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quarta-feira, 6 de maio de 2009

As quatro estações da Andaluzia

Sevilha, Granada e Córdova: um “triângulo” incomparável de arquitectura branca misturada com o árabe, aglomerados labirínticos de ruas, cheiros a tapas e cavalos, sol fortificante e alegre, pessoas, agitação, alegria, horas tardias, noche animada...

...e, aliadas à Semana Santa, as três cidades andaluzas ganham ainda mais cor e luz.

Sevilha foi a primeira ponta do “triângulo”. Três dias antes de Domingo de Ramos, as procissões aguardavam, mas a cidade já fervilhava de palanques, filas de cadeiras pelas avenidas principais e colchas vermelhas a acenar às varandas.

Esse era o ar espanhol, morno e “habitué”; mas Sevilha ganhou entretanto um ar mais cosmopolita, relembrando algumas cidades do norte europeu, com a sua rede de bicicletas de aluguer que se estende por toda a cidade em múltiplas estações e com a mais recente inovação, um metro à superfície todo ecológico e de linhas modernas.

Desta vez, sem mapas, explorámos os cantos à casa ao sabor da intuição e dos apelos visuais: a catedral e a sua Giralda

(li recentemente que a catedral consta do Guiness como a maior do mundo); a judiaria; as pequenas plazas repletas de esplanadas e pessoas tapeando e bebendo canhas;

a praça da Maestranza, qual palácio ao Toro; um merecido jantar numa taberna típica, com croquetas, ensaladilla russa, tortilla, pescoço de boi ou um lanche de canhas e croquetas, reencontrando por mero acaso pessoas que não víamos há mais de 15 anos…

Do lado oposto há ainda a possibilidade das ruas comerciais, como a Tetuan, onde apetece fazer como os espanhóis: entrar e alargar os cordões à bolsa…


Para pernoitar tínhamos a indicação, via net, de uma zona na Marina de Gelfes, fomos lá, mas havia um portão fechado e acabámos (como já havia acontecido em anos anteriores) no camping Vilson, bem servido de autobus, 500 m já em Los Hermanas. Os autocarros são frequentes e circulam até perto da meia-noite. O pior mesmo é que entre parque (para 4) e bilhetes fizemos uma diária de 40€.

Antes de chegar ao segundo ponto do triângulo (Granada), ainda há a hipótese de passar pela serra e gozar um belo sol, mesmo frente ao mar. A volta foi por Ronda, local de difícil estacionamento para AC e servida apenas de um camping caro (30€ antes da Semana Santa, 35 € nas ditas Festas), a 3 km a pé até ao pueblo. Optámos por não ficar, uma vez que já conhecíamos, mas com pena de não haver ali uma área para AC.

E a partir dali constatámos que a vida do autocaravanista cada vez se torna mais difícil, sobretudo em locais à beira-mar. Em Marbella não arriscámos e não vislumbrámos muito espaço; até Cala de Mijas espaços reduzidos e poucos parques de estacionamento, nalguns, estreitos, algumas AC arriscavam e tinham mesmo por cima a autovia barulhenta. Encontrámos um bom espaço ferial em Cala de Mijas (N36º 30’20,2’’ W4º 40’ 53.6’’) onde descansámos e pernoitámos sossegadamente, ao lado de outra.


Antes de continuar pela costa, havia que fazer um pequeno desvio até Mijas, pueblo serrano e solarengo, que inaugurava a manhã com a procissão de Domingo de Ramos. Desde a ermida na rocha até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os ramos de palmeira e oliveira são agitados por uma multidão ruidosa que, depois da missa, sai em procissão pelo centro, acompanhando o andor de Jesus montado no burrico, como não podia deixar de ser, já que Mijas é o berço dos burros.


Espanha é também touradas, por isso não nos pareceu nada mal visitar uma praça miniatura e bem típica, a de Mijas, claro!



(O táxi de Mijas)


Para almoço alguma vez tinha de ser a famosa paella, e, recordados de um pequeno bar em Mijas, há mais de 12 anos, que fazia uma excepcional, bisámos. Mas como tudo na vida, a segunda vez nunca é igual à primeira…

A partir de Mijas, há outro roteiro processional aconselhado - Málaga - mas ao que parece pernoitar ali não é fácil. Em cidades grandes há sempre o factor insegurança que nos faz recuar, optamos pelo camping, mas neste caso, o de Málaga era a mais de 30Km. Talvez tenhamos saltado alguma coisa, não percebi, o facto é que antes de Málaga conseguimos ficar em Torremolinos, mas já depois de Málaga, só Motril.

Em Torremolinos a discriminação AC é visível em placas como esta:


ainda assim, no final do Paseo Marítimo a proibição não existe e passámos lá uma boa parte da tarde, para passear e rodar nas biclas ao longo do Paseo. À noite passámos para a parte proibida, já que não havia guarda nem ninguém. A polícia passou e nada disse, ao lado uns franceses.

Até Motril tínhamos a indicação de duas zonas de AC em Nerja, fomos lá mas estavam ambas fechadas ?!

Acabámos em Motril, na praia de Granada, depois dos dois campings. Já conhecíamos e sabíamos ser seguro, ainda por cima com a vantagem de estar na 1ª linha da praia. O pior é que precisávamos de despejar e encher! Dando o exemplo civilizado, pusemos gasolina, pedimos autorização para encher, despejámos (sorrateiramente) a sanita no WC exterior da Gasolinera, demos banho à Casinha nas lavagens automáticas de carros, para podermos, em simultâneo, despejar as águas sujas. Talvez não tenha sido o mais higiénico, mas depois de termos pedido autorização nos campings de Motril, e de a terem negado, não havia outra hipótese. Por que razão os campings não têm um preço simbólico para AC, só para despejos e reabastecimento? Porque se calhar é melhor estas andanças, ou então fazer como a senhora alemã que estava ao nosso lado: pegar na sanita e despejá-la no mato, do outro lado da estrada?!




(Motril)


Em poucas horas, do Verão passámos ao Inverno: já que se vai a Granada, por que não uma subida até à Sierra Nevada? A época é de facto de estância de Inverno, os turistas abundam, o desporto deslizante está no auge! No topo da montanha (2.379 mt alt.) há uma zona para AC, por 10€ diários, com água e sítio para despejos ( N37º 05’ 57.9’’ W 00 3º 23’ 33,2’’). Estava bastante cheio, também com portugueses armados dos seus skis, gorros e gaffas de sol! Para quem não pratica, como nós, o passeio até ao pueblo, ou melhor, uma base de lojas caras, restaurantes e hotéis, é uma espécie de passeio por uma base de astronautas, onde os alliens somos nós próprios.




