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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Rio-Torto

Depois de Gouveia eis que chegamos à “minha aldeia”, Rio-Torto:

À entrada, no Adro da Igreja, estacionem as autocaravanas, podem pernoitar em segurança se desejarem, até têm sanitários públicos e água potável, e vão há descoberta:

Como paróquia é muito antiga tendo o documento onde se pode encontrar o registo de Rio Torto a data de 1269. Contudo, na Grande Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura, ao descrever e contextualizar Rio Torto, vem mencionada, em documento de 13 de Julho de 1091. Por outro lado há que considerar que esta pequena aldeia do interior não existia ainda como freguesia, constituída no Século XIII.Entretanto tira-se das mesmas inquirições a agradável conclusão de que se a freguesia ainda não existia no Século XIII, já existia a povoação, o lugar, pois de outra forma não podia compreender-se que Rivo Torto (do Latim Rivus, Ribeiro, Ribeira, Rego e Levada) repetidas vezes fosse repetido em Acta da Vila de Fornos, incorporada em tais inquirições, para se dar notícia algo desenvolvida da existência e movimento de propriedades (herdades) em Rio Torto, pertencentes a entidades e pessoas quer de Fornos, quer de Vila Cova e ainda de Torre de Tavares, no Século XIII.

- Capela de Nossa Senhora do Carmo

-Capela de Nossa Senhora dos Verdes

-Capela de Nossa Senhora da Conceição

- Ponte Romana, com caminho de S’antiago, sobre a ribeira de Rio Torto

Solar Boffa Mollinar

Casa dos finais do Século XVIII, com Capela datada de 1748, actualmente Turismo de Habitação

Dólmen - Monumento Pré-Histórico
Este dólmen, construído em pedra, está situado em propriedade privada, a 120 metros à esquerda da Estrada Nacional 17, no sentido Coimbra / Celorico da Beira, ao quilómetro 103.É constituído por elementos verticais, os esteios (pedras colocadas ao alto, formando uma parede) e um elemento horizontal colocado sobre os esteios como um tecto (tampa ou chapéu).Tanto os esteios como o chapéu são lajes graníticas, de grandes dimensões, cada elemento pesando toneladas.Está cientificamente provado que esta construção se destinava a rituais fúnebres ao povo paleolítico que habitava a região.Neste monumento pré-histórico foram encontradas ossadas humanas (do crâneo), mais de uma dezena de pontas de setas, vários fragmentos de setas, uma placa de argila, facas e um vaso de argila.

NOTA: “Há muitos milénios a região era habitada por uma raça de origem celta que professava a religião druidica.Os sacerdotes tinham um grande poder religioso, político e administrativo.Acreditavam na metempsicose (teoria que admite a transmissão das almas de um corpo para o outro), bem como na virtude de algumas plantas como medicamentos, como o visco (plantas parasitas) que era uma planta sagrada, sendo colhida em noites de lua cheia com uma foice de osso, com grande cerimonial e servia para fazer augúrios.”

Ermida Nossa Senhora dos Verdes

A Ermida Nossa Senhora dos Verdes, está inserida na Herdade do Monte Aljão, actualmente um parque de lazer e aventura de desportos radicais, muito bem estruturado, o qual possui um Parque Campismo Rural.

Festas e Romarias: Festa de São Domingos (2º Domingo de Agosto, sendo a festa principal), festa de Nossa Senhora da Conceição (1º Domingo de Agosto) e festa de Nossa Senhora dos Verdes (no 7º Domingo depois da Páscoa);Locais de Interesse Turístico: Azenhas, parque de merendas do Rascão, campo desportivo e açudes da ribeira de Rio Torto, onde podem pescar barbos e trutas.


Gastronomia e Artesanato

Neste domínio a referência vai para o Queijo da Serra e o requeijão, por muitos considerado o melhor queijo do Mundo.

Mas há muito mais: São também deliciosos o pão de centeio, a morcela, o chouriço, a farinheira, o cabrito assado, a alambicada de borrego, as feijocas “à pastor”, a sopa de moiros, a sopa de bacalhau, o caldo de castanha, o arroz de carqueja, as bôlas de carne, só para abrir o apetite.No âmbito das sobremesas, destacam-se o arroz doce confeccionado com leite de ovelha, o doce de castanha, o leite-creme, o doce de abóbora e os bolos doces.Acompanhar, não pode faltar o bom vinho Dão da região.No que respeita ao artesanato merecem especial destaque os trabalhos de tecelagem manuais, as camisas e casacos de pastor, os chinelos e mantas de trapos, as botas cardadas, a olaria e tanoaria tradicionais.

