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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Projecto de Lei Chumbado!!!

O plenário da AR chumbou hoje o Projecto-Lei apresentado pelo PSD, que formalmente visava regulamentar o estacionamento das Autocaravanas, mas, como oportunamente aqui denunciámos, na realidade o único efeito prático que teria era o de conduzir ao acantonamento dos autocaravanistas.

OBRIGADO senhores Deputados do Partido Socialista, do Partido Comunista, do Partido Ecológico “Os Verdes” e do Bloco de Esquerda!

Apesar do ruído, da manipulação e da tentativa de usurpação da legitimidade representativa dos autocaravanistas a que temos vindo a assistir entre a comunidade autocaravanista, os deputados do PS, CDU e BE souberam interpretar devidamente o ensurdecedor silêncio dos autocaravanistas portugueses como um grito de protesto.

É bom saber que entre os nossos legítimos e democráticos representantes na AR há quem tenha sabido ouvir a voz e os argumentos da razão. Tanto mais que para isso não foi preciso nenhum frenesim de diálogos mistificadores de um homem só a falar sozinho, como o triste espectáculo a que temos vindo a assistir nos Fóruns e Blogs de autocaravanismo.

BEM HAJAM, senhores Deputados!

BEM HAJAM aos vários autocaravanistas que se manifestaram junto do GP do PS contra este PL.

LauCorreia
Nuno Ribeiro
Raul Lopes

sexta-feira, 29 de maio de 2009

FIM DE LINHA: Há pessoas que nos fazem sentir vergonha de sermos autocaravanistas

Ao longo de 6 meses, diariamente, subimos a esta Tribuna para apontar caminhos, apoiar iniciativas válidas, divulgar e partilhar informações de interesse para os autocaravanistas, assim como para denunciar os erros e sobretudo as manobras perversas daqueles que se têm aproveitado dos autocaravanistas, manipulando-os.


Com a apresentação na Assembleia da República do Projecto-Lei 778/X atinge-se o culminar de um processo que no essencial visa alimentar vaidades pessoais e promover interesses materiais à custa do aprisionamento dos autocaravanistas em "AAA-Áreas de Acantonamento de Autocaravanas".

Desde o primeiro momento que aqui denunciámos as iniciativas errantes e perversas que culminaram na tentativa legal de nos acantonar, pondo fim ao autocaravanismo itinerante em liberdade. Na nossa mensagem de ontem fica bem evidente que afinal tínhamos razão desde a primeira hora.

Lamentavelmente os protagonistas principais deste processo são autocaravanistas, o que configura uma traição. Com o nosso silêncio de pesar da semana passada quisemos dar-lhes a oportunidade de virem a público retratar-se, pedir desculpa aos autocaravanistas, e dispor-se a tentar emendar o erro que cometeram.
Infelizmente... em vez disso apressaram-se a ir para Cascais onde o manipulador DeAlém se exibiu ao mais alto nível, fazendo desfilar as suas marionetas enquanto se escondia por detrás do pano do palco.

Cascais foi anunciado como uma festa, e até já houve quem tenha escrito que foi um virar de página do autocaravanismo. Com efeito, no fim-de-semana passado em Cascais não se virou uma página, fechou-se o livro. A festa em que alguns participaram em Cascais afinal era o funeral do autocaravanismo livre, como ontem deixámos aqui demonstrado.

Os autocaravanistas tem o direito, e o dever, de recordar o nome dos principais responsáveis por esta tentativa de aprisionamento do autocaravanismo:

Luís Nandin de Carvalho (Newsletter, MIDAP, CAB, ONGA, CPA, ACP, Jurisconsulto especialista em lobbing, Secretário do ONGA, Director dos Gabinetes de estudos da Newsletter, Bar de Além, A. Camping, exGLRP, etc.)

Ruy Figueiredo (CPA-Clube Português de Autocaravanas e MIDAP-Movimento dos transversais ingénuos)

JJ Carvalho dos Santos (CCL-clube de campismo de Lisboa, CPA, MIDAP)

Seco dos Santos (MIDAP e CAB-Circulo de Autocaravanistas da Blogosfera)

Diogo Ferreira (MIDAP e CAB)

Ana Pressless Duque (MIDAP e CAB)

Luís Almeida (site Camping-Car Portugal e MIDAP)

Paulo Rosa (site Camping-Car Portugal)

Fernando Luís (site Camping-Car Portugal e MIDAP)

Rui Narciso (blog Pápa-Léguas e CAB)

Teresa Paiva (CPA)

Nuno Pires (MIDAP, CAB, CPA e CASaloios)

O comportamento destas pessoas deixa-nos envergonhados de sermos autocaravanistas. Por isso, e como gesto de solidariedade para com as vítimas da sua acção, recusamo-nos a continuar a partilhar o palco do autocaravanismo com pessoas deste nível.

É pois com pesar que anunciamos que de hoje em diante as nossas vozes vão deixar de ouvir-se na Tribuna Autocaravanista.

Aos companheiros que sempre souberam tributar-nos o calor do seu apoio, deixamos aqui um fraterno abraço.

Vamo-nos vendo por aí, on the road... a caminho da Europa.

Entretanto, deixamos-vos uma sugestão para este fim de semana: vão ao teatro.