Mas vale a pena estar no meio de tanta neve, num cenário de algodão doce com temperaturas nocturnas de 5 º negativos! Impressionante! Mais impressionante ainda é a carrinha não pegar no outro dia de manhã, quando nos propomos descer até Granada! Tem de se chamar o especialista, que com um milagroso spray a põe a funcionar em 5 segundos e estende a mão para em troca receber 60€, bela aventura na neve!

O que vale é que Granada é cor e alegria! Haja sol, novamente! E dinheiro, claro, porque aqui vale mais jogar pelo seguro e ir até ao Camping Sierra Nevada (36,60€).

Granada é aquela jóia árabe, onde apetece estar, ficar, sonhar…

Chega-se à Plaza Nueva e há logo um íman a puxar-nos para o emaranhado de ruelas do Albaicin, bairro típico, de recantos árabes, labirínticas calles onde apetece perdermo-nos e espreitar pela portas, muros, e pátios. Subindo ao mirador San Nicolás , o Alambra esmaga-nos,

de beleza, num choque de frente.

Gastam-se rolos de fotografia, para além de ter a sensação de paragem no tempo, com tanta concentração, de hippies, por metro quadrado. Esperar-se-ia mais pelos árabes, mas à falta deles, populam os hippies e o artesanato mourisco e as teterias e o cheiro a incenso marroquino…

(mirador San Nicólas)

Parar, estar e contemplar são sempre verbos que por ali reinam: andar pelo Albaicín e parar no Miradouro; descer a Calle do rio entre a plaza Nueva e o Passeo dos Tristes, e parar aí, olhando as pessoas, ouvindo música dos muitos grupos de jovens que por ali conversam , namoram, dormitam…


(Passeo dos Tristes)

Ou andar mais ainda e fazer um intervalo para uma tapa regalada entre duas canhas, quejo, presunto, patatas, azetonas…

(Teteria no Albaícin)

E eis que irrompe, pelo peso da História e do passado “herege”, o culto e peso do catolicismo, com outro cheiro a incenso e outra música: a das bandas que choram Cristo. Afinal era quarta-feira santa e os andores de centenas de quilos, escorriam lentamente pelas calles, enclausurando-nos no labirinto e fazendo-nos calcorrear avenidas à espera do autocarro até ao Camping…


Faltava a ponta do triângulo, desta vez Cáceres, onde uns amigos eborenses, igualmente andarilhos (numa Westfalia vermelha e hippie), já vacaceavam.

Em Cáceres, cidade mais pacata e espaçosa para AC, há a possibilidade de pernoitar gratuitamente, ao lado do espaço ferial, onde muitos buses param. Um pouco barulhento mas passa-se. Muitas AC, algumas portuguesas, como um sr. da Guarda que muito dialogou connosco sobre outras paragens, como Noruega (ai, ai…).

Em Córdova, as procissões são uma constante, desde Domingo de Ramos, cinco e seis por dia. Na quinta e sexta-feira Santa quase tropeçámos nos andores e fomos encurralados por nazarenos encapuzados de preto, roxo, vermelho…


Uma “quadrilha de costeleros” carrega o andor – quase uma vintena deles – com camisolas a proteger ombros e cabeça, debaixo do peso, quase sem verem. Em alguns dos andores, a quadrilha, em uníssono, dá um salto e o andor sobe. O público aplaude, a procissão passa, de 30 em 30 metros, durante 5 minutos, o andor volta a parar para depois subir e continuar, horas sem fim.


(preparativos)

(debaixo do andor)

(o andor)


As procissões entravam e saíam na Catedral: Dolores, Sepulcro, Expiración, Cristo na cruz, a Virgem chorando, a última ceia, Cristo morto…


A mesquita árabe ali ao lado, duas religiões quase irmanadas, a Judiaria no lado oposto, as rezas, as pipas no chão, o incenso…

Córdova é mais um exemplo do espírito andaluz, luz e cor e sol (33º para no dia seguinte serem apenas 20º), as pensões e hotéis sempre “completo”.

E sempre uma rua estreita para descobrir, um páteo andaluz, um arco em ferradura, malvas às janelas…

Na Plaza de la Corredera há alegria e artesanato de outros tempos, surge quase cozida ao emparedado Templo Romano. Nada que se compare ao de Évora…

(La Corredera)

(Templo Romano)

Na Plaza del Poltro - e as suas joalharias nas redondezas - apetece tapear…

Em San Pedro apreciar mais uma reunião de uma congregação…

Muito e sempre mais a repetir…ficaram a faltar-nos saborear algumas tapas, por exemplo, em La Bacalá, taberna típica com bom ambiente.

Estava na hora de voltar à realidade, Córdova-Zafra-entrada em Portugal por Mourão e, para descansar, uma noite bem dormida no descanso alentejano, na Aldeia nova da Luz, na recém-inaugurada zona para AC. O Alqueva ao fundo, outra vez o frio. Alentejo, mas parecido às noites frias andaluzas.




(Luz)


PAULA VIDIGAL

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/

terça-feira, 21 de abril de 2009

O mau comportamento de alguns legitima a perseguição de todos os autocaravanistas


El Egido, na Província de Almeria, sul de Espanha, era tido como um paraíso selvagem para os autocaravanistas, já que as praias e o tempo ameno convidavam a ir até lá, e uma vez lá, “ninguém chateava”.
Não custa admitir o que por lá se foi passando, e as queixas de residentes não tardaram. No Verão passado um habitante fotografou um autocaravanista a despejar a sanita na sarjeta e com essa ilustração apresentou queixa no Município local.
A 3 de Dezembro último a Autarquia aprovou um regulamento que no seu artigo 26 estabelece:
No están permitidos los siguientes usos impropios de los espacios públicos y de sus elementos: acampar en las vías y los espacios públicos, acción que incluye la instalación estable en estos espacios públicos o sus elementos o mobiliario en ellos instalados, de tiendas de campaña o tinglados similares, así como la permanencia de autocaravanas o caravanas, salvo autorizaciones para lugares concretos. De incumplir esta norma de conducta, el Ayuntamiento podría sancionar al infractor con multas que oscilarían entre los 0,60 y los 300 euros.

