Apesar da entidade que se diz tuteladora do movimento autocaravanista parecer estar mais interessada em festas e confratenizações espero que assuma as suas obrigações e disponibilize os seus meios para colaborar com Evoramonte na concretização de mais uma infra-estrutura para os autocaravanistas... Já chega de conversa fiada e se passar à acção.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O autocaravanismo como vértice de Desenvolvimento
quinta-feira, 7 de maio de 2009
ZMAR em contagem decrescente
Vem aí um megaparque de campismo ecológico na Costa Alentejana
Chama-se ZMar e está localizado entre o Almograve e a Zambujeira do Mar. Totalmente construído em madeira, este empreendimento tem uma área equivalente a 81 campos de futebol e uma capacidade para receber 3.000 pessoas. A inauguração está prevista para o mês de Junho.
Este Eco Camping está equipado com diversos serviços e zonas de lazer. Possui um parque aquático, com uma piscina gigante ao ar livre e uma mais pequena para as crianças. Mas sem dúvida que a área que promete concentrar as atenções é a piscina de ondas gratuita para os campistas.
Para cuidar da saúde existe ainda um ginásio, hidromassagem, banhos turcos, salas de massagem e um centro médico.
Não perca toda a reportagem sobre este parque de campismo ecológico na edição da Visão! Quinta-feira nas bancas!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Autocaravanismo em discussão no Turismo do Alentejo Litoral
Turismo do Alentejo Litoral promoveu sessão informativa para operadores turisticos
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Viajar na minha terra: ÉVORA
Cor de violetas roxas… Ruas frades
(…)
Évora!... O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
…
Florbela Espanca

Estacione fora das muralhas e, se quiser marcar já lugar na sua “quintinha”, terá vários pontos simpáticos à escolha. O Rossio de S. Brás, um terreiro imenso de terra batida muito concorrido por AC, mesmo em frente de uma das portas da cidade: a da rua da República (de meados de Maio até à 1ª semana de Julho, terá forçosamente de escolher outro poiso porque as Festas da Cidade – a centenária Feira de S. João – enche o espaço do habitual local de estacionamento).

Rossio: modelo gigante
Aqueduto
Qualquer deles são meros parques de estacionamento, Évora, como tantas outras cidades portuguesas, ainda não acordou para a recepção de AC em zonas próprias e acolhedoras. Quanto a mim, já pensei várias vezes num parque completamente desaproveitado, onde ninguém estaciona, perto da Porta da Lagoa e mesmo ao lado da entrada por um arco cortado na muralha, em direcção ao Teatro Garcia de Resende. Se tivesse dinheiro, até criava ali uma zona simpática e colocaria lá uma casinha de recepção com atendimento personalizado… devaneios de autocaravanista e amante das línguas.

Estacionada a AC, está na hora de partir à exploração. Exige-se bom calçado nos pés, porque as “ as ruas frades” se percorrem a pé e sempre com uma máquina fotográfica já que a cidade é vaidosa e esbelta. Se o propósito for histórico e detalhado, um gordo fim-de-semna não chegará para tanta História e arredores. Fechado entre muralhas, o centro histórico é um labirinto de ruas – ermas, frades… - por onde a História respira, desde o período romano, passando por todos os estilos artísticos e arquitectónicos: medieval, gótico, clássico, barroco…, enfim, todas as assinaturas, cores e odores.Logo no Rossio, a ermida de S. Brás; subindo a Rua da República, à esquerda, a Igreja de S. Francisco (com a turística Capela dos Ossos) e à direita os Meninos da Graça.

Depois a Praça do Geraldo e as suas dez ruas (conte-se o número de carantonhas da fonte, na Praça…). Pela 5 de Outubro, peregrinação até à Sé, Templo Romano, Biblioteca, Pousada e Igreja dos Lóios, Paço dos Duques de Cadaval, Universidade, Portas de Moura….




Para apreciar a boa gastronomia, espaços não faltam, uns para bolsas recheadas, outros para mais parcas: “¼ para as nove” e o seu arroz de tamboril; petiscos vários no “Molhóbico” (também com boa esplanada); os pequenos restaurantes na Rua dos Mercadores…; o café Alentejo; a Cascata ou se a preferência for estrangeira, o “Italiano”. Para apreciadores de doçaria conventual, o “Mel e Noz” ou outras pastelarias menos sofisticadas (Violeta) e gourmets (Boa Boca) que começam agora a nascer.