Em Lisboa, na sala Garrett do Teatro D.Maria II, estará em cena o Vampiro, representado pela Companhia holandesa Stuffed Puppet Theatre assim apresentado:

Num parque de campismo holandês, que à primeira vista parece muito divertido, o dono e o seu assustador ajudante preparam planos sombrios. Vampyr é um conto de fadas para adultos, uma história que junta rituais, medos, romantismo, coragem, cobardia, condimentada com terror, humor e infidelidade.

Neville Tranter, actor-manipulador, apresenta-se sozinho em cena, num cenário que combina os dispositivos teatrais mais antigos com as tecnologias mais modernas, e evoca imagens que o público dificilmente esquecerá.


Se por ventura não conseguir bilhete, não se preocupe: há uma versão portuguesa que continuará em exibição num parque de campismo perto de si.

Lau Correia
Nuno Ribeiro
Raul Lopes


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Companheiros, ACORDAI... enquanto é tempo

"Podem pois calar-se os profetas da desgraça que, por despeito e incapacidade, procuram denegrir o autocaravanismo e que apoucam estas iniciativas registadas desde há um ano com a fundação do MIDAP e que agora chegam com sucesso ao seu termo com o Seminario de Cascais."

DeCarvalho, in Newsletter


Não somos profetas da desgraça, mas honramo-nos de desde a primeira hora ter denunciado a falsa generosidade de propósitos do salvador do autocaravanismo.

Agora que o seu jogo de mistificação conceptual e de manipulação atinge o auge, decidimos fazer uma interrupção silenciosa. Não por despeito, nem por incapacidade, mas como forma de protesto por esta ardilosa tentativa de legalizar o acantonamento das autocaravanas em cercas a que querem chamar “áreas de acolhimento de autocaravanas”.

Por vontade de muito poucos, as "áreas de acantonamento das autocaravanas" passarão a ser o único sítio onde o estacionamento de autocaravanas será autorizado por mais de 48 horas, retirando-nos os direitos que o actual Código da Estrada nos consagra.

Os espaços de recolha de autocaravanas vão florescer pelo país fora, tal como os campings floresceram com a instalação permanente de caravanas.

O momento é pois da maior gravidade para o autocaravanismo. Cansados de gritar, remetemo-nos agora a 7 dias de silêncio, esperando desta forma contribuir para ajudar à reflexão daqueles que têm a obrigação de fazer ouvir a sua voz.

Com o nosso silêncio dos próximos dias também queremos partilhar a tristeza dos milhares de autocaravanistas que, ignorando o que se está a passar ou sentindo-se impotentes para travar mais esta trapalhada, virão a ser as vítimas dos gestos irreflectidos de meia dúzia de pessoas que têm vindo a arrastar o autocaravanismo por caminhos pantanosos e que agora se preparam para o projectar no abismo.

Aqueles que com a sua cumplicidade têm incentivado e conferido uma pseudo legitimidade às iniciativas errantes e sem nenhuma representatividade, têm agora a oportunidade de se redimir, fazendo ouvir a sua voz em defesa dos autocaravanistas exigindo ampla discussão e não coloquiais discursos de puro exibicionismo, vazios de debate e do contraditório, e realizados nas costas dos principais interessados.

Se não conseguis ouvir as vozes de protesto que se vão levantando, ouvi pelo menos o ensurdecedor silêncio que deixou confrangedoramente a falar sozinho o dito jurisconsulto que se apresenta como salvador do autocaravanismo.

Pensem: quantas vozes se levantaram em defesa desta iniciativa disparatada?

O vosso silêncio só vos compromente ainda mais com esta traição ao autocaravanismo. Mais vale falar tarde do que nunca!

Acordai... enquanto é tempo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MANIFesta… mente inconcebível!

Nesta tribuna, e muito justamente, aqui divulgámos, o texto de Vítor Andrade sobre o MANIFesta 09 a ter lugar em Peniche nos dias 21 a 24 de Maio.

Fizemo-lo, naturalmente, “sem nada pedirmos em troca”, ou sequer reivindicar qualquer protagonismo ou reclamar qualquer “parceria”.

O evento, fruto da iniciativa da ANIMAR e da conjunção de vontades da Câmara Municipal de Peniche e da ADEPE, tem uma componente apelativa para o Autocaravanismo, resultante do trabalho e da forte motivação do companheiro Vítor Andrade, do qual já vimos bons resultados em S. Pedro do Sul, aquando da realização das várias edições do Gesto Eco-Solidário.

É, por isso, confrangedor verificar como se “acotevelam” e se “põem em bicos de pés” algumas das entidades de quem se esperaria uma postura séria, contributiva sim, mas humilde e reconhecedora de méritos terceiros.

Ao visitarmos os fóruns quer do CPA, quer do CCP, constatamos a fobia de protagonismo, em ambos os casos, por parte dos respectivos responsáveis e da “forçada” (e forçosa, diremos nós) “emenda” ensaiada pelo moderador do CampingCarPortugal.

Senão vejamos:

Companheiros O CPA numa acção conjunta com o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CampingCar Portugal convida os seus associados a estarem presentes na MANIFesta de 21 a 24 de Maio.

