Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunhos: o que é ser e sentir-se autocaravanista?. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunhos: o que é ser e sentir-se autocaravanista?. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de maio de 2009

As quatro estações da Andaluzia

Sevilha, Granada e Córdova: um “triângulo” incomparável de arquitectura branca misturada com o árabe, aglomerados labirínticos de ruas, cheiros a tapas e cavalos, sol fortificante e alegre, pessoas, agitação, alegria, horas tardias, noche animada...

...e, aliadas à Semana Santa, as três cidades andaluzas ganham ainda mais cor e luz.

Sevilha foi a primeira ponta do “triângulo”. Três dias antes de Domingo de Ramos, as procissões aguardavam, mas a cidade já fervilhava de palanques, filas de cadeiras pelas avenidas principais e colchas vermelhas a acenar às varandas.

Esse era o ar espanhol, morno e “habitué”; mas Sevilha ganhou entretanto um ar mais cosmopolita, relembrando algumas cidades do norte europeu, com a sua rede de bicicletas de aluguer que se estende por toda a cidade em múltiplas estações e com a mais recente inovação, um metro à superfície todo ecológico e de linhas modernas.

Desta vez, sem mapas, explorámos os cantos à casa ao sabor da intuição e dos apelos visuais: a catedral e a sua Giralda

(li recentemente que a catedral consta do Guiness como a maior do mundo); a judiaria; as pequenas plazas repletas de esplanadas e pessoas tapeando e bebendo canhas;

a praça da Maestranza, qual palácio ao Toro; um merecido jantar numa taberna típica, com croquetas, ensaladilla russa, tortilla, pescoço de boi ou um lanche de canhas e croquetas, reencontrando por mero acaso pessoas que não víamos há mais de 15 anos…

Do lado oposto há ainda a possibilidade das ruas comerciais, como a Tetuan, onde apetece fazer como os espanhóis: entrar e alargar os cordões à bolsa…


Para pernoitar tínhamos a indicação, via net, de uma zona na Marina de Gelfes, fomos lá, mas havia um portão fechado e acabámos (como já havia acontecido em anos anteriores) no camping Vilson, bem servido de autobus, 500 m já em Los Hermanas. Os autocarros são frequentes e circulam até perto da meia-noite. O pior mesmo é que entre parque (para 4) e bilhetes fizemos uma diária de 40€.

Antes de chegar ao segundo ponto do triângulo (Granada), ainda há a hipótese de passar pela serra e gozar um belo sol, mesmo frente ao mar. A volta foi por Ronda, local de difícil estacionamento para AC e servida apenas de um camping caro (30€ antes da Semana Santa, 35 € nas ditas Festas), a 3 km a pé até ao pueblo. Optámos por não ficar, uma vez que já conhecíamos, mas com pena de não haver ali uma área para AC.

E a partir dali constatámos que a vida do autocaravanista cada vez se torna mais difícil, sobretudo em locais à beira-mar. Em Marbella não arriscámos e não vislumbrámos muito espaço; até Cala de Mijas espaços reduzidos e poucos parques de estacionamento, nalguns, estreitos, algumas AC arriscavam e tinham mesmo por cima a autovia barulhenta. Encontrámos um bom espaço ferial em Cala de Mijas (N36º 30’20,2’’ W4º 40’ 53.6’’) onde descansámos e pernoitámos sossegadamente, ao lado de outra.


Antes de continuar pela costa, havia que fazer um pequeno desvio até Mijas, pueblo serrano e solarengo, que inaugurava a manhã com a procissão de Domingo de Ramos. Desde a ermida na rocha até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os ramos de palmeira e oliveira são agitados por uma multidão ruidosa que, depois da missa, sai em procissão pelo centro, acompanhando o andor de Jesus montado no burrico, como não podia deixar de ser, já que Mijas é o berço dos burros.


Espanha é também touradas, por isso não nos pareceu nada mal visitar uma praça miniatura e bem típica, a de Mijas, claro!



(O táxi de Mijas)


Para almoço alguma vez tinha de ser a famosa paella, e, recordados de um pequeno bar em Mijas, há mais de 12 anos, que fazia uma excepcional, bisámos. Mas como tudo na vida, a segunda vez nunca é igual à primeira…

A partir de Mijas, há outro roteiro processional aconselhado - Málaga - mas ao que parece pernoitar ali não é fácil. Em cidades grandes há sempre o factor insegurança que nos faz recuar, optamos pelo camping, mas neste caso, o de Málaga era a mais de 30Km. Talvez tenhamos saltado alguma coisa, não percebi, o facto é que antes de Málaga conseguimos ficar em Torremolinos, mas já depois de Málaga, só Motril.

Em Torremolinos a discriminação AC é visível em placas como esta:


ainda assim, no final do Paseo Marítimo a proibição não existe e passámos lá uma boa parte da tarde, para passear e rodar nas biclas ao longo do Paseo. À noite passámos para a parte proibida, já que não havia guarda nem ninguém. A polícia passou e nada disse, ao lado uns franceses.

