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segunda-feira, 11 de maio de 2009

MANIFesta… mente inconcebível!

Nesta tribuna, e muito justamente, aqui divulgámos, o texto de Vítor Andrade sobre o MANIFesta 09 a ter lugar em Peniche nos dias 21 a 24 de Maio.

Fizemo-lo, naturalmente, “sem nada pedirmos em troca”, ou sequer reivindicar qualquer protagonismo ou reclamar qualquer “parceria”.

O evento, fruto da iniciativa da ANIMAR e da conjunção de vontades da Câmara Municipal de Peniche e da ADEPE, tem uma componente apelativa para o Autocaravanismo, resultante do trabalho e da forte motivação do companheiro Vítor Andrade, do qual já vimos bons resultados em S. Pedro do Sul, aquando da realização das várias edições do Gesto Eco-Solidário.

É, por isso, confrangedor verificar como se “acotevelam” e se “põem em bicos de pés” algumas das entidades de quem se esperaria uma postura séria, contributiva sim, mas humilde e reconhecedora de méritos terceiros.

Ao visitarmos os fóruns quer do CPA, quer do CCP, constatamos a fobia de protagonismo, em ambos os casos, por parte dos respectivos responsáveis e da “forçada” (e forçosa, diremos nós) “emenda” ensaiada pelo moderador do CampingCarPortugal.

Senão vejamos:

Companheiros O CPA numa acção conjunta com o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CampingCar Portugal convida os seus associados a estarem presentes na MANIFesta de 21 a 24 de Maio.

InfoCPA (in forum CPA )

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Companheiros, Numa acção conjunta entre o Portal CampingCar Portugal, o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CPA, convidamos todos os autocaravanistas, que possam estar presentes, a comparecerem na MANIFesta de 21 a 24 de Maio, em Peniche. Esta participação é livre de qualquer inscrição ou pagamento, estando previstos estacionamentos dedicados às autocaravanas.
… … …
Paulo moderador (In forum CCP)
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Bom dia companheiro Paulo! Pode-nos esclarecer em que consiste a acção conjunta do CCP,CCCB e CPA para a Manifesta em Peniche?

DeMatos (In forum CCP)

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Caro amigo
Dematos, A iniciativa de ter os autocaravanistas na MANIFesta é exclusiva do companheiro Vitor Andrade, dada a sua proximidade à ANIMAR e às ADL. É uma ideia antiga e que nos foi ventilada após o Verão de 2008 (não nasceu agora!). O Portal CampingCar, o CPA e CCCB foram convidados pelo referido companheiro para a criação desta "acção conjunta" (reforço: o CampingCar é só e apenas convidado!).

A referida "acção" é, só e exclusivamente, de divulgação deste evento.

Paulo moderador (In forum CCP)

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É verdadeiramente lamentável o espectáculo “mediático” e triste a que se prestam tão ilustres defensores do Movimento Autocaravanista.

O CPA, que deveria ser o Clube de referência do Autocaravanismo em Portugal, depois de ter falhado essa missão, e de continuar a falhar, por evidente vazio de ideias, a organização coerente e objectiva dos colóquios ocorridos em Abrantes e na FIL durante a Nauticampo, parece cada vez mais orientado para a sua vocação de nascença: as festas e romarias. Basta atendermos às notícias veiculadas na imprensa sobre o Encontro de Abrantes e à total ausência de repercussão que esses eventos tiveram - até no respectivo fórum - para a clarificação da modalidade. Já todos perceberam que existem muitas autocaravanas, já todos perceberam que os autocaravanistas são potenciais turistas itinerantes e que apreciam a natureza, as cidades, os monumentos, a gastronomia, as manifestações culturais, etc.
Mas falta o essencial – a dura batalha pela não discriminação e pela criação das condições essenciais ao usufruto deste tipo de veículo/equipamento com dignidade e liberdade.

É por isso que qualquer companheiro insuspeito, como o é Vítor Andrade, seja forçado a referir, nos dois respectivos fóruns, o seguinte:

….....
Durante este tempo tenho sentido, como ninguém, o quanto falta faz uma instituição que represente e onde os ACs se sintam representados. Mas como sou uma pessoa persistente, não tendo cão caço com o gato.
….....

É claro que estas palavras se fossem ditas pelos subscritores desta Tribuna, não passariam de mais uma crítica infundada, feita de má vontade, por pessoas mal intencionadas e “intelectualóides”!
Não faltaria uma chuva de comentários azedos em fóruns, blogues, esferas e outras geometrias feitas a esquadro e compasso dos que à crítica fundamentada nas ideias e na razão, respondem com a calúnia.

Mas como somos, também, persistentes, manteremos vivo o nosso olhar crítico, verdadeiramente independente e livre.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cinco meses depois, já não é possível continuar a confundir o trigo com o joio

Passaram-se 150 dias sobre a criação da Tribuna Autocaravanista. Os propósitos que nos levaram a enveredar por este trilho verdadeiramente livre e independente estão plenamente justificados à luz da evolução do autocaravanismo em Portugal, sobretudo se tivermos em conta a intervenção dos principais “actores” nesta matéria. O grito de alerta que há cinco meses lançámos, e que caiu como uma pedrada no charco, tinha toda a razão de ser, como a realidade se encarregou de demonstrar.