InfoCPA (in forum CPA )

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Companheiros, Numa acção conjunta entre o Portal CampingCar Portugal, o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CPA, convidamos todos os autocaravanistas, que possam estar presentes, a comparecerem na MANIFesta de 21 a 24 de Maio, em Peniche. Esta participação é livre de qualquer inscrição ou pagamento, estando previstos estacionamentos dedicados às autocaravanas.
… … …
Paulo moderador (In forum CCP)
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Bom dia companheiro Paulo! Pode-nos esclarecer em que consiste a acção conjunta do CCP,CCCB e CPA para a Manifesta em Peniche?

DeMatos (In forum CCP)

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Caro amigo
Dematos, A iniciativa de ter os autocaravanistas na MANIFesta é exclusiva do companheiro Vitor Andrade, dada a sua proximidade à ANIMAR e às ADL. É uma ideia antiga e que nos foi ventilada após o Verão de 2008 (não nasceu agora!). O Portal CampingCar, o CPA e CCCB foram convidados pelo referido companheiro para a criação desta "acção conjunta" (reforço: o CampingCar é só e apenas convidado!).

A referida "acção" é, só e exclusivamente, de divulgação deste evento.

Paulo moderador (In forum CCP)

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É verdadeiramente lamentável o espectáculo “mediático” e triste a que se prestam tão ilustres defensores do Movimento Autocaravanista.

O CPA, que deveria ser o Clube de referência do Autocaravanismo em Portugal, depois de ter falhado essa missão, e de continuar a falhar, por evidente vazio de ideias, a organização coerente e objectiva dos colóquios ocorridos em Abrantes e na FIL durante a Nauticampo, parece cada vez mais orientado para a sua vocação de nascença: as festas e romarias. Basta atendermos às notícias veiculadas na imprensa sobre o Encontro de Abrantes e à total ausência de repercussão que esses eventos tiveram - até no respectivo fórum - para a clarificação da modalidade. Já todos perceberam que existem muitas autocaravanas, já todos perceberam que os autocaravanistas são potenciais turistas itinerantes e que apreciam a natureza, as cidades, os monumentos, a gastronomia, as manifestações culturais, etc.
Mas falta o essencial – a dura batalha pela não discriminação e pela criação das condições essenciais ao usufruto deste tipo de veículo/equipamento com dignidade e liberdade.

É por isso que qualquer companheiro insuspeito, como o é Vítor Andrade, seja forçado a referir, nos dois respectivos fóruns, o seguinte:

….....
Durante este tempo tenho sentido, como ninguém, o quanto falta faz uma instituição que represente e onde os ACs se sintam representados. Mas como sou uma pessoa persistente, não tendo cão caço com o gato.
….....

É claro que estas palavras se fossem ditas pelos subscritores desta Tribuna, não passariam de mais uma crítica infundada, feita de má vontade, por pessoas mal intencionadas e “intelectualóides”!
Não faltaria uma chuva de comentários azedos em fóruns, blogues, esferas e outras geometrias feitas a esquadro e compasso dos que à crítica fundamentada nas ideias e na razão, respondem com a calúnia.

Mas como somos, também, persistentes, manteremos vivo o nosso olhar crítico, verdadeiramente independente e livre.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Se o ridículo matasse.....

Realizou-se este fim de semana o I Encontro Ibérico de Autocaravanismo em Braga. Pelas notícias divulgadas pelo Correio do Minho (aqui, aqui e aqui) nada de positivo acrescentou ao movimento autocaravanista. Aliás pelos comentários do responsável do Clube organizador, Clube Autocaravanista do Norte, ao referido jornal diria que mais valia estarem calados e quietos...

Expressões como:

"Claro que pensamos na gripe suína mas, o encontro estava marcado há muito tempo e ninguém nos disse que não se podia realizar."

"Não nos interessa muito saber se o autocaravanismo é turismo itinerante, se é campismo ou se é tudo isto junto e muito mais.”

"A actividade que praticamos tem que ser, sobretudo, divertimento."

São bem reveladoras da forma como este clube foi criado em final de 2007 e que na altura foi amplamente discutido no fórum do CPA. Interessante reler a esta distância o que lá foi dito e por quem foi dito...

Interessante também verificar a presença do presidente da FCMP neste evento. No encontro organizado em Abrantes pelo CPA onde se discutiu num colóquio o autocaravanismo foi enviado um dirigente desconhecido e neste evento onde o que interessava era a diversão foi o presidente...até por aqui se vê a importância que a FCMP dá ao autocaravanismo!!!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CPA: e depois de Abrantes?

