Mostrar mensagens com a etiqueta Areas de Serviço. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Areas de Serviço. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O autocaravanismo como vértice de Desenvolvimento

O autocaravanismo pode (e deve) ser aproveitado para o desenvolvimento local, em especial das localidades que se situam no interior. Já se sabe que junto ao litoral cada vez há mais proibições, umas vezes justificadas pelos maus comportamentos, outras vezes por manifesta e injustificável discriminação negativa dos nossos veículos. Assim as localidades longe da orla costeira podem aproveitar esta situação para atrairem os autocaravanistas para as suas terras e assim ajudarem a dinamizarem o comércio e serviços da região.

Evoramonte pode ser um desses exemplos. No blog Discutir Evoramonte - Espaço de debate sobre a Vila de Evoramonte, um dos pilares em estudo para o desenvolvimento desta vila alentejana é a construção de um parque para autocaravanas:

"(...) Ficam aqui para discussão algumas propostas de iniciativa privada ou pública para desenvolver Evoramonte:

1 – Sensibilizar os proprietários de habitações do castelo para em vez de venderem, REQUALIFICAREM e aderirem à Rede Europeia de Turismo de Aldeia (Genuinland). Existem apoios de fundos comunitários para a requalificação…

2 – Encontrar um espaço na adjacente rural da vila para criar uma QUINTA PEDAGÓGICA. Pode funcionar em época alta como atracção para os turistas e em época baixa com escolas e infantários mesmo os provenientes dos grandes centros urbanos.

3 – Construir um PARQUE DE AUTO-CARAVANAS junto da vila. Passam milhares de turistas em auto-caravanas por ano em Evoramonte que nem param por falta de condições de permanência atractivas como um parque dotado de pontos (pagos) de água, electricidade e sombra…

4 – Construir uma PISCINA equipada com BAR que, ao mesmo tempo, sirva o PARQUE DE AUTO-CARAVANAS, outros turistas e os jovens da terra que muitas vezes se deslocam para Estremoz, Redondo, Montemor, etc..

5 – Criar, perto da Estrada Nacional, numa das entradas da vila, um PONTO DE INFORMAÇÃO E APOIO AO TURISMO, em parceria público-privada, com venda de produtos regionais, informações sobre alojamento e restauração local, apoio logístico (fax, internet). É que um posto de turismo escondido no castelo não chama ninguém.

6 – Criar uma ZONA OFICINAL para instalar, apoiar e dar condições dignas de funcionamento às empresas de construção e serralharia (existentes), etc. e, ao mesmo tempo, fomentar o aparecimento de novas actividades. Na vila existem jovens com formação nas áreas da mecânica, electricidade, etc., que não se estabelecem por falta de um espaço próprio.

Por agora, ficam algumas sugestões para fixar os nossos jovens, criar postos de trabalho, fomentar o turismo e, consequentemente, a economia local. Valem o que valem. Espera-se que outras, melhores de preferência, surjam neste espaço de discussão que se quer aberto, democrático, honesto e, acima de tudo, construtivo! Comentem, discutam, proponham para mudar Evoramonte para MELHOR! "


Apesar da entidade que se diz tuteladora do movimento autocaravanista parecer estar mais interessada em festas e confratenizações espero que assuma as suas obrigações e disponibilize os seus meios para colaborar com Evoramonte na concretização de mais uma infra-estrutura para os autocaravanistas... Já chega de conversa fiada e se passar à acção.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Projecto de Lei sobre Autocaravanismo

Foi entregue na passada 4ª feira, na Assembleia da República, um projecto de Lei que se propõe regulamentar e disciplinar a actividade do autocaravanismo, criando um regime relativo às condições de circulação, parqueamento e estacionamento de autocaravanas.

Para o ler basta clicar aqui.


Após uma leitura transversal e muito na diagonal é preciso não entrar em euforia pela novidade e ter muito cuidado na leitura do articulado que nalguns aspectos se revela meritório mas noutros altamente penalizador e preocupante, por exemplo:


Artigo 5.º
(Estacionamento) .


1. As autocaravanas podem ficar estacionadas nos locais de Estacionamento Exclusivo de Autocaravanas, até ao limite de 48 horas.
2. Nos locais onde não exista Estacionamento Exclusivo de Autocaravanas, estas podem ser estacionadas no espaço público não reservado a certas categorias de veículos motorizados previstas no Código da Estrada, desde que por um período não superior a 48 horas.
3. Nos parques de estacionamento previstos nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira, deverá ser reservada uma área não superior a 10% da área total, exclusivamente destinada ao estacionamento e pernoita de autocaravanas, por um período não superior a 48 horas.


Onde vamos nós estacionar as nossas autocaravanas quando não andamos em viagem?

Nos próximos dias abordaremos detalhadamente esta proposta de lei.

Mais uma vez, o CPA vai apanhar as canas dos foguetes do Boaventura

De cada vez que aqui me refiro ao CPA há por aí uns sendeiros de hálito salazarento que sobem ao castelo de Abrantes a urrar. Clamam pela unidade dos Cruzados DeAlém e de Aquém para silenciar esta Tribuna, perigoso reduto de infiéis ao bem-comum, “totalitários” “intelectualóides” e doidos varridos a precisar de urgente internamento psiquiátrico (entre outros “mimos”). Coitados, faz pena vê-los esgrimir tanto ódio e tanta tentativa reles de assassinato de carácter.

Exibindo a sua falta de educação e a sua diminuta capacidade intelectual (que a miude os impede mesmo de perceber o que aqui escrevemos), tentam atingir-nos com as suas atordoadas, não compreendendo que o insulto só a si próprios denigre, pois que sendo incapazes de discutir civilizadamente uma só ideia que seja, o que resulta das suas palavras é simplesmente um hino de louvor à ignorância. Tal como Salazar, sentem-se incomodados pelo facto de haver quem tenha craveira intelectual reconhecida. Por haver quem se atreva a pensar autocaravanismo e ouse dizer em público o que pensa.

Apetece-me fazer-lhes a vontade. Não por tais criaturas, mas por mim próprio que já estou farto de escrever sobre as derivas errantes do CPA e do MIDAP-Dc . Mas de cada vez que digo a mim mesmo que não vou escrever sobre coisas patéticas, logo os protagonistas do costume me obrigam a reconsiderar, pois há coisas que não podemos ignorar. Há coisas que é preciso denunciar!

Já há dias o companheiro Eugénio nos transmitiu o seu grito de indignação:

... já que se fala em ridículo, junto este também ... o Boaventura, sim o tal que em Abrantes gritou alto e bom som, "acabar com as ervas daninhas"; "correr com o professor" e outras coisas similares, é o mesmo que a "mando" do Ruy Figueiredo, segundo ele diz: "lhe deu os contactos, nº tlm e emails" anda a angariar autocaravanistas pra irem a Almeida, "a mais um arraial" com José Cid, Malhoa e afins, há e tudo grátis!!
... valhe-me Sto Ambrósio; o Ruy que sempre ignorou os sócios, que nunca respondeu no Fórum CPA quando foi interpelado pelos mesmos, agora delega nos seus "acólitos" a angariação pra arraiais... não há pachorra! ...

A situação a que se refere o companheiro Eugénio é grave de mais para poder ser ignorada por quem quer que esteja preocupado com o futuro do autocaravanismo em Portugal. Desta vez, para não variar, a Direcção do CPA voltou a esquecer a responsabilidade institucional do Clube e continua a permitir-se usar os sócios para apanhar as canas dos foguetes que o Boaventura lançou. Ora veja-se esta amostra do desnorte que grassa no CPA.

· A 14 de Dezembro, o vendedor Boaventura usa o Fórum do CPA para anunciar que 3 meses depois iria ser inaugurada uma Área de Serviço “no Parque Fluvial a borda da Ribeira de Meimôa na Freguesia de Benquerença”. Para que não houvesse dúvidas de quem era o mordomo da festa, Boaventura acrescenta: “Foi-me prometido pelo Srº Presidente da junta que haverá uma pequena supresa e animação”. (no lugar de "supresa" deve ler-se comezaina à borla).

· A 5 de Fevereiro “o CPA” vem de mansinho anunciar a AS como se de obra sua se tratasse:
"Companheiros
Nova Área em Benquerença
Esta nova Área será inaugurada no fim de semana de 13 a 15 de Março.
Mais informações sobre a inauguração serão fornecidas brevemente
."