Até Motril tínhamos a indicação de duas zonas de AC em Nerja, fomos lá mas estavam ambas fechadas ?!

Acabámos em Motril, na praia de Granada, depois dos dois campings. Já conhecíamos e sabíamos ser seguro, ainda por cima com a vantagem de estar na 1ª linha da praia. O pior é que precisávamos de despejar e encher! Dando o exemplo civilizado, pusemos gasolina, pedimos autorização para encher, despejámos (sorrateiramente) a sanita no WC exterior da Gasolinera, demos banho à Casinha nas lavagens automáticas de carros, para podermos, em simultâneo, despejar as águas sujas. Talvez não tenha sido o mais higiénico, mas depois de termos pedido autorização nos campings de Motril, e de a terem negado, não havia outra hipótese. Por que razão os campings não têm um preço simbólico para AC, só para despejos e reabastecimento? Porque se calhar é melhor estas andanças, ou então fazer como a senhora alemã que estava ao nosso lado: pegar na sanita e despejá-la no mato, do outro lado da estrada?!




(Motril)


Em poucas horas, do Verão passámos ao Inverno: já que se vai a Granada, por que não uma subida até à Sierra Nevada? A época é de facto de estância de Inverno, os turistas abundam, o desporto deslizante está no auge! No topo da montanha (2.379 mt alt.) há uma zona para AC, por 10€ diários, com água e sítio para despejos ( N37º 05’ 57.9’’ W 00 3º 23’ 33,2’’). Estava bastante cheio, também com portugueses armados dos seus skis, gorros e gaffas de sol! Para quem não pratica, como nós, o passeio até ao pueblo, ou melhor, uma base de lojas caras, restaurantes e hotéis, é uma espécie de passeio por uma base de astronautas, onde os alliens somos nós próprios.




Mas vale a pena estar no meio de tanta neve, num cenário de algodão doce com temperaturas nocturnas de 5 º negativos! Impressionante! Mais impressionante ainda é a carrinha não pegar no outro dia de manhã, quando nos propomos descer até Granada! Tem de se chamar o especialista, que com um milagroso spray a põe a funcionar em 5 segundos e estende a mão para em troca receber 60€, bela aventura na neve!

O que vale é que Granada é cor e alegria! Haja sol, novamente! E dinheiro, claro, porque aqui vale mais jogar pelo seguro e ir até ao Camping Sierra Nevada (36,60€).

Granada é aquela jóia árabe, onde apetece estar, ficar, sonhar…

Chega-se à Plaza Nueva e há logo um íman a puxar-nos para o emaranhado de ruelas do Albaicin, bairro típico, de recantos árabes, labirínticas calles onde apetece perdermo-nos e espreitar pela portas, muros, e pátios. Subindo ao mirador San Nicolás , o Alambra esmaga-nos,

de beleza, num choque de frente.

Gastam-se rolos de fotografia, para além de ter a sensação de paragem no tempo, com tanta concentração, de hippies, por metro quadrado. Esperar-se-ia mais pelos árabes, mas à falta deles, populam os hippies e o artesanato mourisco e as teterias e o cheiro a incenso marroquino…

(mirador San Nicólas)

Parar, estar e contemplar são sempre verbos que por ali reinam: andar pelo Albaicín e parar no Miradouro; descer a Calle do rio entre a plaza Nueva e o Passeo dos Tristes, e parar aí, olhando as pessoas, ouvindo música dos muitos grupos de jovens que por ali conversam , namoram, dormitam…


(Passeo dos Tristes)

Ou andar mais ainda e fazer um intervalo para uma tapa regalada entre duas canhas, quejo, presunto, patatas, azetonas…

(Teteria no Albaícin)

E eis que irrompe, pelo peso da História e do passado “herege”, o culto e peso do catolicismo, com outro cheiro a incenso e outra música: a das bandas que choram Cristo. Afinal era quarta-feira santa e os andores de centenas de quilos, escorriam lentamente pelas calles, enclausurando-nos no labirinto e fazendo-nos calcorrear avenidas à espera do autocarro até ao Camping…


Faltava a ponta do triângulo, desta vez Cáceres, onde uns amigos eborenses, igualmente andarilhos (numa Westfalia vermelha e hippie), já vacaceavam.

Em Cáceres, cidade mais pacata e espaçosa para AC, há a possibilidade de pernoitar gratuitamente, ao lado do espaço ferial, onde muitos buses param. Um pouco barulhento mas passa-se. Muitas AC, algumas portuguesas, como um sr. da Guarda que muito dialogou connosco sobre outras paragens, como Noruega (ai, ai…).