O Concelho de Gouveia, tem uma oferta diversificada de locais onde se pode desfrutar de esplêndidos sabores e aromas da gastronomia da Serra da Estrela.


Verde Água / Parque de Nossa Senhora dos Verdes / 6290 Rio Torto

ABM / Estrada Nacional 232 / 6290 - 414 S. Paio

O Júlio / Rua do Loureiro, 11 A / 6290 – Gouveia

O Flôr / Rua Cardeal Mendes Belo / 6290 - Gouveia

O Albertino / Largo da Igreja , 5 / 6290 - 081 Folgosinho

O Mocas / Rua do Oitão, nº 8 / 6290 - 081 Folgosinho

Sabores da Serra / Hotel Eurosol / Av. 1º. de Maio / 6290 - Gouveia

A Brasa / Rua Casimiro de Andrade, 14 r/c Esq. / 6290 - 320 Gouveia

Cunha / Rua Dr. Carlos A. Ferreira / 6290 - Vila Nova de Tazem

Fonte dos Namorados / Bairro Fonte dos Namorados / 6290 - 121 Melo

O Parrô / Zona Industrial de Gouveia / 6290 Gouveia

O Túnel / Escadinhas da Misericórdia / 6290 - Gouveia

Quinta das Cegonhas / Nabaínhos – Melo / 6290 - 122 Gouveia

Quinta do Adamastor / Rua do Hospital, nº 215 / 6290 - 071 Figueiró da Serra

Ponte dos Cavaleiros / Bairro da Serrã / 6290 - 051 Arcozelo da Serra

Parques, pernoita e campismo

… Sugiro para os itinerantes, estacionar e pernoitar, os centros das aldeias e seus adros, para os campistas, deixo estes exemplares.


Parque de Campismo do Curral do Negro
Curral do Negro
6290 - Gouveia

Telefones: 238491008
Fax:
Web:
e-mail: curral.negro@fcmportugal.com


Quinta das Cegonhas
Nabainhos
6290 - 122 Melo
(campismo, quartos, apartamento - todo o ano)
Telefones: 238745886
Fax:
Web: http://www.cegonhas.com/
e-mail: cegonhas@cegonhas.com


Parque de Campismo do Vale do Rossim
Vale do Rossim
6290 - Gouveia

Telefones: 275336679
Fax:
Web:
e-mail: atorre@iol.pt

Consulte e descubra mais aqui: http://www.cm-gouveia.pt/
… Espero que se divirtam e desfrutem da melhor maneira, se ficaram apaixonados e quiserem radicar-se nesta zona, é dirigirem-se à “Serrana” Imobiliária ou Predimarvão, digam ao meu irmão que vão da minha parte; E SEJAM FELIZES !!! …

Eugénio Santos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Gouveia

… Cá estou eu a “dizer presente” ao desafio, em boa hora lançado pela Tribuna Autocaravanista, e mostrar, um pouco (queriam tudo?), das minhas raízes o meu “berço”.

- Em tempos num Fórum, abordei o assunto telegraficamente, desta vez pretendo mostrar algo mais elaborado, mostrar “caminhos”, quer viários, de cultura, lazer ou gastronómicos, (os bailes e bailaricos deixo que os adeptos os descubram) … interessa-me “levar” o Autocaravanista Itinerante, a debruçar-se, com outros olhos, pelo lado Ocidental da Serra da Estrela, mais concretamente GOUVEIA e RIO-TORTO, a sede do concelho e uma das suas freguesias, por sinal a “MINHA”, viajando e itinerando num todo, pois no meu conceito, “viajar itinerando” é fotografar com os olhos, não fossemos nós os lobos dos Montes Hermínios.


… Com este pensamento; vamos rolar:

A cidade de Gouveia, sede concelhia, encontra-se situada a cerca de setecentos metros de altitude. Edificada na encosta ocidental da Serra da Estrela, subindo a estrada N232 – Gouveia - Vale do Rossim (Mondeguinho, nascente do Rio Mondego) – Manteigas, o melhor acesso à Serra da Estrela para autocaravanas, subida mais suave, o panorama que dali se desfruta com paisagens a “perder de vista” são das mais belas do país.

Desconhece-se a época da sua fundação, possivelmente ao domínio romano da península ibérica. Velhas crónicas afirmam ter sido povoada pelos Túrdulos, 500 anos antes da era cristã os quais lhe teriam dado o nome de Gouvé. “ Aparentemente Gouveia ficava num cruzamento de vias romanas”.