· Mas, um mês depois é de novo Boaventura quem vem a terreiro:
comunico-vos que a data de 13/14 de Março prevista para a inauguraçãoda A/S em Benquerença fica adiada por motivos alheios á nossa vontade

· Em Abril, 2 dias depois da AG (onde não consta que o anúncio tenha sido feito), ficamos a saber que:
O CPA vai realizar o seu 40º encontro de 29 a 31 de Maio de 2009, integrando no programa a inauguração da àrea de Serviço de Bemquerença”.

· Só que, dias depois, quando nada o faria supor, o CPA vem dizer que:
O 40º Encontro anunciado é adiado devido ao convite feito pela Cãmara de Almeida aos autocaravanistas através do CPA, para a 3ª Edição da Feira das Artes e da Cultura e Festa do Bacalhau, nos dia 29, 30 e 31 de Maio.”

Que falta de profissionalismo!!!!

Desde o dia 1 de Abril que a Feira de Almeida estava anunciada. Agora é que a Câmara de Almeida convida “através do CPA”? O que se passou que justifique a anulação do Encontro em Benquerença?

O que aconteceu, simplesmente, foi que o Sr. Boaventura (que não tem qualquer cargo dirigente no Clube) já se tinha comprometido a levar “muitas autocaravanas” para a patuscada do bacalhau, pomposamente designada por “Encontro luso-francês de autocaravanistas em ambiente cultural”. Ou seja, o arraial do Boaventura et ses amis. A prova de que tal evento nada tem a ver com o CPA é que o Clube disse aos sócios esta coisa extraordinária: “os interessados devem contactar o companheiro Cândido Boaventura para: candidoemilia@iol.pt “.

Será que o CPA deixou de ter sede, telefones, funcionária e email? Ou esta é mais uma forma de tentar justificar o injustificável: como é que o sr. Boaventura dispõe da lista de contactos telefónicos de todos os sócios do Clube?

Como é possível que o CPA deixe de acarinhar a inauguração de uma área de serviço, anulando mesmo um Encontro do Clube já anunciado, para ir atrás dos foguetes do Boaventura? Será que para o CPA uma patuscada vale mais do que uma Área de Serviço?
Como pode um Clube com o historial do CPA deixar-se instrumentalizar pelos interessesinhos do amigo do presidente Ruy Figueiredo? Afinal quem manda no CPA? Como pode a vontade do Boaventura sobrepor-se a uma decisão da Direcção?

Com estas trapalhadas o CPA está a prestar um péssimo serviço à imagem do autocaravanismo português. Um clube que assim se comporta não pode esperar ser levado a sério pelas instituições públicas, nem sequer pelos autocaravanistas que não sejam afectados pela gula de alarves provincianos.


E não se pense que isto é uma estratégia para criar mais uma AS. Há 3 anos aconteceu exactamente a mesma coisa, e já então se disse que a razão de ser da patuscada em Almeida era a criação de uma área de serviço. Já então houve quem tentasse manipular e servir-se do CPA para fins de promoção pessoal. Por isso a Direcção de então decidiu que não se associaria ao evento. Mas já há 3 anos, mesmo contrariando a decisão da Direcção a que presidia, Ruy Figueiredo decidiu ir “a título pessoal” à patuscada do seu amigo Boaventura. E este retribuiu-lhe o apoio com a deselegância de falar aos jornalistas na qualidade de representante dos autocaravanistas portugueses, tudo tendo feito para que a presença do presidente do CPA no local fosse ignorada. Tanto assim que até houve quem viesse a público afirmar que o mérito das 6 dezenas de autocaravanas presentes se devia ao esforço de mobilização dos dirigentes de outro clube.


Enfim, há 3 anos, como agora, parece que Ruy Figueiredo não aprendeu a lição. Por isso companheiro Haddock se o espectáculo do Ruy Figueiredo e do seu tradutor Boaventura em Abrantes foi fonte de inspiração para a sua rábula dos gauleses, recomendo-lhe vivamente que não perca a parte II em Almeida, onde le moussier Boneventure exibirá perante ses amis francius os seus predicados. Os franceses retribuirão com um convite para outra patuscada em terras gaulesas, a que não faltarão les 2 amis portugas. Os francius não têm bacalhau, mas têm bom vinho! Ah... e oferecem medalhas de "mérito" a quem lhes serve de guia em Portugal e os leva a degustar umas patuscadas, de preferência pagas pelas Autarquias Locais.

Assim vai o autocaravanismo português... Até quando vamos continuar a confundir responsabilidades institucionais com interesses e caprichos de vaidade pessoal?
Como disse o Eugénio: ... não há pachorra!


Raul Lopes

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bragança inicia construção de AS

Em Novembro do ano passado o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, anunciava a intenção de criar um parque de estacionamento com “pequenos equipamentos que permitam resolver necessidades elementares, como seja despejar os depósitos sanitários" junto ao parque de merendas da Mata do Castelo. Na altura estimava-se que as obras começassem durante o Inverno para estarem prontas na próxima Primavera.

Contundo a pouco mais de um mês do Verão, ainda não se iniciaram as obras, mas segundo a Rádio Bragança, até ao final de mês de Maio deverá arrancar a qualificação do espaço para receber as autocaravanas.


Castelo de Bragança vai ter parque de autocaravanas

É um investimento de 15 mil euros, que o presidente da junta de freguesia de Santa Maria, Jorge Novo, considera uma mais-valia para os visitantes. As obras devem começar ainda este mês. Jorge Novo justifica a necessidade da intervenção, dizendo que aos fins-de-semana, a zona adjacente ao castelo se enche de autocaravanas. "Ainda no fim-de-semana do 25 de Abril estavam muitas autocaravas aqui estacionadas mais os autocarros" diz o autarca. Jorge Novo refere que o estacionamento em geral, na zona do castelo, continua a ser uma preocupação e que "no verão é caótico" e por isso a próxima intervenção a fazer, é para ordenar o estacionamento. Para já, vão ser as autocaravanas que vão ter um espaço junto ao castelo de Bragança. As obras de construção do parque de autocaravanas devem começar ainda no mês de Maio. Uma obra que representa um investimento de 15 mil euros.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Anuncia-se o fim do Autocaravanismo em Portugal?

Recentemente tive oportunidade de fazer um périplo que me levou a percorrer a costa atlântica portuguesa entre Albufeira e Sines. A experiência pessoal enquanto turista itinerante só não foi melhor porque as condições climatéricas não ajudaram. Mas terminei esta viagem muito apreensivo quanto ao futuro do autocaravanismo enquanto forma diferente de estar na vida e conviver em liberdade com os outros e a natureza.
Um pouco por todo o lado se avistam placas e sinais anunciando que é proibido fazer campismo. Claro que sou o primeiro a defender que a prática do campismo fora dos campings deve ser punida. O problema não é esse, mas sim o facto de tais indicações significarem, no entendimento de quem as colocou, que dormir dentro de uma autocaravana é fazer campismo. Sempre a eterna associação que nos persegue por todo o lado, o entendimento de que autocaravanismo é uma modalidade de campismo (e ainda há quem aplauda a intervenção da FCMP quando se reclama de representante do autocaravanismo!!!!!!).
Noutros casos, como as fotos seguintes ilustram, é-se mais explícito:

Dirão que esta sinalética é ilegal, e têm razão (não confundir com proibição instituída pelos POOC), mas o problema é que ela serve de pretexto às autoridades policiais para incomodarem e escorraçarem os autocaravanistas.
O que fazem os líderes autocaravanistas face a isto? Nada. Ou por outra, quase nada, já que pela mão do Pai Natal chegou ao Quartel da GNR no Carmo uma menina loura maquilhada de bruxinha crescida... para animar as tropas e dar aulas à polícia (sobre touring?). Ao mesmo tempo, com a bênção do CPA e do MIDAP-Dc, a Federação pagou a um advogado para sossegar os autocaravanistas garantindo-lhes que não é proibido pernoitar nas autocaravanas estacionadas... dentro dos parques de campismo.

Enquanto isto, tendo como pivots as Câmaras Municipais, atiram-se à água milhões de euros do dinheiro dos contribuintes para construir marinas. Por ironia, a maioria desses milhões foram pagos pelos contribuintes alemães, os mesmos que depois são escorraçados daqui quando viajam em autocaravana.

Os estudos feitos revelam que um turista convencional não gasta mais dinheiro por onde passa do que um autocaravanista. Os autocaravanistas não vão dormir aos hotéis? E então... muitos dos viajantes em iate também dormem no interior do barco ancorado na marina!

Nada tenho, obviamente, contra o turismo náutico. Mas não posso deixar de me interrogar: o que será que leva as Câmaras a escorraçarem os autocaravanistas e a gastarem milhões com as marinas?

