ter no Código da Estrada o bastião da defesa do direito a circular e estacionar em liberdade. Nesta Tribuna já foram expressos estes dois entendimentos.

O que é inaceitável, por ser altamente perigoso para a preservação dos direitos dos autocaravanistas, é a criação de legislação avulsa, ora regulamentando um aspecto ora outro, particularmente sem a participação da comunidade autocaravanista na sua elaboração.

Ora, infelizmente foi isso que já se passou com a Portaria 1320/2008 que o Director do Gabinete de Estudos do MIDAP e outros dos seus "coloridos" membros analisaram de forma descabida e caricata chegando a afirmar tratar-se de legislação “apenas para parques de campismo com fins lucrativos”. Para além do mais, esta abordagem traduz uma confrangedora incapacidade para ler as consequências políticas da aprovação da referida Portaria.

Infelizmente, a via da alteração casuística foi também o caminho seguido pelo MIDAP quando foi para a Assembleia da República propor a alteração do Código da Estrada com o fim de nele incluir um sinal que defina as autocaravanas como uma categoria específica de veículos. Para ver como esta é uma ideia disparatada e irreflectida basta pensar que se tal acontecesse esse sinal iria servir principalmente para as Câmaras estabelecerem a proibição das autocaravanas estacionarem (e neste caso com suporte legal). Assim sendo a iniciativa do MIDAP é ... simplesmente mais uma trapalhada.

Mas as trapalhadas do círculo do MIDAP sobre legislação não se ficam por aqui.
A propósito da reunião na Assembleia da República entre a FCMP e a Subcomissão Parlamentar de Turismo, Nandin de Carvalho escreveu em Julho de 2007 algo com que concordamos. Dizia ele:
“… Assembleia da República, que assim fica reconhecida como um epicentro político responsável e interessado pelos fenómenos sociais, e que fica enobrecida pelo sua disponibilidade e estudo das matérais sobre autocaravanismo, remetidas para a responsabilidade de iniciativa de cada um dos grupos parlamentares, sendo que, em nossa opinião, cabe ao GP do PS, pela sua sintonia com o Governo, o dever de avançar e concretizar as iniciativas legislativas adequadas.”

Uma pessoa minimamente atenta, sabe que qualquer iniciativa parlamentar estará condenada ao fracasso se não dispuser do apoio do partido da maioria e era isso exactamente a que se aludia na passagem que referimos atrás. Por isso concordamos que a haver uma iniciativa parlamentar sobre o assunto tal iniciativa teria que envolver o grupo parlamentar do PS.

Contudo, 20 meses depois destas declarações e sem que a representatividade na AR tenha sido alterada, vêm gora dizer-nos que na sequência da visita do MIDAP à AR vai ser criada legislação especifica para o autocaravanismo, graças a uma iniciativa de dois deputados do PSD: Mendes Bota e Nuno da Câmara Pereira.

A “notícia” é tanto mais estranha quando surge a escassos meses do fim do mandato dos actuais deputados, nada garantindo sequer que sejam reeleitos nas eleições do próximo mês de Outubro. E está fora de questão que o que quer que seja venha a ser aprovado antes disso.

Assim sendo é inevitável que nos interroguemos: tudo isto não passa de mais uma das trapalhadas a que vamos ficando habituados, ou, mais grave, é uma jogada de demagogia político-partidária com antecâmara eleitoral, em jeito de quem tenta mostrar serviço para ganhar peso político nos bastidores manipulando e iludindo os autocaravanistas?

A resposta fica ao cuidado de cada um de vós. Mas talvez vos ajude saber que um dos deputados que agora nos é apontado como o herói salvador é o mesmo que em 2006 disse na reunião na AR ter visto no Algarve autocaravanas (a que chamou caravanas) estacionadas em “sítios turisticamente atractivos” (depreende-se que tais sítios deviam ser proibidos aos autocaravanistas), tendo ainda considerado “que os parques de campismo são locais seguros e fora deles seria inseguro estacionar autocaravanas.”

Depois destas considerações, quem tem dúvidas sobre quais são os locais que o senhor deputado considera adequados para as autocaravanas pernoitarem?
Nós não temos, por isso dizemos: oxalá as trapalhadas do MIDAP-Carvalho não tenham continuidade na acção destes deputados do PSD.

Como dizia a canção: pra melhor, está bem, está bem. Pra pior já basta assim!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porquê envolver a GNR nas trapalhadas do MIDAP?

Para o comentário de hoje da TAC, elegemos a mais recente excursão do MIDAP. Desta vez a visita foi ao Quartel do Carmo em mais uma iniciativa espalhafatosa de que não resulta qualquer proveito para os autocaravanistas, mas apenas e tão só, mais um banal desfile público de vaidades, que o uso de maquilhagem envolvente não disfarça e que só impressiona quem pela sua cabeça não pensar. Resultados concretos? Só o risco de efeitos colaterais que fazem dos autocaravanistas as principais vítimas.

O comunicado da delegação dos autocaravanistas “bem formados” presentes na reunião de trabalho com a GNR deixa-nos com uma simples e singela dúvida. O que foram realmente lá fazer? É que as conclusões referidas não acrescentam nada ao que o CPA já em 2006 tinha obtido, com uma ligeiríssima diferença: o CPA obteve por escrito todos os esclarecimentos devidos do Comando Geral da GNR.

Aqui reproduzimos o ofício com os esclarecimento da GNR divulgados em 2006 pelo CPA através de uma Press Release e no Boletim “O Autocaravanista”:

(Clicar na imagem para aumentar)

Para uma melhor compreensão do ofício, reproduzimos as questões colocadas em Setembro de 2006 pelo CPA através de uma carta então enviada ao Comando Geral da GNR:

1. No caso das autocaravanas com menos de 3500Kg, as regras aplicáveis à circulação e estacionamento das autocaravanas são distintas das aplicáveis aos restantes veículos ligeiros?

2. A adopção pelos municípios de normas de regulação do estacionamento na via pública que discriminam as autocaravanas, proibindo o seu estacionamento, tem suporte legal?