Em Córdova, as procissões são uma constante, desde Domingo de Ramos, cinco e seis por dia. Na quinta e sexta-feira Santa quase tropeçámos nos andores e fomos encurralados por nazarenos encapuzados de preto, roxo, vermelho…


Uma “quadrilha de costeleros” carrega o andor – quase uma vintena deles – com camisolas a proteger ombros e cabeça, debaixo do peso, quase sem verem. Em alguns dos andores, a quadrilha, em uníssono, dá um salto e o andor sobe. O público aplaude, a procissão passa, de 30 em 30 metros, durante 5 minutos, o andor volta a parar para depois subir e continuar, horas sem fim.


(preparativos)

(debaixo do andor)

(o andor)


As procissões entravam e saíam na Catedral: Dolores, Sepulcro, Expiración, Cristo na cruz, a Virgem chorando, a última ceia, Cristo morto…


A mesquita árabe ali ao lado, duas religiões quase irmanadas, a Judiaria no lado oposto, as rezas, as pipas no chão, o incenso…

Córdova é mais um exemplo do espírito andaluz, luz e cor e sol (33º para no dia seguinte serem apenas 20º), as pensões e hotéis sempre “completo”.

E sempre uma rua estreita para descobrir, um páteo andaluz, um arco em ferradura, malvas às janelas…

Na Plaza de la Corredera há alegria e artesanato de outros tempos, surge quase cozida ao emparedado Templo Romano. Nada que se compare ao de Évora…

(La Corredera)

(Templo Romano)

Na Plaza del Poltro - e as suas joalharias nas redondezas - apetece tapear…

Em San Pedro apreciar mais uma reunião de uma congregação…

Muito e sempre mais a repetir…ficaram a faltar-nos saborear algumas tapas, por exemplo, em La Bacalá, taberna típica com bom ambiente.

Estava na hora de voltar à realidade, Córdova-Zafra-entrada em Portugal por Mourão e, para descansar, uma noite bem dormida no descanso alentejano, na Aldeia nova da Luz, na recém-inaugurada zona para AC. O Alqueva ao fundo, outra vez o frio. Alentejo, mas parecido às noites frias andaluzas.




(Luz)


PAULA VIDIGAL

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Viajar Pela Patagónia

A Tribuna volta hoje ao tema das Viagens. Desta vez à mítica Patagónia na Argentina. Temos vários leitores brasileiros, tendo já publicado um post do companheiro Luiz Tostes sobre o Autocaravanismo no Brasil e os companheiros Graça e Renato são presença habitual como nossos "comentaristas".

Hoje a reportagem é da companheira Nadja Gomes Sampaio que a bordo do "Farofa", percorreu mais de 14 mil kms em 41 dias. Foi uma grande epopeia como podemos facilmente constatar pelas palavras desta aventureira e que mereceu honras de publicação no Jornal O Globo.



A BORDO DO FAROFA

Atravessar a Argentina percorrendo 14.527 quilômetros em um motor home (uma Kombi com a casa em cima) é uma aventura... e das melhores! O motor home, no caso, é uma Kombi Safari da Karmann Ghia, o Farofa: ano 1993, duas camas de casal; mesa; banheiro químico, pia e chuveiro de água quente; cozinha com fogão de duas bocas, pia, frigobar e armários. Esta foi a nossa confortável casa durante 41 dias. Nesta expedição estávamos eu, minha filha e dois amigos. Vivemos e vimos muito nas estradas de retas enormes, com vento da Patagônia, e ainda caminhos de rípio, um cascalho de pequenas pedras redondas. Nas partes onde está mais endurecido, pelas quais passam caminhões, formam-se costeletas, a casa sacode toda, a poeira invade tudo, depois é preciso fazer uma faxina.
O Farofa anda devagar, não passava de 60 km/h quando havia vento, e só chegava a 90 km/h nas melhores estradas, o que nos permitia apreciar a paisagem, que, mesmo no deserto, vai mudando. E, depois de muita estrada, sempre chegávamos a um lugar lindo, como se fosse um presente para os desbravadores.

Saímos do Rio em 27 de dezembro passado e rodamos três dias até Foz do Iguaçu. Primeiro problema: a validade da Carta Verde, seguro obrigatório para dirigir pelos países do Mercosul, começava no dia 1 de janeiro, e estávamos em 30 de dezembro. Policiais argentinos nos deixaram seguir para comprar em Puerto Esperanza o seguro do dia que faltava. Custou 170 pesos (cerca de R$ 100), mais da metade do que fora pago por um mês.

Nas estradas argentinas, é obrigatório andar com o farol aceso durante o dia. E a sinalização para ultrapassagem é ao contrário da usada no Brasil: quando o motorista da frente liga a seta da esquerda, é porque se pode passar. Na divisa das províncias Corrientes e Entre Ríos, fomos parados por não ter faixas refletoras nas laterais do veículo nem a velocidade máxima atrás. O patrulheiro já começou negociando, baixando a multa de 1.100 para 800 pesos, se pagássemos em moeda argentina. Depois de uma hora e meia de conversa, em que apelamos até para o aniversário da minha filha, naquele dia, chegamos ao valor de R$ 150 (passamos para reais porque tínhamos poucos pesos).