Em 1083 D. Fernando I, Magno, (Rei de Leão e Castela), integrado no movimento da Reconquista Cristã retomou Gaudela aos Mouros. O primeiro foral de Gouveia foi concedido no ano de 1186 por El-rei D. Sancho I e confirmado por D. Afonso II em Coimbra a 11 de Novembro de 1217. Diz-se que D. Manuel concedeu novo foral “em 1 de Julho de 1510”.Também em Gouveia a família judaica teve acentuada influência, exemplo disso é uma judiaria no bairro da Biqueira, que dão testemunho vários edifícios, entre os quais a capela de Santa Cruz.

Dos Bairros de Gouveia, destaco dois, pelas marcas que ajudam a definir a cidade:

Bairro do Castelo

Considerado o berço de Gouveia, o denso casario é entrecortado por ruas estreitas e tortuosas que conduzem à Igreja paroquial de S. Julião, edifício barroco de traçado simples, onde sobressai a torre sineira única. No interior encontram-se sete retábulos de talha que foram transladados da Igreja do Convento de S. Francisco. Encontra-se aqui a Biblioteca Vergílio Ferreira.



Biblioteca Municipal - Vergílio Ferreira
O Solar dos Serpa Pimentel é um edifício setecentista, com capela provada dedicada à invocação de Santa Eufémia. Destacam-se as suas marcas barrocas e o brasão esquartelado e trabalhado em granito, na janela central da fachada principal. Após as obras de restauro foi aqui instalada a Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira. Natural do concelho de Gouveia (freguesia de Melo), Vergílio Ferreira notabilizou-se como romancista e ensaísta.

Bairro do Toural

Ainda na freguesia de S. Pedro, o Bairro do Toural e a sua Rua Direita, via sinuosa onde se situa a Fonte do Assento e a Igreja Matriz. No seu seguimento pode apreciar-se a Casa da Torre, com a sua janela manuelina classificada como monumento nacional em 1928 e o Museu Abel Manta.

Casa da Torre - janela manuelina

Museu de Arte Moderna Abel Manta
O museu Municipal Abel Manta (1888 – 1982), instalado no antigo Solar dos Condes de Vinhó e Almedina. Este edifício setecentista foi recuperado com o propósito de ali acolher parte do espólio do ilustre pintor gouveense, Abel Manta. O museu, para além desta riqueza artística, encontra-se valorizado com esculturas, gravuras e pinturas gentilmente doadas pelo seu filho, arquitecto João Abel Manta.


Praça de S. Pedro
Situada no coração da cidade, podem admirar-se aqui alguns testemunhos importantes da riqueza do seu património, como a Igreja de S. Pedro, a Igreja da Misericórdia, o Solar dos Serpa Pimentel e a Fonte de S. Lázaro, datada, segundo a sua própria cronologia, de 1779. A Igreja de S. Pedro é a matriz. Trata-se de uma construção datada do século XVII que impressiona, no exterior, pela sua traça arquitectónica e no interior, pela beleza da talha dourada que ostenta. A Igreja da Misericórdia data do século XVIII e sobressai pelo barroquismo e pela aplicação dos azulejos que lhe cobrem a fachada.

Paços do Concelho - antigo Colégio da Santíssima Trindade

O edifício dos Paços do Concelho (antigo Colégio da Santíssima Trindade) data do século XVIII e foi mandado edificar, para o ensino de Latim e da Moral, tarefa de que foram incumbidos, até à sua expulsão em 1759, os Jesuítas. Durante as invasões francesas, em 1809, foi transformado em quartel, servindo também como hospital militar. Depois de 1839 serviu de instalações ao Tribunal da Comarca e da Cadeia Pública. Já no século XX, em 1964, o edifício foi objecto de obras de conservação e remodelação, preservando-se cuidadosamente os seus traços arquitectónicos dos quais cumpre destacar a fachada principal, com as armas nacionais, ao centro.

Monte do Calvário - Capela do Senhor do Calvário

Outrora conhecido como “Monte Ajax”, o Monte do Calvário constitui o local sagrado por excelência, de Gouveia. A importância deste lugar deve-se à iniciativa dos padres jesuítas do Colégio de Gouveia que ali mandaram edificar uma capela ao Senhor do Calvário, em reconhecimento da protecção divina quando do terramoto de 1755. Na escadaria que leva à capela, encontram-se duas capelinhas alusivas aos Passos da Paixão de Cristo: a Agonia de Jesus no Horto e o Beijo de Judas. As festas do Senhor do Calvário realizam-se todos os anos na primeira metade de Agosto e têm a duração de cinco dias. Trata-se da maior romaria anual da região beirã.