Aparte a História, caso tenha trazido o seu atrelado de bicicleta, tem ainda a possibilidade de pedalar ao longo da Ecopista, caso contrário poderá caminhar mais um pouco. A pista circunda Évora pelo lado Este, aproveitando a antiga linha de caminho-de-ferro até Arraiolos… passando pela Graça do Divor, paisagem a destacar, mesmo ali ao lado da barragem. Um salto a Arraiolos também é bom desvio, mesmo que não se comprem os famosos tapetes, é sempre aconselhável. Ou mesmo até Pavia, indo à pesca na barragem de Montargil, ou visitando o Fluviário de Mora...

Enquanto enche os olhos do Passado, tem sempre o lado comercial, mesmo à mão de semear, na Praça dos Geraldo e ruas afins, basta seguir os anúncios…

Culturalmente, apesar de já não ser o que era, Évora ainda sopra alguns ventos naturais: o Cendrev, companhia de Teatro profissional terá certamente algo em cartaz no Teatro Garcia de Resende, como por exemplo os imperdíveis Bonecos de Santo Aleixo, ou então, de 2 em 2 anos a Bienal Internacional de Marionetas. Este ano é ano sim, em Maio…
Fora das Muralhas, na zona industrial, a Companhia de Dança Contemporânea, ou então o Espaço do Tempo (companhia do coreógrafo Rui Horta) em Montemor-o-Novo.
Antes de lá chegar convém, porém, um desvio por o cromoleque dos Almendres ou a gruta do Escoural (neste caso, não sem antes telefonar a marcar, 266 857 000).
Mais para sul, aconselham-se outras paragens a caminho do Alqueva: as olarias de S. Pedro do Corval, Monsaraz, a marina da Amieira, aldeia da Luz…
E, para fechar o capítulo, há sempre a possibilidade de regressar em qualquer estação, quiçá a neve se lembre de cair e nasça daí um belo e incomum postal ilustrado …

Em AC há sempre esse salto que torna possível qualquer destino, com ou sem neve, com ou sem praia e, como as estações agora se trocam e baralham como as cartas de jogar, nada é impossível. Boa viagem!
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segunda-feira, 23 de março de 2009
CARNAVAL: à roda do grande lago
As condições meteorológicas não podiam ter sido melhores. À parte um arrefecimento nocturno significativo, normal para a época do ano, os dias “sorriram” para todos os que por ali andámos. Um sol radioso, uma temperatura amena, confortavelmente acolhedora, e a ausência total de vento, proporcionaram-nos as melhores condições para usufruir dessa sensação de liberdade que o autocaravanismo sempre nos proporciona.
A ansiedade era tanta que não esperámos para sábado. Depois de jantarmos na 6.ª feira, aprontámos as coisas essenciais para 4 dias “on the road” e lá seguimos rumo a Grândola, onde pernoitámos num grande parque de estacionamento existente nas redondezas do “Modelo”. Embora não tivéssemos a companhia de outras autocaravanas, parece-nos adequado o lugar, tendo noite sido calma e em silêncio absoluto, permitindo um bom sono.
Na manhã seguinte, após o pequeno almoço, já com o pão e os bons queijos alentejanos comprados no hipermercado, retomámos a estrada.
Antes de rumarmos ao “grande lago”, por razões particulares, fizéssemos uma prévia visita ao Centro de Interpretação Ambiental da Liga de Protecção da Natureza existente na Herdade do Vale do Gonçalinho em Castro Verde, onde estão disponíveis trilhos destinados à observação da avifauna que, por esta altura, entra em grande actividade. Na zona podem ser observadas aves pouco comuns como o sisão e a abetarda.
http://www.lpn.pt/LPNPortal/DesktopModules/SubPaginaProgramasDetalhes.aspx?ItemId=18&Mid=40&ParentId=6
Terminada a breve visita, parámos para almoçar na localidade de Entradas, a poucos quilómetros de Castro Verde, na estrada que segue para Beja. Entrámos na “Cavalariça”, um restaurante típico de cozinha regional que nos serviu umas deliciosas migas a acompanhar presas de porco ibérico grelhadas, não sem que antes nos tivéssemos deliciado com uns torresmos do “rissol” fresquíssimos, os melhores que já alguma vez degustei. A qualidade elevada da cozinha deste restaurante acaba por justificar o preço relativamente elevado das doses.