3. A verificar-se a legalidade do procedimento anterior, qual da sinalética definida pelo Código da Estrada deve ser afixada no local? Em particular, qual o suporte normativo para placas de sinalização vertical onde por debaixo do normal sinal de proibição de estacionamento surge a inscrição “autocaravanas” e/ou um desenho estilizado de uma autocaravana, quando não de uma caravana?

4. Existe alguma norma legal que imponha uma distância mínima a partir de um Parque de Campismo para uma autocaravana poder estacionar (no respeito pela lei geral de estacionamento de veículos ligeiros)?

5. Existe alguma norma legal que proíba que se pernoite no interior de um veículo ligeiro, nomeadamente de uma autocaravana, quando legalmente estacionado no espaço público?

6. Com que fundamento legal se pode considerar que os ocupantes de uma autocaravana estão acampados se esta estiver legalmente estacionada e, cumulativamente, não se encontrar a derramar qualquer tipo de fluído nem de alguma forma a ocupar um espaço para além do perímetro dos limites físicos do veículo?

Como facilmente se constata a delegação do MIDAP limitou-se a copiar as questões colocadas pelo CPA e a transmitir os esclarecimentos da GNR como se fossem pela primeira vez obtidos. Por várias razões esta reunião mais parece uma fantasia à maneira das "mesas redondas sobre autocaravanismo" protagonizadas pela Lady Nokia e companhia.

Para os autocaravanistas mais desatentos, esta nova “trapalhada” do MIDAP pode-se revestir de alguma gravidade pois são fornecidas informações que não correspondem à verdade. A GNR nunca poderia dizer que “considera ainda que não existe nenhuma lei que proíba o uso de calços nas rodas das autocaravanas. E ainda, que não existe nenhum normativo legal que obrigue as autocaravanas a recolherem a parques de campismo...” Usar este argumento com um agente da autoridade é criar um conflito gratuito que em nada nos beneficia.

Com efeito, esta afirmação não pode ser atribuída a um responsável da GNR pois este sabe que existem regulamentos e posturas municipais (que a GNR faz cumprir) que proíbem exactamente estas situações. Infelizmente existem vários exemplos, como Esposende, Espinho, Vila do Conde, Vila Real de Sto António e Odemira entre outros. Por exemplo, no município de Odemira o aparcamento de viaturas com a finalidade de pernoitar só é permitido nos parques de campismo e nos locais definidos para o efeito e devidamente identificados, mediante pagamento de taxa, quando afixada. Até há existência de locais definidos para o efeito, só é permito a prática nos parques de campismo. Este normativo legal foi publicado em 2004 em Diário da República, mantendo-se ainda em vigor. Com a entrada em vigor da Portaria 1320/2008, entende-se claramente de que tipos de locais definidos para o efeito, serão considerados pelo município de Odemira...

Neste regulamento estão ainda definidas as seguintes situações:
Estacionamento: Fora dos locais destinados ao aparcamento apenas é permitindo o estacionamento de viaturas, não sendo permitido o aparcamento, assim definido:
Aparcamento: Será considerado aparcamento sempre que se verifiquem uma ou mais das seguintes situações:
- Arrear os estabilizadores e colocar calços, etc.


Ou seja, no território nacional existem locais em que a utilização de calços na via pública é proibida e que o único local para as autocaravanas estarem é nos parques de campismo, ao contrário do que o comunicado do “movimento transversal” erradamente transmite.

Aqui não está em causa a concordância ou não com o regulamento do município de Odemira. Nem sequer está em equação a (i)legalidade de tal Regulamento (que não compete à GNR julgar). O que está em causa é mais um péssimo serviço prestado à causa autocaravanista por parte do MIDAP levando as pessoas ao engano. Já são erros e trapalhadas a mais para poderem explicar-se simplesmente pela incompetência.

O MIDAP/DeCarvalho, depois da patetice de se proporem dar aulas às forças policiais para os formarem sobre autocaravanismo, vêm agora propor a elaboração de uma circular para ser distribuída organicamente pela GNR o que é algo que temos dificuldade em qualificar. Ridículo é o mínimo que pode dizer-se. Os militares cumprem instruções recebidas hierarquicamente, não são marionetas que se movimentem ao sabor dos caprichos de alguém, por mais iluminado que se considere.

Se não sabem fazer bem, melhor fora que estivessem quietos e calados em vez de saltarem de trapalhada em trapalhada com a febre de quem quer mostrar serviço. Não é que nos incomode as suas tristes figuras, mas preocupam-nos as consequências dos seus gestos irreflectidos para a liberdade de ser autocaravanista em Portugal.

terça-feira, 17 de março de 2009

MIDAP: obra feita, ou apenas demagogia e trapalhadas sem fim?

Conforme antecipámos ontem, no texto publicado na Tribuna, iniciamos hoje uma série de comentários na TAC onde demonstramos clara e inequivocamente, que a frenética actividade do auto-entitulado grupo transversal de representantes dos autocaravanistas não passa de um exercício estéril e sem sentido, que nada de novo, e sobretudo de positivo, acrescenta ao movimento autocaravanista. Em bom rigor os autocaravanistas só têm a perder com as “trapalhadas” do MIDAP.

A primeira grande preocupação deste grupo tem sido mascarar a evidente falta de representatividade que tem entre os autocaravanistas. Ainda no último comunicado é referido que já se sentam à “volta da mesma mesa” vários clubes e entidades que depois vêm desmentir categoricamente que não fazem parte do MIDAP. Só por aqui podemos constatar a confusão e sobretudo a falta de rigor e seriedade que este “movimento transversal” vem emprestando ao movimento autocaravanista. Apesar da mestria colocada na arte da manipulação, do comunicado apenas ressalta a demagogia.