Dos restantes Bairros de Gouveia, deixo à descoberta, apenas deixo a dica:
Gouveia chegou a ser considerada “O tear da Beira” (...) Por volta de 1873 havia em todo o concelho 23 fábricas de tecidos, com 192 teares manuais. A base da indústria de lanifícios estava aliada à riqueza de pastagens que abundam em toda a serra e a prática do pastoreio que fornecia matéria-prima às fábricas de fiação tecidos e lacticínios por todo o concelho. O declínio da indústria têxtil obrigou a recentrar todo o tecido económico. Actualmente aposta no turismo como factor de desenvolvimento.

Amanhã será a vez da "minha aldeia”, Rio-Torto.

Eugénio Santos

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Viajar na minha terra: ÉVORA

Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas… Ruas frades
(…)
Évora!... O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,

Florbela Espanca


O perfil de Évora é o recorte circular das suas ameias, e no topo, vigilante e altaneiras, o zimbório e as torres da Sé que, desde longe se avistam.

Experimente-se pois esta visão da estrada que liga o Redondo a Évora, imaginando que veio de Espanha e já passou por Estremoz, Borba (terra de bons vinhos e petiscos), Vila Viçosa, a princesita alentejana e terra natal da Poetisa.
Estacione fora das muralhas e, se quiser marcar já lugar na sua “quintinha”, terá vários pontos simpáticos à escolha. O Rossio de S. Brás, um terreiro imenso de terra batida muito concorrido por AC, mesmo em frente de uma das portas da cidade: a da rua da República (de meados de Maio até à 1ª semana de Julho, terá forçosamente de escolher outro poiso porque as Festas da Cidade – a centenária Feira de S. João – enche o espaço do habitual local de estacionamento).



Ermida de S. Brás (Rossio)

Rossio: modelo gigante


Rossio: modelo improvisado
Outras hipóteses são perto da Porta da Lagoa, ou ao lado da Porta de Avis. Menos silenciosas que o Rossio, mas a primeira com algum carisma, mesmo ali ao lado do Aqueduto da Água da Prata e da relva.


Aqueduto


Qualquer deles são meros parques de estacionamento, Évora, como tantas outras cidades portuguesas, ainda não acordou para a recepção de AC em zonas próprias e acolhedoras. Quanto a mim, já pensei várias vezes num parque completamente desaproveitado, onde ninguém estaciona, perto da Porta da Lagoa e mesmo ao lado da entrada por um arco cortado na muralha, em direcção ao Teatro Garcia de Resende. Se tivesse dinheiro, até criava ali uma zona simpática e colocaria lá uma casinha de recepção com atendimento personalizado… devaneios de autocaravanista e amante das línguas.



A zona AC sonhada...

Estacionada a AC, está na hora de partir à exploração. Exige-se bom calçado nos pés, porque as “ as ruas frades” se percorrem a pé e sempre com uma máquina fotográfica já que a cidade é vaidosa e esbelta. Se o propósito for histórico e detalhado, um gordo fim-de-semna não chegará para tanta História e arredores. Fechado entre muralhas, o centro histórico é um labirinto de ruas – ermas, frades… - por onde a História respira, desde o período romano, passando por todos os estilos artísticos e arquitectónicos: medieval, gótico, clássico, barroco…, enfim, todas as assinaturas, cores e odores.Logo no Rossio, a ermida de S. Brás; subindo a Rua da República, à esquerda, a Igreja de S. Francisco (com a turística Capela dos Ossos) e à direita os Meninos da Graça.


Depois a Praça do Geraldo e as suas dez ruas (conte-se o número de carantonhas da fonte, na Praça…). Pela 5 de Outubro, peregrinação até à Sé, Templo Romano, Biblioteca, Pousada e Igreja dos Lóios, Paço dos Duques de Cadaval, Universidade, Portas de Moura….

Praça do Geraldo


Sé catedral



Carantonha e o Geraldo (Brasão da cidade)


A toponímia eborense é outro passeio: Esta era mesmo a rua do Diogo.

Regressando à Praça, na Rua da Moeda, a zona judaica, mais à frente pela Rua de Avis, a mouraria, já para não falar de dezenas de capelas com as quais nos vamos cruzando, numa azáfama de História e religião. A par, sempre o branco e o ocre. E o sol, de preferência. Não exagere, evite o mês de Agosto, sempre são 40 ou mais graus…



Poderá sempre refrescar-se nas piscinas municipais, há 40 e tal anos atrás, um exemplo de espaço de ócio, hoje uma estrutura ultrapassada e insuficiente para a procura jovem e desportiva. Opte pois pela Primavera, o sol será mais ameno e igualmente azul luminoso, bom para apreciar paragens em algumas esplanadas, como na Praça do Geraldo; no mercado, comendo um gelado da Zoka, ou uns caracóis e uma imperial, ao lado de S. Francisco.
Para apreciar a boa gastronomia, espaços não faltam, uns para bolsas recheadas, outros para mais parcas: “¼ para as nove” e o seu arroz de tamboril; petiscos vários no “Molhóbico” (também com boa esplanada); os pequenos restaurantes na Rua dos Mercadores…; o café Alentejo; a Cascata ou se a preferência for estrangeira, o “Italiano”. Para apreciadores de doçaria conventual, o “Mel e Noz” ou outras pastelarias menos sofisticadas (Violeta) e gourmets (Boa Boca) que começam agora a nascer.


