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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lorvão de novo em festa

De 10 a 14 de Junho a Junta de Freguesia de Lorvão volta a organizar a sua já tradicional Feira de Artes e Cultura, para a qual convida todos os autocaravanistas.

Do Programa que o Sr. Presidente teve a amabilidade de nos enviar destacamos a animação cultural programada para cada um dos 5 dias da Feira, a sardinhada na noite de Santo António, a ceia colectiva no dia 13, os passeios de burro e a volta à Freguesia em bicicleta. Motivos mais do que suficientes para os autocaravanistas comparecerem num dos primeiros locais a dispor de Área de Serviço para autocaravanas em Portugal.



Os interessados em participar deverão proceder previamente à sua inscrição na Junta de Freguesia, Telf. 239477162

terça-feira, 28 de abril de 2009

MANIFESTA 2009

O companheiro Vitor Andrade, o responsável pelo sucesso do Gesto Eco-Solidário, solicitou-nos a divulgação do MANISFESTA 09.



A TAC junta-se ao apelo deste companheiro no sentido dos autocaravanistas comparecerem em peso em Peniche por altura da Manifesta. Entre outras razões apontadas pelo Vitor Andrade, também porque esta pode ser a oportunidade derradeira de dar sequência ao diálogo que já em tempos se estabeleceu com a Câmara Municipal de Peniche para encontrar um adequado enquadramento para o autocaravanismo no concelho. Aqui fica o texto do Vitór com votos de um enorme sucesso.


Caros companheiros!

Vai ocorrer, em Peniche, a Manifesta 09 de 21 a 24 de Maio. Para saber mais sobre o que é a Manifesta consultar aqui.

Como autocaravanista e pessoa envolvida nas questões do Desenvolvimento Local (DL), há muito que considero o AC uma forma de turismo com enormes potencialidades de crescimento entre os agentes de DL. O AC permite grande proximidade, não necessita de intermediários e não requer grandes investimentos por parte destes agentes.
O problema tem sido o desconhecimento mútuo que tem vindo a persistir.

Neste momento estão criadas as condições para que se dê um grande passo no sentido duma aproximação e conhecimento das reais possibilidades do AC nos processos de DL.

No processo de construção da Manifesta conseguimos introduzir a problemática do AC o que tem vindo a gerar entre os agentes de DL grande curiosidade em conhecer este tipo de turismo e as suas potencialidades no desenvolvimento dos seus projectos.
A ANIMAR e os parceiros locais, Câmara Municipal de Peniche e ADEPE, na organização da Manifesta 09 desenvolveram todos os esforços para receber condignamente um grande número de ACs. Agora é necessário que o AC marque forte presença fazendo sentir o seu peso e a sua já grande dimensão.

A ideia é participar na Festa, dando-nos a conhecer e Manifestando com a nossa presença a intenção de sermos parceiros nos processos de DL e do país.

A presença não carece de inscrição nem marcação prévia. Haverá lugares de estacionamento para todos. Cada um controlará os seus custos e participa nas actividades que mais gostar e entender, o importante é a presença e a participação nas diversas actividades que vão ocorrendo nos espaços públicos.

Poderão ir verificando o programa, provisório até aos princípios de Maio. Isto porque são as associações oriundas de todo o país que o vão preenchendo com as suas actividades e grupos.

Ver programa provisório.

O peso e a força deste evento está patente no número de personalidades do poder local e central que por lá irão passar

O AC não vai perder esta oportunidade!


Vitor Andrade

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Rio-Torto

Depois de Gouveia eis que chegamos à “minha aldeia”, Rio-Torto:

À entrada, no Adro da Igreja, estacionem as autocaravanas, podem pernoitar em segurança se desejarem, até têm sanitários públicos e água potável, e vão há descoberta:

Como paróquia é muito antiga tendo o documento onde se pode encontrar o registo de Rio Torto a data de 1269. Contudo, na Grande Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura, ao descrever e contextualizar Rio Torto, vem mencionada, em documento de 13 de Julho de 1091. Por outro lado há que considerar que esta pequena aldeia do interior não existia ainda como freguesia, constituída no Século XIII.Entretanto tira-se das mesmas inquirições a agradável conclusão de que se a freguesia ainda não existia no Século XIII, já existia a povoação, o lugar, pois de outra forma não podia compreender-se que Rivo Torto (do Latim Rivus, Ribeiro, Ribeira, Rego e Levada) repetidas vezes fosse repetido em Acta da Vila de Fornos, incorporada em tais inquirições, para se dar notícia algo desenvolvida da existência e movimento de propriedades (herdades) em Rio Torto, pertencentes a entidades e pessoas quer de Fornos, quer de Vila Cova e ainda de Torre de Tavares, no Século XIII.

- Capela de Nossa Senhora do Carmo

-Capela de Nossa Senhora dos Verdes

-Capela de Nossa Senhora da Conceição

- Ponte Romana, com caminho de S’antiago, sobre a ribeira de Rio Torto

Solar Boffa Mollinar

Casa dos finais do Século XVIII, com Capela datada de 1748, actualmente Turismo de Habitação

Dólmen - Monumento Pré-Histórico
Este dólmen, construído em pedra, está situado em propriedade privada, a 120 metros à esquerda da Estrada Nacional 17, no sentido Coimbra / Celorico da Beira, ao quilómetro 103.É constituído por elementos verticais, os esteios (pedras colocadas ao alto, formando uma parede) e um elemento horizontal colocado sobre os esteios como um tecto (tampa ou chapéu).Tanto os esteios como o chapéu são lajes graníticas, de grandes dimensões, cada elemento pesando toneladas.Está cientificamente provado que esta construção se destinava a rituais fúnebres ao povo paleolítico que habitava a região.Neste monumento pré-histórico foram encontradas ossadas humanas (do crâneo), mais de uma dezena de pontas de setas, vários fragmentos de setas, uma placa de argila, facas e um vaso de argila.