O espalhafatoso anúncio de um parque de estacionamento na capital, acessível a autocaravanas, não passa afinal de uma promessa e, como todos bem sabemos, de promessas está o mundo, aqui e além cheio, bem como de trocadilhos e provérbios usados ao sabor da corrente, para melhor iludirem a verdadeira realidade.
Por exemplo, e no caso concreto do concelho de Lisboa, já há 2 anos que o CPA tinha, também, a promessa da construção de uma AS com pernoita no Parque das Nações e que a CM Lisboa estudaria a proposta de localização de uma AS junto a Belém. Mas daí a ter-se concretizado no terreno as promessas, vai uma grande distância, ainda mais com eleições autárquicas pelo meio.

À medida que vamos lendo o comunicado do MIDAP, algumas preocupações vamos registando. Reveste-se-nos de particular gravidade a afirmação de que poderá ser criado um espaço como “alternativa ao parque de campismo de Monsanto para os autocaravanistas nacionais e estrangeiros que demandam a capital, poderem estacionar e pernoitar em segurança na suas viaturas.” Ou seja, o MIDAP não só deixa transparecer que concorda com a AECAMP e com a FCMP, de que o lugar das autocaravanas é nos parques de campismo, como retoma a ideia expressa na célebre Portaria n.º1320/2008 de que, fora dos campings, as autocaravanas terão espaços especialmente a elas destinadas, de acordo com o que lá se encontra estipulado.

Sabendo nós a apetência que as câmaras municipais têm para produzirem regulamentos de trânsito limitadores da permanência e estacionamento das autocaravanas, é de extrema gravidade que sejam os próprios autocaravanistas a proporem, directa ou indirectamente, a inibição ao livre estacionamento das autocaravanas.

Aqui está um claro exemplo de como uma boa ideia - a construção de parques de estacionamento e áreas de serviço - se pode converter numa má solução, se não forem tomadas as devidas cautelas, ou se deixarmos que estas pessoas se apresentem às autoridades como representantes dos autocaravanistas que não são, enquanto não se sujeitarem ao plebiscito de quem de direito. O uso e pelos vistos o abuso do nome de terceiros para lhes dar uma pretensa legitimidade terá os dias contados, quando a “máscara” cair e as consciências de todos os autocaravanistas despertarem.

Pela nossa parte, enquanto autocaravanistas, continuaremos firmes nos alertas, mesmo que vozes surjam a “querer” calar-nos e retirar-nos direitos de opinião e cidadania. Ao contrário de alguns, não nos insinuamos junto de ninguém como “representantes” de terceiros que nunca consultámos. Assumimos publicamente as nossas opiniões enquanto autocaravanistas livres. Tão só isso.

Constatar que cada dia que passa são mais os autocaravanistas que se reconhecem na nossa voz não é para nós um troféu, nem nenhuma premissa fundadora de qualquer movimento transversal, de um clube, observatório ou outra trapalhada qualquer. Sermos o espaço mais lido do cyberespaço autocaravanista é uma honra, é um estímulo, mas é também para nós uma responsabilidade acrescida.

Não nos calarão!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O que a Lei não define não existe

Começo por sublinhar que não estive presente no Colóquio sobre o “Autocaravanismo e as Leis Actuais” realizado no passado dia 13 de Fevereiro. E não estive pois este realizou-se ao princípio da tarde num dia de semana. Para os autocaravanistas e demais interessados neste assunto teria sido mais útil marcar este Colóquio para um período pós-laboral, mas percebo que para a organização tenha sido mais confortável ter uma assistência reduzida.

Apesar de não ter estado presente, é possível começar a formar opinião sobre a forma como decorreu esta iniciativa pelos relatos dos participantes que vão aparecendo nos blogs e fóruns. Partindo do pressuposto que o que é referido é verdade (e objectivamente não tenho razões para pensar o contrário), podemos constatar o seguinte:

1 – A organização deste colóquio foi sui generis...

A organização coube ao CPA, a pedido da FCMP e teve como presidente da mesa do colóquio o CCL, apesar de tanto o presidente do CPA como da FCMP se encontrarem na mesa do colóquio!!!! Parece que o CPA fez um frete à Federação ao aceitar surgir como organizador quando afinal foi um simples criado: não moderou o debate nem teve palavra a dizer na escolha dos oradores, não apresentou qualquer ideia relevante. Desta forma a associação do CPA ao colóquio parece apenas ter servido para a FCMP mostrar serviço "enquanto entidade que tutela o autocaravanismo". E o CPA mostrou-se obediente a esta estratégia.

2- As intervenções foram as esperadas

A primeira da responsabilidade de José Iglésias González, um dos fundadores do Clube Autocaravanista do Norte, o tal clube que exige a posse da Carta de Campista para se ser associado, fez uma exposição onde campismo e autocaravanismo se confundem constantemente. Uma posição coerente se levarmos em conta o que este orador vem escrevendo no seu blog. Este tipo de intervenção não é de modo nenhum útil ao autocaravanismo enquanto turismo itinerante. Já nos bastam os péssimos trabalhos jornalísticos que insistem nesta confusão. A não ser que a organização do colóquio entenda benéfica para as suas intenções e objectivos alimentar esta confusão...


Seguiu-se a intervenção do consultor da FCMP que deixarei para o fim pois aproveitarei para a partir dela mais uma vez voltar a abordar a já célebre Portaria 1320/2008.

A 3ª intervenção esteve a cargo da representante da ACAP, que revelou a constituição de uma surpreendente “plataforma sectorial” constituída pelo triunvirato ACAP-AECAMP-FCMP. Haverá dúvidas sobre as pretensões desta Plataforma e ao que ela nos levará?


A última intervenção da responsabilidade do CPA, revelou mais uma vez a confrangedora falta de ideias e projectos da actual direcção. Em vez de abordar os mais recentes desenvolvimentos e expor o que pensa o maior clube de autocaravanismo português, a intervenção foi dedicada à exposição da história do CPA... Mais uma oportunidade enjeitada para quem deveria ter pretensões de liderar o movimento autocaravanista português.