Após pagar, disse que gostaria de saber o número da lei pela qual estava sendo multada. O policial pegou meus documentos, foi conversar com o chefe e, na volta, devolveu o dinheiro, anunciando ser um regalo, um presente de aniversário, para minha filha. E não disse o número da lei. Chegamos a Buenos Aires às 21h30m, para passar o réveillon e comemorar o aniversário.

No dia 2 de janeiro, seguimos pela Ruta 3 em direção à Patagônia. Depois de três dias, alcançamos Puerto Pirámide, onde passeamos de barco (100 pesos por pessoa) e vimos leões-marinhos, elefantes-marinhos, pinguins e outras aves. Acho que chegamos no único dia de verão da Península Valdés: fazia um calor de 40 graus Celsius. Dormimos no camping municipal, a 15 pesos por pessoa.

No dia seguinte, andamos 268 km de rípio para conhecer outro habitat de leões-marinhos e pinguins na Península Valdés. Depois, seguimos para Usuhuaia. A primeira parada foi em Comodoro Rivadávia. A partir de lá, começa a ventar muito. O Farofa tem três metros de altura; rodas para dentro do limite do carro, o que aumenta a instabilidade, e uma folga na direção, natural numa Kombi. Era preciso segurar o motor home no braço. Quando éramos ultrapassados por caminhões, balançava ainda mais.

Anoitecia às 23h30m, e viajamos até as 21h. Paramos em Comandante Luis Piedra Buena, uma cidadezinha linda, no ótimo Camping Vial (18 pesos por pessoa). A Argentina tem muitos campings, quase todos com boas duchas a gás e energia a 220 volts.
A próxima parada foi em Rio Grande, na Terra do Fogo, onde dormimos na rua mesmo. Para chegar à ilha onde fica a cidade, é preciso passar por quatro alfândegas (sair da Argentina, entrar no Chile, sair do Chile e entrar de novo na Argentina), rodar 120 km de rípio e cruzar de balsa o Estreito de Magalhães. Uma epopeia!

Finalmente, Ushuaia. Passeamos de barco pelo Canal de Beagle (80 pesos por pessoa), fizemos um tour para conhecer a história da cidade (20 pesos), visitamos o Parque Nacional Tierra del Fuego (50 pesos) e fomos à Baía de Lapataia, onde termina a Ruta 3 - a 3.075 km de Buenos Aires.
Começamos o caminho de volta e dormimos no Estreito de Magalhães, no porto da balsa. Vimos uma linda lua cheia nascer amarela, quase à meia-noite, no Farol do Estreito. De El Calafate, voltamos para Rio Gallegos, para pegar a Ruta 3, desta vez para subir. Chegamos a Puerto San Julian, onde há uma réplica da nau Victoria e um museu contando como foi a chegada da frota do espanhol Fernão de Magalhães, na sua volta ao planeta. O camping municipal é baratinho: 10 pesos pelo veículo e 1 peso por pessoa.

De Puerto San Julian, na Patagônia, voltamos para Comodoro Rivadávia. No caminho, o pneu da frente furou num declive. Tivemos dificuldades, até porque o acostamento da Ruta 3 é pequeno e de cascalho. Resolvemos mudar a rota e ir para Bariloche.

Nossa primeira parada foi em Esquel. Ficamos no Camping Nahuel Pan, o mais caro de toda a viagem, a 28 pesos por pessoa (menos de R$ 20). No dia seguinte, descobrimos que o posto Petrobras, em frente ao camping, tinha uma ducha maravilhosa, a 3 pesos por pessoa. Em Esquel, fizemos a manutenção do veículo, e ainda deu tempo de aproveitar uma viagem no La Tronchita (tíquete a 50 pesos), um trem a vapor de 1916, original. Ele percorre 400 km entre Esquel e El Maitén (na divisa das províncias de Rio Negro e Chubut), passando por paisagens e formações rochosas lindíssimas. Em El Maitén, visitamos um museu de culturas originárias da Patagônia.

Entre Esquel e Bariloche, almoçamos em El Bolsón, cidade cheia de mochileiros, de ecopasseios, e com uma cerveja artesanal deliciosa. Chegamos quase à noite em Bariloche. Dormimos em um estacionamento em frente ao Lago Nahuel Huapi, com a melhor vista da cidade. No dia seguinte, fizemos o circuito Chico, que inclui subir de teleférico (35 pesos) e se deslumbrar com a vista do Cerro Campanário. Como havia sol e estava muito quente, minha filha e um amigo se aventuraram em um mergulho nas águas gélidas do Lago Moreno. Eu me contentei em molhar as pernas em ambos.