Assumimos na altura uma ruptura, talvez incompreendida por muitos companheiros, essencial à clarificação e à “separação do trigo do joio”. É hoje indiscutível o papel que temos desempenhado na desmistificação de atitudes e procedimentos que, para além de quererem iludir as consciências livres de cada autocaravanista, procuravam calar qualquer voz crítica que os desmascarasse e que se opusesse ao acondicionamento mental (e físico) de um colectivo que, justamente ávido de um futuro mais digno, poderá não distinguir o acessório do essencial.

Invocando em vão o interesse colectivo, foram-se amontoando contradições e tentadas várias posições de “concertação” entre agentes com diferentes interesses e objectivos. Procurou-se, mascarar essa realidade com base em múltiplas plataformas “colectivas”, reuniões, círculos, etc., entre várias outras geometrias desenhadas a esquadro e/ou a compasso de espera da sua oportunidade mediática (ou política?).

Caluniou-se e denegriu-se quem não aceitou um jogo viciado onde a regra foi a da confusão de princípios e conceitos, em nome de uma unidade que não existirá nunca, se não for assente, precisamente, na clareza e na objectividade das metas a atingir e na verdadeira identidade do que é ser autocaravanista.

Para além do dúbio posicionamento do CPA, então clube de referência do movimento, balouçando entre a vertente “campista” e o canto de “novas sereias”, foram surgindo no espectro nacional um conjunto de “entidades”, umas mais virtuais que outras, que procuraram mudar de alguma forma o cenário, mas não a realidade.

Quando fomos protagonistas da evolução do CPA fomos mal considerados. Quando perante os primeiros sinais antecipámos o seu apagamento e desagregação, foi-nos respondido que essas evidências não passariam de “nados-mortos”. Infelizmente, a realidade está aí para nos dar razão, tal como previmos noutras situações.

A pulverização sem critério não uniu, mesmo que conjunturalmente o possam querer fazer crer, os seus protagonistas. A falta de critérios é gritante. O oportunismo mediático é avassalador. Quando a poeira assentar e o pano da teatral encenação se correr, vamos ver o que resta.

Pela nossa parte continuaremos a defender princípios e critérios objectivos ao serviço da liberdade autocaravanista. Denunciaremos o que pensamos oportuno fazê-lo, criticaremos o que nos parecer menos próprio e, como não podia deixar de ser, apoiaremos e elogiaremos o que de bom vier a ser feito para bem da comunidade que partilha os sentimentos e o estilo de vida do turismo itinerante em autocaravana.

Por isso, como dizia o poeta (Zeca Afonso):

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dáquém e Dálém-Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

Tribuna Autocaravanista

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DE AUTOCARAVANA, PELA ESTRADA DA LIBERDADE


Comemoram-se em 2009, 35 anos de LIBERDADE política.
Tal como o fazemos hoje nas nossas autocaravanas, há séculos os portugueses revelaram novos mundos ao Mundo que percorreram, tomando conhecimento de novas e diferentes realidades. Mais tarde, tal como agora, esquecemos o direito à Liberdade e Identidade dos outros e quisemos aproveitar abusivamente o que nos era dado a conhecer, e acabámos a condicionar-lhes a vida, a cultura e a Liberdade, com os resultados que são de todos nós conhecidos. As quatro décadas do Estado Novo foram o período mais negro da nossa História, que quase fazia esquecer os gloriosos tempos da epopeia quinhentista. Por isso, a queda da ditadura foi um facto social e historicamente transcendente que modificou a face de um país fechado ao Mundo, à cultura, ao avanço civilizacional económico e social.


A 25 de Abril de 1974, a Democracia veio devolver a todos os cidadãos o Direito à Cidadania plena, que implica a co-responsabilização na vida de todos nós enquanto país e, com a nossa adesão à União Europeia, enquanto cidadãos europeus, membros de uma comunidade que acarreta uma história em que a LIBERDADE sempre procurou assumir o papel central desse Direito.


A necessidade de “gerir” essa LIBERDADE para todos os cidadãos obrigou à criação de Leis e Regras que deveriam prevenir comportamentos e reprimir atitudes que colidem com o bem-estar colectivo. Mas nem sempre o legislador conseguiu o desejável equilíbrio entre a Liberdade Individual e a Liberdade Colectiva, confundindo esta com interesses corporativos.


As “regras”, bastas vezes, resultam apenas do poder de influência de grupos de pressão (lobbies) que apenas pretendem fazer valer os seus interesses particulares ou de grupo. Ficam desprotegidos, geralmente, aqueles que querem verdadeiramente usufruir da LIBERDADE integral, entendida no quadro de respeito educacional e civilizacional que deve balizar a vida em sociedade. Ficam “marginalizados” aqueles que não querem submeter-se a lógicas de poder e “condicionamento” de ideias e movimentos, porque se assumem de espírito livre e verdadeiramente independente.
Estes são os excluídos e de alguma forma os proscritos, já que a Democracia pouco reforçou a sua capacidade individual de participação social e política e os seus direitos individualmente considerados, manietando o completo usufruto do verdadeiro âmago da LIBERDADE, enquanto bem único e Direito Humano Universal e Fundamental.


Ao contrário da humanização das sociedades, tendo em vista aquele bem essencial, estas vêm reforçando a componente da “harmonização forçada” do indivíduo, cedendo a uma “organização” pensada por poucos mas destinada a ser seguida, pelo menos, pela esmagadora maioria dos cidadãos.


Vêm estas palavras a propósito, também, do Autocaravanismo.