Para último deixei a análise da intervenção do consultor para a área jurídica da FCMP. A actividade dos profissionais de Direito é uma actividade muito particular e muito diferente das demais. Estes profissionais trabalham e desenvolvem a sua actividade em função daquilo que lhes é pedido pelos seus clientes.

Alegadamente o advogado da FCMP terá referido que “o que a Lei não proíbe é permitido” de modo a justificar que a Portaria 1320/2008 só se aplica ao campismo e que nada impede por isso que os autocaravanistas pernoitem na via pública, ao contrário do que referiu um dos dirigentes da FCMP no Verão passado e o que defende a direcção da AECAMP...

Na mesma linha, eu que não sou advogado, jurisconsulto nem mesmo estudante do 1º ano de direito, diria o que a lei não define não existe... Confuso???

Nada mais simples de justificar.

Se fizermos uma simples análise comparativa entre o projecto de diploma que esteve em discussão pública e a versão final da portaria 1320/2008 veremos que as alterações significativas se reflectem no artigo 29º:

O artigo na versão de projecto era o seguinte:

Artigo 26º - Parques de caravanismo exclusivamente destinados a autocaravanas
1 - Nos parques exclusivamente destinados a autocaravanas pode ser dispensada a existência dos equipamentos de utilização comum previstos no artigo 11.º, salvo os previstos nas alíneas a) a c) do número 1 e no número 3 do mesmo artigo.
2 – As áreas de serviço previstas no número 4 do artigo 11º são obrigatórias nos parques de caravanismo exclusivamente destinados a autocaravanas.
3 - As estações serviço referidas no número 3 do artigo 11º devem estar revestidas com materiais impermeabilizados e dispor de equipamento próprio para: a) Escoamento de águas residuais; b) Esvaziamento de WC químico/Sistema de lavagem e despejo de cassetes sanitárias de autocaravanas; c) Abastecimento de água potável; d) Despejo de resíduos sólidos urbanos.

Na versão final passou a:

SUBSECÇÃO II
Espaços destinados exclusivamente a autocaravanas
Artigo 29.º
Áreas de serviço
1 — São áreas de serviço os espaços sinalizados que integrem uma ou mais estações de serviço, equipadas nos termos do artigo 27.º, destinados exclusivamente ao estacionamento e pernoita de autocaravanas por período não superior a setenta e duas horas.
2 — As áreas de serviço que não se encontrem integradas em parques de campismo e de caravanismo ficam obrigadas apenas ao cumprimento do disposto nos artigos 7.º, 8.º, 10.º, n.os 1, 2, 3 e 5, 12.º, 14.º, 20.º e 24.º a 26.º da presente portaria, com as necessárias adaptações.
3 — As áreas de serviço não integradas em parques de campismo e de caravanismo devem dispor de serviço de recepção presencial ou automático disponível vinte e quatro horas por dia.

Ou seja, o espírito que presidiu à elaboração da portaria 1320/2008 foi radicalmente alterado quando se passou do projecto de diploma para a versão final. Após o período de consulta pública, foi publicamente revelado que tanto a FCMP como o MIDAP intervieram para alterar o conteúdo do diploma e que após a sua publicação vieram congratular-se pelo resultado obtido. Terão os autocaravanistas razões para agradecerem estas intervenções?

O que inicial e claramente indicava um parque de campismo só para autocaravanas (Parques de caravanismo exclusivamente para Autocaravanas), foi substituído por uma denominação que abarca todas as zonas (quer sejam dentro ou fora de um parque de campismo) onde podemos ter infra-estruturas para o autocaravanismo.

De facto esta portaria não proíbe por si só, o estacionamento de autocaravanas, nem a pernoita, fora de parques de campismo (sejam eles mini ou maxi), mas apresenta um facto igualmente grave. Esta legislação faz com que pela primeira vez se aborde o fenómeno do autocaravanismo, misturando-o perigosamente com a actividade campista (na realidade apresenta o autocaravanismo como uma forma de campismo, tal como a utilização de tendas e caravanas), não deixando espaço para a prática do autocaravanismo como turismo itinerante. Isto significa que por extrapolação se considere a pernoita de autocaravanas fora dos parques de campismo (à semelhança do que acontece para as tendas e caravanas) como campismo selvagem.


Outro facto também grave é que desde a publicação desta portaria as AS desenvolvidas de acordo com o projecto técnico do CPA e que não estejam dentro de parques de campismo passam a estarem fora da lei. Não será de forma nenhuma especulativo, afirmar que finalmente as câmaras municipais tem na mão um importante instrumento castrador da liberdade dos autocaravanistas. Agora sim, será ainda mais fácil (e legalmente legitimo) elaborar regulamentos municipais de trânsito onde se definem os locais em que as autocaravanas podem (e devem) pernoitar como os parques de campismo ou as AS definidas de acordo com a Portaria 1320/2008. Caiem por terra os legítimos argumentos dos autocaravanistas da ilegalidade das proibições de estacionamento (apenas estacionamento!!!) contidas nos regulamentos municipais, em que apenas se proibia as autocaravanas, quando na realidade estes regulamentos deveriam proibir apenas classes de veículos...

O que a Lei não define não existe. Ou seja, neste momento na legislação nacional, o autocaravanismo está definido apenas e só como uma forma de fazer campismo. E esta definição de autocaravanismo abarca não só as autocaravanas quando estão nos parques de campismo, mas também quando não o estão. O que faz com que a legislação sobre o autocaravanismo esteja "fechada", leia-se a actividade do autocaravanismo encontra-se regulamentada.
Antes da Portaria 1320/2008, o estacionamento e pernoita de autocaravanas, apenas se encontrava condicionado pelo código da estrada (e regulamentos municipais de trânsito) e pelos diplomas que envolviam os POOCs. Actualmente, o estacionamento continua a ser condicionado pelo código da estrada (e regulamentos municipais de trânsito) e pelos vários POOCs, estando a pernoita condicionada a estes espaços destinados exclusivamente a autocaravanas, tal como define a referida Portaria.