Por agora a Polícia Local limita-se a dar um ultimato de 72 horas para os autocaravanistas retirarem, sob pena de serem rebocados. No Verão logo se verá o que acontece.
Uma coisa é clara desde já: esta é mais uma situação onde o mau comportamento de alguns legitima a perseguição de todos os autocaravanistas.
Definitivamente precisamos todos de compreender que pernoitar em autocaravana não pode confundir-se com acampar na via pública. Mais, se queremos ter legitimidade para reclamar os nossos direitos de turistas itinerantes, então temos que aceitar que o preço a pagar é impormos a nós mesmos um comportamento irrepreensível. De contrário continuaremos a ser vistos simplesmente como selvagens, seja pelas populações locais, seja pelos seus representantes institucionais.
Pior do que o efeito ambiental destas práticas é o efeito perante a opinião pública. Pensem nisso!

Raul Lopes
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Área de Serviço de O Barco de Valdeorras

Recebemos dos nossos companheiros da Associação Galega de Autocaravanas o pedido de divulgação da inauguração de mais uma área de serviço para autocaravanas em Ourense que se vai realizar neste fim de semana.


O Concello de O Barco de Valdeorras (Ourense) invita a todos los autocaravanistas los actos a celebrar los próximos días 17, 18, y 19 de Abril de 2009, con motivo de la inauguración del área municipal de servicio de autocaravanas.




PROGRAMA PROVISIONAL


VIERNES, 17 DE ABRIL

Tarde/Noche

- Recepción de todos los visitantes en la explanada del área situada en el “Campiño de Viloira”.

CENA - LIBRE.(*)


SÁBADO, 18 DE ABRIL

Desde las 10:00 horas – Acreditación de los autocaravanistas asistentes. Lugar delante de la explanada o lugar de concentración.

11:00 horas.- Visita al Mosteiro de Xagoaza y entorno. Visita a la Bodega Godeval, y degustación de sus caldos.

13:30 horas.-Inauguración del Área de autocaravanas por parte de las autoridades así como representantes de las asociaciones autocaravanísticas. Invitación a un aperitivo y un vino.

17.30 horas.- Por la tarde haremos una visita guiada por la villa de O Barco, con un guía turístico facilitado por el Concello, recorriendo el Malecón, el paseo peatonal de Playa del Oro, A Proba, Polígono Industrial, y regreso por el Área Recreativa de O Salgueiral.

CENA - LIBRE.(*)


(*)MENU MESÓN O ISLA (Viloira). Tel: 988326005

1º plato, a elegir uno: calamares, chipirones, entremeses, callos, sopa de pescado o ensaladilla.

2º plato, a elegir uno: Churrasco, codornices, chuleta de ternera, filete de ternera, ternera guisada, merluza o salmón.Postres, café, agua, pan y vino.

Precio: 12 euros.


DOMINGO, 19 DE ABRIL·

11:00 horas.- Jornadas de puertas abiertas para que todo aquel que esté interesado en conocer como es una autocaravana por dentro, tenga la oportunidad. Enseñaremos a todo el que así lo desee nuestras autocaravanas, nuestro modo de concebir este tipo de turismo.·

12:00 horas.– Visita una bodega de vino y degustación de sus caldos·

A partir de las 13:30 horas.- Clausura y despedida por parte de las autoridades locales y asociaciones a todos los autocaravanistas asistentes, este acto se desarrollará en el área de autocaravanas”. Se entregará un detalle de despedida por parte del Concello de O Barco. “Fin de la inauguración y regreso a los lugares de origen.”


Apoyan este acto:
Asociación Galega de Autocaravanas (AGA)
www.web-aga.org

Plataforma de Autocaravanas (PACA) www.lapaca.org

Notas a tener en cuenta:

La única condición para asistir es e ser autocaravanista, para asistir a los eventos gentileza del ayuntamiento·


IMPORTANTE: Para motivos de la organización es obligatoria inscripción previa: email: inscripciones@web-aga.org asunto O BARCO, NUM.PERSONAS y LOCALIDAD ORIGEN· Se recuerda a todos, que las asociaciones PACA, sus delegados y AGA y Junta Directiva, no se hacen responsables de los posibles daños que se puedan originar durante estos actos, tanto a personas como a enseres, así como los cambios organización producidos.·


Este programa es provisional y tanto los ACTOS, HORARIOS como LUGARES de celebración podrán estar sujetos a modificaciones sin previo aviso·

Nuestro agradecimiento al Concello de O Barco, Manuel Arias, y a todos los que de alguna manera apoyaron la creación de esta nueva infraestructura turística.·

En caso limitación de plazas a los diferentes eventos, tendrán preferencia los pertenecientes a alguna asociación o club autocaravanista.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vale a pena lutar... sob a liderança de instituições representativas!

O Município de Santander, em Espanha, instituiu um regulamento (mais um) a proibir indiscriminadamente o estacionamento de autocaravanas.

A FEAA (Federação Espanhola de Associações Autocaravanistas), pontualmente de forma conjugada com a PACA (Plataforma de Autocaravanas Autónoma), desencadeou um processo de defesa dos direitos dos autocaravanistas que passou por vários níveis de actuação: negociação directa com o Município reclamando a supressão da proibição e a criação de uma área de serviço; recurso administrativo para as autoridades regionais; recurso ao Provedor Público e disponibilidade para apoiar judicialmente os autocaravanistas na contestação das multas de que tenham sido vítimas.
Parece mesmo o que se passa por cá, não é?


Pois… por cá a Federação dos campistas reclama para si a tutela do autocaravanismo, mas na prática limita-se a usurpar os sinais internacionais indicadores das áreas de serviço (com o propósito de impedir a sua utilização fora dos campings). O CPA (que tal como a FEAA é filiado na FICM (Federação Internacional de Clubes Autocaravanas) vai-se entretendo a organizar arraiais… Aliás esta filiação internacional apenas tem servido para meia dúzia de pessoas anualmente participarem numa festa internacional organizada pela FICM.

Por sua vez, os patetas na sua doentia cegueira de dizer o contrário do que nesta Tribuna se vai dizendo, vão enaltecendo a criação de clubezinhos de amigos com autocaravana sem a menor preocupação com os problemas que preenchem a agenda do movimento associativo autocaravanista.