Na França, cujo lema republicano é a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, no espírito sobrevivente do Maio de 68, o Autocaravanista é um cidadão que goza de ampla liberdade e de apoios generalizados por parte da esmagadora maioria das autarquias locais, ao contrário do que acontece em terras lusas, onde se multiplicam as restrições à liberdade do autocaravanista e onde as autarquias “amigas” são uma minoria e, geralmente, estão localizadas em regiões do interior onde o turismo é uma miragem.
Em França nasceu e alicerçou-se um movimento associativo que sustentou e perspectivou com coerência e sentido de LIBERDADE o desenvolvimento do nosso estilo de vida e dos sentimentos que nos animam, obtendo resultados que a todos dignificam.


Por cá, pelo contrário, os principais “actores” ligados ao meio autocaravanista estão mais preocupados em como “gerir” comercialmente o mercado do “touring”, do que em assegurar a LIBERDADE dos Autocaravanistas, criando as condições adequadas a uma utilização socialmente correcta, mas livre, das autocaravanas.
Em Portugal tudo tem sido conduzido no sentido de condicionar a LIBERDADE autocaravanista, seja pelos “pró-campistas” com interesses comerciais ou associativos, seja pelos “ingénuos” representantes (e outros auto-intitulados) defensores do movimento que, com o “touring”, pretendem associar - confundindo - autocaravanismo e automobilismo.
Todos têm seguido uma política de conciliação de objectivos, tantas vezes ao arrepio da nossa LIBERDADE. Procuram parcerias e plataformas, ajustando interesses e sensibilidades, para nos convencerem da sua benevolência, procurando escamotear a apetência pelo condicionamento dos nossos movimentos e pelo nosso dinheiro.
Proclamam-se portadores de boa vontade e de seriedade, difamando quem tem a coragem de assumir a LIBERDADE de pensar diferente, procurando elevar-se no pedestal de uma pretensa vanguarda defensora do direito ao autocaravanismo (ou será antes ao “touring”?).


Tal como em França no rescaldo do Maio de 68, parece haver entre nós quem, receando a LIBERDADE, se junte em iniciativas e tomadas de decisão de, pelo menos, duvidosa representatividade. Com isso podem acabar por condicionar o ideal, mas, como a História revela, nunca conseguirão acabar com o seu espírito.
Por aqui, o espírito da LIBERDADE não morrerá, mesmo que os defensores do “touring” ordeiro e (a)condicionado consigam os seus intentos. Aqui na Tribuna Autocaravanista continuaremos a seguir pela Estrada da Liberdade, porque não há machado que corte a raiz ao pensamento.


Laucorreia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem seguir na marcha do autocaravanismo?

Na vida os erros pagam-se caro. Quando nos aliamos aos perdedores, acabamos derrotados com eles. No autocaravanismo as coisas não são diferentes. Daí que precisemos escolher bem as nossas companhias, daí que seja importante saber reconhecer os vencidos e os vencedores. Hoje, Sexta-Feira dia 13, aqui ficam 13 contributos para identificar uns e outros no palco autocaravanista português.

  1. Um vencedor não teme o erro, pois sabe admiti-lo com humildade e está sempre pronto a corrigi-lo e a aprender com os seus erros. Um perdedor recusa-se a reconhecer que errou, e quando é obrigado a fazê-lo desculpa-se atribuindo a culpa a outros.
  2. Um vencedor enfrenta as críticas com lealdade e frontalidade. Um perdedor quando criticado vai a correr retocar o perfil, apressa-se a modificar ou mesmo a apagar o que antes escreveu de si mesmo, auto-elogia-se freneticamente para fazer esquecer as críticas que lhe são dirigidas.
  3. Um vencedor assume com humildade os seus actos, as suas vitórias e as suas derrotas. Um derrotado clama vitória antes de travar o combate e passa a vida a reescrever a história e a dizer que nunca disse o que disse, que nunca fez o que fez, que nunca esteve onde esteve.
  4. Um vencedor aprende com as críticas que lhe fazem e enfrenta as adversidades com redobrada energia. Um perdedor encara a crítica como um ataque pessoal sem quartel e refugia-se no discurso da vítima enraivecida a espumar de ódio.
  5. Um vencedor tem uma estratégia que prossegue com determinação e critério, enfrentando as dificuldades uma a uma. Um perdedor comporta-se como uma barata tonta vinda do além, mistura alhos com bugalhos, dispara em todas as direcções e não consegue acertar em nenhum alvo.
  6. Um vencedor é um guerreiro frontal e leal. Um perdedor é um cobarde que morde pela calada, que atira a pedra e esconde a mão.
  7. Um vencedor tem ideias próprias que não teme submeter ao escrutínio da crítica. Um perdedor refugia-se no discurso politicamente correcto para esconder a ausência de ideias ou fantasia e mistifica pois só sabe que tem que dizer o contrário do que os seus rivais dizem.
  8. Um vencedor é autoconfiante, consciente das suas capacidades, mas também das suas limitações, não dispensando a autocrítica. Um perdedor é um vaidoso convencido, alguém que passa a vida a tocar o seu umbigo enquanto olha para o espelho, alguém cuja motivação para o combate se esgota na inveja e na rivalidade mesquinha.
  9. Um vencedor compromete a sua palavra e tudo faz para a honrar. Um perdedor está sempre prenhe de ideias e de promessas mas é incapaz de as honrar ou mesmo de se empenhar na sua concretização.
  10. Um vencedor ouve o que os outros dizem, pondera os seus argumentos e pronuncia-se sem subterfúgios. Um perdedor não se ouve a si próprio, ignora os argumentos que lhe apresentam, mas tem sempre resposta para tudo, mesmo antes dos outros colocarem as questões.
  11. Um vencedor reconhece aqueles que sabem mais do que ele e procura aprender com eles. Um perdedor declara seu inimigo quem revelar sabedoria e concentra-se nos seus defeitos para tentar denegrir a sua imagem pública.
  12. Um vencedor arranja sempre maneira de ser parte da solução. Um perdedor não consegue evitar ser parte do problema.
  13. Um vencedor é um líder natural que não precisa de se impor para ser reconhecido entre os seus pares. Um perdedor é simplesmente um derrotado permanentemente em bicos de pés, alguém capaz de conduzir um exército para um abismo sem saída, alguém incapaz de perceber que o deixaram a falar sozinho (como é sina dos tolos).