Para finalizar, é de realçar que este colóquio parece ter tido o condão de finalmente abrir os olhos aos autocaravanistas. Pelo que se vai lendo nos fóruns e blogs relacionados com o autocaravanismo podemos concluir que aquilo que aqui vamos dizendo e alertando há muito tempo, está a ser repetido um pouco por todo o lado. E era tão bom que não tivessemos razão...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem seguir na marcha do autocaravanismo?

Na vida os erros pagam-se caro. Quando nos aliamos aos perdedores, acabamos derrotados com eles. No autocaravanismo as coisas não são diferentes. Daí que precisemos escolher bem as nossas companhias, daí que seja importante saber reconhecer os vencidos e os vencedores. Hoje, Sexta-Feira dia 13, aqui ficam 13 contributos para identificar uns e outros no palco autocaravanista português.

  1. Um vencedor não teme o erro, pois sabe admiti-lo com humildade e está sempre pronto a corrigi-lo e a aprender com os seus erros. Um perdedor recusa-se a reconhecer que errou, e quando é obrigado a fazê-lo desculpa-se atribuindo a culpa a outros.
  2. Um vencedor enfrenta as críticas com lealdade e frontalidade. Um perdedor quando criticado vai a correr retocar o perfil, apressa-se a modificar ou mesmo a apagar o que antes escreveu de si mesmo, auto-elogia-se freneticamente para fazer esquecer as críticas que lhe são dirigidas.
  3. Um vencedor assume com humildade os seus actos, as suas vitórias e as suas derrotas. Um derrotado clama vitória antes de travar o combate e passa a vida a reescrever a história e a dizer que nunca disse o que disse, que nunca fez o que fez, que nunca esteve onde esteve.
  4. Um vencedor aprende com as críticas que lhe fazem e enfrenta as adversidades com redobrada energia. Um perdedor encara a crítica como um ataque pessoal sem quartel e refugia-se no discurso da vítima enraivecida a espumar de ódio.
  5. Um vencedor tem uma estratégia que prossegue com determinação e critério, enfrentando as dificuldades uma a uma. Um perdedor comporta-se como uma barata tonta vinda do além, mistura alhos com bugalhos, dispara em todas as direcções e não consegue acertar em nenhum alvo.
  6. Um vencedor é um guerreiro frontal e leal. Um perdedor é um cobarde que morde pela calada, que atira a pedra e esconde a mão.
  7. Um vencedor tem ideias próprias que não teme submeter ao escrutínio da crítica. Um perdedor refugia-se no discurso politicamente correcto para esconder a ausência de ideias ou fantasia e mistifica pois só sabe que tem que dizer o contrário do que os seus rivais dizem.
  8. Um vencedor é autoconfiante, consciente das suas capacidades, mas também das suas limitações, não dispensando a autocrítica. Um perdedor é um vaidoso convencido, alguém que passa a vida a tocar o seu umbigo enquanto olha para o espelho, alguém cuja motivação para o combate se esgota na inveja e na rivalidade mesquinha.
  9. Um vencedor compromete a sua palavra e tudo faz para a honrar. Um perdedor está sempre prenhe de ideias e de promessas mas é incapaz de as honrar ou mesmo de se empenhar na sua concretização.
  10. Um vencedor ouve o que os outros dizem, pondera os seus argumentos e pronuncia-se sem subterfúgios. Um perdedor não se ouve a si próprio, ignora os argumentos que lhe apresentam, mas tem sempre resposta para tudo, mesmo antes dos outros colocarem as questões.
  11. Um vencedor reconhece aqueles que sabem mais do que ele e procura aprender com eles. Um perdedor declara seu inimigo quem revelar sabedoria e concentra-se nos seus defeitos para tentar denegrir a sua imagem pública.
  12. Um vencedor arranja sempre maneira de ser parte da solução. Um perdedor não consegue evitar ser parte do problema.
  13. Um vencedor é um líder natural que não precisa de se impor para ser reconhecido entre os seus pares. Um perdedor é simplesmente um derrotado permanentemente em bicos de pés, alguém capaz de conduzir um exército para um abismo sem saída, alguém incapaz de perceber que o deixaram a falar sozinho (como é sina dos tolos).

De entre os actores que evoluem no palco do autocaravanismo em Portugal, pode não ser fácil identificar os vencedores, mas os perdedores só não os identifica aquele que é cego por não querer ver.

A si que me lê, cabe a responsabilidade de decidir se quer ser parte da solução ou do problema, se quer seguir ou barrar o caminho aos perdedores que inevitavelmente conduzirão o autocaravanismo para os terrenos pantanosos onde se vai afundando.

Raul Lopes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O que quer afinal o CPA?

O CPA vai “organizar” um colóquio sobre Autocaravanismo na FIL, no decorrer da edição de 2009 da Nauticampo.

Dito desta forma, poder-se-ia dizer que estávamos perante uma eventual iniciativa interessante e num quadro adequado à sua realização, já que, esta feira tem uma forte componente expositora na área do autocaravanismo.

Contudo, o colóquio será organizado pelo Clube, mas… a “convite” da FCMP, indo o CPA, mais uma vez (e desta feita), a reboque da Federação de Campismo, como já tinha ido na visita e almoço à AR, nessa altura, a reboque/convite do MIDAP.

Curiosamente, este “movimento de movimentações” ditas “independentes”, tão proclamado nas últimas etapas do autocaravanismo virtual como o “salvador da nação autocaravanista”, não foi contemplado na participação coloquial.
Das duas uma, ou a FCMP pura e simplesmente não os quis lá, reduzindo-os à sua real (in)significância, ou o CPA deixou cair os “amigos”, não chegando sequer a sugerir a sua participação.

Para além deste aspecto de cariz institucional tão importante, levantam-se outras questões de orientação que não podem ser descuradas.

Não se compreende, desde logo, em que águas navega, afinal, o CPA – se nas águas da concepção estritamente campista, sob o cioso “controlo” da FCMP, ou nas águas lodosas do pseudo multi-associativismo-unitário-e-de-boa-fé, resultante da “agremiação” de clubes, círculos, movimentos, blogues e portais, sob a batuta de um(a) ONGA virtual.