Estaremos a precisar de chamar a atenção das revistas cor-de-rosa exibindo uns jovens de corpos atléticos acompanhados por beldades louras bem bronzeadas passeando-se em autocaravana? Ora aqui está uma oportunidade para os amantes do touring "mostrarem serviço"...

Dir-se-á que a razão de ser do problema é haver donos de autocaravana que na falta de áreas de serviço fazem despejos para as linhas de água. E os milhares de pessoas que diariamente se deslocam nos barcos que sulcam as águas do Oceano, onde vão drenar os seus WC's? E qual o destino dos detritos das WC dos comboios que diariamente transportam milhares de pessoas? E quantas são as Autarquias que descarregam no rio e/ou no mar os esgotos domésticos?

Deixemo-nos de hipocrisias! Claro que o ambiente é um valor que não pode ser posto em leilão, mas bem sabemos que no caso não é isso que está em causa. Se a preocupação das autoridades com os autocaravanistas tivesse a ver com razões ambientais, então a atitude seria outra.

O dinheiro público gasto por cada barco que passa uma noite numa marina (mais de 700 euros), não tem nada a ver com a taxa de utilização paga pelos ditos turistas que na marina têm ao seu dispor um amplo conjunto de apoios logísticos (WC, duches...). Ou seja, pelo custo para os contribuintes de um barco numa noite na marina construía-se uma área de serviço para autocaravanas como esta:




O que na minha modesta opinião nos servia perfeitamente, pese embora andar por aí quem considere fazer um grande favor ao autocaravanismo em vender máquinas para áreas de serviço (que depressa deixarão de funcionar). Enfim...








É por essas e por outras tais que cada vez mais vejo os autocaravanistas serem remetidos para os descampados, lixeiras e terrenos de ninguém, como as fotos anteriores ilustram. Nesta viagem que fiz não observei práticas de campismo selvagem em autocaravana, mas não obstante foram sempre estas as condições em que vi estacionadas as autocaravanas.
São imagens deprimentes que me trazem à memória os acampamentos de ciganos em trânsito, invariavelmente nos descampados e terrenos inóspidos situados fora dos povoados.
Estarão os autocaravanistas condenados a ser os ciganos do século XXI?
É verdade que cada vez vemos mais autocaravanas na estrada, e com condutores mais jovens. Mas a manterem-se estas condições para a prática do autocaravanismo, temo pelo futuro desta forma de turismo itinerante em Portugal.
Porto-Covo poderá ser disso um caso paradigmático. Há 2-3 anos de passagem por esta emblemática aldeia contei cerca de 130 autocaravanas pernoitando por lá. Entretanto, um dos terreiros dantes ocupados pelas AC (sobranceiro ao porto-pesca), assim como o parque de estacionamento da Praia Grande, foram-lhes interditos com limitadores de altura. Aquele que estava identificado como sendo a área de serviço foi urbanizado (e a possilga destruída). Resultado, desta vez apenas contei por lá um quarto das autocaravanas que lá estavam da última vez que lá tinha estado (na mesma época do ano). No Verão... será melhor pensarem em destinos alternativos.
A aldeia modernizou-se, crescem os apartamentos para alugar, mas seguramente os comerciantes locais vão sentir saudades dos autocaravanistas. Desta vez, as poucas horas que lá permaneci ainda me levaram a deixar mais de 60 euros na rua central. Mas não sei quando voltará isso a acontecer.
O pior é que temo não ser o único. E por este andar das coisas temo pelo próprio futuro do autocaravanismo livre em Portugal. Custa-me a perceber aliás como podem os dirigentes do movimento associativo dormir sem insónias, organizando arraiais, procissões e patuscadas enquanto o autocaravanismo se atola neste pantanal.
Cuidado, Porto-Côvo pode ser um sinal premeditório, um aviso do que espera os autocaravanistas em Portugal. Os paraísos para o autocaravanismo poderão acabar bem antes dos paraísos fiscais que estão por detrás da actual crise económica mundial.

Raul Lopes

quarta-feira, 29 de abril de 2009

GAIA: Um caso exemplar

Já tinhamos referido na Tribuna Autocaravanista, a pretensão do Parque Biológico de Gaia em construir um espaço destinado às autocaravanas. Curiosamente foi o último post de 2008 (ver aqui) e onde se destacava a construção de infra-estruturas de apoio ao autocaravanismo, apesar da forma confusa e pouco rigorosa da peça jornalista. Na altura estimava-se um custo de 25 euros por noite, o que em rigor parecia-nos manifestamente exagerado.

Foi, assim, com bastante agrado que recebemos agora a informação de que o parque foi inaugurado e possui excelentes condições e infra-estruturas para receber as autocaravanas. Se a isto aliarmos um tarifário equilibrado, estamos perante um caso exemplar de como se podem criar as condições necessárias e suficientes para atrair e bem servir os autocaravanistas.


O espaço representou um investimento de 30 mil euros e a cerimónia de inauguração controu com a apresença do presidente do munícipio de Gaia que sugeriu mesmo "o alargamento deste conceito a outros espaços verdes. Penso que no Parque da Lavandeira também poderemos encontrar um cantinho".

O discurso de Luis Filipe Menezes na sessão de inauguração é um exemplo claro da forma como os municípios podem tirar dividendos da construção de infra-estruturas de apoio ao autocaravanismo. Gaia arrisca-se assim a tornar-se a um caso exemplar na forma de receber os autocaravanistas. Apenas a lamentar que o principal alvo sejam os autocaravanistas ingleses e não os portugueses...

Realça-se ainda a parceria entre o Parque Biológio de Gaia e a empresa Campinanda, que permite que os clientes da Campinanda tenham direito a uma refeição grátis no restaurante, desde que solicitem a estadia pelo site da empresa. Esperamos que este bom exemplo de cooperação entre uma empresa municipal e uma empresa privada sirva de estímulo a que mais parcerias se realizem noutros locais.

Para a promoção deste local foram editados folhetos em diversas línguas, com todas as informações necessárias para utilizar este parque, como as valências existentes, tarifários e como chegar. Reproduzimos em seguida o folheto gentilmente enviado pela Campinanda:


(clicar na imagem para aumentar)


No site do Parque Biológico podemos encontrar a seguinte notícia da inauguração desta infra-estrutura:

Parque de Autocaravanas

O Parque Biológico de Gaia dispõe agora de um Parque de Autocaravanas. Assim, os turistas que viajam por esse meio têm mais um espaço para pernoitar no Grande Porto. O Parque responde assim ao aumento do turismo em autocaravanas. O equipamento tem poucos encargos para o Parque Biológico que já dispõe de vigilância. Os turistas, além de visitarem o espaço verde, poderão usufruir da cafetaria e do restaurante. Actualmente, o parque oferece, também, uma pequena pousada.Em Gaia, é comum encontrarem-se autocaravanas com matrículas nacional e estrangeira estacionadas no parque do Cais do Cavaco na zona ribeirinha. Por isso, é possível que esta nova valência venha a atrair muitas pessoas que vêm ao Porto e a Gaia e que passam a ter um local com melhores condições e segurança para ficar. No âmbito desta iniciativa, surgiu um vínculo de colaboração entre o Parque Biológico de Gaia e a empresa Campinanda - http://www.campinanda.pt/

Preços:

-Local para 1 autocaravana - 4 euros

- Local para 2 autocaravanas - 6 euros

- Utentes:

- Até 5 anos - Grátis

- 6-14 anos - 2 euros

- Mais de 14 anos - 4 euros

Localização:

N -41º05´48.50´´

W -008º33´21.34´´

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Área de Serviço de O Barco de Valdeorras

Recebemos dos nossos companheiros da Associação Galega de Autocaravanas o pedido de divulgação da inauguração de mais uma área de serviço para autocaravanas em Ourense que se vai realizar neste fim de semana.


O Concello de O Barco de Valdeorras (Ourense) invita a todos los autocaravanistas los actos a celebrar los próximos días 17, 18, y 19 de Abril de 2009, con motivo de la inauguración del área municipal de servicio de autocaravanas.




PROGRAMA PROVISIONAL


VIERNES, 17 DE ABRIL

Tarde/Noche

- Recepción de todos los visitantes en la explanada del área situada en el “Campiño de Viloira”.

CENA - LIBRE.(*)


SÁBADO, 18 DE ABRIL

Desde las 10:00 horas – Acreditación de los autocaravanistas asistentes. Lugar delante de la explanada o lugar de concentración.

11:00 horas.- Visita al Mosteiro de Xagoaza y entorno. Visita a la Bodega Godeval, y degustación de sus caldos.

13:30 horas.-Inauguración del Área de autocaravanas por parte de las autoridades así como representantes de las asociaciones autocaravanísticas. Invitación a un aperitivo y un vino.