De entre os actores que evoluem no palco do autocaravanismo em Portugal, pode não ser fácil identificar os vencedores, mas os perdedores só não os identifica aquele que é cego por não querer ver.

A si que me lê, cabe a responsabilidade de decidir se quer ser parte da solução ou do problema, se quer seguir ou barrar o caminho aos perdedores que inevitavelmente conduzirão o autocaravanismo para os terrenos pantanosos onde se vai afundando.

Raul Lopes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O que quer afinal o CPA?

O CPA vai “organizar” um colóquio sobre Autocaravanismo na FIL, no decorrer da edição de 2009 da Nauticampo.

Dito desta forma, poder-se-ia dizer que estávamos perante uma eventual iniciativa interessante e num quadro adequado à sua realização, já que, esta feira tem uma forte componente expositora na área do autocaravanismo.

Contudo, o colóquio será organizado pelo Clube, mas… a “convite” da FCMP, indo o CPA, mais uma vez (e desta feita), a reboque da Federação de Campismo, como já tinha ido na visita e almoço à AR, nessa altura, a reboque/convite do MIDAP.

Curiosamente, este “movimento de movimentações” ditas “independentes”, tão proclamado nas últimas etapas do autocaravanismo virtual como o “salvador da nação autocaravanista”, não foi contemplado na participação coloquial.
Das duas uma, ou a FCMP pura e simplesmente não os quis lá, reduzindo-os à sua real (in)significância, ou o CPA deixou cair os “amigos”, não chegando sequer a sugerir a sua participação.

Para além deste aspecto de cariz institucional tão importante, levantam-se outras questões de orientação que não podem ser descuradas.

Não se compreende, desde logo, em que águas navega, afinal, o CPA – se nas águas da concepção estritamente campista, sob o cioso “controlo” da FCMP, ou nas águas lodosas do pseudo multi-associativismo-unitário-e-de-boa-fé, resultante da “agremiação” de clubes, círculos, movimentos, blogues e portais, sob a batuta de um(a) ONGA virtual.

A deriva do Clube é cada vez mais evidente, desdobrando-se a acompanhar, de forma sempre arrastada, todos os que aspiram a falar sobre autocaravanismo, sem perceber qual a sua legitimidade, coerência e identidade de princípios.

O CPA desbaratou, há muito, qualquer sentido de dignidade e de orientação. O Clube vira-se, qual cata-vento, a qualquer brisa, por mais insignificante que ela possa ser. O sentido ético e de honradez em defesa do Autocaravanismo, de acordo com aquilo que eram os seus princípios e a identidade com o sentimento maioritário dos autocaravanistas, perderam-se em absoluto.

Não se compreende que no colóquio “organizado” pelo CPA, seja “entregue” ao Clube apenas um dos temas, e logo o de menor impacto, reduzindo-o à mera condição de mais um clube federado e não, como seria de esperar, elevando-o à condição de Instituição referência do Autocaravanismo em Portugal.

Com uma oportunidade única de introduzir e liderar a discussão de temáticas mais importantes - nomeadamente nas que pretendeu assumir-se como “oposição” às teses da FCMP, se fizermos fé nas afirmações de um passado recente - preferiu aceitar ser relegado para um papel de menor relevo, apresentando-se, uma vez mais, de cócoras, perante aqueles que mais têm apostado na fórmula redutora e “aprisionada” de Autocaravanismo.

Tristes cenas desta Direcção e triste sina a deste Clube. Mas é o que dá quando o sentido de oportunidade e liderança cede lugar ao oportunismo próprio dos papalvos ávidos de exibicionismo sem qualquer conteúdo sério.

Esta participação tem ainda o condão de ampliar a confusão entre campismo e autocaravanismo.
Se já assistimos a um CPA soçobrando ao “encanto das sereias troianas”, agora assistimos ao mesmo filme perante as “sereias gregas”.

O CPA, qual meretriz do autocaravanismo, desdobra-se em participações espúrias, deixando os seus associados e autocaravanistas em geral na maior das confusões.
O que quer afinal o CPA?

Laucorreia

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Não há almoços grátis....

No dia 9 de Janeiro, através do utilizador InfoCPA ficamos a saber pelo fórum do CPA que :

"O CPA vai participar numa reunião de trabalho sobre autocaravanismo com o deputado Mendes Bota, agendada pelo MIDAP."

Realça-se o facto de pela primeira vez nos últimos tempos a informação ter sido dada em primeiro lugar no fórum do clube e não noutro lado qualquer. Pórem, a direcção do CPA, mais uma vez deixa bem vincado que deixou de ser a locomotiva do movimento autocaravanista para se posicionar num lugar subalterno de uma qualquer carruagem de 4ª ou 5ª categoria!!!!