Se tivéssemos acreditado no que nos foi sendo dito ao longo do último ano teríamos ficado convencidos de que depois do arraial de Abrantes nada voltaria a ser como dantes no autocaravanismo. Abrantes seria uma espécie de congresso fundador do autocaravanismo. Simplesmente uma revolução.
No arraial de Abrantes se consagraria a unidade suprema de todos os actores do autocaravanismo, sentando de braço dado na mesma mesa deus e o diabo, com destaque para: a Federação Campista, a Associação dos donos dos campings privados, o Automóvel Clube Português, a Associação dos comerciantes de automóveis, o CPA, o MIDAP-DeCarvalho, os donos do Camping-Car, etc.
A ideia despertou tantos apetites que o MIDAP-DeCarvalho chegou ao ponto de anunciar como sua a organização do grande Seminário Internacional que iria fundar o autocaravanismo e criar o Observatório, resolvendo de uma penada todos os problemas do autocaravanismo. De Sol que iluminaria o palco, o movimento dos transversais transformou-se afinal numa nuvem que se esfumou pelos céus de Além sem que no arraial de Abrantes alguém desse por isso. Para quem cultiva as fábulas da selva, chama-se a isto ter entrada de leão e saída de sendeiro (no dicionário sendeiro= burro, velho ruim, homem desprezível). Conclusão inevitável: o MIDAP-DeCarvalho foi o grande derrotado na batalha de Abrantes.
Assim se compreende melhor o esforço para ressuscitar a casa do sino de Cascais, agora na versão "entrincheirados na Fortaleza do partido laranja". Ai os transversais vão curtir as mágoas de terem sido ignorados em Abrantes e fazer em paz o seu semináriozinho sobre touring e anunciar mais um nado-morto no reino de além: o Observatório do MONGA (ou será o miradouro do falcão?).

Como vingança desta vez são os transversais a ignorar o CPA. Parece-me justo! Afinal o CPA também tem vindo a ignorar que tem como sócio um elefante que outra coisa não tem andado a fazer do que desacreditar o autocaravanismo e armadilhar o caminho que o Clube devia percorrer.
Mas voltemos a Abrantes. Agora que o Encontro terminou impõe-se fazer o seu balanço. Parece óbvio que o Encontro não deixou eufóricos os que nele participaram. Ao que se diz, o trio de mordomos (Ruy Figueiredo, Teresa paiva e José Vieira) cometeram falhas imperdoáveis, mesmo para amadores. Mas sobre isso prefiro não falar, pois não tendo estado presente apenas posso falar considerando os ecos que me chegaram do que por lá se passou. Há todavia uma coisa que é evidente para todos: o Encontro de Abrantes nem uniu nem mobilizou os autocaravanistas portugueses, nem sequer serviu para projectar para a sociedade portuguesa uma imagem positiva do autocaravanismo. Abrantes não foi a revolução no autocaravanismo que alguns tentaram convencer-nos que seria. De Abrantes não saiu uma só ideia nova capaz de nortear o rumo do autocaravanismo e mobilizar os autocaravanistas.
Não obstante Abrantes foi um evento positivo, não tanto para o Autocaravanismo português, mas pelo menos para a imagem do CPA que se vinha a degradar a olhos vistos.
Quando digo que foi positivo não é pelo número de participantes, que foi apenas 20% do que o CPA tinha por objectivo, juntando menos autocaravanistas portugueses do que aqueles que já reuniu em vários Encontros anteriores do Clube. Aliás, uma semana depois o CAN, clube com meia dúzia de sócios, reuniu quase tantas autocaravanas em Braga como o CPA em Abrantes. Ou seja, o número de participantes no arraial de Abrantes, que o CPA exagerou, não consegue esconder a desagregação que está a ocorrer no Clube, nem a sua notória perda de capacidade aglutinadora do movimento autocaravanista português. Afinal é sob o signo dos campeões da unidade que se assiste à multiplicação de clubes que disputam a influência ao CPA: no último ano já surgiram 4 clubes, e o 5º deu este fim de semana mais um passo no sentido da sua criação.
O que considero positivo é a circunstância de pela primeira vez na história das concentrações do Clube haver um espaço nobre dedicado à discussão dos problemas do autocaravanismo. Mas nem aqui a organização conseguiu acertar, havendo a lamentar, entre outros, os seguintes aspectos.

· O CPA organizou um colóquio para discutir autocaravanismo, mas nada disse aos autocaravanistas sobre o que tem em mente fazer para resolver os problemas que nos afectam. Parece que o CPA navega sem bússola nem GPS.
· Pior do que isso, o CPA não só insiste em chamar a Federação campista para a mesa onde é suposto discutir-se autocaravanismo, como parece confiar a essa Federação o
papel de porta-voz institucional dos autocaravanistas. Enquanto não forem os autocaravanistas a determinar o seu destino, obviamente não vamos a lado nenhum.
· O CPA também é filiado na Federação internacional de autocaravanismo, mas não aproveitou o facto para dar ao debate uma dimensão internacional, convidando representantes de clubes amigos a trazerem a Portugal o testemunho da sua experiência.

· Finalmente, o CPA anunciou este encontro como o momento da reconciliação e da união de TODOS os autocaravanistas (menos algumas ervas daninhas intelectualóides, claro!) mas na hora de discutir o futuro do autocaravanismo ignorou os outros clubes autocaravanistas portugueses. Se foi este o preço a pagar pela acertada exclusão dos campeões do touring MIDAP-Decarvalho, então é óbvio que quem pagou a factura foram as pessoas erradas.

O CPA preferiu ter em Abrantes a FCMP em vez dos outros clubes de autocaravanistas, preferiu o folclore de exibir cabeças sem ideias em vez de promover um verdadeiro debate entre quem pensa autocaravanismo. Teresa Paiva, a responsável pela imagem do Clube, já tinha mostrado esse mesmo erro infantil quando instrumentalizou à mesquinhez o último número do Boletim do CPA. Agora a FCMP veio dar razão a quem pensa como eu: a Braga enviou o seu presidente, a Abrantes enviou um moço de recados. Assim se vê o valor que a federação campista dá ao facto do CPA se colocar de cocaras. Assim se vê, como o CPA ficou prisioneiro da FCMP por tentar usá-la para dar cobertura a uma declaração infeliz do presidente do CPA.