O templo, claro!



Fonte das Portas de Moura e Palácio Cordovil

Aparte a História, caso tenha trazido o seu atrelado de bicicleta, tem ainda a possibilidade de pedalar ao longo da Ecopista, caso contrário poderá caminhar mais um pouco. A pista circunda Évora pelo lado Este, aproveitando a antiga linha de caminho-de-ferro até Arraiolos… passando pela Graça do Divor, paisagem a destacar, mesmo ali ao lado da barragem. Um salto a Arraiolos também é bom desvio, mesmo que não se comprem os famosos tapetes, é sempre aconselhável. Ou mesmo até Pavia, indo à pesca na barragem de Montargil, ou visitando o Fluviário de Mora...


O branco e o ocre

Enquanto enche os olhos do Passado, tem sempre o lado comercial, mesmo à mão de semear, na Praça dos Geraldo e ruas afins, basta seguir os anúncios…
Ou então, fora das muralhas, o “novo”, como o bairro branco do prestigiado Siza Vieira (Malagueira), naquela que foi (já alguns anos…) uma assinatura diferente de nova arquitectura.
(Lago da Malagueira)


Culturalmente, apesar de já não ser o que era, Évora ainda sopra alguns ventos naturais: o Cendrev, companhia de Teatro profissional terá certamente algo em cartaz no Teatro Garcia de Resende, como por exemplo os imperdíveis Bonecos de Santo Aleixo, ou então, de 2 em 2 anos a Bienal Internacional de Marionetas. Este ano é ano sim, em Maio…
Fora das Muralhas, na zona industrial, a Companhia de Dança Contemporânea, ou então o Espaço do Tempo (companhia do coreógrafo Rui Horta) em Montemor-o-Novo.
Antes de lá chegar convém, porém, um desvio por o cromoleque dos Almendres ou a gruta do Escoural (neste caso, não sem antes telefonar a marcar, 266 857 000).
Mais para sul, aconselham-se outras paragens a caminho do Alqueva: as olarias de S. Pedro do Corval, Monsaraz, a marina da Amieira, aldeia da Luz…
E, para fechar o capítulo, há sempre a possibilidade de regressar em qualquer estação, quiçá a neve se lembre de cair e nasça daí um belo e incomum postal ilustrado …
(Neve em Évora, 2006)
Mais difícil será o mar, mas até Alcácer não é assim tão longe e logo ali está a praia do Carvalhal ou Troia, ou então, para se pisarem MESMO, praias alentejanas, basta seguir Évora-Torrão-Grândola que, até Sines e à costa alentejana ( Porto Côvo , por exemplo) , é só um saltinho.
Em AC há sempre esse salto que torna possível qualquer destino, com ou sem neve, com ou sem praia e, como as estações agora se trocam e baralham como as cartas de jogar, nada é impossível. Boa viagem!

Paula Vidigal

terça-feira, 31 de março de 2009

Venha visitar a minha terra: POMBAL

Concluída a visita a Abiul e à aldeia do Vale, sugiro agora um passeio pela cidade.