NOTA: “Há muitos milénios a região era habitada por uma raça de origem celta que professava a religião druidica.Os sacerdotes tinham um grande poder religioso, político e administrativo.Acreditavam na metempsicose (teoria que admite a transmissão das almas de um corpo para o outro), bem como na virtude de algumas plantas como medicamentos, como o visco (plantas parasitas) que era uma planta sagrada, sendo colhida em noites de lua cheia com uma foice de osso, com grande cerimonial e servia para fazer augúrios.”

Ermida Nossa Senhora dos Verdes

A Ermida Nossa Senhora dos Verdes, está inserida na Herdade do Monte Aljão, actualmente um parque de lazer e aventura de desportos radicais, muito bem estruturado, o qual possui um Parque Campismo Rural.

Festas e Romarias: Festa de São Domingos (2º Domingo de Agosto, sendo a festa principal), festa de Nossa Senhora da Conceição (1º Domingo de Agosto) e festa de Nossa Senhora dos Verdes (no 7º Domingo depois da Páscoa);Locais de Interesse Turístico: Azenhas, parque de merendas do Rascão, campo desportivo e açudes da ribeira de Rio Torto, onde podem pescar barbos e trutas.


Gastronomia e Artesanato

Neste domínio a referência vai para o Queijo da Serra e o requeijão, por muitos considerado o melhor queijo do Mundo.

Mas há muito mais: São também deliciosos o pão de centeio, a morcela, o chouriço, a farinheira, o cabrito assado, a alambicada de borrego, as feijocas “à pastor”, a sopa de moiros, a sopa de bacalhau, o caldo de castanha, o arroz de carqueja, as bôlas de carne, só para abrir o apetite.No âmbito das sobremesas, destacam-se o arroz doce confeccionado com leite de ovelha, o doce de castanha, o leite-creme, o doce de abóbora e os bolos doces.Acompanhar, não pode faltar o bom vinho Dão da região.No que respeita ao artesanato merecem especial destaque os trabalhos de tecelagem manuais, as camisas e casacos de pastor, os chinelos e mantas de trapos, as botas cardadas, a olaria e tanoaria tradicionais.

O Concelho de Gouveia, tem uma oferta diversificada de locais onde se pode desfrutar de esplêndidos sabores e aromas da gastronomia da Serra da Estrela.


Verde Água / Parque de Nossa Senhora dos Verdes / 6290 Rio Torto

ABM / Estrada Nacional 232 / 6290 - 414 S. Paio

O Júlio / Rua do Loureiro, 11 A / 6290 – Gouveia

O Flôr / Rua Cardeal Mendes Belo / 6290 - Gouveia

O Albertino / Largo da Igreja , 5 / 6290 - 081 Folgosinho

O Mocas / Rua do Oitão, nº 8 / 6290 - 081 Folgosinho

Sabores da Serra / Hotel Eurosol / Av. 1º. de Maio / 6290 - Gouveia

A Brasa / Rua Casimiro de Andrade, 14 r/c Esq. / 6290 - 320 Gouveia

Cunha / Rua Dr. Carlos A. Ferreira / 6290 - Vila Nova de Tazem

Fonte dos Namorados / Bairro Fonte dos Namorados / 6290 - 121 Melo

O Parrô / Zona Industrial de Gouveia / 6290 Gouveia

O Túnel / Escadinhas da Misericórdia / 6290 - Gouveia

Quinta das Cegonhas / Nabaínhos – Melo / 6290 - 122 Gouveia

Quinta do Adamastor / Rua do Hospital, nº 215 / 6290 - 071 Figueiró da Serra

Ponte dos Cavaleiros / Bairro da Serrã / 6290 - 051 Arcozelo da Serra

Parques, pernoita e campismo

… Sugiro para os itinerantes, estacionar e pernoitar, os centros das aldeias e seus adros, para os campistas, deixo estes exemplares.


Parque de Campismo do Curral do Negro
Curral do Negro
6290 - Gouveia

Telefones: 238491008
Fax:
Web:
e-mail: curral.negro@fcmportugal.com


Quinta das Cegonhas
Nabainhos
6290 - 122 Melo
(campismo, quartos, apartamento - todo o ano)
Telefones: 238745886
Fax:
Web: http://www.cegonhas.com/
e-mail: cegonhas@cegonhas.com


Parque de Campismo do Vale do Rossim
Vale do Rossim
6290 - Gouveia

Telefones: 275336679
Fax:
Web:
e-mail: atorre@iol.pt

Consulte e descubra mais aqui: http://www.cm-gouveia.pt/
… Espero que se divirtam e desfrutem da melhor maneira, se ficaram apaixonados e quiserem radicar-se nesta zona, é dirigirem-se à “Serrana” Imobiliária ou Predimarvão, digam ao meu irmão que vão da minha parte; E SEJAM FELIZES !!! …

Eugénio Santos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Gouveia

… Cá estou eu a “dizer presente” ao desafio, em boa hora lançado pela Tribuna Autocaravanista, e mostrar, um pouco (queriam tudo?), das minhas raízes o meu “berço”.