De Bariloche, rodamos por Neuquén, Bahía Blanca, e fomos dormir em Tres Arroyos. No dia seguinte, chegamos a Buenos Aires. Depois de saracotear quatro dias pela capital, pegamos a estrada de volta para o Brasil, fazendo o mesmo percurso.
De novo, em Entre Ríos, fomos parados em uma barreira. Depois de não achar nada para multar, o policial nos pediu uma ajuda para a caixinha. Dei 10 pesos e seguimos para dormir em um posto YPF.

No dia seguinte, chegamos a Puerto Iguazu. Ficamos em outro posto da bandeira, do lado da alfândega, que tinha toda a estrutura, para economizar e, depois, gastar nas lojas duty free, que são de enlouquecer os consumistas. Conhecemos as Cataratas do Iguaçu, mais bonitas do lado argentino.

Qualquer um com um carro de boa mecânica e bons pneus pode fazer essa aventura. Nem precisa de GPS. Eu levei o meu, a Maria do Socorro, que foi de grande auxílio para entrar e sair de Buenos Aires. Mas, de um modo geral, bastam bons mapas.

Praticamente todos os campings argentinos têm as chamadas cabañas, pequenos apartamentos confortáveis e com preços bem mais em conta do que os de hotéis, principalmente para quem viaja com criança. O campismo é muito difundido na Argentina, e muitas pessoas usam motor homes e trailers.

É uma viagem barata. Gastamos na média 80 pesos (R$ 50) por dia, em alimentação e acomodação, num total de R$ 2.173 por pessoa (41 dias). A gasolina custou R$ 4.684,28, ou R$ 1.171 para cada um. O gasto total, por pessoa, não incluindo os passeios pagos nem as comprinhas pessoais, foi de R$ 3.344. Na minha conta ficaram os consertos do Farofa e a troca de óleo e de pneus, num total de 1.400 pesos (R$ 860). Mas o prazer de desbravar a Patagônia e a Terra do Fogo, esse não tem preço...


Nadja Gomes Sampaio

segunda-feira, 23 de março de 2009

CARNAVAL: à roda do grande lago

Aproveitando a faculdade de uma “ponte” no calendário e um tempo excelente, decidimo-nos por um “Carnaval” diferente. Na verdade nunca apreciámos os festejos carnavalescos e por isso optámos por uma visita às terras em volta do Alqueva.
As condições meteorológicas não podiam ter sido melhores. À parte um arrefecimento nocturno significativo, normal para a época do ano, os dias “sorriram” para todos os que por ali andámos. Um sol radioso, uma temperatura amena, confortavelmente acolhedora, e a ausência total de vento, proporcionaram-nos as melhores condições para usufruir dessa sensação de liberdade que o autocaravanismo sempre nos proporciona.





A ansiedade era tanta que não esperámos para sábado. Depois de jantarmos na 6.ª feira, aprontámos as coisas essenciais para 4 dias “on the road” e lá seguimos rumo a Grândola, onde pernoitámos num grande parque de estacionamento existente nas redondezas do “Modelo”. Embora não tivéssemos a companhia de outras autocaravanas, parece-nos adequado o lugar, tendo noite sido calma e em silêncio absoluto, permitindo um bom sono.
Na manhã seguinte, após o pequeno almoço, já com o pão e os bons queijos alentejanos comprados no hipermercado, retomámos a estrada.



Antes de rumarmos ao “grande lago”, por razões particulares, fizéssemos uma prévia visita ao Centro de Interpretação Ambiental da Liga de Protecção da Natureza existente na Herdade do Vale do Gonçalinho em Castro Verde, onde estão disponíveis trilhos destinados à observação da avifauna que, por esta altura, entra em grande actividade. Na zona podem ser observadas aves pouco comuns como o sisão e a abetarda.

http://www.lpn.pt/LPNPortal/DesktopModules/SubPaginaProgramasDetalhes.aspx?ItemId=18&Mid=40&ParentId=6


Terminada a breve visita, parámos para almoçar na localidade de Entradas, a poucos quilómetros de Castro Verde, na estrada que segue para Beja. Entrámos na “Cavalariça”, um restaurante típico de cozinha regional que nos serviu umas deliciosas migas a acompanhar presas de porco ibérico grelhadas, não sem que antes nos tivéssemos deliciado com uns torresmos do “rissol” fresquíssimos, os melhores que já alguma vez degustei. A qualidade elevada da cozinha deste restaurante acaba por justificar o preço relativamente elevado das doses.
Cá fora, um pequeno passeio pelas ruas desta vila, tipicamente alentejana, permitiu iniciar uma digestão que se previa mais demorada e, também, tomar contacto com os preparativos do festival cultural Entrudanças, que iria trazer à pacata localidade dias de maior animação – alguns grupos de crianças já cantavam organizadamente pelas ruas, onde várias tendas de artesanato acabavam os preparativos para a inauguração da pequena feira.