Ainda se tentou justificar o injustificável, mas se o cenário era desolador ainda mais negro ficou quando se legitimou o recurso ao tráfico de influências e à ajuda dos "lobyistas" profissionais, numa clara situação de não olhar a meios para atingir os fins... Este caminho, sinuoso e obscuro, é muito perigoso e uma vez percorrido não há meio de voltar atrás!!!! A "factura", mas tarde ou mais cedo, será inevitavelmente apresentada...

Finalmente no dia 12 de Janeiro ficou-se a saber pelo blog dos "traficantes" que afinal a reunião do dia seguinte era um almoço...

No dia 13 de Janeiro à noite aconteceu mais uma curiosa sucessão de posts no fórum do CPA e blogs afins aos "traficantes":

- No Blog do Círculo que já foi Clube, ficamos a saber que "representantes do Cab – Círculo de Autocaravanistas da Blogo-esfera reuniram com o Presidente da Subcomissão Parlamentar do Turismo, Dr. Mendes Bota. Estiveram igualmente presentes na reunião representantes do MIDAP – Movimento para Desenvolvimento do Autocaravanismo, do CPA – Clube Português de Autocaravanas e do Observatório Não Governamental do Autocaravanismo (em formação)." Anedótico.....como pode o CPA descer a este nível. Mas o que representa o MIDAP, o CAB e o ONGA???? Para compor o ramalhete só faltaram a Lady Nokia, o Herr Knausser e a Dona Rosa Fernandes.

- No Blog dos "traficantes" independentes , ficamos a saber que no "Almoço do movimento autocaravanista" foram "acordadas acções com o sr. Deputado e que terão uma importância decisiva para o Autocaravanismo". Hilariante....a arte da ilusão elevada ao seu máximo expoente!!! Representantes do movimento autocaravanista só há um. Apenas Ruy Figueiredo tem legitimidade para invocar tal estatuto. Os restantes nunca se submeteram a qualquer eleição democrática entre a comunidade autocaravanista. A maioria são de resto completamente estranhos aos autocaravanistas, e aquele que o não é (o "traficante-mor" deCarvalho) tem se tornado famoso pelas piores razões.

- No Blog do "traficante-mor" ficamos a saber que o importante contributo do CPA e do seu presidente foi a referência aos "dados estatísticos relevantes do relatório da CCRDA sobre o sector e perante estas testemunhas qualificadas desmentiu frontalmente que alguma vez tivesse sido antes recebido na AR integrado em qualquer delegação da Federação de Campismo." Fantástico....Como se o sr. deputado não soubesse o que se passa na sua região....e é CCDRA!!! o que o presidente do CPA quis dizer era que desmentia frontalmente que era o único que estava sentado àquela mesa que tinha sido antes recebido na AR integrado em qualquer delegação da Federação. Havia mais uma pessoa à mesa que esteve presente na AR há 4 anos.....

- Mas mau, mesmo mauzinho, que se lamenta profundamente, é o que podemos ler no fórum do CPA. O InfoCPA transmite-nos o seguinte sobre esta almoçarada: "Da reunião havida, hoje com o deputado Dr. Mendes Bota, além da informação prestada sobre o actual estado do autocaravanismo em Portugal, foi prometido pelo Sr. deputado a envidação de esforços para que seja realizada uma audição com a Subcomissão Parlamentar do Turismo. Espera o CPA,com esta presença, ter afirmado o seu lugar como o maior clube representativo dos autocaravanistas portugueses." Depois do anedótico, do hilariante e do fantástico, resta-nos o patético!!!!

Ser o maior clube representativo dos autocaravanistas é não se deixar condicionar nem iludir por pretensas manifestações individuais e egocêntricas sem qualquer representatividade, é ser digno e não se prestar a ser uma simples marioneta nas mãos de outrém, é ter ideias e propostas concretas e apresentá-las às entidades correctas, é defender os reais interesses dos autocaravanistas, é lutar por mais e melhores infra-estruturas para o turismo itinerante, é estar na linha da frente da defesa do autocaravanismo como turismo itinerante, é desempenhar o papel institucional de representante do autocaravanismo, é saber dizer NÃO a pessoas ou pseudo-entidades com agendas altamente duvidosas.

Nuno Ribeiro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Que caminho para a unidade dos autocaravanistas?

“Os bons exemplos, em termos de organização e luta por ideais comuns, continuam a vir de Espanha. Penso que deveria ser sob esta forma que os autocaravanistas portugueses deveriam "esgotar" as suas forças e não de outras, menos produtivas e difusoras de imagens negativas"
Quem o afirmou isto foi Paulo Rosa no fórum do seu CCP-Clube Camping-car Portugal.

Claro que Paulo Rosa tem todo o direito a pensar que... mas o que é facto é que pensa mal. Como outros que por aí andam clamando unidade enquanto servem veneno, ele está equivocado.

Não é possível lutar por ideias comuns sem primeiro as discutir, sem primeiro submeter as ideias diferentes ao escrutínio da legitimação democrática. Em democracia é assim que se definem as ideias comuns e se identificam os rumos colectivos a prosseguir. Antes de nos unirmos, precisamos de saber claramente por que estamos a lutar, para onde estamos a caminhar. A unidade não é um valor em si mesmo, não pode ser vista como um fim. Só faz sentido invocar a unidade quando ao serviço de um superior desígnio colectivo. Nunca como valor em si mesmo.