Cá fora, um pequeno passeio pelas ruas desta vila, tipicamente alentejana, permitiu iniciar uma digestão que se previa mais demorada e, também, tomar contacto com os preparativos do festival cultural Entrudanças, que iria trazer à pacata localidade dias de maior animação – alguns grupos de crianças já cantavam organizadamente pelas ruas, onde várias tendas de artesanato acabavam os preparativos para a inauguração da pequena feira.
A paragem seguinte foi em Serpa, localidade que já visitámos várias vezes, mas onde sempre gostamos de retornar. Estacionamos a autocaravana no parque fronteiro ao camping existente. Já várias vezes o fizemos, tendo pernoitado por ali, sem qualquer problema e foi o que aconteceu, também, desta vez.
O pequeno parque de campismo existente é, também, acolhedor, e nele chegámos a ficar quando permanecemos mais do que uma noite em Serpa, o que não seria o caso vertente.
Passeamos pela vila cuja arquitectura sempre nos encantou, tal como as muralhas e o pequeno jardim onde, numa das entradas, existem umas oliveiras certamente centenárias, a julgar pelos grandes e “elaborados” troncos que exibem.
Uma queijada típica fez-nos companhia pelas ruas de casas brancas, onde algumas com artigos regionais sempre nos abrem o apetite. É difícil resistir ao queijo e requeijão, aos enchidos, aos doces, mel, azeites, vinhos e artesanato tão rico.
Regressámos à autocaravana já a noite se instalava para, no aconchego da nossa “casinha itinerante”, prepararmos um “ligeiro” jantar com as iguarias adquiridas, seguido de um já ansiado serão a jogar à “sueca” em família e a ver um DVD antes do merecido sono.
O dia seguinte, domingo, amanheceu solarengo e nós acordámos ao som do chilrear dos diferentes passarinhos que por ali vivem, despertando lentamente para mais um dia de lazer. Depois do pequeno almoço de queijo fresco de cabra e requeijão de ovelha, partimos para mais um “round” pela vila, abrindo o apetite para o programado almoço na Adega Molhó Bico, sugestão acertada do companheiro Raul. A relação qualidade preço não podia estar mais perfeita.
Como éramos 4 à mesa, optámos por pedir quatro variedades para partilharmos. Após uma meia hora de espera na sala de entrada, lá conseguimos uma mesa onde rapidamente pudemos iniciar o “molhó pão” no azeite, na “manteiga de cor” e saboreando umas boas azeitonas, que nunca dispensamos, preparando o estômago para um “festim” de variedades alentejanas.
Serviram-nos então a feijoada de lebre, a carne de porco com cogumelos, as migas com carne e as bochechas de porco assadas no forno e conhecidas aqui como “carrilhada”. Todos os pratos estavam “no ponto”, mas mereceu destaque, por unanimidade, a carne com os cogumelos de um sabor requintado. No final, a sericaia com doce de ameixa deixou-nos “arrumados” e a “sonhar” com a próxima visita.
Com a satisfação estampada nos rostos, seguimos viagem para a Aldeia da Luz, a nova aldeia mesmo à beira do “grande lago” onde viemos a pernoitar.
Lá chegados, fomos estacionar na AS e pernoita que nos está destinada, com vista sobre o “lago” e num lugar que permite a visualização de um demorado por-do-sol. Cerca de uma dezena de autocaravanas, na maioria portuguesas, já ocupavam uma parte significativa do largo. Feitos os despejos e o reabastecimento de água limpa, fomos passear até ao ancoradouro, onde mais um grupo de autocaravanas se encontrava estacionado e os seus ocupantes a… fazer campismo!
Destes comportamentos já mais nada há a dizer, tal como o facto de termos encontrado a pia de despejo para sanitas químicas na AS, em boa hora promovida pelo Camping Car Portugal, completamente entupida, fruto de lamentável utilização indevida.
À noite, mais um serão de “sueca”, música suave e boa disposição fizeram companhia às iguarias alentejanas - versão II – queijo de ovelha fresco e curado e paio do lombo de porco preto, acompanhado de pão e tinto a condizer.
Na segunda-feira esperava-nos o espectáculo deslumbrante sobre o “grande lago” a partir do alto de Monsaraz. Esta localidade inserida entre muralhas de um castelo alcantilado no cimo de um monte de onde se permite uma imagem quase única no panorama português. O “grande lago” espraia-se à esquerda e à direita da entrada principal. Os parques de estacionamento existentes no exterior são de acesso adequado às autocaravanas.