A paragem seguinte foi em Serpa, localidade que já visitámos várias vezes, mas onde sempre gostamos de retornar. Estacionamos a autocaravana no parque fronteiro ao camping existente. Já várias vezes o fizemos, tendo pernoitado por ali, sem qualquer problema e foi o que aconteceu, também, desta vez.
O pequeno parque de campismo existente é, também, acolhedor, e nele chegámos a ficar quando permanecemos mais do que uma noite em Serpa, o que não seria o caso vertente.



Passeamos pela vila cuja arquitectura sempre nos encantou, tal como as muralhas e o pequeno jardim onde, numa das entradas, existem umas oliveiras certamente centenárias, a julgar pelos grandes e “elaborados” troncos que exibem.


Uma queijada típica fez-nos companhia pelas ruas de casas brancas, onde algumas com artigos regionais sempre nos abrem o apetite. É difícil resistir ao queijo e requeijão, aos enchidos, aos doces, mel, azeites, vinhos e artesanato tão rico.
Regressámos à autocaravana já a noite se instalava para, no aconchego da nossa “casinha itinerante”, prepararmos um “ligeiro” jantar com as iguarias adquiridas, seguido de um já ansiado serão a jogar à “sueca” em família e a ver um DVD antes do merecido sono.



O dia seguinte, domingo, amanheceu solarengo e nós acordámos ao som do chilrear dos diferentes passarinhos que por ali vivem, despertando lentamente para mais um dia de lazer. Depois do pequeno almoço de queijo fresco de cabra e requeijão de ovelha, partimos para mais um “round” pela vila, abrindo o apetite para o programado almoço na Adega Molhó Bico, sugestão acertada do companheiro Raul. A relação qualidade preço não podia estar mais perfeita.
Como éramos 4 à mesa, optámos por pedir quatro variedades para partilharmos. Após uma meia hora de espera na sala de entrada, lá conseguimos uma mesa onde rapidamente pudemos iniciar o “molhó pão” no azeite, na “manteiga de cor” e saboreando umas boas azeitonas, que nunca dispensamos, preparando o estômago para um “festim” de variedades alentejanas.

Serviram-nos então a feijoada de lebre, a carne de porco com cogumelos, as migas com carne e as bochechas de porco assadas no forno e conhecidas aqui como “carrilhada”. Todos os pratos estavam “no ponto”, mas mereceu destaque, por unanimidade, a carne com os cogumelos de um sabor requintado. No final, a sericaia com doce de ameixa deixou-nos “arrumados” e a “sonhar” com a próxima visita.



Com a satisfação estampada nos rostos, seguimos viagem para a Aldeia da Luz, a nova aldeia mesmo à beira do “grande lago” onde viemos a pernoitar.








Lá chegados, fomos estacionar na AS e pernoita que nos está destinada, com vista sobre o “lago” e num lugar que permite a visualização de um demorado por-do-sol. Cerca de uma dezena de autocaravanas, na maioria portuguesas, já ocupavam uma parte significativa do largo. Feitos os despejos e o reabastecimento de água limpa, fomos passear até ao ancoradouro, onde mais um grupo de autocaravanas se encontrava estacionado e os seus ocupantes a… fazer campismo!
Destes comportamentos já mais nada há a dizer, tal como o facto de termos encontrado a pia de despejo para sanitas químicas na AS, em boa hora promovida pelo Camping Car Portugal, completamente entupida, fruto de lamentável utilização indevida.


A AS, de concepção simples, é relativamente prestável, mas tivemos que fazer algumas manobras para acertar com o buraco circular e central destinado ao despejo de águas residuais. Com a mesma simplicidade e custo, o recurso a uma grelha transversal, à largura do espaço demarcado, facilitaria o despejo a todo o tipo de veículos.
À noite, mais um serão de “sueca”, música suave e boa disposição fizeram companhia às iguarias alentejanas - versão II – queijo de ovelha fresco e curado e paio do lombo de porco preto, acompanhado de pão e tinto a condizer.

Na segunda-feira esperava-nos o espectáculo deslumbrante sobre o “grande lago” a partir do alto de Monsaraz. Esta localidade inserida entre muralhas de um castelo alcantilado no cimo de um monte de onde se permite uma imagem quase única no panorama português. O “grande lago” espraia-se à esquerda e à direita da entrada principal. Os parques de estacionamento existentes no exterior são de acesso adequado às autocaravanas.




No interior do castelo passeamos calmamente admirando as velhas construções, no geral bem cuidadas, onde portas e janelas de formas ancestrais despertam a nossa curiosidade. Das ameias do castelo o olhar perde-se em redor dos 360º permitidos e até onde a vista alcança.



Cansados mas satisfeitos, deixámos esta terra que nos fez lembrar outras paragens igualmente aprazíveis e similares – Marvão e Óbidos – para dar dois exemplos, embora esta última tenha cedido à voracidade do consumismo para “inglês ver”.