17.30 horas.- Por la tarde haremos una visita guiada por la villa de O Barco, con un guía turístico facilitado por el Concello, recorriendo el Malecón, el paseo peatonal de Playa del Oro, A Proba, Polígono Industrial, y regreso por el Área Recreativa de O Salgueiral.

CENA - LIBRE.(*)


(*)MENU MESÓN O ISLA (Viloira). Tel: 988326005

1º plato, a elegir uno: calamares, chipirones, entremeses, callos, sopa de pescado o ensaladilla.

2º plato, a elegir uno: Churrasco, codornices, chuleta de ternera, filete de ternera, ternera guisada, merluza o salmón.Postres, café, agua, pan y vino.

Precio: 12 euros.


DOMINGO, 19 DE ABRIL·

11:00 horas.- Jornadas de puertas abiertas para que todo aquel que esté interesado en conocer como es una autocaravana por dentro, tenga la oportunidad. Enseñaremos a todo el que así lo desee nuestras autocaravanas, nuestro modo de concebir este tipo de turismo.·

12:00 horas.– Visita una bodega de vino y degustación de sus caldos·

A partir de las 13:30 horas.- Clausura y despedida por parte de las autoridades locales y asociaciones a todos los autocaravanistas asistentes, este acto se desarrollará en el área de autocaravanas”. Se entregará un detalle de despedida por parte del Concello de O Barco. “Fin de la inauguración y regreso a los lugares de origen.”


Apoyan este acto:
Asociación Galega de Autocaravanas (AGA)
www.web-aga.org

Plataforma de Autocaravanas (PACA) www.lapaca.org

Notas a tener en cuenta:

La única condición para asistir es e ser autocaravanista, para asistir a los eventos gentileza del ayuntamiento·


IMPORTANTE: Para motivos de la organización es obligatoria inscripción previa: email: inscripciones@web-aga.org asunto O BARCO, NUM.PERSONAS y LOCALIDAD ORIGEN· Se recuerda a todos, que las asociaciones PACA, sus delegados y AGA y Junta Directiva, no se hacen responsables de los posibles daños que se puedan originar durante estos actos, tanto a personas como a enseres, así como los cambios organización producidos.·


Este programa es provisional y tanto los ACTOS, HORARIOS como LUGARES de celebración podrán estar sujetos a modificaciones sin previo aviso·

Nuestro agradecimiento al Concello de O Barco, Manuel Arias, y a todos los que de alguna manera apoyaron la creación de esta nueva infraestructura turística.·

En caso limitación de plazas a los diferentes eventos, tendrán preferencia los pertenecientes a alguna asociación o club autocaravanista.

terça-feira, 14 de abril de 2009

IV Gesto Eco-solidário

Realizou-se no último fim de semana de Março a 4ª edição do Gesto Eco-solidário, onde mais uma vez se constata o mau serviço dos meios de comunicação social. Apenas os media regionais noticiaram esta boa iniciativa. O relato seguinte é do ViseuMais.com :


S. Pedro do Sul inaugura Zona de Abastecimento para Autocaravanas

O concelho de S. Pedro do Sul acolheu no passado fim-de-semana, de 27 a 29 de Março, mais um Gesto Eco Solidário dos Autocaravanistas. “Entre a magia das águas e o Maciço da Gralheira” foi o lema da iniciativa organizada pelo quarto ano consecutivo pela Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

Com a participação de cerca de 150 autocaravanistas, o principal objectivo do evento foi fazer a ponte entre as Termas (a magia das águas) e a Serra (o Maciço da Gralheira), apresentando aos visitantes dois dos sítios mais emblemáticos do concelho de S. Pedro do Sul.

Um dos momentos mais significativos do encontro foi a inauguração, durante a tarde de sábado (dia 28 de Março), de uma Zona de Abastecimento para Autocaravanas situada em frente à Escola do 1º Ciclo das Termas. Uma nova infra-estrutura que a autarquia de S. Pedro do Sul colocou ao dispor de quem nos visita.


O novo equipamento está preparado, apenas, para abastecimento de água potável e zona de despejos das águas residuais das caravanas, sendo proibida qualquer outra utilidade do espaço.

De assinalar também no programa dos três dias o plantio simbólico de árvores no Alto do S. Macário, que se realizou durante a manhã de domingo, dia 29 de Março, como um gesto ecológico e solidário dos autocaravanistas que passaram por S. Pedro do Sul.



quarta-feira, 25 de março de 2009

IV Gesto Eco-Solidário


A edição de 2009 do Gesto Eco solidário vai se realizar de 27 a 29 de Março. Este ano para além da habitual plantação de árvores na Serra de São Macário será inaugurada a Área de Serviço de São Pedro do Sul.

Espero que a comunicação social tão lesta a reportar os maus exemplos que os autocaravanistas cometem junto ao litoral, não se esqueçam agora da sua missão de formação e informação e publicitarem os excelentes exemplos, como é o caso deste IV Gesto Eco-Solidário.

O programa é o seguinte:

Dia 27 - 6ª feira

A partir das 14h30m – Acolhimento no Largo da Feira que fica no fim da AV. Conselheiro José Vaz, S. Pedro do Sul. Coordenadas 40º 45’ 50’’ N 08º 03’ 51’’ W. Enquanto aguardamos a chegada de todos haverá animação musical e a Estação de Artes e Sabores encontrar-se-á aberta e à nossa disposição

dia 28 - sábado

10 às 12h – Jogos tradicionais e para os amantes da caminhada, na companhia de guias, iremos descobrir recantos de S. Pedro incluindo alguns locais aconselhados para estacionamento e pernoita dentro da vila.
12h às 14h 30 – Almoço livre
15h – Partida de autocarro para as Termas
15h 30 – Inauguração da Estacão de Serviço ao que se segue a visita guiada ao complexo termal
19h30 – Jantar no Hotel Rural Sollar do Banho situado à beira rio e tem como origem uma das primeiras casas a hospedar pessoas enquanto faziam os seus tratamentos termais.

dia 29 - domingo

9h 30 – Partida para S. Macário. Plantação simbólica de árvores e visita às que desde 2006 aí temos vindo a plantar. Realização de fotos para mais tarde recordar.
12h - Almoço Convívio “Sopa de S. Macário”

segunda-feira, 23 de março de 2009

CARNAVAL: à roda do grande lago

Aproveitando a faculdade de uma “ponte” no calendário e um tempo excelente, decidimo-nos por um “Carnaval” diferente. Na verdade nunca apreciámos os festejos carnavalescos e por isso optámos por uma visita às terras em volta do Alqueva.
As condições meteorológicas não podiam ter sido melhores. À parte um arrefecimento nocturno significativo, normal para a época do ano, os dias “sorriram” para todos os que por ali andámos. Um sol radioso, uma temperatura amena, confortavelmente acolhedora, e a ausência total de vento, proporcionaram-nos as melhores condições para usufruir dessa sensação de liberdade que o autocaravanismo sempre nos proporciona.





A ansiedade era tanta que não esperámos para sábado. Depois de jantarmos na 6.ª feira, aprontámos as coisas essenciais para 4 dias “on the road” e lá seguimos rumo a Grândola, onde pernoitámos num grande parque de estacionamento existente nas redondezas do “Modelo”. Embora não tivéssemos a companhia de outras autocaravanas, parece-nos adequado o lugar, tendo noite sido calma e em silêncio absoluto, permitindo um bom sono.
Na manhã seguinte, após o pequeno almoço, já com o pão e os bons queijos alentejanos comprados no hipermercado, retomámos a estrada.



Antes de rumarmos ao “grande lago”, por razões particulares, fizéssemos uma prévia visita ao Centro de Interpretação Ambiental da Liga de Protecção da Natureza existente na Herdade do Vale do Gonçalinho em Castro Verde, onde estão disponíveis trilhos destinados à observação da avifauna que, por esta altura, entra em grande actividade. Na zona podem ser observadas aves pouco comuns como o sisão e a abetarda.

http://www.lpn.pt/LPNPortal/DesktopModules/SubPaginaProgramasDetalhes.aspx?ItemId=18&Mid=40&ParentId=6


Terminada a breve visita, parámos para almoçar na localidade de Entradas, a poucos quilómetros de Castro Verde, na estrada que segue para Beja. Entrámos na “Cavalariça”, um restaurante típico de cozinha regional que nos serviu umas deliciosas migas a acompanhar presas de porco ibérico grelhadas, não sem que antes nos tivéssemos deliciado com uns torresmos do “rissol” fresquíssimos, os melhores que já alguma vez degustei. A qualidade elevada da cozinha deste restaurante acaba por justificar o preço relativamente elevado das doses.
Cá fora, um pequeno passeio pelas ruas desta vila, tipicamente alentejana, permitiu iniciar uma digestão que se previa mais demorada e, também, tomar contacto com os preparativos do festival cultural Entrudanças, que iria trazer à pacata localidade dias de maior animação – alguns grupos de crianças já cantavam organizadamente pelas ruas, onde várias tendas de artesanato acabavam os preparativos para a inauguração da pequena feira.