No interior do castelo passeamos calmamente admirando as velhas construções, no geral bem cuidadas, onde portas e janelas de formas ancestrais despertam a nossa curiosidade. Das ameias do castelo o olhar perde-se em redor dos 360º permitidos e até onde a vista alcança.
Cansados mas satisfeitos, deixámos esta terra que nos fez lembrar outras paragens igualmente aprazíveis e similares – Marvão e Óbidos – para dar dois exemplos, embora esta última tenha cedido à voracidade do consumismo para “inglês ver”.
Após o almoço na autocaravana, fomos tomar o café na esplanada da “marina” da Amieira, um local agradável de onde saem mini cruzeiros de barco pelo grande lago, ou voos num pequeno hidrovião.
A noite foi passada junto ao ancoradouro existente na proximidade do “paredão” da barragem do Alqueva, na companhia de mais 4 autocaravanas, em posição de deleite perante o espectáculo de mais um deslumbrante por-do-sol.
Na terça-feira acabou por “amanhecer tarde”, talvez por causa do irremediável regresso a casa, que embora agradável, nos deixa num estado misto de nostalgia, pelo que agora deixamos, e de ansiedade por um regresso seguro “às origens” e ao “lar doce lar”.
Laucorreia
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Mendes Bota, a pesca lúdica... e o autocaravanismo
Um dos deputados mais interventivos nesta questão tem sido Mendes Bota, que apresentou uma
iniciativa parlamentar, questionando o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, da legitimidade da legislação agora publicada e que pode ser lida aqui. O referido deputado tem também marcado presença em várias manifestações como a ocorrida no passado dia 15 em Sagres.
Se é, porque não intervém o Sr. deputado Mendes Bota nesta questão com a mesma determinação? ... para que serviu afinal a visita de tão "distinta e qualificada delegação" de autocaravanistas à Assembleia da República?
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Dormir à chuva ... é muito bom!
Certo dia fui surpreendido com uma bátega de água enquanto realizava uma caminhada com os meus filhos, a Catarina então ainda uma criança e o Ricardo no princípio da adolescência. Hesitámos sobre o que fazer: procurar abrigo ou prosseguir. Decidimos enfrentar a chuva diluviana. Acertámos o passo e lá fomos pisoteando as poças do chão alagado, ao mesmo tempo que improvisávamos uma cantilena tipo marcha militar com o refrão cantado em coro:
--Um, dois, três... andar à chuva é muito bom!
-- Trá, lá, lá... trá, lá, lá...andar à chuva é muito bom!
-- ... andar à chuva é muito bom!
Acabámos completamente encharcados, mas ainda hoje, uns pares de anos volvidos, quando acontece lamentar-me da chuva que cai, sou de pronto corrigido pela Catarina: Andar à chuva é muito bom, lembras-te?!
Nestas alturas recordo com prazer a sensação da chuva tocada a vento que me fustigava a face, recordo a cumplicidade partilhada com os filhos de cometer a loucura de fazer o politicamente incorrecto, enfim... recordo o momento como uma forma de usufruto da liberdade, como uma forma de solidificar uma relação de amor entre humanos, mas também como um hino de celebração da harmonia com a natureza.
Porque invoco agora e aqui estas recordações? Porque como autocaravanista acabo de viver outra experiência intensa... à chuva.
Preparámo-nos (?) para passar os últimos dias do ano a bordo da autocaravana. Como de costume a programação da viagem era pouco mais do que um estado de espírito: iríamos rumo a Andaluzia, o resto logo se veria. Aberto o mapa de estradas pensei em sair por Elvas e apontar a Córdoba, seguindo depois para sul. Todavia a decisão de última hora de visitar uns amigos em Évora conduziu à alteração de “planos”: sairíamos por Vila Verde de Ficalho e rumaríamos a Sevilha. Assim se fez, ou não fossem a improvisação e a flexibilidade atributos intrínsecos dos autocaravanistas.
Mesa de Natal ainda posta, lareira acesa e o calor de outros convivas presentes, fez o tempo voar. Já ia alta a noite quando deixámos a casa dos amigos, após termos degustado alguns bons vinhos alentejanos acompanhados do inevitável queijo regional (de vários odores e sabores) e de um bom paio tradicional.
