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terça-feira, 12 de maio de 2009

Tomar em contagem decrescente

A re-abertura do parque de campismo para autocaravanas em Tomar está cada vez mais próxima. O Semanário "O Mirante" noticia que o Parque está a sofrer obras de beneficiação e que a Câmara Municipal de Tomar já aprovou o plano de sinalização direccional do parque. Mais uma boa notícia para os autocaravanistas que passam pela cidade do Nabão. A notícia completa é a seguinte:


Câmara de Tomar aprova sinalização do Parque de Campismo

A Câmara Municipal de Tomar aprovou por unanimidade o plano de sinalização direccional do parque de campismo da cidade. O equipamento está, neste momento, a sofrer obras de beneficiação com vista à sua reabertura, após seis anos encerrado. Segundo o presidente da Câmara de Tomar, Corvêlo de Sousa (PSD), numa primeira fase o parque destina-se, exclusivamente, ao estacionamento de auto-caravanas.
A sinalização direccional, que vai ser implantada em vários pontos da cidade, tem o propósito de facilitar o acesso dos caravanistas ao parque de campismo. Os vereadores do grupo “Independentes por Tomar” (IpT) aplaudiram a iniciativa mas criticaram o facto do equipamento estar encerrado desde 2002, mantendo-se os encargos com o pessoal. “Conhecedores das obras que estão a ser realizadas, e com esta proposta de sinalização em cima da mesa para aprovação, podemos afirmar que este é um passo para a valorização do nosso parque urbano”, declararam para a acta.
Os “IpT” apresentaram a 9 de Dezembro uma proposta com vista à transformação do antigo parque de campismo da cidade num parque para roulottes e auto-caravanas embora a ideia da criação de um parqueamento para caravanas já tinha sido anteriormente proposta por Carlos Silva, vereador do Partido Socialista (PS), sem precisar, no entanto, a localização. Argumentos que foram acolhidos favoravelmente pela maioria social-democrata. Corvêlo de Sousa não adianta a data exacta para a reabertura do parque de campismo de Tomar mas está confiante que seja ainda durante esta Primavera.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

TOMAR: Será desta?

Depois dos anúncios no início do ano sobre a re-abertura do parque de campismo de Tomar (aqui e aqui), parece que é desta. O texto que reproduzimos em seguida é da autoria de Sebastião de Barros e foi publicado no blog Tomar a Dianteira.


A PARTIR DE JUNHO OU JULHO JÁ SE PODE ARMAR BARRACA OUTRA VEZ

E ainda bem! Estamos todos de parabéns e ninguém saiu derrotado. Bastou que cada um dos lados recuasse só um bocadinho, e aí temos um consenso excelente para aqueles que realmente gostam desta terra. Dirão alguns que, habituados a uma velocidade de cruzeiro pouco compatível com os tempos que se vivem, os membros da maioria PSD, ao sentirem o ritmo cada vez mais rápido, viram-se obrigados a dar o corpo à curva, sob pena de virem a ser cuspidos. É uma visão das coisas que, tendo alguma verdade, em nada crontribuirá para congregar os tomarenses, atitude indispensável face à cada vez mais grave crise que assola o concelho, o país e o mundo.
Seja como for, o outrora prestigiado Parque de Turismo de Tomar vai abrir novamente, após quase seis longos anos de incompreensível encerramento. As obras prosseguem, a limpeza das árvores também, só falta saber quando tudo estará concluído e apto a receber campistas, caravanistas e autocaravanistas. Todavia, nada de embandeirar em arco. Vão passar anos até que a generalidade dos potenciais utilizadores esteja devidamente informada sobre o recomeço da actividade do parque. Entretanto, os eleitos terão de ter coragem e visão para estabelecerem uma tabela de preços que não escalde os visitantes nem vá indirectamente ao bolso dos contribuintes tomarenses. Não faltaria mais que forçar os eleitores de uma cidade decadente a financiarem as férias daqueles que ainda podem viajar. Está-se mesmo a ver, mas mais vale ficar já escrito.
Continuando falar de turistas, será porventura útil explicitar aqui que a indústria tendo por base as férias dos outros é, como qualquer outro sector de actividade, uma máquina complicada. Ora, como é sabido, qualquer máquina é um conjunto de componentes, montados de determinada maneira, por quem sabe, para atingir determinados objectivos. Tomemos um automóvel como exemplo. Pouco ou nada adiantará entregar uma carrada de peças suficientes para virem a constituir um veículo, se não houver quem as saiba colocar de maneira a que funcionem adequadamente e em conjunto. Basta que uma só esteja fora do sítio previsto para que o veículo possa ter problemas graves, ou até deixe de trabalhar. Outro tanto sucede quando, apesar de todas devidamente acopladas, uma delas não funciona porque é defeituosa.
Pois na política, na gestão ou na economia, acontece exactamente o mesmo. Quando um ou diversos componentes da máquina estão mal colocados, funcionam mal, ou não funcionam, a grande máquina empana e adeus eficácia. Um pouco assim como tem vindo e está a acontecer em Tomar -pequenos sinais de desmazelo, de desdém, de desinteresse, de alguma bandalheira, bem documentados nas fotos acima. É assim que esperam cativar os turistas? Acham que estão a facultar uma boa imagem da terra que estão a gerir? Tratando-se de coisas pequenas, facilmente reparáveis, não será certamente "por falta de cabimento orçamental" que nada se faz. Então qual o motivo ou motivos da triste situação? Será para "não dar o braço a torcer"? Se é, melhor seria abandonarem atitudes infantis, que já não usam hoje em dia. Afinal, como diz ou dizia o povo, "só os burros é que não mudam". De opinião, claro está!