A paragem seguinte foi em Serpa, localidade que já visitámos várias vezes, mas onde sempre gostamos de retornar. Estacionamos a autocaravana no parque fronteiro ao camping existente. Já várias vezes o fizemos, tendo pernoitado por ali, sem qualquer problema e foi o que aconteceu, também, desta vez.
O pequeno parque de campismo existente é, também, acolhedor, e nele chegámos a ficar quando permanecemos mais do que uma noite em Serpa, o que não seria o caso vertente.



Passeamos pela vila cuja arquitectura sempre nos encantou, tal como as muralhas e o pequeno jardim onde, numa das entradas, existem umas oliveiras certamente centenárias, a julgar pelos grandes e “elaborados” troncos que exibem.


Uma queijada típica fez-nos companhia pelas ruas de casas brancas, onde algumas com artigos regionais sempre nos abrem o apetite. É difícil resistir ao queijo e requeijão, aos enchidos, aos doces, mel, azeites, vinhos e artesanato tão rico.
Regressámos à autocaravana já a noite se instalava para, no aconchego da nossa “casinha itinerante”, prepararmos um “ligeiro” jantar com as iguarias adquiridas, seguido de um já ansiado serão a jogar à “sueca” em família e a ver um DVD antes do merecido sono.



O dia seguinte, domingo, amanheceu solarengo e nós acordámos ao som do chilrear dos diferentes passarinhos que por ali vivem, despertando lentamente para mais um dia de lazer. Depois do pequeno almoço de queijo fresco de cabra e requeijão de ovelha, partimos para mais um “round” pela vila, abrindo o apetite para o programado almoço na Adega Molhó Bico, sugestão acertada do companheiro Raul. A relação qualidade preço não podia estar mais perfeita.
Como éramos 4 à mesa, optámos por pedir quatro variedades para partilharmos. Após uma meia hora de espera na sala de entrada, lá conseguimos uma mesa onde rapidamente pudemos iniciar o “molhó pão” no azeite, na “manteiga de cor” e saboreando umas boas azeitonas, que nunca dispensamos, preparando o estômago para um “festim” de variedades alentejanas.

Serviram-nos então a feijoada de lebre, a carne de porco com cogumelos, as migas com carne e as bochechas de porco assadas no forno e conhecidas aqui como “carrilhada”. Todos os pratos estavam “no ponto”, mas mereceu destaque, por unanimidade, a carne com os cogumelos de um sabor requintado. No final, a sericaia com doce de ameixa deixou-nos “arrumados” e a “sonhar” com a próxima visita.



Com a satisfação estampada nos rostos, seguimos viagem para a Aldeia da Luz, a nova aldeia mesmo à beira do “grande lago” onde viemos a pernoitar.








Lá chegados, fomos estacionar na AS e pernoita que nos está destinada, com vista sobre o “lago” e num lugar que permite a visualização de um demorado por-do-sol. Cerca de uma dezena de autocaravanas, na maioria portuguesas, já ocupavam uma parte significativa do largo. Feitos os despejos e o reabastecimento de água limpa, fomos passear até ao ancoradouro, onde mais um grupo de autocaravanas se encontrava estacionado e os seus ocupantes a… fazer campismo!
Destes comportamentos já mais nada há a dizer, tal como o facto de termos encontrado a pia de despejo para sanitas químicas na AS, em boa hora promovida pelo Camping Car Portugal, completamente entupida, fruto de lamentável utilização indevida.


A AS, de concepção simples, é relativamente prestável, mas tivemos que fazer algumas manobras para acertar com o buraco circular e central destinado ao despejo de águas residuais. Com a mesma simplicidade e custo, o recurso a uma grelha transversal, à largura do espaço demarcado, facilitaria o despejo a todo o tipo de veículos.
À noite, mais um serão de “sueca”, música suave e boa disposição fizeram companhia às iguarias alentejanas - versão II – queijo de ovelha fresco e curado e paio do lombo de porco preto, acompanhado de pão e tinto a condizer.

Na segunda-feira esperava-nos o espectáculo deslumbrante sobre o “grande lago” a partir do alto de Monsaraz. Esta localidade inserida entre muralhas de um castelo alcantilado no cimo de um monte de onde se permite uma imagem quase única no panorama português. O “grande lago” espraia-se à esquerda e à direita da entrada principal. Os parques de estacionamento existentes no exterior são de acesso adequado às autocaravanas.




No interior do castelo passeamos calmamente admirando as velhas construções, no geral bem cuidadas, onde portas e janelas de formas ancestrais despertam a nossa curiosidade. Das ameias do castelo o olhar perde-se em redor dos 360º permitidos e até onde a vista alcança.



Cansados mas satisfeitos, deixámos esta terra que nos fez lembrar outras paragens igualmente aprazíveis e similares – Marvão e Óbidos – para dar dois exemplos, embora esta última tenha cedido à voracidade do consumismo para “inglês ver”.





Após o almoço na autocaravana, fomos tomar o café na esplanada da “marina” da Amieira, um local agradável de onde saem mini cruzeiros de barco pelo grande lago, ou voos num pequeno hidrovião.



A noite foi passada junto ao ancoradouro existente na proximidade do “paredão” da barragem do Alqueva, na companhia de mais 4 autocaravanas, em posição de deleite perante o espectáculo de mais um deslumbrante por-do-sol.



Na terça-feira acabou por “amanhecer tarde”, talvez por causa do irremediável regresso a casa, que embora agradável, nos deixa num estado misto de nostalgia, pelo que agora deixamos, e de ansiedade por um regresso seguro “às origens” e ao “lar doce lar”.

Laucorreia








quarta-feira, 11 de março de 2009

Abriu a época de caça às autocaravanas no Algarve

Mais cedo do que o habitual, este ano já abriu a época de caça às autocaravanas no Algarve.
No dia 17 de Janeiro alertámos aqui para uma operação da GNR em Armação de Pêra cujos fundamentos legais não foram devidamente explicados, nem quando nós próprios solicitamos explicações ao respectivo comando.
Um mês depois, a 16 de Fevereiro, também aqui na Tribuna, alertámos para o risco de se estar a preparar no Algarve a primeira aplicação do conceito de área de serviço criado pela Portaria 1320/2008, isto é, um Parque de Campismo exclusivo para autocaravanas, abrindo caminho para posteriores regulamentações que imponham estes espaços como os únicos onde se pode pernoitar.
Agora é o CCP que nos revela mais uma atordoada contra os autocaravanistas, vinda a público no jornal Postal do Algarve, que pode ser visto aqui (para ler basta fazer clique sobre a imagem) num recorte que acompanha a mensagem do fórum que revelou à comunidade autocaravanista a notícia.
Da jornalista (??) Joana Lança que assina a peça não há muito a dizer, pois, ignorando as mais elementares regras de imparcialidade a que o dever deontológico a obriga, limita-se a escrever aquilo que lhe segredaram ao ouvido, manifestamente sem perceber do que está a falar.
O que é extraordinário, mas não original, é o discurso do dono do Parque de Campismo de Cabanas de Tavira. Este senhor faz contas à vida e sonha com os 30 mil euros/mês que receberia se as autocaravanas que estão nesta altura estacionadas em Tavira estivessem no seu camping. Como tal não acontece e o Parque tem prejuízo, a culpa é dos autocaravanistas. Este discurso é absolutamente inaceitável por duas razões:
Primeira, numa economia de mercado os consumidores têm a liberdade de decidir comprar ou não os produtos-serviços que lhes são oferecidos. Ora, neste caso o que acontece é que os autocaravanistas não reconhecem como justo o preço que o camping lhes cobra pelos serviços prestados. Se eles se sentissem bem no Parque não se limitavam a passar lá uma noite para tratar da logística e higiene pessoal.