Em Pombal normalmente é complicado estacionar, com qualquer tipo de veículo, sobretudo durante o dia. Com a autocaravana o melhor será tentar um dos três seguintes parques de estacionamento: na zona desportiva (com WC público: N39º54’48; W8º37’47); junto ao Auditório Municipal (N39º54’54; W8º37’49), ou no lado E do Hospital (N39º55’04; W8º37’26). Para pernoitar só recomendo este (ou alternativamente entre a GNR e o Pingo Doce), já que os dois primeiros ficam junto à linha-férrea e tornam-se isolados durante a noite.
Uma vez estacionado pode ir “tomar o pulso” à cidade saboreando calmamente um café e um bolo num dos muitos cafés-pastelarias que por aqui proliferam, onde não será difícil reconhecer a influência da pastelaria francesa. Se numa delas comprar pão, não irá arrepender-se. O Café Nicola, frente à Câmara, é um dos clássicos (mas os bolos da pequena pastelaria que está na esquina são melhores). Se precisar de “surfar na Internet”, então vá até ao Café 2000 que tem wirless. Se prefere um pouco de requinte, então vá até ao Café Teatro-Cine onde com sorte à noite poderá assistir a um concerto.
A cidade tem alma de aldeia e ostenta em cada esquina as cicatrizes de décadas de ausência de política urbanística. Faça o favor de ignorar os atentados arquitectónicos que por lá se vêem. Apesar disso, dirija-se ao edifício dos Paços do Município e entre para visitar os seus claustros. Ao lado, atravesse o Jardim do Cardal e não deixe de reparar no edifício que está frente à PSP. De seguida atravesse a linha-férrea e logo de seguida atravesse o rio pela velha ponte D. Maria (que fica junto ao primeiro dos parques que indiquei). Pare na ponte e observe o conjunto edificado que ainda resta nas duas margens do rio. Era aqui que em tempo se localizavam várias Casas de Pasto que fervilhavam de gente no dia semanal do mercado (a praça do peixe era onde agora está o estacionamento). Compradas as sardinhas os romeiros iam depois assá-las na Casa de Pasto, enquanto os burros presos no telheiro (com vestígios ainda visíveis) se entretinham a roer as “caroças de pontas” ou a “ferrã” trazida de casa. A sopa, a salada de tomate e o vinho eram a base das receitas dos donos das Casas de Pasto.

Uma vez aqui, vire-se para o Castelo e rume ao largo do Pelourinho. Observe alguns pormenores de edifícios que se encontram no núcleo histórico compreendido entre a Câmara Municipal e a Praça do Marquês (ignore aquele que está revestido a azulejo de casa de banho, mesmo na esquina da praça).
Nesta Praça muitas vezes esfolei eu os joelhos a jogar à bola. Todas as segundas feiras mal podíamos esperar que os feirantes levantassem as bancas da fruta e hortaliça para invadirmos o espaço com as nossas jogatanas. Mesmo ao lado, na parte de baixo da cadeia, os presos assistiam por detrás das grades. Para eles as segundas feiras também era um dia diferente: tinham quem lhes desse conversa e fruta pela janela. Hoje vale a pena entrar na antiga cadeia para apreciar o museu que guarda o espólio que foi do Marquês de Pombal. Mesmo em frente têm o Celeiro do Marquês a convidar a uma curta entrada. Infelizmente a Torre do Relógio que fez parte deste conjunto arquitectónico está em ruínas, coberta de eras. Mas se tiver tempo, e pernas, suba até à Capela de S. Martinho que fica na encosta contígua à Praça. A razão da sugestão não é pela capela, mas por ser um bom local para fazer umas fotos e apreciar a beleza do entrelaçado dos telhados da parte medieval da cidade.
Bom, já que está perto, porque não subir até ao Castelo? (Se o fizer de AC suba e desça pela rua junto ao Mercado e não pela estreita Rua Direita do núcleo histórico). O castelo de Pombal integrou a linha de defesa das terras de Coimbra contra os mouros no período da formação de Portugal, e acolheu os membros da Ordem dos Templários, antes mesmo da construção da sua sede em Tomar. O interior do castelo está muito destruído, mas é um bom local para do alto das suas ameias ter uma ideia da configuração espacial da cidade.
Depois da passeata imagino que almoçar lhe pareça uma boa ideia. No Mercado Municipal encontrará algumas iguarias para o efeito. Sugiro uma morcela de arroz (grelhada) e um queijo Rabaçal (à venda no topo oeste do Mercado), aliás 2 queijos: um semi-curado (daquele que trouxe até à Corte de Lisboa a fama deste queijo) e outro fresco (que deve comer nos dois dias seguintes, com um naco de broa e uma pitada de sal e pimenta).
No talho do interior do Mercado aproveite para comprar uns quilos de “ossos”. Isso mesmo, ossos! Cubra-os de sal de um dia para o outro (sem receio de os salgar) na altura de os cozer passe-os por água e coza-os apenas com umas malaguetas, um pouco de hortelã... e um chouriço regional. Deixe cozer até a carne se soltar dos ossos, e depois de apurar algum tempo (uma hora...), atire-se a eles acompanhando apenas com broa, ou com migas regionais (broa, couves/nabiças migadas, um pouco de feijão frade e muito azeite). Será melhor não esquecer o vinho a gosto. Se eu estiver por perto convide-me para o manjar.