Enquanto isto, por cá os ecos que se fizeram ouvir sobre este caso resumiram-se ao aplauso de uma manifestação em Santander que reuniu uma centena de autocaravanas. Obviamente que nenhuma das instituições que tem estado sentada à mesa com o Município apoiou a convocação de tal manifestação. O sentido da dignidade e responsabilidade institucional assim o exigia. Só os patetas o não entendem.

Surpreendentemente, ou talvez não, entre nós foi precisamente pela mão dos principais lambe-botas da Direcção do CPA que se ouviu o aplauso a tal manifestação. Ou seja, aqueles que cá aplaudem quem se demite da sua responsabilidade institucional, são os mesmos que aplaudem os gestos de “contestação selvagem” capazes de colocar em perigo o sucesso da luta institucional que vem sendo desenvolvida em Espanha.

Fazem-no por incapacidade de definir uma linha de rumo coerente ou por ignorância? Num caso ou noutro, melhor seria que estivessem calados. Se não sabem do que falam… não falem.

Por mim registo mais esta deriva errante dos actuais protagonistas do autocaravanismo, lamentando que sejam pessoas destas a aconselhar os responsáveis do CPA, que, por sua vez, para além de não fazer nada sobre o assunto, “vende a alma ao diabo” deixando que seja a Federação Campista a reclamar-se do direito a falar em nome dos autocaravanistas. Tudo isto por contrapartida de um depoimento a pedido enxertado numa querela, sem o menor interesse para os autocaravanistas, destinada a dar cobertura a uma declaração infeliz de Ruy Figueiredo : que pequenez de espírito!
Quando será que percebemos que, mesmo sem bons casamentos, de Espanha sopram bons ventos? Já era tempo de algumas pessoas abrirem os olhos!
Raul Lopes
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sexta-feira, 13 de março de 2009

TOLEDO: mais um gesto de perseguição aos autocaravanistas

Pela mão do companheiro Vicente, de Gijon (http://www.areasac.es/), tomei conhecimento de mais um gesto de perseguição (i)legal aos autocaravanistas.
Desta vez é em Toledo, onde o Município acaba de aprovar um Regulamento Municipal sobre a ocupação do espaço público. Para além de definir as condições de licenciamento de bares, esplanadas e quiosques, o Regulamento estabelece na secção 10, artigo 107, que é proibido:
“Acampar nas vias e espaços públicos, acção que inclui a instalação no espaço público ou nos seus elementos móveis de tendas, veículos, autocaravanas ou caravanas, salvo em lugares concretos autorizados. Também não é permitido dormir de dia ou de noite nesses espaços.”
Este é mais um exemplo do que pode vir a acontecer-nos em Portugal no futuro, até porque também cá a regulamentação do uso do espaço público é competência das Autarquias Locais. O artigo 29º da recente Portaria regulamentadora do campismo até já definiu quais são os “lugares concretos autorizados” para a pernoita das autocaravanas.... só não vê quem não quer ver.
Este é mais um exemplo que mostra como é importante os autocaravanistas organizarem-se, mobilizarem-se e lutarem pela defesa dos seus direitos. Para ser autocaravanista não basta ter uma autocaravana, temos que colectivamente criar condições para podermos desfrutar dela em liberdade.
Este é mais um exemplo que mostra o perigo que é os autocaravanistas deixarem-se conduzir por entidades a quem apenas interessa rentabilizar os Parques de Campismo.
Este é mais um exemplo que mostra como é um disparate querer alterar-se o Código da Estrada para criar um sinal de trânsito que permita a descriminação das autocaravanas. Já nos basta o sinal com a caravana que foi criado apenas para indicar a localização dos parques de campismo, mas agora só é usado para nos empurrar para lá.
Este é mais um exemplo que mostra como temos razão em criticar o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal.
Este é mais um exemplo que mostra o baixo nível intelectual daqueles que nos acusam de fazer ataques pessoais quando nos limitamos a criticar ideias, daqueles que têm necessidade de permanentemente dizer que são sérios e bem intencionados (certamente por duvidarem de que o sejam), daqueles que perdendo a noção do ridículo nos chamam cobardes, daqueles que revelam a sua ordinarice ao socorrerem-se de ditados populares para chamarem aos autores desta Tribuna “cães” que rosnam e “burros” cujas vozes não chegam ao céu, etc... Assim se vê quem é que diz adoptar códigos comportamentais de RESPEITO mas passa a vida a fazer ataques pessoais do mais baixo nível, ataques que de tão ordinários não atingem ninguém apenas desqualificam quem os faz. É triste ver pessoas que são incapazes de contrariar um só dos nossos argumentos a reagirem desta forma.
Se não fosse tão pequena a capacidade intelectual dessas pessoas usariam antes aquele ditado que diz: se vires as barbas do vizinho a arder põe as tuas de molho.
Isso lhes permitiria perceber que aquilo que está a acontecer em Espanha nos pode acontecer a nós em qualquer momento e que, face a esta ameaça, muito do que os auto intitulados heróis do autocaravanismo português vêm fazendo não passa de uma sucessão de atitudes irreflectidas, de trapalhadas e asneiras pelas quais mais tarde ou mais cedo todos os autocaravanistas terão que pagar.
A informação que a TAC divulgou anteontem sobre o que já se está a passar no Algarve é bem clara. Só não vê quem teima em não querer ver.

Raul Lopes

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dormir à chuva ... é muito bom!

Entendamo-nos: eu detesto chuva. Se viajamos de carro a chuva só serve para nos retirar a visibilidade e complicar a segurança da condução. Se viajamos de mota ou de bicicleta a chuva só serve para nos castigar o corpo e dificultar a progressão. Se viajamos a pé a chuva só serve para... nos molhar.
Mas há excepções. Há momentos em que a chuva nos aconchega a alma. Da mesma forma que a canícula do sol serve para nos proporcionar o prazer da sombra, também a chuva pode ser usufruída com prazer... se tivermos a liberdade de escolher entre andar ou não à chuva.

Certo dia fui surpreendido com uma bátega de água enquanto realizava uma caminhada com os meus filhos, a Catarina então ainda uma criança e o Ricardo no princípio da adolescência. Hesitámos sobre o que fazer: procurar abrigo ou prosseguir. Decidimos enfrentar a chuva diluviana. Acertámos o passo e lá fomos pisoteando as poças do chão alagado, ao mesmo tempo que improvisávamos uma cantilena tipo marcha militar com o refrão cantado em coro:

--Um, dois, três... andar à chuva é muito bom!

-- Trá, lá, lá... trá, lá, lá...andar à chuva é muito bom!