- Em tempos num Fórum, abordei o assunto telegraficamente, desta vez pretendo mostrar algo mais elaborado, mostrar “caminhos”, quer viários, de cultura, lazer ou gastronómicos, (os bailes e bailaricos deixo que os adeptos os descubram) … interessa-me “levar” o Autocaravanista Itinerante, a debruçar-se, com outros olhos, pelo lado Ocidental da Serra da Estrela, mais concretamente GOUVEIA e RIO-TORTO, a sede do concelho e uma das suas freguesias, por sinal a “MINHA”, viajando e itinerando num todo, pois no meu conceito, “viajar itinerando” é fotografar com os olhos, não fossemos nós os lobos dos Montes Hermínios.


… Com este pensamento; vamos rolar:

A cidade de Gouveia, sede concelhia, encontra-se situada a cerca de setecentos metros de altitude. Edificada na encosta ocidental da Serra da Estrela, subindo a estrada N232 – Gouveia - Vale do Rossim (Mondeguinho, nascente do Rio Mondego) – Manteigas, o melhor acesso à Serra da Estrela para autocaravanas, subida mais suave, o panorama que dali se desfruta com paisagens a “perder de vista” são das mais belas do país.

Desconhece-se a época da sua fundação, possivelmente ao domínio romano da península ibérica. Velhas crónicas afirmam ter sido povoada pelos Túrdulos, 500 anos antes da era cristã os quais lhe teriam dado o nome de Gouvé. “ Aparentemente Gouveia ficava num cruzamento de vias romanas”.

Em 1083 D. Fernando I, Magno, (Rei de Leão e Castela), integrado no movimento da Reconquista Cristã retomou Gaudela aos Mouros. O primeiro foral de Gouveia foi concedido no ano de 1186 por El-rei D. Sancho I e confirmado por D. Afonso II em Coimbra a 11 de Novembro de 1217. Diz-se que D. Manuel concedeu novo foral “em 1 de Julho de 1510”.Também em Gouveia a família judaica teve acentuada influência, exemplo disso é uma judiaria no bairro da Biqueira, que dão testemunho vários edifícios, entre os quais a capela de Santa Cruz.

Dos Bairros de Gouveia, destaco dois, pelas marcas que ajudam a definir a cidade:

Bairro do Castelo

Considerado o berço de Gouveia, o denso casario é entrecortado por ruas estreitas e tortuosas que conduzem à Igreja paroquial de S. Julião, edifício barroco de traçado simples, onde sobressai a torre sineira única. No interior encontram-se sete retábulos de talha que foram transladados da Igreja do Convento de S. Francisco. Encontra-se aqui a Biblioteca Vergílio Ferreira.



Biblioteca Municipal - Vergílio Ferreira
O Solar dos Serpa Pimentel é um edifício setecentista, com capela provada dedicada à invocação de Santa Eufémia. Destacam-se as suas marcas barrocas e o brasão esquartelado e trabalhado em granito, na janela central da fachada principal. Após as obras de restauro foi aqui instalada a Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira. Natural do concelho de Gouveia (freguesia de Melo), Vergílio Ferreira notabilizou-se como romancista e ensaísta.

Bairro do Toural

Ainda na freguesia de S. Pedro, o Bairro do Toural e a sua Rua Direita, via sinuosa onde se situa a Fonte do Assento e a Igreja Matriz. No seu seguimento pode apreciar-se a Casa da Torre, com a sua janela manuelina classificada como monumento nacional em 1928 e o Museu Abel Manta.

Casa da Torre - janela manuelina

Museu de Arte Moderna Abel Manta
O museu Municipal Abel Manta (1888 – 1982), instalado no antigo Solar dos Condes de Vinhó e Almedina. Este edifício setecentista foi recuperado com o propósito de ali acolher parte do espólio do ilustre pintor gouveense, Abel Manta. O museu, para além desta riqueza artística, encontra-se valorizado com esculturas, gravuras e pinturas gentilmente doadas pelo seu filho, arquitecto João Abel Manta.


Praça de S. Pedro
Situada no coração da cidade, podem admirar-se aqui alguns testemunhos importantes da riqueza do seu património, como a Igreja de S. Pedro, a Igreja da Misericórdia, o Solar dos Serpa Pimentel e a Fonte de S. Lázaro, datada, segundo a sua própria cronologia, de 1779. A Igreja de S. Pedro é a matriz. Trata-se de uma construção datada do século XVII que impressiona, no exterior, pela sua traça arquitectónica e no interior, pela beleza da talha dourada que ostenta. A Igreja da Misericórdia data do século XVIII e sobressai pelo barroquismo e pela aplicação dos azulejos que lhe cobrem a fachada.