Segunda razão. É abusivo, e despropositado, pensar-se que se os autocaravanistas forem expulsos do local onde estão se irão instalar no Camping de Cabanas de Tavira. Os autocaravanistas têm um sentido muito apurado da injustiça persecutória, por isso quando são vítimas das autoridades são os primeiros a perceber que os mandantes são os donos dos campings e... simplesmente mudam-se para outras paragens.
Curiosa é a coincidência entre o argumento “do prejuízo que os autocaravanistas selvagens” estão a provocar ao parque de campismo e o argumento usado no Relatório da CCDR-Algarve que no Verão passado contestámos. Também aí se dizia que o facto dos autocaravanistas pernoitarem fora dos campings representava um prejuízo de 8 milhões de euros para a Região. Mais cedo do que esperávamos a realidade veio dar-nos razão.

Enquanto alguns se entretêm exibindo-se com espalhafato na Assembleia da República, no Instituto de Turismo e no comando da GNR alegando que “aquém e além” se faz a interpretação que lhes convém da Portaria 1320/2008, a realidade vai colocando os autocaravanistas cada vez mais próximos do momento em que serão empurrados para dentro dos campings. Deste modo os autocaravanistas estão a ser vítimas, em primeiro lugar, dos gestos irreflectidos de um minúsculo grupo que na ânsia de encontrar a legitimidade representativa que lhe falta se entrega a um desmedido frenesim para mostrar serviço. Trata-se de uma estratégia de fuga para a frente, saltando de trapalhada em trapalhada, tentando escamotear fracassos e erros com outros erros, quando o que se impunha era emendar a mão.

Duvida da análise que fazemos? Então atente nas palavras do Presidente da Câmara de Tavira, amigo e membro da mesma direcção distrital do partido a que pertence Mendes Botas (o PSD), presidente da sub-comissão de turismo que recebeu a auto-designada “delegação de qualificados autocaravanistas” na AR e que agora se diz estar a preparar uma iniciativa legislativa do grupo parlamentar do PSD.
O Presidente da Câmara, Macário Correia, diz sem margem para dúvidas o que pensa vir a fazer. Quando for “oportuno” ele vai “resolver” o problema das autocaravanas estacionadas em Tavira. Quando será isso?... quando o parque de campismo estiver licenciado.
De que licenciamento fala Macário Correia? Da conclusão do licenciamento do camping de Cabanas, ou estará a referir-se ao anunciado novo parque para autocaravanas licenciado a coberto do artigo 29º da Portaria regulamentadora do campismo? De que forma pensa ele vir a resolver o problema? Nós arriscamos responder: fazendo aprovar um Regulamento Municipal que proíba as autocaravanas de estacionarem fora dos locais definidos pela Portaria 1320/2008, sendo as autoridades policiais encarregues de “encaminhar os autocaravanistas para os locais adequados”, como se propôs no Relatório da CCDR-Algarve que nos valeu sermos atirados para a fogueira por então o termos criticado.

Os agricultores (excepto aqueles que são ignorantes de mais para serem agricultores não sabendo distinguir o trigo do joio) sabem que as ervas daninhas acabam por expulsar e aniquilar as boas colheitas.
Os estudantes de economia cedo aprendem que a moeda fraca (a má moeda) expulsa do mercado a moeda forte (a boa).
E toda a gente sabe que as más ideias, assim como as más notícias, são as que mais depressa se propagam.
Infelizmente, qualquer destas três regras tem aplicação no autocaravanismo em Portugal. Se continuarmos a assobiar para o ar enquanto uns poucos se vão divertindo, actuando de forma irreflectida e fazendo-o em nosso nome, mais tarde ou mais cedo todos iremos pagar por isso. Acumulam-se os sinais de que esse momento poderá estar mais próximo do que parece.
Curiosamente esta "notícia" sobre Tavira surge na mesma semana em que a Câmara de Loulé anunciou a construção de um novo Parque de Campismo em Quarteira: um parque de campismo de 4 ou 5 estrelas, diz a autarquia em comunicado, prevendo-se que "este parque contemple não só o campismo, como também o autocaravanismo como forma de resolver alguns problemas de abuso de utilização do espaço público na região”.
É assim tão difícil perceber como pensa a Câmara resolver os problemas de abuso de utilização do espaço público?
Ah, para quem pensa que as autarquias locais se conquistam com arraiais, lembramos que Quarteira é "o quintal" do sr. Cândido Boaventura, o sócio do CPA que se dedica à venda de máquinas para áreas de serviço, e que ainda recentemente o CPA realizou um Encontro precisamente em Quarteira, supostamente fazendo parte da estratégia para aqui instalar uma AS. Parece que valeu a pena...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O que a Lei não define não existe

Começo por sublinhar que não estive presente no Colóquio sobre o “Autocaravanismo e as Leis Actuais” realizado no passado dia 13 de Fevereiro. E não estive pois este realizou-se ao princípio da tarde num dia de semana. Para os autocaravanistas e demais interessados neste assunto teria sido mais útil marcar este Colóquio para um período pós-laboral, mas percebo que para a organização tenha sido mais confortável ter uma assistência reduzida.

Apesar de não ter estado presente, é possível começar a formar opinião sobre a forma como decorreu esta iniciativa pelos relatos dos participantes que vão aparecendo nos blogs e fóruns. Partindo do pressuposto que o que é referido é verdade (e objectivamente não tenho razões para pensar o contrário), podemos constatar o seguinte:

1 – A organização deste colóquio foi sui generis...

A organização coube ao CPA, a pedido da FCMP e teve como presidente da mesa do colóquio o CCL, apesar de tanto o presidente do CPA como da FCMP se encontrarem na mesa do colóquio!!!! Parece que o CPA fez um frete à Federação ao aceitar surgir como organizador quando afinal foi um simples criado: não moderou o debate nem teve palavra a dizer na escolha dos oradores, não apresentou qualquer ideia relevante. Desta forma a associação do CPA ao colóquio parece apenas ter servido para a FCMP mostrar serviço "enquanto entidade que tutela o autocaravanismo". E o CPA mostrou-se obediente a esta estratégia.

2- As intervenções foram as esperadas

A primeira da responsabilidade de José Iglésias González, um dos fundadores do Clube Autocaravanista do Norte, o tal clube que exige a posse da Carta de Campista para se ser associado, fez uma exposição onde campismo e autocaravanismo se confundem constantemente. Uma posição coerente se levarmos em conta o que este orador vem escrevendo no seu blog. Este tipo de intervenção não é de modo nenhum útil ao autocaravanismo enquanto turismo itinerante. Já nos bastam os péssimos trabalhos jornalísticos que insistem nesta confusão. A não ser que a organização do colóquio entenda benéfica para as suas intenções e objectivos alimentar esta confusão...


Seguiu-se a intervenção do consultor da FCMP que deixarei para o fim pois aproveitarei para a partir dela mais uma vez voltar a abordar a já célebre Portaria 1320/2008.

A 3ª intervenção esteve a cargo da representante da ACAP, que revelou a constituição de uma surpreendente “plataforma sectorial” constituída pelo triunvirato ACAP-AECAMP-FCMP. Haverá dúvidas sobre as pretensões desta Plataforma e ao que ela nos levará?


A última intervenção da responsabilidade do CPA, revelou mais uma vez a confrangedora falta de ideias e projectos da actual direcção. Em vez de abordar os mais recentes desenvolvimentos e expor o que pensa o maior clube de autocaravanismo português, a intervenção foi dedicada à exposição da história do CPA... Mais uma oportunidade enjeitada para quem deveria ter pretensões de liderar o movimento autocaravanista português.

Para último deixei a análise da intervenção do consultor para a área jurídica da FCMP. A actividade dos profissionais de Direito é uma actividade muito particular e muito diferente das demais. Estes profissionais trabalham e desenvolvem a sua actividade em função daquilo que lhes é pedido pelos seus clientes.

Alegadamente o advogado da FCMP terá referido que “o que a Lei não proíbe é permitido” de modo a justificar que a Portaria 1320/2008 só se aplica ao campismo e que nada impede por isso que os autocaravanistas pernoitem na via pública, ao contrário do que referiu um dos dirigentes da FCMP no Verão passado e o que defende a direcção da AECAMP...

Na mesma linha, eu que não sou advogado, jurisconsulto nem mesmo estudante do 1º ano de direito, diria o que a lei não define não existe... Confuso???

Nada mais simples de justificar.

Se fizermos uma simples análise comparativa entre o projecto de diploma que esteve em discussão pública e a versão final da portaria 1320/2008 veremos que as alterações significativas se reflectem no artigo 29º:

O artigo na versão de projecto era o seguinte:

Artigo 26º - Parques de caravanismo exclusivamente destinados a autocaravanas
1 - Nos parques exclusivamente destinados a autocaravanas pode ser dispensada a existência dos equipamentos de utilização comum previstos no artigo 11.º, salvo os previstos nas alíneas a) a c) do número 1 e no número 3 do mesmo artigo.
2 – As áreas de serviço previstas no número 4 do artigo 11º são obrigatórias nos parques de caravanismo exclusivamente destinados a autocaravanas.
3 - As estações serviço referidas no número 3 do artigo 11º devem estar revestidas com materiais impermeabilizados e dispor de equipamento próprio para: a) Escoamento de águas residuais; b) Esvaziamento de WC químico/Sistema de lavagem e despejo de cassetes sanitárias de autocaravanas; c) Abastecimento de água potável; d) Despejo de resíduos sólidos urbanos.