Se as circunstâncias se não proporcionarem a estes preparos então tem várias opções. A solução requintada, consagrada (e um pouco mais cara), que é o Manjar do Marquês. Se é da fama tradicional que quer beneficiar então opte pela parte do Snack-bar em vez do salão de restaurante. Comerá de forma diferente, comerá melhor e mais barato. Aqui terá arroz de tomate à descrição (uma delícia), croquetes, chamuças, panados, bacalhau frito, ... (no final só paga as peças que comer). Peça as migas da casa, por norma apenas servidas no restaurante, mas que não lhe serão recusadas. O Manjar fica à saída da cidade na estrada para Coimbra, e tem espaço de estacionamento.
Se prefere algo mais pacato, sugiro-lhe o “Caça Foices” (na Rua de Ansião, junto ao Mercado Municipal), ou a “Velha Caroca” no lado norte da Escola Secundária (ambos perto do terceiro estacionamento que indiquei). Na “Viúva do Mota”, Rua de Albergaria dos Doze, encontra uma opção mais tipo tasca mas com comida caseira e em conta. Com sorte encontrará aqui os tais “ossos” de que falei. Se estiver numa de se despachar, junto aos Bombeiros Voluntários (Rua de Coimbra) pode optar por uma piza ou por adquirir na churrasqueira local um frango assado ou um naco de entrecosto grelhado, ... e levar para a autocaravana para complementar o queijo rabaçal.
Terminado o almoço, se a opção não for a sesta, tem várias possibilidades. Se for para Norte, antes do leitão na Bairrada pode optar por fazer uma visita às ruínas de Conímbriga (onde pode pernoitar em paz).
Se precisar de fazer a manutenção, a 10 kms tem uma área de serviço: junto ao campo de futebol de Vermoil (N39º51’04; W8º39’41). Siga pela N1 na direcção de Leiria e na Ranha vire à esquerda até ao centro da freguesia de Vermoil.
Se não precisa de passar pela AS, então, depois da serra, deixe-se seduzir pelo mar. Aponte ao Louriçal (se for Domingo aproveite para sentir a algazarra da feira e comprar uns biscoitos do Convento confeccionados pelas próprias freiras) e depois siga para o Carriço. Aqui procure o caminho para a praia do Osso da Baleia (N40º00’13; W8º54’52) e experimente a sensação de estar numa praia deserta, com um areal a perder de vista, perdida nos confins da mancha florestal do Pinhal do Urso. Se gosta da costa atlântica... então esta praia foi feita para si (para mim não, que aquilo é um gelo).


Ao regressar à estrada nacional 109 rume a norte direcção a Leiria. Cerca de um km depois de passar no centro da Guia faça uma paragem na Casa dos Leitões da Guia. Nem que seja só para uma sandes de leitão. Depois da praia vai certamente gostar (e antes também!). Aconchegada a barriga sugiro que em Monte Redondo abandone a N109 e siga para Coimbrões até à Praia do Pedrógão (onde tem uma AS no camping que pode usar sem pernoitar). Descontraidamente faça a via que liga Pedrógão à Praia da Vieira (possibilidade de pernoita com usufruto de WC público junto ao mar).

Se lhe apetece uma mariscada ou bom peixe fresco está no sítio certo. Em plena Av. Marginal tem boas opções. Por exemplo o restaurante “O Coelho”(?) por debaixo do hotel, ou, mais barato, “O Pescador”(? aquele que tem uns degraus para aceder ao interior:N39º52’26; W8º58’22). Mas não faltam alternativas nas ruas contíguas.



Quem está na Vieira não pode deixar de passar por S. Pedro de Moel e calmamente calcorrear os trilhos das arribas do Farol até à praia central (também pode fazer o percurso Vieira-S. Pedro de bicicleta, todo ele em pista dedicada).
Em S. Pedro de Moel não faça nada, escolha um dos muitos locais possíveis que lhe agradem e... simplesmente deixe-se ficar: leia, medite, contemple a paisagem, converse... enfim, usufrua deste lugar fantástico e deixe-se envolver na sua inevitável neblina matinal até que o pôr-do-sol o acorde do sonho. Se gosta de acampar, o parque local da Orbitur parece-me uma boa opção (quanto mais não seja pela densidade de pinheiros, mas não só). Na hora de partir lembre-se que o centro da Marinha Grande merece uma visita. Daqui pode optar por dirigir-se à Nazaré-Alcobaça, ou por visitar o interessante castelo-residencial de Leiria indo pernoitar na área de serviço da Batalha, mesmo nas traseiras do majestoso Mosteiro.

Bom, acho que por hoje chega de passeio. Atreva-se a aceitar o meu convite, vai ver que não se arrepende. Desfrute!