-- ... andar à chuva é muito bom!

Acabámos completamente encharcados, mas ainda hoje, uns pares de anos volvidos, quando acontece lamentar-me da chuva que cai, sou de pronto corrigido pela Catarina: Andar à chuva é muito bom, lembras-te?!

Nestas alturas recordo com prazer a sensação da chuva tocada a vento que me fustigava a face, recordo a cumplicidade partilhada com os filhos de cometer a loucura de fazer o politicamente incorrecto, enfim... recordo o momento como uma forma de usufruto da liberdade, como uma forma de solidificar uma relação de amor entre humanos, mas também como um hino de celebração da harmonia com a natureza.

Porque invoco agora e aqui estas recordações? Porque como autocaravanista acabo de viver outra experiência intensa... à chuva.

Preparámo-nos (?) para passar os últimos dias do ano a bordo da autocaravana. Como de costume a programação da viagem era pouco mais do que um estado de espírito: iríamos rumo a Andaluzia, o resto logo se veria. Aberto o mapa de estradas pensei em sair por Elvas e apontar a Córdoba, seguindo depois para sul. Todavia a decisão de última hora de visitar uns amigos em Évora conduziu à alteração de “planos”: sairíamos por Vila Verde de Ficalho e rumaríamos a Sevilha. Assim se fez, ou não fossem a improvisação e a flexibilidade atributos intrínsecos dos autocaravanistas.

Mesa de Natal ainda posta, lareira acesa e o calor de outros convivas presentes, fez o tempo voar. Já ia alta a noite quando deixámos a casa dos amigos, após termos degustado alguns bons vinhos alentejanos acompanhados do inevitável queijo regional (de vários odores e sabores) e de um bom paio tradicional.

Saímos à rua, deitámos um último olhar à arquitectura da Praça do Giraldo e calcorreámos a Rua da República em direcção ao Rossio, onde a autocaravana e o Jimmy nos esperavam para ai pernoitar. A arquitectura palaciana do percurso convida a um olhar mais atento do que aquele que a madrugada aconselha, mas não pude evitar deter-me por algum tempo fronte ao prédio de linhas simples de cujo varandim se proclamou a 5 de Outubro a adesão da cidade de Évora à Republica que nesse mesmo dia emergia no espírito dos portugueses como um silvo de esperança num país mais fraterno, solidário e justo.

A chuva que no curto percurso do centro histórico ao Rossio se nos tinha anunciado não tardou em cair. Plim..., plim... plim... Nada que nos impedisse de dormir tranquilamente, pelo contrário.

Manhã avançada lá partimos rumo a Beja, mas de “GPS” apontado a Serpa, onde o Molhó-bico nos esperava para almoçar. Localizado na zona SE da vila, na Rua Quente (junto à muralha) este restaurante serve, num ambiente a todos os títulos acolhedor, bons pratos da gastronomia regional alentejana, sem esquecer o requinte das entradas tradicionais. Há quanto tempo não molha o pão em azeite virgem de fino paladar?

De resto Serpa bem merece uma desapressada visita. Na alvura e humildade que exibe não consegue esconder a grandiosidade do seu núcleo histórico, de arquitectura árabe bem vincada, trazendo-nos à memória outras cidades do reino de Granada, como Córdoba, por exemplo.

Serpa

O percurso até à fronteira proporciona-nos um momento de rara serenidade, em qualquer época do ano, pese embora a radical mudança policromática que o Alentejo ostenta. A planície apenas é entrecortada por pequenos cerros. Dos solos delgados brota uma vegetação escassa e de pequeno porte, onde pontificam as azinheiras e as oliveiras, centenárias umas, de cuidada plantação recente outras. De permeio, deambulando em liberdade, as vacas, ovelhas e porcos pretos pontuam o amplo espaço campestre. Aqui e ali algumas cegonhas residentes levam-nos a duvidar de estarmos em Dezembro.

Atravessada a fronteira a paisagem mantém-se, mas à medida que penetramos na serra o relevo torna-se mais acidentado e o coberto de azinheiras mais denso. O que mais surpreende agora é a intensidade do encabeçamento animal em regime extensivo. Os porcos ibéricos que antes víamos como elemento pitoresco da paisagem transformam-se agora em varas de considerável dimensão. Às vacas de carne juntam-se agora os touros. As ovelhas e as cabras passam a ser presença regular. Com esta actividade pecuária convive a economicamente pujante cinegética organizada em múltiplas coutadas de caça.

Córdoba: Rua dos Judeus

Desta mistura de actividades se alimenta a economia rural andaluza, cuja prosperidade pode aquilatar-se nos bares e “ventas” de qualquer dos seus pueblos, onde a par dos presuntos, enchidos, queijos, mel, doces, etc. encontramos recorrentemente uma extraordinária animação social, em flagrante contraste com o que geralmente observamos nos espaços rurais portugueses.

Caída a noite, decidimos evitar a problemática insegurança da cidade de Sevilha pernoitando num local a escassas dezenas de kms, precisamente no parque de estacionamento de uma dessas “ventas”: a Venta los Angeles, em Valdeflores.

Num cenário marcado pelas cabeças de veado e de javali exibidos na parede como troféus de caça, partilhámos com os locais o animado ambiente da “venta” enquanto degustámos um muy bueno viño Jerez.

A incessante chuva que nos havia perseguido durante todo o dia continuava a cair copiosamente. Paredes meias com a cerca que retinha meia dúzia de lamas, uma ovelha, um burro e alguns cavalos andaluzes, instalámo-nos na capucine da autocaravana prontos para dormir.

No silêncio da noite a que só a serra sabe dar a devida profundidade, ficámos a ouvir a chuva cair ali mesmo a um palmo da nossa cabeça. Plim, plim, plim... plim... plim... plim.

Ora doce e suave como a melodia de uma flauta, ora murmurando como um violino, ora soando forte e brusca qual correria de cavalos colina abaixo rumo ao riacho numa tarde de canícula, a chuva bateu sobre nós toda a noite, conferindo às penas que me aqueciam o corpo um prazer acrescido. Que impar sinfonia a da natureza!

Muitos foram os poetas que celebraram a chuva batendo nas vidraças e o vento fustigando os ramos das árvores. Certamente que os músicos lhe não foram indiferentes. Hoje compreendi melhor Vivaldi e Beethoven. Por certo eles viveram uma experiência de semelhante carga sensorial.