Na versão final passou a:

SUBSECÇÃO II
Espaços destinados exclusivamente a autocaravanas
Artigo 29.º
Áreas de serviço
1 — São áreas de serviço os espaços sinalizados que integrem uma ou mais estações de serviço, equipadas nos termos do artigo 27.º, destinados exclusivamente ao estacionamento e pernoita de autocaravanas por período não superior a setenta e duas horas.
2 — As áreas de serviço que não se encontrem integradas em parques de campismo e de caravanismo ficam obrigadas apenas ao cumprimento do disposto nos artigos 7.º, 8.º, 10.º, n.os 1, 2, 3 e 5, 12.º, 14.º, 20.º e 24.º a 26.º da presente portaria, com as necessárias adaptações.
3 — As áreas de serviço não integradas em parques de campismo e de caravanismo devem dispor de serviço de recepção presencial ou automático disponível vinte e quatro horas por dia.

Ou seja, o espírito que presidiu à elaboração da portaria 1320/2008 foi radicalmente alterado quando se passou do projecto de diploma para a versão final. Após o período de consulta pública, foi publicamente revelado que tanto a FCMP como o MIDAP intervieram para alterar o conteúdo do diploma e que após a sua publicação vieram congratular-se pelo resultado obtido. Terão os autocaravanistas razões para agradecerem estas intervenções?

O que inicial e claramente indicava um parque de campismo só para autocaravanas (Parques de caravanismo exclusivamente para Autocaravanas), foi substituído por uma denominação que abarca todas as zonas (quer sejam dentro ou fora de um parque de campismo) onde podemos ter infra-estruturas para o autocaravanismo.

De facto esta portaria não proíbe por si só, o estacionamento de autocaravanas, nem a pernoita, fora de parques de campismo (sejam eles mini ou maxi), mas apresenta um facto igualmente grave. Esta legislação faz com que pela primeira vez se aborde o fenómeno do autocaravanismo, misturando-o perigosamente com a actividade campista (na realidade apresenta o autocaravanismo como uma forma de campismo, tal como a utilização de tendas e caravanas), não deixando espaço para a prática do autocaravanismo como turismo itinerante. Isto significa que por extrapolação se considere a pernoita de autocaravanas fora dos parques de campismo (à semelhança do que acontece para as tendas e caravanas) como campismo selvagem.


Outro facto também grave é que desde a publicação desta portaria as AS desenvolvidas de acordo com o projecto técnico do CPA e que não estejam dentro de parques de campismo passam a estarem fora da lei. Não será de forma nenhuma especulativo, afirmar que finalmente as câmaras municipais tem na mão um importante instrumento castrador da liberdade dos autocaravanistas. Agora sim, será ainda mais fácil (e legalmente legitimo) elaborar regulamentos municipais de trânsito onde se definem os locais em que as autocaravanas podem (e devem) pernoitar como os parques de campismo ou as AS definidas de acordo com a Portaria 1320/2008. Caiem por terra os legítimos argumentos dos autocaravanistas da ilegalidade das proibições de estacionamento (apenas estacionamento!!!) contidas nos regulamentos municipais, em que apenas se proibia as autocaravanas, quando na realidade estes regulamentos deveriam proibir apenas classes de veículos...

O que a Lei não define não existe. Ou seja, neste momento na legislação nacional, o autocaravanismo está definido apenas e só como uma forma de fazer campismo. E esta definição de autocaravanismo abarca não só as autocaravanas quando estão nos parques de campismo, mas também quando não o estão. O que faz com que a legislação sobre o autocaravanismo esteja "fechada", leia-se a actividade do autocaravanismo encontra-se regulamentada.
Antes da Portaria 1320/2008, o estacionamento e pernoita de autocaravanas, apenas se encontrava condicionado pelo código da estrada (e regulamentos municipais de trânsito) e pelos diplomas que envolviam os POOCs. Actualmente, o estacionamento continua a ser condicionado pelo código da estrada (e regulamentos municipais de trânsito) e pelos vários POOCs, estando a pernoita condicionada a estes espaços destinados exclusivamente a autocaravanas, tal como define a referida Portaria.

Para finalizar, é de realçar que este colóquio parece ter tido o condão de finalmente abrir os olhos aos autocaravanistas. Pelo que se vai lendo nos fóruns e blogs relacionados com o autocaravanismo podemos concluir que aquilo que aqui vamos dizendo e alertando há muito tempo, está a ser repetido um pouco por todo o lado. E era tão bom que não tivessemos razão...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Tribuna Autocaravanista na Comunicação Social

A Tribuna Autocaravanista é não só uma referência entre os autocaravanistas que fizeram deste Blog o espaço mais lido do ciberespaço autocaravanista português, como uma referência do autocaravanismo seguida pela comunicação social.
Aqui pensa-se autocaravanismo e os ecos do que nesta Tribuna se diz fazem-se ouvir bem longe.

Obrigado à revista El Camping Y Su Mundo pelo convite e por projectar as nossas ideias além fronteiras.


Esta é a cópia da página que a revista El Camping y Su Mundo dedicou ao nosso texto. Para o descarregar para o seu computador basta clicar aqui, ou clique directamente sobre a imagem para poder ler o texto original.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Posição da AECAMP sobre a Portaria 1320/2008

A posição da AECAMP, a associação de proprietários de parques de campismo, sobre a Portaria 1320/2008 é revelada pela Revista El Camping Y Su Mundo, edição de Fevereiro, na página 16 e que aqui reproduzimos:

Para descarregar a página da revista, clique aqui ou clique directamente sobre a imagem.

A Associação dos proprietários de parques de campismo privados considera a recente Portaria uma oportunidade perdida, porque...“não foi dada a devida importância às graves questões relacionadas com o Campismo Fora de Parques”.

Por campismo fora dos Parques deve ler-se, na óptica da AECAMP, “o grave problema” da pernoita das autocaravanas fora dos campings.
Para quem duvide que o objectivo da AECAMP é acantonar as autocaravanas nos Parques de campismo, a passagem seguinte é clara. A Portaria é má porque (ainda) não é suficiente...


Podem os autocaravanistas ter como parceiros na construção do movimento autocaravanista quem assim pensa? Pelos vistos lá para os lodos dos MIDAPs, ONGAs e companhia pensa-se que sim. Eles lá saberão porquê. E nós também...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

I Encontro dos autocaravanistas saloios

Fez este fim de semana 2 meses, que o CAS (Clube Autocaravanista Saloio) anunciou à comunidade autocaravanista a sua criação, a 24 de Novembro de 2008. O CAS nasceu sob o estigma da sombra tutelar DeAlém, mas depressa soube exorcizar o fantasma dessa alma errante, o que é sem dúvida a sua primeira vitória.
Assumidamente modesto nos seus propósitos, o CAS parece querer ser apenas um Clube de afectos cujos objectivos se esgotam na confraternização entre os seus associados. Fiel a este entendimento o CAS resistiu à tentação das concentrações mil de Abril e programou para 20 a 24 de Fevereiro o seu I Encontro por terras do Nordeste Transmontano.
O pretexto parece ser o sempre agradável esplendor das amendoeiras em flor, mas o que me leva a sublinhar aqui esta iniciativa do CAS é a preocupação que se percebe ter informado a definição do seu programa. O CAS soube integrar no programa do seu encontro a valorização de marcas identitárias da nossa história cultural, como é o caso dos Caretos de Podence, e valorizar a Área de Serviço para autocaravanas construída pela CM de Moncorvo.
Um exemplo que não posso deixar de aplaudir, sobretudo quando há por aí quem se empenhe em vender máquinas para áreas de serviço mas, uma vez recebido o dinheiro e saboreada a patuscada paga pela Autarquia, vire costas sem querer saber da utilização dada à área de serviço, ou mesmo à sua simples divulgação. Infelizmente, no autocaravanismo nem sempre consciência colectiva e interesse individual se conjugam de forma adequada. O que do meu ponto de vista assume gravidade maior quando tais comportamentos são legitimados por um clube com a responsabilidade institucional que recai sobre o CPA. O caminho que o CAS indicia querer seguir com esta iniciativa é diferente, e felicito-o por isso.