À margem do Colóquio outra questão se coloca. É sabido que um dos maiores problemas com que se defronta o autocaravanismo em Portugal é a má imagem social dos autocaravanistas. Entre outras coisas tal imagem limita a disponibilidade das autarquias locais em promoverem o autocaravanismo, até pelos custos políticos que daí decorrem. Impõe-se pois perguntar: o que foi feito pelos organizadores do Encontro para melhorar a imagem dos autocaravanistas e salvaguardar a Câmara de Abrantes de ataques político-partidários como estes que reproduzo de seguida, tornados públicos na arena política local?
Raul Lopes
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Só num concelho minado pela contra-informação virada para o enlevo da incompetência e da mediocridade, se tolera o relevo dado a um agrupamento de 700 visitantes, que correram a provas de vinho e a serões culturais preparados para o efeito e que beneficiaram de infra-estruturas de acolhimento muito próprias, especialmente construídas para o seu grupo, contrariando o princípio da universalidade da utilização das benfeitorias municipais.
Estranha-se pois, que um executivo socialista ainda fale orgulhosamente, de uma actividade que ao passar por Abrantes, não ocupou um único quarto de hotel, nem usou os cafés e os restaurantes com a expressão económica devida a outro qualquer grupo de 700 visitantes. O autocaravanismo é sinónimo de auto-suficiência nos meios utilizados, comida e dormida. Logo, não traz aquele rasto de consumo tão necessário à sustentabilidade dos parceiros económicos e turísticos de um concelho.

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terça-feira, 28 de abril de 2009

MANIFESTA 2009

O companheiro Vitor Andrade, o responsável pelo sucesso do Gesto Eco-Solidário, solicitou-nos a divulgação do MANISFESTA 09.



A TAC junta-se ao apelo deste companheiro no sentido dos autocaravanistas comparecerem em peso em Peniche por altura da Manifesta. Entre outras razões apontadas pelo Vitor Andrade, também porque esta pode ser a oportunidade derradeira de dar sequência ao diálogo que já em tempos se estabeleceu com a Câmara Municipal de Peniche para encontrar um adequado enquadramento para o autocaravanismo no concelho. Aqui fica o texto do Vitór com votos de um enorme sucesso.


Caros companheiros!

Vai ocorrer, em Peniche, a Manifesta 09 de 21 a 24 de Maio. Para saber mais sobre o que é a Manifesta consultar aqui.

Como autocaravanista e pessoa envolvida nas questões do Desenvolvimento Local (DL), há muito que considero o AC uma forma de turismo com enormes potencialidades de crescimento entre os agentes de DL. O AC permite grande proximidade, não necessita de intermediários e não requer grandes investimentos por parte destes agentes.
O problema tem sido o desconhecimento mútuo que tem vindo a persistir.

Neste momento estão criadas as condições para que se dê um grande passo no sentido duma aproximação e conhecimento das reais possibilidades do AC nos processos de DL.

No processo de construção da Manifesta conseguimos introduzir a problemática do AC o que tem vindo a gerar entre os agentes de DL grande curiosidade em conhecer este tipo de turismo e as suas potencialidades no desenvolvimento dos seus projectos.
A ANIMAR e os parceiros locais, Câmara Municipal de Peniche e ADEPE, na organização da Manifesta 09 desenvolveram todos os esforços para receber condignamente um grande número de ACs. Agora é necessário que o AC marque forte presença fazendo sentir o seu peso e a sua já grande dimensão.

A ideia é participar na Festa, dando-nos a conhecer e Manifestando com a nossa presença a intenção de sermos parceiros nos processos de DL e do país.

A presença não carece de inscrição nem marcação prévia. Haverá lugares de estacionamento para todos. Cada um controlará os seus custos e participa nas actividades que mais gostar e entender, o importante é a presença e a participação nas diversas actividades que vão ocorrendo nos espaços públicos.

Poderão ir verificando o programa, provisório até aos princípios de Maio. Isto porque são as associações oriundas de todo o país que o vão preenchendo com as suas actividades e grupos.

Ver programa provisório.

O peso e a força deste evento está patente no número de personalidades do poder local e central que por lá irão passar

O AC não vai perder esta oportunidade!