Ao som desta melodia que brota do breu da invernal noite campestre, a memória voou e transportou-me pelo passado para me desmentir: bem vistas as coisas eu gosto de chuva. Confrontado com a recordação de outros inolvidáveis momentos de prazer à chuva, onde sobressaem aquela noite em que um grupo de garranos do Gerês ameaçava deitar abaixo a tenda completamente alagada, aquela outra noite no camping da Serra da Estrela que obrigou os campistas de tenda a refugiarem-se na casa de banho (com os sacos-cama encharcados) enquanto eu usufruía da sensação de enfrentar a tempestade no conforto da autocaravana, ou ainda aquela madrugada de uma noite diluviana passada em Sesimbra com as gaivotas a acordarem-me enquanto se passeavam sobre a cobertura da autocaravana.

Naquele momento, enfim, compreendi que é um privilégio ser autocaravanista, poder gozar a liberdade que tal maneira de estar na vida nos concede. Afinal, dormir à chuva... na autocaravana, é muito bom!



Raul Lopes

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Conflictos en el ámbito legal de la pernocta

Arsénio Gutiérrez é um nome maior do autocaravanismo em Espanha. Com longa experiência associativa e institucional, o companheiro Gutiérrez conquistou o respeito dos autocaravanistas (e não só dos espanhóis) pelas suas críticas acertivas, pela competência intelectual que emprega nas suas análises, enfim... porque sabe como poucos pensar autocaravanismo.
A Tribuna Autocaravanista orgulha-se de aqui poder partilhar com os nossos leitores esta excelente análise sobre a problemática legal da pernoita em autocarava em Espanha. Como é fácil de entender também em Portugal nos debatemos com os mesmos problemas.

Aproveitamos para gradecer publicamente ao Arsénio a sua prestável colaboração e a cedência do resumo em powerpoint que pode ser visto no final do texto. Gracias compañero!



Poco a poco vamos conociendo por donde nos aprieta el zapato. Durante mucho tiempo los autocaravanistas hemos tratado de convencernos de que el pernoctar en el interior de una autocaravana estacionada es una actividad legal.

Y eso es cierto a la luz de las leyes de Seguridad Vial, sin embargo, cuando se nos denuncia por acampar, no se nos aplica las leyes de tráfico sino las de acampada.

No se trata de un conflicto en la interpretación de una ley sino de la aplicación de un ámbito legal diferente a una misma actividad: el hecho de utilizar el interior de una autocaravana estacionada de acuerdo con las leyes de seguridad vial, sin que la actividad interior transcienda al exterior.

La causa de las denuncias por la presunta infracción de acampar no obedecen a una interpretación errónea de una ley que no existe, puesto que ningún texto legal recoge la definición que establece la diferencia entre el estacionamiento de un vehículo y su utilización como medio de acampada de sus ocupantes.

Cada situación del vehículo está definida en su propio ámbito legal, la de estacionamiento en las leyes de seguridad Vial, así lo certifica el Organismo Competente en su Instrucción 08/V-74: "De acuerdo con los artículos 90 al 94 del Reglamento General de Circulación y siendo irrelevante la actividad interior para la maniobra de estacionamiento si ésta no transciende al exterior".

Por otra parte, las leyes de acampada, cada una en su ámbito de aplicación, establecen que la acampada es la "instalación de una vivienda-móvil" o el "pernoctar en el interior de una vivienda móvil", equiparando la instalación al estacionamiento y una vivienda-móvil a una autocaravana.
Por el momento, no existe y es altamente improbable que exista en el futuro un texto legal o normativa que establezca claramente que una autocaravana que está legalmente estacionada no esté acampada o, que la normativa legal que se le puede aplicar exclusivamente a una autocaravana estacionada es la de Seguridad Vial.

Cada texto legal, por su parte, establece su propio ámbito de aplicación, de esta forma la Ley de Seguridad Vial, define en su artículo 2 que todo vehículo que circula, para o estaciona en la vía pública está sometido a su normativa.

Por otra parte, cada Ley que regula la acampada, establece que su aplicación en su propio ámbito territorial, somete a su criterio a todas las personas que utilizan un medio de acampada fuera de los lugares autorizados. Definiendo, entre los medios de acampada a las autocaravanas como un alojamiento móvil ya que dispone, según el Reglamento General de Vehículos de elementos apropiados para servir de vivienda provisional.

La cuestión que genera un conflicto que afecta gravemente a la movilidad de las autocaravanas es el criterio sobre qué ámbito legal se debe aplicar a una autocaravana correctamente estacionada en un lugar autorizado sin que la actividad interior transcienda al exterior.
La interpretación del mismo hecho que hacen los agentes de la autoridad denunciando la presencia nocturna de una autocaravana habitada en un estacionamiento en el dominio público es la de acampada porque lo hacen a la luz de las leyes de acampada. Sin embargo este mismo vehículo, en la misma situación de ocupación, en horario diurno, está estacionado para los mismos agentes.

Para un agente de tráfico esta autocaravana sería un vehículo estacionado a las tres de la tarde, a las tres de mañana, habitado o vacío, puesto que lo ven a luz de las leyes de Seguridad Vial.
Un mismo hecho no puede ser tratado por dos ámbitos legales a la vez y teniendo en cuenta que la autocaravana es al mismo tiempo e indistintamente un vehículo y una vivienda es necesario que se establezca definitivamente el ámbito legal a aplicar.

Una gran parte de los autocaravanistas hemos adquirido nuestro vehículo porque proporciona los dos medios más importantes para viajar: transporte y alojamiento y la condición de vehículo nos facilita la posibilidad de pernoctar en él mientras estamos legalmente estacionados.
Lo hemos hecho, además, porque los precedentes legales indican que el pernoctar en el interior de un vehículo es una acción legítima y no constituye ninguna infracción.

Diariamente decenas de miles de pasajeros pernoctan en el interior de un vehículo dentro del territorio español sin ser molestados por ello. Turismos, autocares, camiones o furgonetas son los vehículos utilizados para pernoctar en cualquier espacio del dominio público sin que los agentes de la autoridad los denuncien por acampar. Cualquier intención es lícita, turismo, trabajo o vivienda.

La autocaravana no es el único vehículo dotado de elementos para ser habitado, los camiones disponen de serie de camas o literas y de cabinas con altura y espacio para servir de alojamiento. Algunos autocares están dotados con asientos transformables en literas y váter.