A deriva do Clube é cada vez mais evidente, desdobrando-se a acompanhar, de forma sempre arrastada, todos os que aspiram a falar sobre autocaravanismo, sem perceber qual a sua legitimidade, coerência e identidade de princípios.

O CPA desbaratou, há muito, qualquer sentido de dignidade e de orientação. O Clube vira-se, qual cata-vento, a qualquer brisa, por mais insignificante que ela possa ser. O sentido ético e de honradez em defesa do Autocaravanismo, de acordo com aquilo que eram os seus princípios e a identidade com o sentimento maioritário dos autocaravanistas, perderam-se em absoluto.

Não se compreende que no colóquio “organizado” pelo CPA, seja “entregue” ao Clube apenas um dos temas, e logo o de menor impacto, reduzindo-o à mera condição de mais um clube federado e não, como seria de esperar, elevando-o à condição de Instituição referência do Autocaravanismo em Portugal.

Com uma oportunidade única de introduzir e liderar a discussão de temáticas mais importantes - nomeadamente nas que pretendeu assumir-se como “oposição” às teses da FCMP, se fizermos fé nas afirmações de um passado recente - preferiu aceitar ser relegado para um papel de menor relevo, apresentando-se, uma vez mais, de cócoras, perante aqueles que mais têm apostado na fórmula redutora e “aprisionada” de Autocaravanismo.

Tristes cenas desta Direcção e triste sina a deste Clube. Mas é o que dá quando o sentido de oportunidade e liderança cede lugar ao oportunismo próprio dos papalvos ávidos de exibicionismo sem qualquer conteúdo sério.

Esta participação tem ainda o condão de ampliar a confusão entre campismo e autocaravanismo.
Se já assistimos a um CPA soçobrando ao “encanto das sereias troianas”, agora assistimos ao mesmo filme perante as “sereias gregas”.

O CPA, qual meretriz do autocaravanismo, desdobra-se em participações espúrias, deixando os seus associados e autocaravanistas em geral na maior das confusões.
O que quer afinal o CPA?

Laucorreia

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Autocaravanistas na AR: no final, tudo como dantes, e o CPA pior do que nunca

No dia 20 de Janeiro, a Subcomissão de Turismo da Assembleia da República recebeu 6 autocaravanistas que integravam uma delegação do MIDAP. Em rigor quem se deslocou à AR não foi uma delegação mas a quase totalidade dos membros do MIDAP, conforme facilmente se pode concluir comparando as fotos dos presentes na AR e na última reunião plenária do MIDAP.

Houve quem se apressasse a referir que ontem se escreveu a história do movimento autocaravanista na AR, esquecendo-se que a verdade vem sempre ao de cima e que por mais mentiras e mistificações que se façam, a história que conta é a que fica registada na memória e na consciência colectivas.
Mas compreendemos este embandeirar em arco com a reunião, pois era preciso disfarçar o fundamental: estes 6 qualificados autocaravanistas saíram da AR com uma mão vazia e outra cheia de nada. Como aliás qualquer pessoa conhecedora da Ordem Jurídico-Constitucional portuguesa sabia de antemão que aconteceria.

Por isso, para a história vai ficar que este foi o dia onde alguns se puseram em bicos de pés fingindo ter uma representatividade que não têm, e o dia em que pela mão do seu presidente Ruy Figueiredo o CPA se prestou à mais completa humilhação.

O CPA permitiu-se aparecer na AR como parte de uma delegação de um "Movimento ainda em formação" (MIDAP), com o mesmo estatuto que é atribuído ao "circulo" que é "uma associação sem personalidade jurídica de tipologia informal" (CAB), a uma secção de autocaravanismo inactiva à vários anos (CCL-autocaravanismo), a um Projecto que é apenas e só um fórum, (Projecto Camping Car Portugal) e - a cereja no topo do bolo - o “observatório”, pretensa ONG que nem sequer está formada e que apenas existe na mente de uma só pessoa que precisa de um pretexto para se exibir.

O CPA é filiado na Federação de Campismo e fazia parte de um Grupo de Trabalho sobre o Autocaravanismo por isso consideramos legítimo que Ruy Figueiredo tenha estado na AR em 2005 integrado numa delegação da FCMP.
Mas ir à AR como parte de uma delegação do MIDAP, é coisa que se não entende. Ou por outra, entende: Ruy Figueiredo esqueceu as responsabilidades do cargo que ocupa, não hesitando em sacrificar os interesses do Clube ao apelo da vaidade pessoal. Será por ter esse peso na consciência que em vez de se dirigir directamente aos sócios encarregou essa figura abstracta que é o InfoCPA para lhes comunicar o que lá se tinha passado?

Depois de confirmar que a reunião na AR não passou de uma visita de cortesia aos senhores deputados, e que esta tão qualificada delegação apenas se representou a si própria na AR, o comunicado “oficial” do MIDAP informa-nos que foi entregue aos deputados o grande tratado jurídico - DIREITO AO AUTOCARAVANISMO - um hino à arte da mistificação, onde se confunde o enunciado de princípios gerais com normativos legais de regulamentação da actividade autocaravanista.
Nem sequer faltou a reafirmação tola de que todos os problemas legais do autocaravanismo se resolvem com a criação de um sinal onde esteja o pictograma de uma autocaravana, por forma a que passe a haver suporte legal para... enviar as autocaravanas para os campings. É óbvio que os autocaravanistas não precisam de nenhum direito AO autocaravanismo, pelo simples facto de que ninguém o proíbe. O que os autocaravanistas precisam é de legislação que fixe o Direito DO Autocaravanismo que nos assegure a liberdade de responsavelmente sermos autocaravanistas.
Os autocaravanistas não precisam de mais sinais de trânsito, precisam é que a Lei ponha fim à perseguição das autocaravanas legalmente estacionadas no espaço público.