Raul Lopes

segunda-feira, 30 de março de 2009

Venha visitar a minha terra: ABIUL

No sopé da Serra da Sicó o primeiro fim-de-semana de Agosto é sempre diferente dos outros dias do ano. Há séculos que assim é. Ao raiar da aurora, de todos os trilhos, venham eles do vale ou da serra, surgem mulheres de cores garridas e homens de fato de mostrar a Deus. Na mão, ou à cabeça, transportam consigo os sacos com o almoço melhorado que as Festas do Bodo impõem. O melhor coelho ou o maior galo da capoeira terá sido sacrificado na véspera. Nestes dias as aldeias vizinhas despovoam-se e o único destino é Abiul (N39º52’32; W8º32’20).
Desde o séc. XVII que aqui se localiza a praça de touros mais antiga de Portugal e uma das mais antigas da Península Ibérica, razão suficiente para que anualmente aqui se realizem duas corridas de touros com carteis seleccionados de entre os melhores interpretes da arte.

O ritual começa pela manhã. No largo da aldeia apreçam-se os primeiros melões do ano, do tipo casca rija de carvalho. Protegidos do sol pelos ramos de uma oliveira ou de um carvalho, lá se vai esquartejando o melão enquanto do alto se assiste à chegada dos touros, conduzidos a pé pelos campinos desde a parte baixa da aldeia. Noutros tempos o percurso era mais longo e os touros pernoitavam a 2 kms da Praça, num local que ainda hoje ostenta o nome de Touril. Entretanto chegam os cavalos com o seu ar distinto, ninguém ficando indiferente à sua passagem.
Tirando partido da permeabilidade das bancadas construídas com tábuas de madeira suportadas por troncos de pinheiro, os miúdos trepam para a parte superior dos curros de onde assistem ao manuseamento e preparação dos touros para a lide. Mesmo ao lado escovam-se e enfeitam-se os cavalos.
Chegada a hora, as casas do centro da aldeia abrem-se de par em par para nelas se improvisarem casas de pasto onde os visitantes degustam os seus farnéis e aguardam pela hora do início da tourada. Mais tarde, no primeiro andar de uma delas haverá um baile animado a acordeão que até de madrugada mobilizará todos os jovens das redondezas, assim como as mães encarregues de vigiar de perto os movimentos das filhas.


Pela mão do meu avô, que exibia este gesto como a atribuição de um prémio de bom comportamento, muitos foram os anos da minha meninice que tomei parte deste ritual colectivo. Claro que a Praça de Touros, agora reconstruída (mas continuando a ter como únicos lugares à sombra aqueles que o velho carvalho protege da canícula), continua no mesmo sítio. E todos os primeiros fins-de-semana de Agosto se continuam a realizar touradas em Abiul. Mas o resto do colorido faz tempo que se perdeu. Agora os touros, os cavalos e as pessoas vão de carro até junto da Praça pouco antes da hora aprazada. Terminada a tourada, depressa a aldeia se esvazia.
Apesar disso, Abiul continua a ser um bom local para iniciar a visita ao concelho de Pombal. Esta terra que até 1821 foi sede de concelho fica junto ao IC8, a menos de 10 kms de Pombal no sentido Castelo Branco, Tomar… Se gosta de “maranhos” então ao passar por Abiúl entre na tasca que fica nas traseiras da farmácia (junto à igreja) e compre uns “tortulhos”, versão local dos maranhos, que era um petisco incontornável dos casamentos populares na zona. Depois, desça (a pé) ao núcleo medieval da aldeia onde pode ver o Paço dos Duques e o forno do povo, local onde se cozia a Fogaça do Bodo confeccionada com 12 alqueires de trigo. Até 1913 colocada a fogaça no forno havia um homem que lá entrava e dava três voltas ao bolo com um cravo na boca, saindo ileso.

Mesmo ao lado do forno ainda é visível o que resta do palanque dos duques de Aveiro, testemunho do tempo em que a tourada se realizava no largo do forno. Para além de alguns pormenores da arquitectura desse núcleo, esteja atento aos candeeiros suspensos das paredes, que em tempos iluminavam as ruas… a azeite. Por falar em azeite, se a passagem ocorrer na altura da apanha da azeitona, mostre aos seus filhos um lagar em funcionamento (o único que sobrevive de entre uma imensidão de outros que por aqui havia). Este lagar localiza-se num edifício discreto à saída da aldeia no sentido de Vila-cã (pelo caminho de Touril).


Concluída a visita rume a Pombal. A meio caminho faça um pequeno desvio e visite uma aldeia medieval ainda habitada: a Aldeia do Vale (acesso pelo IC8, na zona onde a serra da Sicó é mais visível).


(Continua...)

Raul Lopes