Espanha não é excepção, pelo contrário, é mesmo um caso paradigmático que demonstra o contrário do que Paulo Rosa afirma. Antes de atingirem o actual estado de maturidade organizacional, os autocaravanistas espanhóis protagonizaram (e continuam a protagonizar) intensas disputas de ideias (por vezes atingindo níveis de agressividade verbal que eu nunca vi plasmada noutro qualquer local).

Os vários fóruns de autocaravanismo em Espanha revelaram a existência de diferentes sensibilidades e diferentes estratégias de afirmação institucional do autocaravanismo. Primeiro surgiu a PACA-Plataforma Autónoma de Autocaravanas com uma ambição federativa, que antes de atingir a actual estabilidade foi atravessada por uma avassaladora disputa interna e por um processo de demissões em cadeia.

A partir dos fóruns existentes formaram-se grupos e mais tarde Clubes de base regional. Posteriormente formou-se a FEAA- Federación de Asociaciones Autocaravanistas de España num processo que foi tudo menos pacífico (e que continua a não sê-lo, até porque há clubes que não pertencem à Federação).

Entretanto, sujeita a uma intensa onda de criticas, a velha Federação Espanhola de Campismo (FECC) inflectiu a trajectória e passou a inscrever o autocaravanismo na sua agenda, em clara disputa com a PACA e a FEAA, mas, ao contrário do que acontece com a Federação campista portuguesa, aceitando conviver com as organizações representativas dos autocaravanistas.

Em síntese, os companheiros espanhóis em cerca de 4 anos edificaram um invejável edifício institucional que lhes permite actualmente ensaiar formas colectivas de defesa dos direitos dos autocaravanistas (já com resultados palpáveis, mas sem falsas unidades uniformizadoras).

Não foi com falinhas mansas, com discursos politicamente correctos nem com patuscadas que os espanhóis aqui chegaram. Chegaram aqui porque houve autocaravanistas que se expuseram publicamente, porque houve autocaravanistas que “esgotaram” as suas forças esgrimindo com outros argumentos em defesa das suas convicções e sugerindo novos e ousados trilhos para o autocaravanismo. Chegaram aqui porque houve quem desse a cara, sem receio dos tomates que lhe atirassem ao caminho!

Os companheiros espanhóis chegaram aqui porque a discussão, a reflexão crítica, é a fonte da verdade, a luz que ilumina o caminho colectivo. Não foi por fazerem patéticos apelos à unidade, pois que qualquer pessoa lúcida compreende que a unidade na acção tem um estreito trilho para se materializar, e normalmente esgota-se nos sorrisos e abraços partilhados nas patuscadas ou no meramente simbólico cumprimento de estrada.

Enquanto em Portugal continuarmos sobretudo preocupados com a imagem com que ficamos na fotografia, cultivando a simpatia das palavras ocas e de circunstância... continuaremos divididos, pois tal significa que há quem não tenha aprendido nada com a História nem com a Biologia, ou com as abordagens sistémicas da natureza. Qualquer delas nos demonstra que a fonte do progresso é a diversidade sistémica conjugada com a dinâmica da luta das espécies (seja pela sua sobrevivência, seja pela sua afirmação gregária).

Para quem queria dar-se ao incómodo de reflectir sobre isto, abstraindo-se das pessoas concretas envolvidas, lembro apenas que Salazar também impôs ao país o governo da União Nacional, ... com os resultados que a história testemunha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Crónicas ao sabor dos tempos que correm: Novembro de 2008, que mês turbulento!

Passado em revista o cyber-espaço autocaravanista português, aqui ficam as breves notas do que de mais relevante se viu.

  1. Vivem-se tempos de turbulência criativa no autocaravanismo. Por certo com alguma relação com o que se vai passando nos fóruns do CPA e do CCP, nas últimas semanas, para além desta Tribuna que acaba de ser criada, vieram a público mais um site e 3 fóruns (isto sem falar nas metamorfoses do Circo do Além e nos blogs inventados à pressa e sem conteúdo apenas para dar credibilidade ao almoço no Terreiro do Além):

Página do Portugal Tradicional:

Fórum dos Autocaravanistas-Amigos do Centro

Fórum Praça Pública dos autocaravanistas

Fórum Casinha Itinerante

A Tribuna Autocaravanista vai ficar atenta ao que se for dizendo nestes novos espaços de expressão autocaravanista (para aceder carregar nos hiperlinks).