El concepto de viajar con un vehículo, que una vez estacionado, sirve de alojamiento a sus pasajeros constituye una forma legal de alojamiento porque se basa en las leyes de Seguridad Vial, por la condición de vehículo y su estacionamiento en el dominio público.

Esta fórmula es aceptada por la sociedad como legal, cuando se trata de un vehículo de trabajo sin que desde la hostelería se considere como competencia desleal. Es más, desde un punto de vista de mercado, la competitividad en el transporte de mercancías internacional no podría concebirse en la actualidad sin la posibilidad de que los conductores de un camión pernocten en el mismo y sin la existencia de multitud de áreas donde los conductores de los camiones puedan descansar y pernoctar en ellos.

Luego el ámbito legal que se aplica a cualquier persona que pernocta a bordo de un vehículo que no sea una autocaravana es, en primer lugar, el de las Leyes de Seguridad Vial. De la misma forma, a una autocaravana, como vehículo, se le debería aplicar, en primer lugar, las leyes de Seguridad cuando está estacionada en el dominio público.

La dualidad legislativa sobre el uso de la autocaravana es un problema que ha sido tratado ya en diferentes países de la UE, de esta forma, en 2004 se publica en Francia un documento titulado "L'Accueil des Camping-Car dans les Comunes Touristiques". (1)

"No hay reglamentación específica para las autocaravanas. La autocaravana es a la vez un vehículo y un modo de alojamiento asimilado a la caravana, según sea su estacionamiento sobre el dominio público o el dominio privado.

Sobre el dominio público, la autocaravana, está sometida, mientras que es un vehículo, a las disposiciones del código de la carretera y del código de las colectividades territoriales".

Es la misma situación que en España. No hay una normativa, específica para las autocaravanas y, como vehículo, está sometido a las leyes de Seguridad Vial y a las disposiciones municipales que permite la Ley de Administraciones Públicas cuya competencia establece la propia Ley de Seguridad Vial.

A pesar de todo lo expuesto los usuarios de autocaravanas estamos afectados por criterios diferentes de diferentes administraciones. Como muestra tenemos algunos informes jurídicos y resoluciones de diferentes ámbitos de la administración pública, destacan entre ellos los de la Dirección General de Sostenibilidad de la Costa y del Mar, Organismo Competente para resolver en el ámbito administrativo un expediente incoado por una presunta infracción de acampada en el demanio marítimo-terrestre, en una denegación del recurso de alzada expone:

"En este sentido, el artículo 68.3 del Reglamento de Costas entiende por acampada la instalación de tiendas de campaña o de vehículos o remolques habitables. Así pues el Reglamento de Costas al desarrollar el concepto de acampada no lo limita al solo uso de tiendas de campaña sino que lo extiende a la instalación de vehículos habitables. De ello se deduce evidentemente que el hecho de estacionar para habitar y pernoctar en el interior del vehículo adaptado para vivienda, instalado dentro de la zona de dominio público marítimo terrestre se considera acampada".

El ponente de la resolución ni siquiera plantea la posibilidad de aplicar los criterios de las Leyes de Seguridad Vial sino que se ciñe exclusivamente a los criterios sancionadores de la Ley de Costas.

Del mismo modo la Directora de Turismo del Principado de Asturias, desestima las alegaciones presentadas a la propuesta de sanción por una presunta infracción de acampada en estos términos:
"El artículo 14.3 de la Ley 7/2001, de Turismo, vigente desde el 7 de julio del año 2001, prohíbe cualquier forma de acampada libre o no legalizada, entendiendo por acampada libre, la instalación eventual de tiendas de campaña, caravanas u otros albergues móviles con intención de permanecer y pernoctar en lugares distintos a los campamentos de turismo autorizados, prohibición que se extiende a todo el territorio de la Comunidad Autónoma, sin necesidad de la instalación de señales indicadoras al respecto para hacerse efectiva. De lo expuesto se desprende claramente que los hechos imputados se corresponden con una conducta perfectamente tipificada en la Ley de Turismo del Principado de Asturias no existiendo, por tanto, infracción alguna de los principios de legalidad tipicidad o seguridad jurídica, señalados por el imputado.

Respecto a la Instrucción 08/V-74, de la DGT. Se debe insistir en el hecho de que al presente procedimiento no es aplicable la normativa de tráfico al no ser el hecho imputado el estacionamiento del vehículo, cuya corrección no ha sido objeto de discusión, sino el haber pernoctado en el interior del mismo, fuera de los lugares legalmente autorizados, siendo de aplicación, por tanto, el artículo 14.3 de la Ley 7/2001 de Turismo del Principado de Asturias, ya señalado. Queda así patente la inexistencia de contradicción en la aplicación de la normativa de Tráfico y la no invasión de competencias propias del Estado.

La autocaravana como vehículo, está sometida a las leyes de Tráfico, en todo lo relativo a la circulación y a las maniobras de parada y estacionamiento, y su regulación corresponde ciertamente al Estado, sin embargo, como vehículo especial de categoría M, que incluye una zona habitable, debe estar sometida a la legislación turística (cuya competencia corresponde a la Comunidad Autónoma), en su consideración como alojamiento, pero esto no significa, en ningún caso, que la Ley de Turismo del Principado de Asturias convierta el vehículo en algo distinto por el hecho de pernoctar en su interior, ya que simplemente prohíbe la utilización del mismo, como alojamiento, fuera de los lugares autorizados".

No podemos menospreciar los argumentos de la administración que debemos conocer a fondo si queremos rebatirlos en cualquiera de los terrenos, político, administrativo o jurídico con el fin de que el pernoctar en una autocaravana sea una actividad que no esté sujeta a inseguridad jurídica que ocasione incertidumbre y sobresaltos a sus usuarios.

Cualquier vía legal es válida para defender los legítimos intereses de los usuarios de autocaravanas primando en primer lugar el diálogo con las administraciones y utilizando como argumentos la reclamación judicial y la presión social.

La presión social lícita en la reclamación para que se restablezca la legalidad frente a situaciones injustas y como medio para dar a conocer a la sociedad nuestra actividad y lo que consideramos nuestros derechos.

La vía judicial como argumento del diálogo y como fin en sí mismo si el diálogo falla. El problema que nos impide el uso libre y responsable de nuestros vehículos es de ámbito legal y, en última instancia, quienes deciden qué ley debe aplicarse al uso habitado de una autocaravana estacionada son los jueces.