O resto não passa de conversa da treta, trocadilhos de palavras que apenas servem propósitos narcisistas. Tal simulacro de “documento”, assim como o seu irmão Relatório do Estado da Nação Autocaravanista, não recebeu da comunidade autocaravanista qualquer comentário substantivo, pela simples razão de que não merece sequer discussão. Apenas merece que os ignoremos. Estranha-se pois que o CPA (que nunca colocou à consideração dos seus sócios tal assunto) tenha agora legitimado a sua entrega na AR, assim como de “documentos” que contêm afirmações profundamente lesivas dos interesses dos autocaravanistas. Salvo melhor opinião, este gesto é um insulto à inteligência dos deputados que democraticamente escolhemos como legítimos representantes da Nação, e uma desconsideração a todos os autocaravanistas portugueses e particularmente aos sócios do CPA que confiaram na sua Direcção para defender os seus interesses.



NOTA: A imagem que iustra este post, é cópia do documento oficial da Assembleia da República, onde não é feita qualquer referência ao CPA mas sim ao MIDAP, perguntando-se, então, a que título Ruy Figueiredo lá esteve? E o que esteve a fazer no almoço onde se pediu o agendamento da reunião?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Direito de resposta, ou uma questão de educação?

Quando nos cruzamos na rua com alguém que nos dirige a palavra, naturalmente correspondemos-lhe. É uma questão de boa educação.

Quando um amigo nos envia uma mensagem para o telefone ou para o email, nós devemos responder-lhe. É uma questão de boa educação.

Cimentado nesta boa norma de educação, o Código Administrativo acolheu o princípio de que os cidadãos têm o direito a obter resposta das instituições públicas. Por isso definiu muitas vezes que os requerimentos não respondidos em tempo útil obtêm deferimento tácito.

Por isso as instituições e os dirigentes que se prezam em respeitar aqueles a quem servem adoptam como procedimento de rotina confirmar ao remetente toda e qualquer comunicação recebida.

Como é diferente a prática que se observa no autocaravanismo em Portugal.

  • Aparentemente por desconhecimento desta regra de respeito, várias vezes vimos no autocaravanismo exibir como troféu uma simples resposta protocolar de uma qualquer entidade pública. Resposta do género “tomámos nota da ocorrência” (o que significa, damos a nossa função por cumprida, agora lavamos daí as mãos). Ainda recentemente os dirigentes do MIDAP se prestaram a este número patético, exibindo um ofício protocolar de um Ministério como prova de que o Governo estava sensível às suas preces. Isto é laborar em erro e é criar falsas expectativas nos autocaravanistas. Praticado por quem sabe o que está a fazer, é desonestidade intelectual.
  • Por sua vez, os actuais dirigentes do CPA (individual e colectivamente considerados) repetidamente têm exibido o seu autismo às interpelações públicas e privadas que os sócios lhes dirigem (eu próprio sou disso testemunha directa). Ao fazê-lo esquecem que não são donos do Clube, e esquecem que não fazem favor nenhum aos sócios em ocupar os cargos de direcção ou em responder-lhes.
  • Pelo contrário. O favor que fizeram ao Clube foi o de se disponibilizarem para o gerir, mas as mordomias inerentes a esse favor cessam no momento em que são eleitos para o cargo. Uma vez eleitos assumem a responsabilidade de gerir o Clube no respeito pela vontade e na defesa do interesse dos sócios. Ora, num Clube com órgãos ocupados por pessoas que prezem o seu bom-nome e que se queiram merecedoras do respeito dos sócios, a primeira coisa que têm a fazer é revelar respeito pelos sócios. Uma das formas básicas de o fazer é reconhecer-lhes o direito à informação, e o direito a obter resposta. Ao menos uma simples notificação protocolar do tipo: “confirmamos a recepção da sua mensagem a qual oportunamente nos merecerá ponderada atenção”.
  • Além do mais, esta é uma questão de boa educação. É para mim inconcebível que haja no movimento associativo dirigentes que respondam ao gesto de saudação de um qualquer autocaravanista desconhecido com que se cruzam na estrada, mas que não usem de semelhante cordialidade no trato com os sócios do Clube que dirigem.
Ao que chegou o autocaravanismo a que com afecto dei o meu melhor contributo.

Para onde vai o autocaravanismo português?

Raul Lopes

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quo Vadis Decarvalho?

O Prof. Doutor Nandin de Carvalho, aliás Decarvalho, parece empenhado em reescrever a história do autocaravanismo e a sua própria.

Já o vimos apresentar a primeira factura do convite para o almoço na AR quando se serviu do Presidente do CPA, Ruy Figueiredo, para reescrever a história e afirmar que foi pela sua mão que o autocaravanismo chegou pela primeira vez à Assembleia da República e que o presidente do CPA não teria estado na AR em 2005. Em baixo reproduz-se um texto da autoria de Júlio Almeida e Costa (à data Vice-Presidente da Federação), publicado na Revista da FCMP.



Pode-se ler neste artigo que a delegação da FCMP foi constituída pelo seu Presidente, Vice-Presidente e 4 dirigentes (leia-se dirigentes associativos dos 4 clubes que integraram o Grupo de Trabalho. Se fossem dirigentes da FCMP teria sido escrito Directores.....)


Mas antes deste número de magia já ele havia substituído a roupagem do simplesmente Decarvalho para se apresentar como o Prof. Doutor Nandin de Carvalho, autor do Direito ao Autocaravanismo, patétice que exibe como uma mistificação do direito do autocaravanismo (que como todos sabemos não existe). Por este andar ainda um dia vamos ficar a saber que foi Decarvalho quem inventou o autocaravanismo, repete-se: turismo itinerante rodoviário motorizado.

Perseguido pela imagem do seu próprio passado, decidiu agora retocar o seu perfil. Vai daí apagou do seu Blog o post aí colocado no dia 25 de Maio de 2007, onde, num gesto de vaidade sem precedentes, se exibia com as vestes, colar e espada de Grão Mestre da Maçonaria Regular, anunciando à Nação Autocaravanista a sua superior qualidade .
Qualquer dia ainda manda retirar do site da maçonaria a informação que ai consta sobre si para depois nos vir dizer que nunca foi maçon.