Saímos à rua, deitámos um último olhar à arquitectura da Praça do Giraldo e calcorreámos a Rua da República em direcção ao Rossio, onde a autocaravana e o Jimmy nos esperavam para ai pernoitar. A arquitectura palaciana do percurso convida a um olhar mais atento do que aquele que a madrugada aconselha, mas não pude evitar deter-me por algum tempo fronte ao prédio de linhas simples de cujo varandim se proclamou a 5 de Outubro a adesão da cidade de Évora à Republica que nesse mesmo dia emergia no espírito dos portugueses como um silvo de esperança num país mais fraterno, solidário e justo.
A chuva que no curto percurso do centro histórico ao Rossio se nos tinha anunciado não tardou em cair. Plim..., plim... plim... Nada que nos impedisse de dormir tranquilamente, pelo contrário.
Manhã avançada lá partimos rumo a Beja, mas de “GPS” apontado a Serpa, onde o Molhó-bico nos esperava para almoçar. Localizado na zona SE da vila, na Rua Quente (junto à muralha) este restaurante serve, num ambiente a todos os títulos acolhedor, bons pratos da gastronomia regional alentejana, sem esquecer o requinte das entradas tradicionais. Há quanto tempo não molha o pão em azeite virgem de fino paladar?
De resto Serpa bem merece uma desapressada visita. Na alvura e humildade que exibe não consegue esconder a grandiosidade do seu núcleo histórico, de arquitectura árabe bem vincada, trazendo-nos à memória outras cidades do reino de Granada, como Córdoba, por exemplo.
O percurso até à fronteira proporciona-nos um momento de rara serenidade, em qualquer época do ano, pese embora a radical mudança policromática que o Alentejo ostenta. A planície apenas é entrecortada por pequenos cerros. Dos solos delgados brota uma vegetação escassa e de pequeno porte, onde pontificam as azinheiras e as oliveiras, centenárias umas, de cuidada plantação recente outras. De permeio, deambulando em liberdade, as vacas, ovelhas e porcos pretos pontuam o amplo espaço campestre. Aqui e ali algumas cegonhas residentes levam-nos a duvidar de estarmos em Dezembro.
Atravessada a fronteira a paisagem mantém-se, mas à medida que penetramos na serra o relevo torna-se mais acidentado e o coberto de azinheiras mais denso. O que mais surpreende agora é a intensidade do encabeçamento animal em regime extensivo. Os porcos ibéricos que antes víamos como elemento pitoresco da paisagem transformam-se agora em varas de considerável dimensão. Às vacas de carne juntam-se agora os touros. As ovelhas e as cabras passam a ser presença regular. Com esta actividade pecuária convive a economicamente pujante cinegética organizada em múltiplas coutadas de caça.
Desta mistura de actividades se alimenta a economia rural andaluza, cuja prosperidade pode aquilatar-se nos bares e “ventas” de qualquer dos seus pueblos, onde a par dos presuntos, enchidos, queijos, mel, doces, etc. encontramos recorrentemente uma extraordinária animação social, em flagrante contraste com o que geralmente observamos nos espaços rurais portugueses.
Caída a noite, decidimos evitar a problemática insegurança da cidade de Sevilha pernoitando num local a escassas dezenas de kms, precisamente no parque de estacionamento de uma dessas “ventas”: a Venta los Angeles, em Valdeflores.
Num cenário marcado pelas cabeças de veado e de javali exibidos na parede como troféus de caça, partilhámos com os locais o animado ambiente da “venta” enquanto degustámos um muy bueno viño Jerez.
A incessante chuva que nos havia perseguido durante todo o dia continuava a cair copiosamente. Paredes meias com a cerca que retinha meia dúzia de lamas, uma ovelha, um burro e alguns cavalos andaluzes, instalámo-nos na capucine da autocaravana prontos para dormir.
No silêncio da noite a que só a serra sabe dar a devida profundidade, ficámos a ouvir a chuva cair ali mesmo a um palmo da nossa cabeça. Plim, plim, plim... plim... plim... plim.
Ora doce e suave como a melodia de uma flauta, ora murmurando como um violino, ora soando forte e brusca qual correria de cavalos colina abaixo rumo ao riacho numa tarde de canícula, a chuva bateu sobre nós toda a noite, conferindo às penas que me aqueciam o corpo um prazer acrescido. Que impar sinfonia a da natureza!