terça-feira, 31 de março de 2009

Venha visitar a minha terra: POMBAL

Concluída a visita a Abiul e à aldeia do Vale, sugiro agora um passeio pela cidade.

Em Pombal normalmente é complicado estacionar, com qualquer tipo de veículo, sobretudo durante o dia. Com a autocaravana o melhor será tentar um dos três seguintes parques de estacionamento: na zona desportiva (com WC público: N39º54’48; W8º37’47); junto ao Auditório Municipal (N39º54’54; W8º37’49), ou no lado E do Hospital (N39º55’04; W8º37’26). Para pernoitar só recomendo este (ou alternativamente entre a GNR e o Pingo Doce), já que os dois primeiros ficam junto à linha-férrea e tornam-se isolados durante a noite.
Uma vez estacionado pode ir “tomar o pulso” à cidade saboreando calmamente um café e um bolo num dos muitos cafés-pastelarias que por aqui proliferam, onde não será difícil reconhecer a influência da pastelaria francesa. Se numa delas comprar pão, não irá arrepender-se. O Café Nicola, frente à Câmara, é um dos clássicos (mas os bolos da pequena pastelaria que está na esquina são melhores). Se precisar de “surfar na Internet”, então vá até ao Café 2000 que tem wirless. Se prefere um pouco de requinte, então vá até ao Café Teatro-Cine onde com sorte à noite poderá assistir a um concerto.
A cidade tem alma de aldeia e ostenta em cada esquina as cicatrizes de décadas de ausência de política urbanística. Faça o favor de ignorar os atentados arquitectónicos que por lá se vêem. Apesar disso, dirija-se ao edifício dos Paços do Município e entre para visitar os seus claustros. Ao lado, atravesse o Jardim do Cardal e não deixe de reparar no edifício que está frente à PSP. De seguida atravesse a linha-férrea e logo de seguida atravesse o rio pela velha ponte D. Maria (que fica junto ao primeiro dos parques que indiquei). Pare na ponte e observe o conjunto edificado que ainda resta nas duas margens do rio. Era aqui que em tempo se localizavam várias Casas de Pasto que fervilhavam de gente no dia semanal do mercado (a praça do peixe era onde agora está o estacionamento). Compradas as sardinhas os romeiros iam depois assá-las na Casa de Pasto, enquanto os burros presos no telheiro (com vestígios ainda visíveis) se entretinham a roer as “caroças de pontas” ou a “ferrã” trazida de casa. A sopa, a salada de tomate e o vinho eram a base das receitas dos donos das Casas de Pasto.