Aos membros do CAS, desejo boa viagem por esse lindo recanto de Portugal.
Raul Lopes

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tribuna dos Leitores

Sobre o texto publicado pela Tribuna na sexta-feira 9 de Janeiro com o título de: Autocaravanismo outro tipo de turismo, da autoria do companheiro espanhol Jose Pedro Coruso Presa, concordo e aplaudo o texto na integra, salientando alguns pontos de maior relevância para todos os interessados.

Escreve o autor:
Queremos chamar a atenção dos comerciantes, principalmente dos que se dedicam ao turismo, e das autoridades turísticas e dos políticos em geral: no nosso país existem múltiplos problemas para conseguir locais específicos onde se possa simplesmente parar, locais como os que existem por toda a Europa (só em França quase 5.000, como se pode comprovar na Internet http://www.eurocampingcar.com/es.htm), ainda que ultimamente haja cidades espanholas que tenham criado áreas específicas para autocaravanas, como La Coruña, Lugo, Victória, Bilbao , Valladolid, Cáceres e outras mais. Trata-se unicamente de ter uma zona de estacionamento, bem situada (refiro-me a estar bem conectada com os transportes públicos), dotada de água e grelha de descarga específica, ligada à rede de esgotos, com uma limitação de tempo de permanência (24-48 horas), para se poder visitar a zona e, evidentemente, nela gastar os euros.
Este é efectivamente um excelente exemplo que deveria ser implementado em Portugal, é efectivamente um bom exemplo para os decisores, nomeadamente para os Senhores autarcas e companhia governamental, antes de regulamentarem o que quer que seja, deveriam isso sim, dentro dos parques de estacionamento para todas as viaturas existentes por todo o Pais, deveriam delimitar pequenos espaços restritos só para Acs, como têm os camiões, Automoveis as bicicletas as motas, só os aviões não têm porque não cabem lá, eu já tive oportunidade de estar e parquear a minha Ac no parqueamento reservado a Autocaravanas inserido num enorme estacionamento para as restantes viaturas em la Coruna, situado numa área previligiada e muito próximo do centro da cidade, que efectivamente têm uma torneira de água, e sitio para despejos de águas residuais e wc. E isto meus caros completamente gratuito e com placas indicadoras de cidade amiga das autocaravanas, e respectiva indicação da direcção do parque em todas as entradas da cidade. Mas como penso que, quem não sente não é filho de boa... , talvez os " legítimos representantes desta classe de viaturas" ou os ditos clubes representativos dos associados Autocaravanistas, que tenham a cota dos associados em dia devessem adoptar como um ponto importante a seguir em Portugal.

Concordo e aplaudo na integra a descrição do Autor que passo a citar
Sem dúvida, também à que dizer que existe uma certa perseguição de muitos municípios às autocaravanas, que não nos permitem nem estacionar nos parques de estacionamento que cumprem os requisitos legais para veículos semelhantes aos nossos (pequenos camiões ou furgonetas). Dadas as circunstâncias actuais, e as ajudas do governo aos municípios, não seria má ideia da parte destes estudarem a possibilidade de realizar uma área deste tipo: é barato e a curto-médio prazo rentável para muitos comerciantes, o que beneficia toda a cidade.

Também esta descrição deveria ser tomada em conta pelas entidades ditas representativas dos Autocaravanistas, começar por verificar quais os decisores que são filhos de boa ..., e quais os "cegos ditadorezinhos" que insistem em ver os nossos pequenos camions ou furgonetas como uma tenda de campismo ambulante e que põem pura e simplesmente de lado os interesses dos condutores de Autocaravanas contribuintes também das verbas que as respectivas autarquias recebem do governo, tomarem as devidas providências jurídicas na tentativa de fazer ver aos cegos que as nossas furgonetas ou ou pequenos camiões intituladas de Autocaravanas não são efectivamente nenhumas tendas ambulantes. São simplesmente viaturas cujos ocupantes têm os direitos a parqueamento que deveriam ser semelhantes aos direitos dos restantes automobilistas.

As medidas expostas em Portugal pelos diferentes movimentos associativos ficam na minha modesta opinião muito aquém dos objectivos aqui descritos e que também na minha modesta opinião seriam os mais favoráveis a todos nós. deveria existir um movimento pela manutenção e melhoria dos locais de estacionamento que já existem, chamando á atenção das autoridades competentes para a criação dos respectivos espaços de parqueamento similar para todos os tipos de viaturas sem restrição por todo o território nacional, evitando assim o hastear da bandeira de organizações campistas nas tais areas de serviço independentes para autocaravanas onde pelo que se diz "irá ser possível e "permitido" aos autocaravanistas fazer campismo, que na minha modesta opinião tais organizações campistas deveriam era de se preocupar com os parcos serviços que efectivamente prestam aos seus utentes nomeadamente em alguns condomínios de barracas com a mesma designação de parque de campismo onde já não é possível a utilização da tradicional tenda, e onde a fiscalização da ASAE se têm "esquecido" de fazer a sua intervenção para beneficio de todos os campistas.

Esta é a opinião de um sempre simples viajante.

Autocaravana Adventure

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Autocaravanismo: outro tipo de turismo

Foi publicado no dia 29 de Dezembro na secção Cartas de los lectores do Diário Independiente de Asturias um texto da autoria de Jose Pedro Corujo Presa intitulado Autocaravanismo: otro tipo de turismo, que pela sua pertinência aqui reproduzimos (numa tradução livre para português da responsabilidade da TAC):

Autocaravanismo: outro tipo de turismo

O autocaravanismo está no seu auge, mais de 50.000 famílias espanholas desfrutam dele , e a nível europeu são mais de 2.500.000 os seus usuários, pelo que o potencial turístico do autocaravanismo não é nada desdenhável.

Os autocaravanistas praticam turismo todo o ano, indo de um sitio para outro: são ávidos viajantes. Mas o que é uma autocaravana? Uma autocaravana é “um pequeno apartamento com rodas e motor”, que leva praticamente tudo. Possui todos os serviços básicos: luz, água e gás. Todas as divisões: cozinha, casa de banho completa, sala de jantar e quartos com os respectivos armários. Como equipamento de série as autocaravanas têm água quente, aquecimento, cozinha, extractor de fumos e frigorífico. São ecológicas: recolhem as águas residuais para posteriormente as verter nos locais adequados ao efeito, recarregam as baterias com energia solar. Podem levar todo o tipo de acessórios: televisão, vídeo, rádio, CD, DVD, PC, micro-ondas, forno, ar condicionado e até máquinas de lavar. Pode-se conseguir mais energia com um conversor de 12 para 22º voltes, ou com um gerador.

O preço médio, actualmente, de uma autocaravana é de uns 60.000 euros. O poder aquisitivo dos seus utilizadores, dadas as circunstâncias, deve considerar-se médio-alto. O gasto médio estimado em viagem é da ordem dos 35-45 euros por viajante ao dia, o que pressupõe a prática de um turismo de qualidade. Ainda que não utilizemos os hotéis, gastamos dinheiro em restaurantes, bares, cafés, pastelarias, padarias, lojas em geral, museus, visitas culturais, etc.

Queremos chamar a atenção dos comerciantes, principalmente dos que se dedicam ao turismo, e das autoridades turísticas e dos políticos em geral: no nosso país existem múltiplos problemas para conseguir locais específicos onde se possa simplesmente parar, locais como os que existem por toda a Europa (só em França quase 5.000, como se pode comprovar na Internet http://www.eurocampingcar.com/es.htm), ainda que ultimamente haja cidades espanholas que tenham criado áreas específicas para autocaravanas, como La Coruña, Lugo, Victória, Bilbao , Valladolid, Cáceres e outras mais. Trata-se unicamente de ter uma zona de estacionamento, bem situada (refiro-me a estar bem conectada com os transportes públicos), dotada de água e grelha de descarga específica, ligada à rede de esgotos, com uma limitação de tempo de permanência (24-48 horas), para se poder visitar a zona e, evidentemente, nela gastar os euros.

Sem dúvida, também à que dizer que existe uma certa perseguição de muitos municípios às autocaravanas, que não nos permitem nem estacionar nos parques de estacionamento que cumprem os requisitos legais para veículos semelhantes aos nossos (pequenos camiões ou furgonetas).

Dadas as circunstâncias actuais, e as ajudas do governo aos municípios, não seria má ideia da parte destes estudarem a possibilidade de realizar uma área deste tipo: é barato e a curto-médio prazo rentável para muitos comerciantes, o que beneficia toda a cidade.

Jose Pedro Corujo Presa
Gijón