Paços do Concelho - antigo Colégio da Santíssima Trindade

O edifício dos Paços do Concelho (antigo Colégio da Santíssima Trindade) data do século XVIII e foi mandado edificar, para o ensino de Latim e da Moral, tarefa de que foram incumbidos, até à sua expulsão em 1759, os Jesuítas. Durante as invasões francesas, em 1809, foi transformado em quartel, servindo também como hospital militar. Depois de 1839 serviu de instalações ao Tribunal da Comarca e da Cadeia Pública. Já no século XX, em 1964, o edifício foi objecto de obras de conservação e remodelação, preservando-se cuidadosamente os seus traços arquitectónicos dos quais cumpre destacar a fachada principal, com as armas nacionais, ao centro.

Monte do Calvário - Capela do Senhor do Calvário

Outrora conhecido como “Monte Ajax”, o Monte do Calvário constitui o local sagrado por excelência, de Gouveia. A importância deste lugar deve-se à iniciativa dos padres jesuítas do Colégio de Gouveia que ali mandaram edificar uma capela ao Senhor do Calvário, em reconhecimento da protecção divina quando do terramoto de 1755. Na escadaria que leva à capela, encontram-se duas capelinhas alusivas aos Passos da Paixão de Cristo: a Agonia de Jesus no Horto e o Beijo de Judas. As festas do Senhor do Calvário realizam-se todos os anos na primeira metade de Agosto e têm a duração de cinco dias. Trata-se da maior romaria anual da região beirã.


Dos restantes Bairros de Gouveia, deixo à descoberta, apenas deixo a dica:
Gouveia chegou a ser considerada “O tear da Beira” (...) Por volta de 1873 havia em todo o concelho 23 fábricas de tecidos, com 192 teares manuais. A base da indústria de lanifícios estava aliada à riqueza de pastagens que abundam em toda a serra e a prática do pastoreio que fornecia matéria-prima às fábricas de fiação tecidos e lacticínios por todo o concelho. O declínio da indústria têxtil obrigou a recentrar todo o tecido económico. Actualmente aposta no turismo como factor de desenvolvimento.

Amanhã será a vez da "minha aldeia”, Rio-Torto.

Eugénio Santos

terça-feira, 14 de abril de 2009

IV Gesto Eco-solidário

Realizou-se no último fim de semana de Março a 4ª edição do Gesto Eco-solidário, onde mais uma vez se constata o mau serviço dos meios de comunicação social. Apenas os media regionais noticiaram esta boa iniciativa. O relato seguinte é do ViseuMais.com :


S. Pedro do Sul inaugura Zona de Abastecimento para Autocaravanas

O concelho de S. Pedro do Sul acolheu no passado fim-de-semana, de 27 a 29 de Março, mais um Gesto Eco Solidário dos Autocaravanistas. “Entre a magia das águas e o Maciço da Gralheira” foi o lema da iniciativa organizada pelo quarto ano consecutivo pela Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

Com a participação de cerca de 150 autocaravanistas, o principal objectivo do evento foi fazer a ponte entre as Termas (a magia das águas) e a Serra (o Maciço da Gralheira), apresentando aos visitantes dois dos sítios mais emblemáticos do concelho de S. Pedro do Sul.

Um dos momentos mais significativos do encontro foi a inauguração, durante a tarde de sábado (dia 28 de Março), de uma Zona de Abastecimento para Autocaravanas situada em frente à Escola do 1º Ciclo das Termas. Uma nova infra-estrutura que a autarquia de S. Pedro do Sul colocou ao dispor de quem nos visita.


O novo equipamento está preparado, apenas, para abastecimento de água potável e zona de despejos das águas residuais das caravanas, sendo proibida qualquer outra utilidade do espaço.

De assinalar também no programa dos três dias o plantio simbólico de árvores no Alto do S. Macário, que se realizou durante a manhã de domingo, dia 29 de Março, como um gesto ecológico e solidário dos autocaravanistas que passaram por S. Pedro do Sul.



quarta-feira, 25 de março de 2009

IV Gesto Eco-Solidário


A edição de 2009 do Gesto Eco solidário vai se realizar de 27 a 29 de Março. Este ano para além da habitual plantação de árvores na Serra de São Macário será inaugurada a Área de Serviço de São Pedro do Sul.

Espero que a comunicação social tão lesta a reportar os maus exemplos que os autocaravanistas cometem junto ao litoral, não se esqueçam agora da sua missão de formação e informação e publicitarem os excelentes exemplos, como é o caso deste IV Gesto Eco-Solidário.

O programa é o seguinte:

Dia 27 - 6ª feira

A partir das 14h30m – Acolhimento no Largo da Feira que fica no fim da AV. Conselheiro José Vaz, S. Pedro do Sul. Coordenadas 40º 45’ 50’’ N 08º 03’ 51’’ W. Enquanto aguardamos a chegada de todos haverá animação musical e a Estação de Artes e Sabores encontrar-se-á aberta e à nossa disposição

dia 28 - sábado

10 às 12h – Jogos tradicionais e para os amantes da caminhada, na companhia de guias, iremos descobrir recantos de S. Pedro incluindo alguns locais aconselhados para estacionamento e pernoita dentro da vila.
12h às 14h 30 – Almoço livre
15h – Partida de autocarro para as Termas
15h 30 – Inauguração da Estacão de Serviço ao que se segue a visita guiada ao complexo termal
19h30 – Jantar no Hotel Rural Sollar do Banho situado à beira rio e tem como origem uma das primeiras casas a hospedar pessoas enquanto faziam os seus tratamentos termais.

dia 29 - domingo

9h 30 – Partida para S. Macário. Plantação simbólica de árvores e visita às que desde 2006 aí temos vindo a plantar. Realização de fotos para mais tarde recordar.
12h - Almoço Convívio “Sopa de S. Macário”

segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma escapadela ao passado: de Trás-os-Montes a Macau...