Vitor Andrade

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Salazar e o autocaravanismo

Hoje, ao percorrer o ciber-espaço autocaravanista português dei comigo a pensar: afinal Salazar é o grande responsável pela actual situação do autocaravanismo em Portugal.
Não estou a delirar, sei muito bem que no tempo de Salazar não havia autocaravanas. Mas também sei que foi na sociedade que Salazar asfixiou que foram moldadas as mentes de mais de metade dos actuais autocaravanistas. Esta é a questão: Salazar deixou a sua marca indelével no comportamento (quantas vezes inconsciente) de várias gerações de pessoas, entre elas dos actuais autocaravanistas.
Salazar levou ao extremo o culto da personalidade e da autoridade do chefe. Hoje em dia o autocaravanismo está cheio de pessoas com tanto de vaidoso quanto de arrogante pois se sentem no direito de não ser questionados nem confrontados pelo simples facto de disporem de um qualquer estatuto de dirigente-chefe (independentemente da sua fonte de legitimidade ser ou não democrática).
Salazar cultivava o silêncio voluntário como forma de não se expor, ao mesmo tempo que pela força da repressão impunha aos seus adversários o silêncio. Há hoje por aí quem mostre o maior desprezo por aqueles que era suposto representar e quem ache que o autocaravanismo estaria muito melhor se aos autocaravanistas fosse proibido interpelar e/ou criticar os seus dirigentes.
Salazar formatou as pessoas na convicção de que sexo, religião, política e interesse colectivo não eram assuntos que se discutissem. Ora porque tinham uma complexidade que exigia conhecimentos só ao alcance dos iluminados, ora porque fazia despertar ideias perversas na cabeça do povo, ora porque só podia servir para criar inimizades entre amigos. O povo devia contentar-se em falar de futebol e em cavaquear sobre coisas mundanas, fúteis e circunstanciais, valorizando a confraternização no adro da Igreja celebrada com uns copos do vinho que dava de comer a 5 milhões de portugueses.
Também hoje o autocaravanismo está cheio de pessoas que se apresentam como os campeões da boa educação e da defesa da unidade. Mal alguém se envolve numa troca de argumentos ou confronta ideias logo vêm a terreiro clamar que acabem com as discussões que só servem para dividir o movimento autocaravanista. Que vergonha (dizem eles) transformarem a praça pública numa arena de combate pessoal. Daí o apelo que fazem: vamos mas é falar sobre o que nos une (querem eles dizer: não vamos falar de nada), vamos mas é confraternizar (que de festas e romarias é que o povo gosta).
Mas estes campeões da boa educação são também os primeiros a hipocritamente aparecerem de mansinho por detrás dos desavindos para os picar, para candidamente lançarem mais uma intriga, ou mais uma provocação, assim em jeito de quem atira a pedra e a seguir esconde a mão no bolso e assobia para o ar.

Moral da estória. Quer os dirigentes quer os autocaravanistas em que se apoiam sofrem do mesmo mal: a falta de cultura democrática de discussão. E o grande culpado disso é o Salazar que nos legou esta herança cultural.
Nunca é demais recordá-lo, menos ainda quando se celebra essa radiante madrugada que permitiu ao Povo português redescobrir-se e sentir o prazer de viver em Liberdade.
Modestamente aqui fica o meu tributo a todos os que tornaram o 25 de Abril uma realidade. BEM-HAJAM pela vossa acção e pelo vosso exemplo: Acreditar e lutar colectivamente organizados... é vencer.

Raul Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vale a pena lutar... sob a liderança de instituições representativas!

O Município de Santander, em Espanha, instituiu um regulamento (mais um) a proibir indiscriminadamente o estacionamento de autocaravanas.

A FEAA (Federação Espanhola de Associações Autocaravanistas), pontualmente de forma conjugada com a PACA (Plataforma de Autocaravanas Autónoma), desencadeou um processo de defesa dos direitos dos autocaravanistas que passou por vários níveis de actuação: negociação directa com o Município reclamando a supressão da proibição e a criação de uma área de serviço; recurso administrativo para as autoridades regionais; recurso ao Provedor Público e disponibilidade para apoiar judicialmente os autocaravanistas na contestação das multas de que tenham sido vítimas.
Parece mesmo o que se passa por cá, não é?


Pois… por cá a Federação dos campistas reclama para si a tutela do autocaravanismo, mas na prática limita-se a usurpar os sinais internacionais indicadores das áreas de serviço (com o propósito de impedir a sua utilização fora dos campings). O CPA (que tal como a FEAA é filiado na FICM (Federação Internacional de Clubes Autocaravanas) vai-se entretendo a organizar arraiais… Aliás esta filiação internacional apenas tem servido para meia dúzia de pessoas anualmente participarem numa festa internacional organizada pela FICM.

Por sua vez, os patetas na sua doentia cegueira de dizer o contrário do que nesta Tribuna se vai dizendo, vão enaltecendo a criação de clubezinhos de amigos com autocaravana sem a menor preocupação com os problemas que preenchem a agenda do movimento associativo autocaravanista.

Enquanto isto, por cá os ecos que se fizeram ouvir sobre este caso resumiram-se ao aplauso de uma manifestação em Santander que reuniu uma centena de autocaravanas. Obviamente que nenhuma das instituições que tem estado sentada à mesa com o Município apoiou a convocação de tal manifestação. O sentido da dignidade e responsabilidade institucional assim o exigia. Só os patetas o não entendem.

Surpreendentemente, ou talvez não, entre nós foi precisamente pela mão dos principais lambe-botas da Direcção do CPA que se ouviu o aplauso a tal manifestação. Ou seja, aqueles que cá aplaudem quem se demite da sua responsabilidade institucional, são os mesmos que aplaudem os gestos de “contestação selvagem” capazes de colocar em perigo o sucesso da luta institucional que vem sendo desenvolvida em Espanha.