Uma vez aqui, vire-se para o Castelo e rume ao largo do Pelourinho. Observe alguns pormenores de edifícios que se encontram no núcleo histórico compreendido entre a Câmara Municipal e a Praça do Marquês (ignore aquele que está revestido a azulejo de casa de banho, mesmo na esquina da praça).
Nesta Praça muitas vezes esfolei eu os joelhos a jogar à bola. Todas as segundas feiras mal podíamos esperar que os feirantes levantassem as bancas da fruta e hortaliça para invadirmos o espaço com as nossas jogatanas. Mesmo ao lado, na parte de baixo da cadeia, os presos assistiam por detrás das grades. Para eles as segundas feiras também era um dia diferente: tinham quem lhes desse conversa e fruta pela janela. Hoje vale a pena entrar na antiga cadeia para apreciar o museu que guarda o espólio que foi do Marquês de Pombal. Mesmo em frente têm o Celeiro do Marquês a convidar a uma curta entrada. Infelizmente a Torre do Relógio que fez parte deste conjunto arquitectónico está em ruínas, coberta de eras. Mas se tiver tempo, e pernas, suba até à Capela de S. Martinho que fica na encosta contígua à Praça. A razão da sugestão não é pela capela, mas por ser um bom local para fazer umas fotos e apreciar a beleza do entrelaçado dos telhados da parte medieval da cidade.
Bom, já que está perto, porque não subir até ao Castelo? (Se o fizer de AC suba e desça pela rua junto ao Mercado e não pela estreita Rua Direita do núcleo histórico). O castelo de Pombal integrou a linha de defesa das terras de Coimbra contra os mouros no período da formação de Portugal, e acolheu os membros da Ordem dos Templários, antes mesmo da construção da sua sede em Tomar. O interior do castelo está muito destruído, mas é um bom local para do alto das suas ameias ter uma ideia da configuração espacial da cidade.
Depois da passeata imagino que almoçar lhe pareça uma boa ideia. No Mercado Municipal encontrará algumas iguarias para o efeito. Sugiro uma morcela de arroz (grelhada) e um queijo Rabaçal (à venda no topo oeste do Mercado), aliás 2 queijos: um semi-curado (daquele que trouxe até à Corte de Lisboa a fama deste queijo) e outro fresco (que deve comer nos dois dias seguintes, com um naco de broa e uma pitada de sal e pimenta).
No talho do interior do Mercado aproveite para comprar uns quilos de “ossos”. Isso mesmo, ossos! Cubra-os de sal de um dia para o outro (sem receio de os salgar) na altura de os cozer passe-os por água e coza-os apenas com umas malaguetas, um pouco de hortelã... e um chouriço regional. Deixe cozer até a carne se soltar dos ossos, e depois de apurar algum tempo (uma hora...), atire-se a eles acompanhando apenas com broa, ou com migas regionais (broa, couves/nabiças migadas, um pouco de feijão frade e muito azeite). Será melhor não esquecer o vinho a gosto. Se eu estiver por perto convide-me para o manjar.