Quando penso em Trás-os-Montes é inevitável que me lembre do amigo Urbino, uma das boas heranças que recebi do autocaravanismo. É seguramente o autocaravanista mais distinto que respira para lá do Marão, e é ao seu capital social, empenho e paciência para me aturar que todos nós devemos a existência da Área de Serviço de Torre de Moncorvo.
Mas o seu estatuto social na região rivaliza com a modéstia e noção de serviço colectivo que empresta aos seus gestos. Por isso estou certo que se o tenho consultado não aprovaria que eu escrevesse estas palavras, o que as torna ainda mais merecidas.
Desta vez o colega, companheiro e amigo Urbino partilha connosco uma fresta da panóplia de sentimentos, sabores e memórias que lhe afluíram numa fugaz viagem de autocaravana por entre os montes e vales que o viram crescer.
A Tribuna Autocaravanista sente-se honrada por conferir projecção a esta crónica em registo de quem é e se sente genuinamente autocaravanista. Estou certo que no final da leitura você também se vai sentir grato(a) ao distinto Repórter Itinerante da TAC por terras de Trás-os-Montes.

Raul Lopes


O período de Carnaval é sempre uma ocasião propícia para um passeio mais alongado, quando o tempo o permite, como foi o caso deste ano. Normalmente, nesta época alternamos entre a neve, se está frio, e a amendoeira em flor, se o sol aquece.
Este ano, resolvemos sair para as amendoeiras em flor, regressando a terras que foram as minhas de nascença, e aproveitando para recordar o I Encontro de Autocaravanas em Moncorvo, em 2008. Saídos de Bragança já perto do meio-dia, passámos por um grupo de autocaravanas, em Podence, um pouco depois da albufeira do Azibo, que julgamos ser do CAS (Clube Autocaravanista Saloio), e dirigimo-nos para a foz do Sabor, que dá o nome à aldeia.
Depois dos montes e da serra de Bornes, com perspectiva sobre todo o vale da Vilariça, passámos por Vila Flor, uma vila pequena mas simpática, com um museu digno de visita e um miradouro que nos espraia a vista por horizontes quase infinitos.
Descemos até à fábrica das águas Frise, bem conhecidas da publicidade, percorremos um dos vales mais férteis do país – o vale da Vilariça –, atravessámos as suas vinhas que se prolongam até à Foz do Sabor, e soube bem chegar à confluência do rio Sabor com o rio Douro para saborear um bacalhau com grelos, no meio de uma paisagem que nos deixa sempre rejuvenescidos na alma. Uma garrafa de Quinta de Vila Maior - cujo produtor é daquela aldeia, mesmo ao lado da vinha do célebre Barca Velha - deu ao bacalhau com grelos um sabor que rivaliza com qualquer outro petisco do mais caro restaurante do mundo.
Rumando para Moncorvo, foi tempo de visitarmos a Feira do artesanato, onde comprámos umas bugigangas e uns doces de amêndoa, passando ainda pelo comércio local para reabastecer a garrafeira com uma caixa do “Casa da Palmeira”, um irmão mais em conta do Quinta de Vila Maior. Enquanto a garrafa deste vai para 18 euros, a garrafa daquele fica-se pelos 7.50 euros

30 anos depois…de Moçambique
Saímos de Moncorvo pelas 5 da tarde com ideias de pernoitar em Foz Côa. Só que a vantagem das planificações em autocaravana é poder desplanificá-las a cada passo. E assim fizemos. Em vez de pararmos em Foz Côa, seguimos para Celorico da Beira, mais concretamente para a aldeia de Vale de Azares (se fosse supersticioso não tinha ido), passando ao lado da Meda e de Trancoso. No Lar de Idosos da aldeia encontra-se um casal amigo da família da minha mulher, desde os tempos de Moçambique, onde uns e outros mourejaram em busca de melhores dias.
Ao prazer do reencontro e da recordação doutros tempos e doutras vidas, juntou-se o prazer da descoberta de um humanismo autêntico, feito de generosidade e de pequenos nadas, que ainda é possível descobrir nas nossas aldeias, mas cada vez mais difícil de descortinar nos meios urbanos, feitos de individualismos crescentes e de egoísmos que fecham as pessoas em autismos de solidão e sofrimento.
50 anos depois … de Macau

No dia seguinte partimos sem grandes planos, de novo em direcção ao Douro e às amendoeiras em flor. Passámos por Pinhel, que aproveitámos para conhecer. Uma cidade pequena, mas cheia de história, testemunhada ainda por vários solares e pelo que resta de um castelo que D. Dinis mandou reconstruir e que, ao longo dos séculos, foi sempre fiel aos reis de Portugal em todas as escaramuças em que estes se viram envolvidos com os reis do país vizinho.
E já que de um passeio de memória se tratava, lembrei-me que eram dali o Leopoldo Pinheiro e o José Coelho Matias. Logo no primeiro café em que perguntei por ele, obtive as informações necessárias para o procurar e reencontrar num abraço que recordou o primeiro encontro de 50 anos atrás, nas terras longínquas de Macau. Foi com alguma piada que recordei o facto de sermos ambos naturais de dois concelhos quase vizinhos – eu, de Moncorvo, e ele, de Pinhel – e nos termos conhecido a milhares de quilómetros de distância, aquela a que Macau se encontra. São as voltas que a vida dá!...
Enquanto bebericámos um café, pusemos as vidas em dia e recordámos professores e colegas.