Fazem-no por incapacidade de definir uma linha de rumo coerente ou por ignorância? Num caso ou noutro, melhor seria que estivessem calados. Se não sabem do que falam… não falem.

Por mim registo mais esta deriva errante dos actuais protagonistas do autocaravanismo, lamentando que sejam pessoas destas a aconselhar os responsáveis do CPA, que, por sua vez, para além de não fazer nada sobre o assunto, “vende a alma ao diabo” deixando que seja a Federação Campista a reclamar-se do direito a falar em nome dos autocaravanistas. Tudo isto por contrapartida de um depoimento a pedido enxertado numa querela, sem o menor interesse para os autocaravanistas, destinada a dar cobertura a uma declaração infeliz de Ruy Figueiredo : que pequenez de espírito!
Quando será que percebemos que, mesmo sem bons casamentos, de Espanha sopram bons ventos? Já era tempo de algumas pessoas abrirem os olhos!
Raul Lopes
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Boletins Associativos

Já sairam as edições dos Boletins da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e do Clube Português de Autocaravanas, cujas capas aqui reproduzimos.





Se fizermos uma ronda pelos vários blogs e fóruns relacionados com o autocaravanismo, praticamente não encontramos qualquer eco dos artigos e das opiniões expressas nestes duas revistas. Sinais do tempo em que cada vez mais nos vamos afastando do associativismo ou "receio" de manifestações contra o poder instalado e o politicamente correcto?

sexta-feira, 27 de março de 2009

A MISÉRIA DO AUTOCARAVANISMO...

O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.

Quem o disse foi Mia Couto, esse grande cultivador e recriador da língua portuguesa e do imaginário africano. Não me consta que o escritor seja autocaravanista, mas se o fosse por certo seria capaz de escrever algo assim:

O que mais dói no movimento autocaravanista é a ignorância que ele tem de si mesmo. Confrontados com a ausência de tudo, os autocaravanistas abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que amarrará autocaravanas nos campings enquanto as vozes vão anoitecendo. É a liberdade que se consome na negação do prazer da itinerância em liberdade.

Afinal este é um tema recorrente: a alienação individual que tolhe e bloqueia essa força enorme do ser colectivo.
Alexandre Herculano bem lembrou que “querer é poder”. Mas para querer é necessário fazer esse penoso caminho de libertação do espírito que é romper com as amarras que nos alienam e torna prisioneiros de nós mesmos.
Para “querer” é necessário adquirir consciência colectiva, como teorizou Marx no século XIX e mais recentemente John Friedman com o seu Empowerment escrito no final do século XX. Justamente a consciência que continua a faltar aos autocaravanistas para que o querer se possa transformar em poder. Para que o sonho possa virar realidade, para que o nada dê lugar ao usufruto da liberdade de ser autocaravanista itinerante.
Claro que para isso precisamos de instituições que nos representem e que dêem voz ao nosso querer, mas de nada servem as instituições se elas não forem servidas por pessoas esclarecidas e conscientes da tarefa que têm pela frente. Enquanto individualmente nos entregarmos ao prazer da alienação abstendo-nos do sonho e do desejo de sermos outros... é a própria realidade que resta um sonho adiado.
O último número do Boletim do agrupamento de escuteiros do CPA é bem o espelho desta miséria em que definha o autocaravanismo: será que as pessoas não têm memória nem espinha vertebral? É por isso que cada dia que passa é maior o silêncio que recebem como resposta. Estranhamente, ou talvez não, permitem-se interpretar o ensurdecedor silêncio de desprezo como manifestação de apoio:
O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma.

Já tarda o momento da clarificação. Há vozes que vão anoitecendo, sentindo o vazio da vida que pára, sentindo que alguém nos arrasta por trilhos estreitos que conduzem a lado nenhum.
Autocaravanistas, acordai antes que seja tarde!
Raul Lopes
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quinta-feira, 26 de março de 2009

No CPA, quem é o Senhor que se segue?

Há qualquer coisa de errado na cultura organizacional do CPA. O Clube em vez de uma força aglutinadora revela-se um triturador de competências e boas-vontades. Cingindo-me apenas ao topo dos órgãos sociais, e sem preocupações de exaustividade, facilmente verificamos ser esta uma característica do Clube. Ora vejamos.
O primeiro Presidente do Clube abandonou-o em conflito com o Presidente que lhe sucedeu, igualmente seu sócio-fundador. Este, por sua vez, acabaria expulso do CPA pela mão de Ruy Figueiredo, o terceiro e actual presidente da história do Clube.
Durante a dinastia de Ruy Figueiredo, para além do anterior Presidente, saíram do Clube, em ruptura com ele, o presidente do Conselho Fiscal e um dos dois sócios de mérito do CPA.
Ruy Figueiredo teve 3 vice-presidentes diferentes. O primeiro afastou-se do clube (demitiu-se entretanto?) em conflito com Ruy Figueiredo. O segundo (eu próprio), saiu do CPA empurrado por ele (de braço dado com os seus amigos). O terceiro vice-presidente, o actual, simplesmente hibernou, pois se ainda está em funções ninguém deu por isso (e não será por falta de experiência nem de competência para certas funções).
Se Ruy Figueiredo é o personagem conciliador, cordato e simpático que a imagem pública dele transmite, então como se explica que pela sua mão tenham saído do clube, entre outras, as pessoas que antes referi, pessoas que cada uma à sua maneira deixaram bem vincada a sua passagem pelo CPA? Isto devia dar que pensar àqueles que dizem preocupar-se com o futuro do Clube, mas esses preferem atirar pedras e espalhar cascas de banana pelo caminho.
Se o CPA não for capaz de reflectir seriamente sobre a sua cultura organizacional, então o melhor a fazer será começar a receber apostas sobre quem será o próximo a ser enxotado do Clube. Será o próprio Ruy Figueiredo o senhor que se segue? Por enquanto a sua cabeça vai sendo exibida na praça pública como troféu de caça tanto no CPA como fora do Clube, especialmente no MIDAP (e não só). Mas chegará o dia em que a sua cabeça deixará de ter utilidade no jogo das marionetas e será então retirada para a parede de uma qualquer recondida sala de troféus. Querem apostar?