Estas consideraciones nos llevan irremediablemente a tratar de establecer jurisprudencia en el Tribunal Supremo o en el Constitucional, puesto que si estamos persuadidos de que las Leyes de Seguridad Vial son las que hacen justicia al uso habitado de una autocaravana estacionada tenemos el deber de intentarlo utilizando los mejores medios que podamos disponer, y si no lo conseguimos, deberemos acudir al ámbito político para modificar las leyes o vender nuestras autocaravanas.

Cualquier solución que debamos aplicar tiene que partir necesariamente del sector. Los usuarios y profesionales necesitamos estar unidos en el camino si queremos disponer de las máximas posibilidades para conseguir los objetivos comunes, que solamente se podrán alcanzar en el ámbito de los grupos organizados, utilizando el análisis racional de las causas y los tratamientos consensuados a través del diálogo entre las asociaciones

Debemos asumir que ninguna vía excluye el empleo de otra siempre que no suponga un obstáculo para alcanzar un fin y que estas situaciones solo se podrán detectar a través de la comunicación y el consenso. Un fin que debemos tener siempre presente y que no es otro que avanzar en la eliminación de los obstáculos que impiden el uso libre y responsable de nuestros vehículos.

(1) L'Accueil des Camping-Car, Les Cahiers de l'AFIT, http://www.afit-tourisme.fr/


Arsénio Gutiérrez
http://www.viajarenautocaravana.com/


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domingo, 11 de janeiro de 2009

Tribuna dos Leitores

Sobre o texto publicado pela Tribuna na sexta-feira 9 de Janeiro com o título de: Autocaravanismo outro tipo de turismo, da autoria do companheiro espanhol Jose Pedro Coruso Presa, concordo e aplaudo o texto na integra, salientando alguns pontos de maior relevância para todos os interessados.

Escreve o autor:
Queremos chamar a atenção dos comerciantes, principalmente dos que se dedicam ao turismo, e das autoridades turísticas e dos políticos em geral: no nosso país existem múltiplos problemas para conseguir locais específicos onde se possa simplesmente parar, locais como os que existem por toda a Europa (só em França quase 5.000, como se pode comprovar na Internet http://www.eurocampingcar.com/es.htm), ainda que ultimamente haja cidades espanholas que tenham criado áreas específicas para autocaravanas, como La Coruña, Lugo, Victória, Bilbao , Valladolid, Cáceres e outras mais. Trata-se unicamente de ter uma zona de estacionamento, bem situada (refiro-me a estar bem conectada com os transportes públicos), dotada de água e grelha de descarga específica, ligada à rede de esgotos, com uma limitação de tempo de permanência (24-48 horas), para se poder visitar a zona e, evidentemente, nela gastar os euros.
Este é efectivamente um excelente exemplo que deveria ser implementado em Portugal, é efectivamente um bom exemplo para os decisores, nomeadamente para os Senhores autarcas e companhia governamental, antes de regulamentarem o que quer que seja, deveriam isso sim, dentro dos parques de estacionamento para todas as viaturas existentes por todo o Pais, deveriam delimitar pequenos espaços restritos só para Acs, como têm os camiões, Automoveis as bicicletas as motas, só os aviões não têm porque não cabem lá, eu já tive oportunidade de estar e parquear a minha Ac no parqueamento reservado a Autocaravanas inserido num enorme estacionamento para as restantes viaturas em la Coruna, situado numa área previligiada e muito próximo do centro da cidade, que efectivamente têm uma torneira de água, e sitio para despejos de águas residuais e wc. E isto meus caros completamente gratuito e com placas indicadoras de cidade amiga das autocaravanas, e respectiva indicação da direcção do parque em todas as entradas da cidade. Mas como penso que, quem não sente não é filho de boa... , talvez os " legítimos representantes desta classe de viaturas" ou os ditos clubes representativos dos associados Autocaravanistas, que tenham a cota dos associados em dia devessem adoptar como um ponto importante a seguir em Portugal.

Concordo e aplaudo na integra a descrição do Autor que passo a citar
Sem dúvida, também à que dizer que existe uma certa perseguição de muitos municípios às autocaravanas, que não nos permitem nem estacionar nos parques de estacionamento que cumprem os requisitos legais para veículos semelhantes aos nossos (pequenos camiões ou furgonetas). Dadas as circunstâncias actuais, e as ajudas do governo aos municípios, não seria má ideia da parte destes estudarem a possibilidade de realizar uma área deste tipo: é barato e a curto-médio prazo rentável para muitos comerciantes, o que beneficia toda a cidade.

Também esta descrição deveria ser tomada em conta pelas entidades ditas representativas dos Autocaravanistas, começar por verificar quais os decisores que são filhos de boa ..., e quais os "cegos ditadorezinhos" que insistem em ver os nossos pequenos camions ou furgonetas como uma tenda de campismo ambulante e que põem pura e simplesmente de lado os interesses dos condutores de Autocaravanas contribuintes também das verbas que as respectivas autarquias recebem do governo, tomarem as devidas providências jurídicas na tentativa de fazer ver aos cegos que as nossas furgonetas ou ou pequenos camiões intituladas de Autocaravanas não são efectivamente nenhumas tendas ambulantes. São simplesmente viaturas cujos ocupantes têm os direitos a parqueamento que deveriam ser semelhantes aos direitos dos restantes automobilistas.

As medidas expostas em Portugal pelos diferentes movimentos associativos ficam na minha modesta opinião muito aquém dos objectivos aqui descritos e que também na minha modesta opinião seriam os mais favoráveis a todos nós. deveria existir um movimento pela manutenção e melhoria dos locais de estacionamento que já existem, chamando á atenção das autoridades competentes para a criação dos respectivos espaços de parqueamento similar para todos os tipos de viaturas sem restrição por todo o território nacional, evitando assim o hastear da bandeira de organizações campistas nas tais areas de serviço independentes para autocaravanas onde pelo que se diz "irá ser possível e "permitido" aos autocaravanistas fazer campismo, que na minha modesta opinião tais organizações campistas deveriam era de se preocupar com os parcos serviços que efectivamente prestam aos seus utentes nomeadamente em alguns condomínios de barracas com a mesma designação de parque de campismo onde já não é possível a utilização da tradicional tenda, e onde a fiscalização da ASAE se têm "esquecido" de fazer a sua intervenção para beneficio de todos os campistas.

Esta é a opinião de um sempre simples viajante.

Autocaravana Adventure