A vida feita de conversa… da treta?...

Entretanto tínhamos combinado com o presidente da Câmara de Moncorvo que, à noite, estaríamos no Cine-Teatro local para assistir à “Conversa da Treta” do António Feio e do José Gomes. Mesmo assim, ainda tivemos tempo para almoçar e descansar em Figueira de Castelo Rodrigo, e passar depois por Almendra, Castelo Melhor e, de novo, Foz Côa. Que deslumbramento de paisagens!... Os olhos não se cansam de as contemplar e a alma de as perscrutar!...
Antes do espectáculo, novo encontro feito de memórias. O Rogério, meu primo, - que me acompanhou até Macau e comigo por lá estudou 5 anos, mais tarde fez-se professor, jornalista do Diário de Lisboa, do Jornal, da Visão, da Capital, do Rádio Clube Português – também estava em Moncorvo, por coincidência. O jantar foi pretexto para uma conversa, não da treta, mas de verdadeiro alimento da alma. Recordámos as contradições do marxismo e do salazarismo e a sabedoria de Lévinas; citámos Kierkegaard e Hegel, entre outros, enquanto o corpo se entretinha com uma garrafa de “Montes Ermos” e uma posta à mirandesa. A alma ficou satisfeita, mas o corpo também não se queixou.
A memória da infância pregou-nos nova partida depois do espectáculo do António Feio e do seu compincha, ao encontrarmos a Conceição e o marido, que tiveram a amabilidade de nos acompanhar até à autocaravana e ali regressarmos ao passado da aldeia e da nossa família, agora dispersa um pouco por todo o lado, desde Peredo dos Castelhanos até Lisboa, passando o Atlântico para os Estados Unidos da América. Uns figuinhos secos e uns grãos de amêndoa foram-nos ajudando a compor o estômago com uma “Casa da Palmeira”, os homens, e um chazinho de cidreira, as mulheres.
Junto a nós, pernoitaram mais duas autocaravanas, que neste fim-de-semana elas andavam espalhadas por todo o lado, desde Pinhel a Figueira de Castelo Rodrigo e a Moncorvo.

Pôr-do-sol no Azibo
Na 3ª feira de Carnaval seria o regresso a casa. Mas ainda tínhamos o dia por nossa conta. Acordámos com o barulho das autocaravanas do CAS. Agora, sim, não havia dúvida alguma que se tratava dos companheiros do CAS. Para pena minha, quando acabei o pequeno-almoço já eles tinham ido a dar uma volta pela vila e não pude meter conversa com nenhum deles.
Antes de partirmos de Moncorvo, ainda deu para mais uma voltinha pela vila a comprar os últimos “regalos”, como dizem nuestros hermanos, e para voltarmos à Área de Serviço das Autocaravanas, a melhor do distrito de Bragança, que resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal local e a então direcção do CPA, entre os quais eu fui mero instrumento de ligação. Na sua inauguração juntámos, pela primeira vez, mais de 100 autocaravanas no distrito de Bragança, tendo esse encontro ficado como um marco importante na história no autocaravanismo do distrito de Bragança e até de todo o Trás-os-Montes.
Depois, foi um cruzar permanente com companheiros das autocaravanas, desde Moncorvo até ao Azibo, onde almoçámos e esperámos pelo pôr-do-sol. Mais um “banho” de beleza natural.
Só depois é que regressámos ao descanso da casa … mas começando desde logo a pensar na próxima saída. É que isto das viagens em autocaravana, quando se entranham na nossa alma, é difícil viver muito tempo sem lhes fazer a vontade!...

César Urbino Rodrigues

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Soito da Ruiva, ou o reencontro com as nossas raízes?

Soito da Ruiva é uma pequena aldeia a que restam 19 habitantes, em contraste com as 3 centenas que em tempos já teve. Localizada na Serra do Açor, concelho de Arganil, Soito da Ruiva fica perto de Piódão, paredes meias com as minas da Panasqueira e com a encosta da Serra da Estrela.


A história desta aldeia é-nos contada numa página Web de excelente recorte, onde cada um dos seus habitantes se converte em protagonista. Juntando suporte fotográfico, áudio, vídeo e texto, os actuais habitantes desfilam pelo site partilhando connosco os seus percursos de vida e as suas memórias.
Em boa hora o fazem, pois desta forma legam-nos um testemunho autêntico que nos permite ir ao encontro das nossas raízes e da nossa identidade rural. Pena é que não haja no site informação sobre os responsáveis por tão inovadora e meritória iniciativa, bem como algo mais que nos ajudasse a percepcionar os seus objectivos mobilizando-nos para a sua causa.
Registo também a ausência de informação de suporte ao usufruto turístico desta aldeia do Portugal profundo, mas tal não invalida que seja um bom local de destino para os autocaravanistas. No largo da aldeia existem boas condições de estacionamento para uma mão cheia de autocaravanas, e visitar Soito da Ruiva será certamente uma oportunidade de mergulhar na história da nossa identidade, recordando lendas, tradições, usos costumes e vivências colectivas de tempos perdidos que a memória desta gente generosa vai partilhando connosco.
Visitem o site, e estou certo de que depois disso não deixarão de agendar uma visita a Soito da Ruiva: http://www.soitodaruiva.com/
Para saber mais: soitodaruiva@gmail.com