Após o almoço na autocaravana, fomos tomar o café na esplanada da “marina” da Amieira, um local agradável de onde saem mini cruzeiros de barco pelo grande lago, ou voos num pequeno hidrovião.



A noite foi passada junto ao ancoradouro existente na proximidade do “paredão” da barragem do Alqueva, na companhia de mais 4 autocaravanas, em posição de deleite perante o espectáculo de mais um deslumbrante por-do-sol.



Na terça-feira acabou por “amanhecer tarde”, talvez por causa do irremediável regresso a casa, que embora agradável, nos deixa num estado misto de nostalgia, pelo que agora deixamos, e de ansiedade por um regresso seguro “às origens” e ao “lar doce lar”.

Laucorreia








segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma escapadela ao passado: de Trás-os-Montes a Macau...

Quando penso em Trás-os-Montes é inevitável que me lembre do amigo Urbino, uma das boas heranças que recebi do autocaravanismo. É seguramente o autocaravanista mais distinto que respira para lá do Marão, e é ao seu capital social, empenho e paciência para me aturar que todos nós devemos a existência da Área de Serviço de Torre de Moncorvo.
Mas o seu estatuto social na região rivaliza com a modéstia e noção de serviço colectivo que empresta aos seus gestos. Por isso estou certo que se o tenho consultado não aprovaria que eu escrevesse estas palavras, o que as torna ainda mais merecidas.
Desta vez o colega, companheiro e amigo Urbino partilha connosco uma fresta da panóplia de sentimentos, sabores e memórias que lhe afluíram numa fugaz viagem de autocaravana por entre os montes e vales que o viram crescer.
A Tribuna Autocaravanista sente-se honrada por conferir projecção a esta crónica em registo de quem é e se sente genuinamente autocaravanista. Estou certo que no final da leitura você também se vai sentir grato(a) ao distinto Repórter Itinerante da TAC por terras de Trás-os-Montes.

Raul Lopes


O período de Carnaval é sempre uma ocasião propícia para um passeio mais alongado, quando o tempo o permite, como foi o caso deste ano. Normalmente, nesta época alternamos entre a neve, se está frio, e a amendoeira em flor, se o sol aquece.
Este ano, resolvemos sair para as amendoeiras em flor, regressando a terras que foram as minhas de nascença, e aproveitando para recordar o I Encontro de Autocaravanas em Moncorvo, em 2008. Saídos de Bragança já perto do meio-dia, passámos por um grupo de autocaravanas, em Podence, um pouco depois da albufeira do Azibo, que julgamos ser do CAS (Clube Autocaravanista Saloio), e dirigimo-nos para a foz do Sabor, que dá o nome à aldeia.
Depois dos montes e da serra de Bornes, com perspectiva sobre todo o vale da Vilariça, passámos por Vila Flor, uma vila pequena mas simpática, com um museu digno de visita e um miradouro que nos espraia a vista por horizontes quase infinitos.
Descemos até à fábrica das águas Frise, bem conhecidas da publicidade, percorremos um dos vales mais férteis do país – o vale da Vilariça –, atravessámos as suas vinhas que se prolongam até à Foz do Sabor, e soube bem chegar à confluência do rio Sabor com o rio Douro para saborear um bacalhau com grelos, no meio de uma paisagem que nos deixa sempre rejuvenescidos na alma. Uma garrafa de Quinta de Vila Maior - cujo produtor é daquela aldeia, mesmo ao lado da vinha do célebre Barca Velha - deu ao bacalhau com grelos um sabor que rivaliza com qualquer outro petisco do mais caro restaurante do mundo.
Rumando para Moncorvo, foi tempo de visitarmos a Feira do artesanato, onde comprámos umas bugigangas e uns doces de amêndoa, passando ainda pelo comércio local para reabastecer a garrafeira com uma caixa do “Casa da Palmeira”, um irmão mais em conta do Quinta de Vila Maior. Enquanto a garrafa deste vai para 18 euros, a garrafa daquele fica-se pelos 7.50 euros

30 anos depois…de Moçambique
Saímos de Moncorvo pelas 5 da tarde com ideias de pernoitar em Foz Côa. Só que a vantagem das planificações em autocaravana é poder desplanificá-las a cada passo. E assim fizemos. Em vez de pararmos em Foz Côa, seguimos para Celorico da Beira, mais concretamente para a aldeia de Vale de Azares (se fosse supersticioso não tinha ido), passando ao lado da Meda e de Trancoso. No Lar de Idosos da aldeia encontra-se um casal amigo da família da minha mulher, desde os tempos de Moçambique, onde uns e outros mourejaram em busca de melhores dias.
Ao prazer do reencontro e da recordação doutros tempos e doutras vidas, juntou-se o prazer da descoberta de um humanismo autêntico, feito de generosidade e de pequenos nadas, que ainda é possível descobrir nas nossas aldeias, mas cada vez mais difícil de descortinar nos meios urbanos, feitos de individualismos crescentes e de egoísmos que fecham as pessoas em autismos de solidão e sofrimento.
50 anos depois … de Macau