Reproduz-se aqui a página do Blog do AlenquerCamping que entretanto foi apagada. Será que algum advogado o aconselhou a apagar os posts no seu próprio blog? Se foi isso, tem muito que apagar, embora já tenha treino na tarefa. Mas também não valerá de muito... O comando copy pode ser muito precioso.....

Para quem ameaçava processos atrás de processos por violação do direito ao uso de pseudónimos e de preservação de identidade, afinal foi o primeiro a violar a sua própria identidade... será isso passível de processo no DIAP?

Facilmente podemos pesquisar e encontrar na Net as suas desventuras. Por aí ficamos a saber que depois de ascender ao topo da maçonaria acabou por dela sair pela porta pequena das traseiras, mas certamente não é isso que o faz correr a branquear o seu passado entre os autocaravanistas.

Afinal o que esconde e para onde quer ir Decarvalho?

Nuno Ribeiro

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Não há almoços grátis....

No dia 9 de Janeiro, através do utilizador InfoCPA ficamos a saber pelo fórum do CPA que :

"O CPA vai participar numa reunião de trabalho sobre autocaravanismo com o deputado Mendes Bota, agendada pelo MIDAP."

Realça-se o facto de pela primeira vez nos últimos tempos a informação ter sido dada em primeiro lugar no fórum do clube e não noutro lado qualquer. Pórem, a direcção do CPA, mais uma vez deixa bem vincado que deixou de ser a locomotiva do movimento autocaravanista para se posicionar num lugar subalterno de uma qualquer carruagem de 4ª ou 5ª categoria!!!!

Ainda se tentou justificar o injustificável, mas se o cenário era desolador ainda mais negro ficou quando se legitimou o recurso ao tráfico de influências e à ajuda dos "lobyistas" profissionais, numa clara situação de não olhar a meios para atingir os fins... Este caminho, sinuoso e obscuro, é muito perigoso e uma vez percorrido não há meio de voltar atrás!!!! A "factura", mas tarde ou mais cedo, será inevitavelmente apresentada...

Finalmente no dia 12 de Janeiro ficou-se a saber pelo blog dos "traficantes" que afinal a reunião do dia seguinte era um almoço...

No dia 13 de Janeiro à noite aconteceu mais uma curiosa sucessão de posts no fórum do CPA e blogs afins aos "traficantes":

- No Blog do Círculo que já foi Clube, ficamos a saber que "representantes do Cab – Círculo de Autocaravanistas da Blogo-esfera reuniram com o Presidente da Subcomissão Parlamentar do Turismo, Dr. Mendes Bota. Estiveram igualmente presentes na reunião representantes do MIDAP – Movimento para Desenvolvimento do Autocaravanismo, do CPA – Clube Português de Autocaravanas e do Observatório Não Governamental do Autocaravanismo (em formação)." Anedótico.....como pode o CPA descer a este nível. Mas o que representa o MIDAP, o CAB e o ONGA???? Para compor o ramalhete só faltaram a Lady Nokia, o Herr Knausser e a Dona Rosa Fernandes.

- No Blog dos "traficantes" independentes , ficamos a saber que no "Almoço do movimento autocaravanista" foram "acordadas acções com o sr. Deputado e que terão uma importância decisiva para o Autocaravanismo". Hilariante....a arte da ilusão elevada ao seu máximo expoente!!! Representantes do movimento autocaravanista só há um. Apenas Ruy Figueiredo tem legitimidade para invocar tal estatuto. Os restantes nunca se submeteram a qualquer eleição democrática entre a comunidade autocaravanista. A maioria são de resto completamente estranhos aos autocaravanistas, e aquele que o não é (o "traficante-mor" deCarvalho) tem se tornado famoso pelas piores razões.

- No Blog do "traficante-mor" ficamos a saber que o importante contributo do CPA e do seu presidente foi a referência aos "dados estatísticos relevantes do relatório da CCRDA sobre o sector e perante estas testemunhas qualificadas desmentiu frontalmente que alguma vez tivesse sido antes recebido na AR integrado em qualquer delegação da Federação de Campismo." Fantástico....Como se o sr. deputado não soubesse o que se passa na sua região....e é CCDRA!!! o que o presidente do CPA quis dizer era que desmentia frontalmente que era o único que estava sentado àquela mesa que tinha sido antes recebido na AR integrado em qualquer delegação da Federação. Havia mais uma pessoa à mesa que esteve presente na AR há 4 anos.....

- Mas mau, mesmo mauzinho, que se lamenta profundamente, é o que podemos ler no fórum do CPA. O InfoCPA transmite-nos o seguinte sobre esta almoçarada: "Da reunião havida, hoje com o deputado Dr. Mendes Bota, além da informação prestada sobre o actual estado do autocaravanismo em Portugal, foi prometido pelo Sr. deputado a envidação de esforços para que seja realizada uma audição com a Subcomissão Parlamentar do Turismo. Espera o CPA,com esta presença, ter afirmado o seu lugar como o maior clube representativo dos autocaravanistas portugueses." Depois do anedótico, do hilariante e do fantástico, resta-nos o patético!!!!

Ser o maior clube representativo dos autocaravanistas é não se deixar condicionar nem iludir por pretensas manifestações individuais e egocêntricas sem qualquer representatividade, é ser digno e não se prestar a ser uma simples marioneta nas mãos de outrém, é ter ideias e propostas concretas e apresentá-las às entidades correctas, é defender os reais interesses dos autocaravanistas, é lutar por mais e melhores infra-estruturas para o turismo itinerante, é estar na linha da frente da defesa do autocaravanismo como turismo itinerante, é desempenhar o papel institucional de representante do autocaravanismo, é saber dizer NÃO a pessoas ou pseudo-entidades com agendas altamente duvidosas.

Nuno Ribeiro