Raul Lopes

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Recordando outros Carnavais: ao encontro dos Caretos de Podence

Daqui a quinze dias repete-se o ritual dos festejos de Carnaval. Disfarçando a fraca tradição da data entre nós, um pouco por todo o lado o país vai ser invadido pelos desfiles com ritmo e sotaque brasileiro. Mas a cultura tradicional portuguesa também nos oferece outros desfiles, outros registos, outras cores e sabores. Pela mão da companheira Paula Vidigal, a quem a TAC agradece a amabilidade da colaboração, aqui fica uma proposta diferente de viver o Carnaval. Na sua crónica Paula Vidigal leva-nos ao encontro dos Caretos de Podence, pretexto para usufruir do que melhor Trás-os-Montes tem para nos oferecer. Que bela sugestão...




O tempo passa a voar e, se ontem foi a passagem de ano, daqui a nada está aí o Carnaval. (Lembro-me ainda, quando era adolescente, que uns dias a seguir ao Ano Novo, a garotada começava a rebentar bombinhas de Carnaval, quase cosendo as duas datas festivas…).


Provavelmente para fazer justiça a esses tempos, ocorre-me agora a viagemdecasaascostas de 2008, em épocas de Entrudo. O pretexto era mesmo viajar; a temática a tradição das máscaras, das carantonhas, dos mascarados, dos caretos.


Desta vez o Carnaval comemorou-se cedo (dia 3 de Fevereiro era domingo Gordo), pelo que o Inverno ainda se fazia sentir e bem! O frio acompanhou-nos sempre e, infelizmente, a chuva. No sábado, preguiçámos na viagem e, se o destino era Podence, talvez com pernoita em Foz Côa, optámos por parar mais cedo, por volta das 17.30, em Freixo de Numão, naquele que é um local já consagrado a AC. Lá estava uma francesa e nós. Água e local de despejo. Dedicámo-nos, com o frio, à vidinha caseira: copas, “olho do K”, leituras…


No dia seguinte, a chuva instalou-se de vez , mas mesmo com ela as visitas ao Vale “rupestre” do Foz Côa estavam esgotadas até dia 5. Felizmente que as lojas dos chineses não conhecem feriados sejam eles gordos ou magros, já que o esquecimento dos chapéus-de-chuva nos levou a Marcos de Canaveses à procura dos ditos cujos. Dali a Podence a excitação era grande porque a vontade de ver a chocalhada era muita.

Os Caretos representam imagens diabólicas e misteriosas que todos os anos desde épocas que se perdem no tempo saem à rua nas festividades carnavalescas de Podence – Macedo de Cavaleiros. Interrompendo os longos silêncios de cada Inverno, como que saindo secretos e imprevisíveis dos recantos de Podence, surgem silvando os Caretos e seus frenéticos chocalhos bem cruzados nas franjas coloridas de grossas mantas."



O programa das festas (previamente consultado na net), dizia-nos que o desfile seria por volta das 15h, creio. Até lá, havia tempo, qual Óbelixes, para um belo almoço de leitão assado no, certamente, melhor (e creio que único) restaurante da terra. Mas se o gaulês comemora no fim da festa, a nossa comemoração foi antes e não nos deu muita sorte. A partir dali a chuva foi basicamente o som que se fez ouvir. O desfile dos Caretos que, segundo a tradição, se despede do Inverno e saúda a Primavera, não pôde mostrar-se nem renovar as estações.


Graças à chuva, os trajes coloridos, feitos de colchas franjadas de lã ou linho, não se atreveram a soltar-se ruas fora, ensopando-se em mantas pesadas e impossibilitando a correria e a energia máscula dos homens que as vestem. Se os chocalhos à cintura têm como finalidade assinalar os dias do calor que se aproximam, era óbvio que o tempo lhes cortava as voltas. Mesmo assim, soava aqui e ali um chocalho mais afoito que nos fez correr até à tenda gigante montada para a exposição da Festa. Lá dentro, aquecedores gigantes e muita animação: gaiteiros da nuestra hermana España e os tão esperados acabaram por dar caras, ou melhor, dar às ancas em cima do mulherio que ria de prazer e dor. Bem esperámos que o sol os aplaudisse e aparecessem, mas acabei a levar com os chocalhos mesmo ali, debaixo de chuva e frio.

A esperança extinguiu-se e a noite foi passada em Bragança, debaixo de frio, num local pacato e simpático: frente à antiga gare de comboios. Apesar das expectativas furadas, na Casinha reinou a boa disposição, à excepção de algumas reticências do mais jovem que não olhou com bons olhos a energia e as carantonhas dos caretos. Afinal há sempre locais a conhecer cá dentro, Bragança era um dos que nos faltava. A manhã de segunda foi passada ao longo do seu centro histórico.




Para rimar com a temática da viagem, aprofundámos os nossos conhecimentos sobre as máscaras e trajes de Carnaval tradicionais, no Museu Ibérico da Máscara, simpático e acolhedor.