  1. O Seminário de Abrantes já agita as águas de além e de àquem. O MIDAP-doCarvalho, usando como trunfos o CAB e a secção de campismo do ACP, preparava-se para se apropriar do Seminário Internacional que o CPA tinha já anunciado como sua actividade. Eis senão quando um simples cartaz (anunciado em primeira mão pelo Blog a Catrineta ) nos dá conta de que afinal o dito Seminário vai ocorrer em Abrantes sob a tutela do CPA, o que deixou as almas do Além de mãos a abanar. Vai daí o Seco despe a farda de presidente do MIDAP ao mesmo tempo que o Decarvalho veste a sua farda de lobbista e, em sintonia, ambos usam os respectivos Blogs para pressionar o CPA a convidá-los para a festa, dizendo-lhe que sem eles e os seus amigos a festa não é festa. Do lado do Clube Campingcar Portugal, o Paulo Rosa segue-lhes as pisadas, falando embora não se sabe em nome de quem. Para consultar os detalhes creio que basta a Newsletter (excepto para quem quiser especializar-se nas coisas do Além e queira confrontar o post da Newsletter com o que foi acrescentado na versão vinda a lume no CIRCO).
  2. O Seco vem falar numa plataforma unitária do autocaravanismo, propondo que o encontro de Abrantes seja convertido numa cimeira campista (por certo para discutir a problemática do autocaravanismo dentro dos campings). Fê-lo no Blog que criou para poder sentar-se à mesa do Circulo e não no Blog do MIDAP muito embora a sua atitude revele a obsessão de encontrar uma razão de ser para o esgotado MIDAP. Todavia o presidente Seco parece não perceber que a plataforma de que fala não é de autocaravanismo nem sequer de aliados dos autocaravanistas. Aquilo a que se refere é simplesmente aos interesses comerciais dos campings, que estão a organizar-se tentando salvar da falência os campings à custa dos autocaravanistas. Uma vez mais a experiência de Espanha devia servir-nos de exemplo, mas há quem não aprenda nada com a experiência alheia.
  3. Aliás, no Terreiro do Além vivem-se dias agitados e noites errantes. Como se não bastasse a cena do Seminário de Abrantes, o surgimento ainda não explicado do CIRCO com o endereço original do Blog do CAB (http://clube-ac-blogo-esfera.blogspot.com/ ) e o Decarvalho ter sido (finalmente) posto na ordem no Fórum do CPA, é o próprio Papa Léguas que vem puxar as rédeas ao Decarvalho. Com a declaração pública que fez o Pápa Léguas veio dizer a todos que não autorizava que o Decarvalho continuasse a escrever no site do CAB, na Newsletter, nos fóruns, etc.. em nome do CAB (e a lição serviu também para o MIDAP). De resto tudo indica que a mudança de blog do CAB (que deu origem a mais uma trapalhada) já se tinha ficado a dever à exigência de limpar o Blog de todo o lixo que o decarvalho lá tinha replicado antes mesmo do almoço no Terreiro do Além. Como de costume Decarvalho não aprendeu a lição e não resistiu a chamar a si o protagonismo das luzes da ribalta, vai daí, agora que devia ter publicado no blog do CAB a comunicação saída da primeira reunião da sua direcção, não, publicou-a na newsletter. Enfim... trapalhadas do Além.
  4. O ClubeCampingcarPortugal continua sem se pronunciar sobre a recente Portaria que regulamenta o campismo. A referência que o Paulo Rosa lhe fez só revela que ele preferiu manter silêncio sobre o assunto a vir a público discordar do Decarvalho e do MIDAP. A incoerência é o preço a pagar pelos campeões da unidade. Para podermos bramir contra os que dividem o movimento autocaravanista, calamo-nos no momento em que se exigia que revelássemos publicamente o nosso pensamento.
  5. No meio de toda esta turbulência e do silêncio da Direcção do CPA (que já não é novidade), passou despercebida a realização no Algarve de mais uma romaria do CPA. Mal vai um Clube que já nem as suas actividades consegue divulgar. Do que se tornou público o mérito vai todo para a Catrineta, cujo autor é o presidente, não do CPA mas do CAS (clube dos autocaravanistas saloios). Do Seminário anunciado no Programa do Encontro... nem uma palavra. É por si só sintomático!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sem nada a esconder: quem sou eu, Raul Lopes?

Sou mais pessoa de fazer do que de prometer, mas desta vez vou iniciar a minha participação neste Blog com uma promessa: sempre que as circunstâncias o justifiquem, aqui estarei a partilhar convosco as minhas reflexões sobre o movimento autocaravanista. Aplaudirei as boas ideias e as pessoas que as anunciem; criticarei sem papas na língua as ideias, decisões e comportamentos que se me afigurem despropositadas e nefastas à dignificação da imagem e dos interesses colectivos dos autocaravanistas (mesmo correndo o risco de haver quem confunda a crítica às ideias com o ataque ao carácter moral da pessoa em causa). Como ninguém está obrigado a ler o que aqui se escreve, quem não gostar do que digo tem uma boa solução: ignorar-me. Aqueles que quiserem aproveitar-se do que aqui escrevo para tentarem denegrir o meu bom nome... façam favor, já estou habituado e de há muito que aprendi a distinguir quem me critica com a razão e a quem tem como única razão a (má)intenção com que o faz.

Como por definição um Blog é (embora nem sempre assim utilizado) um espaço de comunicação em registo unilateral mas intimista, agora que subo pela primeira vez a esta Tribuna não posso deixar de o fazer para me mostrar perante vós, tal qual sou, pois que nada tenho a esconder.

Os cabelos que me restam aos 48 anos vão ficando brancos, e a velocidade a que os filhos de 15 e 18 anos vão crescendo e encontrando os seus próprios caminhos transmite-me essa contraditória sensação de estar a ficar velho, mas também a sensação de regozijo por ter sido o arquitecto das obras que dia-a-dia vou vendo brotar.
Economista de formação, Professor de profissão, continuo a sentir o prazer de ensinar quem quer aprender, e porque partilhar conhecimento não empobrece, sinto-me mais rico e mais completo quando encontro alguém a quem o meu modesto conhecimento enriqueceu. Tenho tido esta postura na vida, e no autocaravanismo também. Ainda que nem sempre correspondido.