Se as circunstâncias se não proporcionarem a estes preparos então tem várias opções. A solução requintada, consagrada (e um pouco mais cara), que é o Manjar do Marquês. Se é da fama tradicional que quer beneficiar então opte pela parte do Snack-bar em vez do salão de restaurante. Comerá de forma diferente, comerá melhor e mais barato. Aqui terá arroz de tomate à descrição (uma delícia), croquetes, chamuças, panados, bacalhau frito, ... (no final só paga as peças que comer). Peça as migas da casa, por norma apenas servidas no restaurante, mas que não lhe serão recusadas. O Manjar fica à saída da cidade na estrada para Coimbra, e tem espaço de estacionamento.
Se prefere algo mais pacato, sugiro-lhe o “Caça Foices” (na Rua de Ansião, junto ao Mercado Municipal), ou a “Velha Caroca” no lado norte da Escola Secundária (ambos perto do terceiro estacionamento que indiquei). Na “Viúva do Mota”, Rua de Albergaria dos Doze, encontra uma opção mais tipo tasca mas com comida caseira e em conta. Com sorte encontrará aqui os tais “ossos” de que falei. Se estiver numa de se despachar, junto aos Bombeiros Voluntários (Rua de Coimbra) pode optar por uma piza ou por adquirir na churrasqueira local um frango assado ou um naco de entrecosto grelhado, ... e levar para a autocaravana para complementar o queijo rabaçal.
Terminado o almoço, se a opção não for a sesta, tem várias possibilidades. Se for para Norte, antes do leitão na Bairrada pode optar por fazer uma visita às ruínas de Conímbriga (onde pode pernoitar em paz).
Se precisar de fazer a manutenção, a 10 kms tem uma área de serviço: junto ao campo de futebol de Vermoil (N39º51’04; W8º39’41). Siga pela N1 na direcção de Leiria e na Ranha vire à esquerda até ao centro da freguesia de Vermoil.
Se não precisa de passar pela AS, então, depois da serra, deixe-se seduzir pelo mar. Aponte ao Louriçal (se for Domingo aproveite para sentir a algazarra da feira e comprar uns biscoitos do Convento confeccionados pelas próprias freiras) e depois siga para o Carriço. Aqui procure o caminho para a praia do Osso da Baleia (N40º00’13; W8º54’52) e experimente a sensação de estar numa praia deserta, com um areal a perder de vista, perdida nos confins da mancha florestal do Pinhal do Urso. Se gosta da costa atlântica... então esta praia foi feita para si (para mim não, que aquilo é um gelo).


Ao regressar à estrada nacional 109 rume a norte direcção a Leiria. Cerca de um km depois de passar no centro da Guia faça uma paragem na Casa dos Leitões da Guia. Nem que seja só para uma sandes de leitão. Depois da praia vai certamente gostar (e antes também!). Aconchegada a barriga sugiro que em Monte Redondo abandone a N109 e siga para Coimbrões até à Praia do Pedrógão (onde tem uma AS no camping que pode usar sem pernoitar). Descontraidamente faça a via que liga Pedrógão à Praia da Vieira (possibilidade de pernoita com usufruto de WC público junto ao mar).

Se lhe apetece uma mariscada ou bom peixe fresco está no sítio certo. Em plena Av. Marginal tem boas opções. Por exemplo o restaurante “O Coelho”(?) por debaixo do hotel, ou, mais barato, “O Pescador”(? aquele que tem uns degraus para aceder ao interior:N39º52’26; W8º58’22). Mas não faltam alternativas nas ruas contíguas.



Quem está na Vieira não pode deixar de passar por S. Pedro de Moel e calmamente calcorrear os trilhos das arribas do Farol até à praia central (também pode fazer o percurso Vieira-S. Pedro de bicicleta, todo ele em pista dedicada).
Em S. Pedro de Moel não faça nada, escolha um dos muitos locais possíveis que lhe agradem e... simplesmente deixe-se ficar: leia, medite, contemple a paisagem, converse... enfim, usufrua deste lugar fantástico e deixe-se envolver na sua inevitável neblina matinal até que o pôr-do-sol o acorde do sonho. Se gosta de acampar, o parque local da Orbitur parece-me uma boa opção (quanto mais não seja pela densidade de pinheiros, mas não só). Na hora de partir lembre-se que o centro da Marinha Grande merece uma visita. Daqui pode optar por dirigir-se à Nazaré-Alcobaça, ou por visitar o interessante castelo-residencial de Leiria indo pernoitar na área de serviço da Batalha, mesmo nas traseiras do majestoso Mosteiro.

Bom, acho que por hoje chega de passeio. Atreva-se a aceitar o meu convite, vai ver que não se arrepende. Desfrute!

Raul Lopes

segunda-feira, 30 de março de 2009

Venha visitar a minha terra: ABIUL

No sopé da Serra da Sicó o primeiro fim-de-semana de Agosto é sempre diferente dos outros dias do ano. Há séculos que assim é. Ao raiar da aurora, de todos os trilhos, venham eles do vale ou da serra, surgem mulheres de cores garridas e homens de fato de mostrar a Deus. Na mão, ou à cabeça, transportam consigo os sacos com o almoço melhorado que as Festas do Bodo impõem. O melhor coelho ou o maior galo da capoeira terá sido sacrificado na véspera. Nestes dias as aldeias vizinhas despovoam-se e o único destino é Abiul (N39º52’32; W8º32’20).
Desde o séc. XVII que aqui se localiza a praça de touros mais antiga de Portugal e uma das mais antigas da Península Ibérica, razão suficiente para que anualmente aqui se realizem duas corridas de touros com carteis seleccionados de entre os melhores interpretes da arte.