No dia seguinte partimos sem grandes planos, de novo em direcção ao Douro e às amendoeiras em flor. Passámos por Pinhel, que aproveitámos para conhecer. Uma cidade pequena, mas cheia de história, testemunhada ainda por vários solares e pelo que resta de um castelo que D. Dinis mandou reconstruir e que, ao longo dos séculos, foi sempre fiel aos reis de Portugal em todas as escaramuças em que estes se viram envolvidos com os reis do país vizinho.
E já que de um passeio de memória se tratava, lembrei-me que eram dali o Leopoldo Pinheiro e o José Coelho Matias. Logo no primeiro café em que perguntei por ele, obtive as informações necessárias para o procurar e reencontrar num abraço que recordou o primeiro encontro de 50 anos atrás, nas terras longínquas de Macau. Foi com alguma piada que recordei o facto de sermos ambos naturais de dois concelhos quase vizinhos – eu, de Moncorvo, e ele, de Pinhel – e nos termos conhecido a milhares de quilómetros de distância, aquela a que Macau se encontra. São as voltas que a vida dá!...
Enquanto bebericámos um café, pusemos as vidas em dia e recordámos professores e colegas.

A vida feita de conversa… da treta?...

Entretanto tínhamos combinado com o presidente da Câmara de Moncorvo que, à noite, estaríamos no Cine-Teatro local para assistir à “Conversa da Treta” do António Feio e do José Gomes. Mesmo assim, ainda tivemos tempo para almoçar e descansar em Figueira de Castelo Rodrigo, e passar depois por Almendra, Castelo Melhor e, de novo, Foz Côa. Que deslumbramento de paisagens!... Os olhos não se cansam de as contemplar e a alma de as perscrutar!...
Antes do espectáculo, novo encontro feito de memórias. O Rogério, meu primo, - que me acompanhou até Macau e comigo por lá estudou 5 anos, mais tarde fez-se professor, jornalista do Diário de Lisboa, do Jornal, da Visão, da Capital, do Rádio Clube Português – também estava em Moncorvo, por coincidência. O jantar foi pretexto para uma conversa, não da treta, mas de verdadeiro alimento da alma. Recordámos as contradições do marxismo e do salazarismo e a sabedoria de Lévinas; citámos Kierkegaard e Hegel, entre outros, enquanto o corpo se entretinha com uma garrafa de “Montes Ermos” e uma posta à mirandesa. A alma ficou satisfeita, mas o corpo também não se queixou.
A memória da infância pregou-nos nova partida depois do espectáculo do António Feio e do seu compincha, ao encontrarmos a Conceição e o marido, que tiveram a amabilidade de nos acompanhar até à autocaravana e ali regressarmos ao passado da aldeia e da nossa família, agora dispersa um pouco por todo o lado, desde Peredo dos Castelhanos até Lisboa, passando o Atlântico para os Estados Unidos da América. Uns figuinhos secos e uns grãos de amêndoa foram-nos ajudando a compor o estômago com uma “Casa da Palmeira”, os homens, e um chazinho de cidreira, as mulheres.
Junto a nós, pernoitaram mais duas autocaravanas, que neste fim-de-semana elas andavam espalhadas por todo o lado, desde Pinhel a Figueira de Castelo Rodrigo e a Moncorvo.

Pôr-do-sol no Azibo
Na 3ª feira de Carnaval seria o regresso a casa. Mas ainda tínhamos o dia por nossa conta. Acordámos com o barulho das autocaravanas do CAS. Agora, sim, não havia dúvida alguma que se tratava dos companheiros do CAS. Para pena minha, quando acabei o pequeno-almoço já eles tinham ido a dar uma volta pela vila e não pude meter conversa com nenhum deles.
Antes de partirmos de Moncorvo, ainda deu para mais uma voltinha pela vila a comprar os últimos “regalos”, como dizem nuestros hermanos, e para voltarmos à Área de Serviço das Autocaravanas, a melhor do distrito de Bragança, que resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal local e a então direcção do CPA, entre os quais eu fui mero instrumento de ligação. Na sua inauguração juntámos, pela primeira vez, mais de 100 autocaravanas no distrito de Bragança, tendo esse encontro ficado como um marco importante na história no autocaravanismo do distrito de Bragança e até de todo o Trás-os-Montes.
Depois, foi um cruzar permanente com companheiros das autocaravanas, desde Moncorvo até ao Azibo, onde almoçámos e esperámos pelo pôr-do-sol. Mais um “banho” de beleza natural.
Só depois é que regressámos ao descanso da casa … mas começando desde logo a pensar na próxima saída. É que isto das viagens em autocaravana, quando se entranham na nossa alma, é difícil viver muito tempo sem lhes fazer a vontade!...

César Urbino Rodrigues