Socialmente tive o privilégio de viver intensamente esse inigualável processo de redescoberta colectiva que foram os anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Desses tempos em que acreditava ser possível mudar o mundo com um sopro e muito querer, resta-me agora uma mão cheia de gratas memórias e outra de grandes amigos. Não obstante, por razões várias, a minha militância do passado foi dando lugar ao observador crítico cada vez mais distante dos protagonistas em palco.

A minha paixão pelo autocaravanismo contrasta com o desconforto que sinto quando confrontado com a imagem social dos autocaravanistas. Foi precisamente isso o que me levou a envolver no associativismo autocaravanistas, como Vice-Presidente do CPA, clube a quem dei o meu melhor contributo nos anos de 2006 e 2007. Mas o meu protagonismo no autocaravanismo também me levou a enfrentar os maiores atentados de toda a minha vida ao meu carácter moral e ao meu bom-nome. No CPA a palavra ingratidão assumiu para mim um sentido bem concreto e definido a que nem sequer faltaram rostos. Compreenderão pois que me tenha declarado reformado do associativismo.

Claro que intelectualmente não consigo deixar de reflectir sobre o que se vai passando à minha volta, e o autocaravanismo também me deu coisas sem igual: o grato prazer de conhecer pessoas extraordinárias, como aquelas que contracenam comigo nesta Tribuna.

Aos que a partir de agora passam a adoptar esta Tribuna como a sua referência de opinião, quero antecipadamente agradecer. Obrigado Companheiros por me escutarem, obrigado por me incentivarem e aplaudirem, mas sobretudo bem-hajam por dignificarem o autocaravanismo com o vosso exemplo, com a vossa maneira de estar na vida, e a vossa disponibilidade para permanentemente renovarem o autocaravanismo com as vossas reflexões críticas. Justamente o contrário daqueles que se refugiam no patético discurso (porque vazio de conteúdo programático) do apelo à unidade de tudo e de todos.

Vamo-nos encontrando por aqui,... naturalmente. Até já, companheiros!



Quando viajo de autocaravana o Jimmy é meu companheiro inseparável. Parece-me pois de elementar justiça que ele também figure nesta apresentação. Afinal ele é um autocaravanista itinerante. Nas palavras do M Alegre: é um cão como nós!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Quem somos nós?


Porque não há machado que corte a raiz ao pensamento...a Tribuna segue os trilhos dos autocaravanistas itinerantes que buscam a liberdade alicerçada na razão crítica e na dignidade social.

Afinal quem somos e o que queremos nós ao envolver-nos na criação desta Tribuna Autocaravanista?
Bom, em face do que se tem visto por aí nos últimos tempos, o melhor é começar por esclarecer o que não somos: não somos o embrião de nenhum clube; não somos obreiros de nenhum círculo, nem triângulo, nem sequer um quadrado ou um losango.

Somos simplesmente autocaravanistas com o saber acumulado pela vida e pela experiência enquanto dirigentes associativos. Somos autocaravanistas que seguem com apreensão o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal. Somos autocaravanistas que cultivam a liberdade alicerçada na responsabilidade, e que não hipotecam a consciência ao jogo oportunista do discurso politicamente correcto.

Por isso resistimos ao conforto de meter a cabeça na areia alheando-nos dos desafios que se perspectivam para o autocaravanismo. Por tudo isto, sem sermos candidatos a nada, mas tão só imbuídos do espírito de serviço público que sempre presidiu ao nosso envolvimento colectivo, aqui estamos a dar o nosso humilde contributo para que o autocaravanismo se não atole definitivamente no lodo pantanoso para onde vem sendo empurrado.
  • Do alto desta Tribuna vamos falar claro, pois aqui não há polícias de ideias a patrocinarem o que podemos e não podemos dizer.
  • Desta Tribuna vamos alertar consciências, apontar caminhos e mobilizar vontades para enfrentar com sucesso os desafios que o autocaravanismo enfrenta.
  • Humildemente, sem frenesins, mas com determinação, vamos fazer desta Tribuna um espaço de liberdade, um púlpito aberto aos autocaravanistas que queiram partilhar as suas ideias e reflexões com todos aqueles que irão passar a seguir o que aqui se diz.
  • Em síntese, com esta Tribuna vamos dar o nosso contributo para a dignificação social da imagem dos autocaravanistas.
Mais especificamente vamos usar esta Tribuna para fazer ouvir a nossa voz, nomeadamente em 4 tipos de intervenção:

1. para divulgar o nosso pensamento sobre os temas fundamentais do autocaravanismo: terminologia conceptual; enquadramento legislativo; movimento associativo, etc.

2. para reflectir e divulgar documentos e opiniões de outros que consideremos relevantes para o autocaravanismo.

3. para comentar criticamente as incidências correntes do autocaravanismo, especialmente aquelas que mais concorram para a imagem pública dos autocaravanistas e para a dinâmica institucional do autocaravanismo.

4. para divulgar testemunhos de autocaravanistas: viagens e vivências a bordo de autocaravanas, etc.

Porque qualquer dos animadores deste projecto tem passado no autocaravanismo (de que nos orgulhamos), este Blog servirá também para preservar um BAÚ DA MEMÓRIA que será preenchido com uma selecção de textos e documentos de que somos autores ou co-autores.

De resto esta Tribuna está longe de ser um projecto acabado. Move-nos a vontade de lhe dar vida, mas também a flexibilidade para moldar o seu crescimento em função da vontade dos autocaravanistas. Afinal, vocês são a única razão de ser desta nossa iniciativa, pelo que o futuro da Tribuna será aquele que os autocaravanistas colectivamente lhe quiserem reservar.