Muitos foram os poetas que celebraram a chuva batendo nas vidraças e o vento fustigando os ramos das árvores. Certamente que os músicos lhe não foram indiferentes. Hoje compreendi melhor Vivaldi e Beethoven. Por certo eles viveram uma experiência de semelhante carga sensorial.
Ao som desta melodia que brota do breu da invernal noite campestre, a memória voou e transportou-me pelo passado para me desmentir: bem vistas as coisas eu gosto de chuva. Confrontado com a recordação de outros inolvidáveis momentos de prazer à chuva, onde sobressaem aquela noite em que um grupo de garranos do Gerês ameaçava deitar abaixo a tenda completamente alagada, aquela outra noite no camping da Serra da Estrela que obrigou os campistas de tenda a refugiarem-se na casa de banho (com os sacos-cama encharcados) enquanto eu usufruía da sensação de enfrentar a tempestade no conforto da autocaravana, ou ainda aquela madrugada de uma noite diluviana passada em Sesimbra com as gaivotas a acordarem-me enquanto se passeavam sobre a cobertura da autocaravana.
Naquele momento, enfim, compreendi que é um privilégio ser autocaravanista, poder gozar a liberdade que tal maneira de estar na vida nos concede. Afinal, dormir à chuva... na autocaravana, é muito bom!
Raul Lopes
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
A solução para a Costa Vicentina?
As tarifas diárias anunciadas para o período de Julho e Agosto para um álveolo de 100 m2, que inclui a autocaravana, 4 pessoas, água e electricidade é de 50 euros, baixando para 20 euros de Outubro a meio de Dezembro. Estas tarifas permitem o livre acesso a piscinas, ginásio e campos polideportivos. As 5 estrelas deste parque de campismo ecológico pagam-se bem!!!
Na verdade, devido aos preços da época alta, ao nível de um Hotel de 2-3 estrelas, não me parece que se vá resolver a parte do problema que está aqui em equação que é a de quem utiliza essencialmente a autocaravana como equipamento de campismo. As condições descritas no site deste eco-resort fazem dele um caso único no País e as condições que os seus utilizadores vão poder usufruir, são de facto de qualidade muito acima do que estamos habituados a encontrar neste tipo de equipamentos. No entanto, este equipamento não será certamente destinado ao turismo em massa e portanto temo que a capacidade anunciada de 3000 campistas que poderá receber quando estiver a funcionar em pleno, seja dificilmente atingida. Nessa altura antevejo 2 soluções possíveis, a reconversão da área destinada ao parque de campismo em chalets e hotelmóveis ou então o recurso à aplicação de regulamentos que impliquem a pernoita de autocaravanas em exclusivo em parques de campismo...
Uma coisa é certa, para o autocaravanismo como turismo itinerante não residirá aqui a solução e continua a ser preciso a construção de infra-estruturas de apoio à pernoita e manutenção das autocaravanas. É preciso também mais fiscalização que puna os prevaricadores, de modo a acabar com os abusos que se praticam junto ao litoral português.
Desenvolvido pela empresa Zmar, o Eco Camping Resort ocupa uma área de 81 hectares em A-de-Mateus, a cerca de 10 quilómetros da costa alentejana.
Num investimento de 30 milhões de euros, a obra inclui chalés de madeira, hotel móvel e alvéolos para tendas, caravanas e autocaravanas, bem como parque aquático, campo desportivo, quinta pedagógica, spa, posto médico e restaurantes.
A estadia, segundo a Zmar, vai desde os 20 euros por noite (um alvéolo para quatro pessoas de Outubro a meados de Dezembro) aos 150 euros (chalé para cinco pessoas em Julho e Agosto).
A construção, segundo o executivo municipal de Odemira, é um exemplo a seguir. "Trata-se de um empreendimento único no País construído quase na totalidade com madeiras e materiais recicláveis. Todos os chalés são elevados ao solo e de baixa densidade", disse ao CM o presidente da edilidade, António Camilo.
O autarca referiu, ainda, que tem seguido com agrado a evolução da obra. "É impressionante a qualidade dos chalés. O projecto tem um impacto mínimo no ambiente e prevê ainda a reflorestação de grande parte da sua área", acrescentou António Camilo, que mostrou também satisfação em relação à importância que o empreendimento irá criar na economia da região.
Em 2010, quando o Eco Camping Resort estiver a funcionar em pleno, terá capacidade para acolher em permanência três mil campistas. O parque irá também empregar 220 pessoas.
Alexandre M. Silva