O ritual começa pela manhã. No largo da aldeia apreçam-se os primeiros melões do ano, do tipo casca rija de carvalho. Protegidos do sol pelos ramos de uma oliveira ou de um carvalho, lá se vai esquartejando o melão enquanto do alto se assiste à chegada dos touros, conduzidos a pé pelos campinos desde a parte baixa da aldeia. Noutros tempos o percurso era mais longo e os touros pernoitavam a 2 kms da Praça, num local que ainda hoje ostenta o nome de Touril. Entretanto chegam os cavalos com o seu ar distinto, ninguém ficando indiferente à sua passagem.
Tirando partido da permeabilidade das bancadas construídas com tábuas de madeira suportadas por troncos de pinheiro, os miúdos trepam para a parte superior dos curros de onde assistem ao manuseamento e preparação dos touros para a lide. Mesmo ao lado escovam-se e enfeitam-se os cavalos.
Chegada a hora, as casas do centro da aldeia abrem-se de par em par para nelas se improvisarem casas de pasto onde os visitantes degustam os seus farnéis e aguardam pela hora do início da tourada. Mais tarde, no primeiro andar de uma delas haverá um baile animado a acordeão que até de madrugada mobilizará todos os jovens das redondezas, assim como as mães encarregues de vigiar de perto os movimentos das filhas.


Pela mão do meu avô, que exibia este gesto como a atribuição de um prémio de bom comportamento, muitos foram os anos da minha meninice que tomei parte deste ritual colectivo. Claro que a Praça de Touros, agora reconstruída (mas continuando a ter como únicos lugares à sombra aqueles que o velho carvalho protege da canícula), continua no mesmo sítio. E todos os primeiros fins-de-semana de Agosto se continuam a realizar touradas em Abiul. Mas o resto do colorido faz tempo que se perdeu. Agora os touros, os cavalos e as pessoas vão de carro até junto da Praça pouco antes da hora aprazada. Terminada a tourada, depressa a aldeia se esvazia.
Apesar disso, Abiul continua a ser um bom local para iniciar a visita ao concelho de Pombal. Esta terra que até 1821 foi sede de concelho fica junto ao IC8, a menos de 10 kms de Pombal no sentido Castelo Branco, Tomar… Se gosta de “maranhos” então ao passar por Abiúl entre na tasca que fica nas traseiras da farmácia (junto à igreja) e compre uns “tortulhos”, versão local dos maranhos, que era um petisco incontornável dos casamentos populares na zona. Depois, desça (a pé) ao núcleo medieval da aldeia onde pode ver o Paço dos Duques e o forno do povo, local onde se cozia a Fogaça do Bodo confeccionada com 12 alqueires de trigo. Até 1913 colocada a fogaça no forno havia um homem que lá entrava e dava três voltas ao bolo com um cravo na boca, saindo ileso.

Mesmo ao lado do forno ainda é visível o que resta do palanque dos duques de Aveiro, testemunho do tempo em que a tourada se realizava no largo do forno. Para além de alguns pormenores da arquitectura desse núcleo, esteja atento aos candeeiros suspensos das paredes, que em tempos iluminavam as ruas… a azeite. Por falar em azeite, se a passagem ocorrer na altura da apanha da azeitona, mostre aos seus filhos um lagar em funcionamento (o único que sobrevive de entre uma imensidão de outros que por aqui havia). Este lagar localiza-se num edifício discreto à saída da aldeia no sentido de Vila-cã (pelo caminho de Touril).


Concluída a visita rume a Pombal. A meio caminho faça um pequeno desvio e visite uma aldeia medieval ainda habitada: a Aldeia do Vale (acesso pelo IC8, na zona onde a serra da Sicó é mais visível).


(Continua...)

Raul Lopes