Incrível como a tradição se repete por essas aldeias espanholas.Quem sabe um bom roteiro para outros carnavais…




À tarde, visita rápida a Murça para ver de perto a sua porca.


Final de dia em Vila Real para um banho de sétima arte: o último com Johnny Deep – Swenney Todd, um musical fabuloso mas tenebroso.

Pernoita mesmo ali perto do shopping Dolce Vita, ao lado de uma zona residencial, com algum barulho de música de noite, mas sofrível.

Terça-feira de Entrudo e desta vez a chuva não ia estragar a festa. Era a nossa secreta (e bem apregoada) esperança, já que o plano era seguir de perto outras andanças carnavalescas de ar livre. Às 11.30, com medo de perdermos o lugar, já estávamos às portas de Lazarim , uma aldeia ao longo de estrada magra com pouco espaço para AC. Coubémos.
Na padaria (a única da aldeia) fazia-se fila para o pão e bola de carne. Foi o nosso almoço, apesar de a tenda gigante no centro da aldeia, nos acenar com um belo cardápio regional. Das 14.00 às 19.00 vimos desfilar um grupo singular de máscaras e de trajes, numa manifestação de alegria invulgar e insólita. Contrariamente a Podence, aqui a mulher também participa e, pelo que vimos, concorrendo em força.



(abertura do desfile pelos padrinhos)





De trapos velhos, de palha e outros constituintes da mãe-Natureza, a criatividade e o engenho mostra que não é preciso seda e riquezas para criar o belo e colorido. Para além do desfile toda a manifestação é original: a abertura do desfile pela madrinha e padrinho lida de um balcão, a leitura dos testamentos, com a sua linguagem pícara e picante visando alvos conhecidos da aldeia (e a corarem ali ao nosso lado), o concurso das máscaras e a queima dos bonecos de palha. Ao que parece os testamentos são redigidos ao longo do ano, logo a seguir ao dia de Entrudo. Os deste ano certamente já estarão destinados e redigidos, provavelmente não às escondidas, em velhos barracões e palheiros, mas quem sabe, na troca de e-mails e sms já que muitos dos jovens participantes estudam na cidade e vão à “terra” pela altura das festas.



(leitura dos testamentos)









(queima do boneco)
O epílogo da festa é de barriga cheia, já que se oferece a todos (aldeãos e forasteiros) um caldo de farinha e feijoada ali mesmo cozinhados, em panelas de ferro, ali, no centro da praça e ao vivo. O calor das brasas, do vinho e da alegria acompanharam-nos até Viseu, onde cortámos o banho pagão com um Ásterix na tela da sétima arte, in Fórum Viseu. Pernoita no antigo Rossio, quase ao lado do Viriato e de duas carrinhas itinerantes.
(preparação da feijoada)
Já de regresso, a nostalgia do passado acenava e não resistimos ao apelo da voz coimbrã, mas à beira-rio já não há lugar para AC. Aliás, a senhora do parque de estacionamento esclareceu-nos que toda aquela zona não é aconselhável a pernoitas, dado que o amigo do alheio por ali já actuou algumas vezes com estrangeiros e portugueses. A ideia era só almoçar, mas registámos, com pena. Afinal em Coimbra tem de se pernoitar no Camping? Não há outros locais exteriores possíveis?
Era o fim das curtas férias, não havia tempo para indagar… se alguém souber de algo interessante naquela que é uma das nossas cidades eleitas, que diga.


Paula Vidigal
http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/

sábado, 13 de dezembro de 2008

Portugal Tradicional

Depois de 2 anos(2006-2007) onde o autocaravanismo em Portugal deu passos consistentes na sua afirmação como turismo itinerante, o ano de 2008 pode dizer-se que se constitui como um Ano Horribilis para o autocaravanismo.


Desde a constante ofensiva dos media durante o verão, com especial incidência para o Jornal "O Público", com o inexplicável desaparecimento do CPA como interlucutor institucional para o autocaravanismo, passando pelo inusitado registo de marcas no INPI pela FCMP e acabando na publicação da Portaria 1320/2008 sobre a regulamentação de parques de campismo, onde também se regulamenta as áreas de serviço e pernoita para autocaravanas, nada parece ter corrido bem para o autocaravanismo em Portugal.


A excepção que confirma a regra é o Projecto Portugal Tradicional (http://www.tradicional.campingcarportugal.com/) que é sem dúvida uma daquelas iniciativas que deveria e podia ser mais publicitada. Tendo como inspiração o modelo francês da France Passion, onde os autocaravanistas são acolhidos gratuitamente em quintas agrícolas, tendo a oportunidade de até colaborar nas tarefas agrícolas, permite um contacto genuíno e deveras interessante com o Mundo rural e natural.
Neste momento a versão portuguesa conta apenas com 5 locais:



O sucesso deste tipo de iniciativas está muito condicionado à participação. Se estes locais não tiveram uma relativa afluência de autocaravanistas de modo a que outros potenciais "clientes" se vão juntando a estes primeiros 5 locais, poderá ser mais uma boa iniciativa a ficar para trás.
Onde estará agora o Jornal "O Público" e outros que tanto "bateram" no autocaravanismo no verão??? Isto sim pode ser denominado de autocaravanismo, enquanto o que víamos nas reportagens de Agosto, era na realidade campismo selvagem....
Nuno Ribeiro