Para quem tenha acabado de chegar, quero lembrar que não é de agora que levanto esta questão. Já na Primavera de 2008, quando ainda era sócio do CPA, questionei os responsáveis do Clube, sobre: Quem anda a tentar reescrever a história do CPA? Também nessa altura alertei os sócios de que havia quem estivesse a empurrar-me para fora do clube, o que não era uma originalidade. Fica aqui a transcrição de parte dessa mensagem.
Com resposta ou sem ela, as perguntas aqui ficam (a propósito Ruy, continuo à espera da resposta da Direcção aos meus emails das últimas semanas). É que mal avisados andam aqueles de curta memória que pensam que as instituições sem história nem memória colectiva podem ter futuro. Estranho sentido de gratidão se cultiva neste Clube. Não admira que não haja nem um sócio activo no CPA de entre aquelas que nos últimos 18 anos foram dirigentes. Aliás, os Presidentes anteriores ao Ruy Figueiredo (felizmente vivos) já não estão no CPA. Agora há quem me esteja a empurrar para fora do Clube, porquê? Porque fui vice-presidente. Assim não vamos lá (por muito que alguns pulem de contentes).
Ruy, daqui te
deixo o apelo: pára para pensar o rumo que estás a dar ao CPA e no propósito (ou despropósito) dos conselhos que certas pessoas te dão.
É forçoso concluir que Ruy Figueiredo não escutou o que lhe disse, pelo contrário, franqueou as portas de pare em pare àqueles que corroem os pilares do CPA.
A história se encarregará de julgar cada um conforme as suas responsabilidades. Para já registo com tristeza que na Assembleia Geral quem fala pelo presidente do CPA é Jorge Guimarães; no fórum e no Boletim é a mulher dele, Teresa Paiva, quem se substitui ao presidente; se é de áreas de serviço que falamos, então quem toma o lugar do presidente do CPA é o seu amigo Boaventura; se o assunto é o arraial de Abrantes quem surge em bicos de pés é o ZéVieira; finalmente, Nandin de Carvalho fala pelo presidente do CPA na Assembleia da República e onde mais se lembra (excepto quando despe a pele de sócio do CPA para se tornar na sombra tutelar do MIDAP ou do CAB ou do MONGA, ou do...). Agora, até o Cipriano campista foram buscar para reforçar a equipa dos que ocupam o palco que se impunha fosse ocupado por Ruy Figueiredo. Acontece que nem uma só destas pessoas foi eleita para a Direcção do CPA. Daí que se estranhe como podem ser elas a mandar no Clube, contando para tal com a cumplicidade do presidente. Não haverá no CPA quem veja que ao procederem como vêm fazendo estão a fazer de Ruy figueiredo um "presidente faz de conta"?

Depois ainda há quem se admire por Ruy Figueiredo ter sido olimpicamente ignorado quando recentemente veio ao fórum (coisa rara!) fazer um apelo. É sintomático que nestas semanas tenha havido menos pessoas interessadas em ler o que escreveu Ruy Figueiredo do que aquelas que diariamente vêm ler a Tribuna. E nem um só lhe respondeu. Que os sócios deixem a falar sozinho o Nadin de Carvalho ignorando "as mensagens" que teima em colocar no fórum, é absolutamente natural. Exprimem desta forma o desprezo que tal personalidade lhes inspira. Mas concederem ao seu Presidente o mesmo tratamento já não é natural e devia dar que pensar, a começar por Ruy Figueiredo, que não soube dar-se ao respeito e já começa a pagar por isso.
Este é parte do preço a pagar por quem se deixa envolver no jogo daqueles para quem parece que vale tudo, como se o autocaravanismo fosse a encenação de um filme à americana com polícias, ladrões, advogados, juízes e testemunhas abonatórias com depoimentos de conveniência. Há quem se esqueça que a realidade não deixa de o ser por mais que se fantasie.

A ver vamos o que se seguirá. Pela minha parte, em nome da memória de uma relação pessoal, apenas digo: Ruy, já que não soubeste retirar-te de cena na altura certa, agora tem cuidado com as cascas de banana... ou poderás ser o senhor que se segue, mais cedo do que supões.

PS.
Faço notar que, mais uma vez, não fiz ataques pessoais a ninguém. Limitei-me a alinhar factos e a dar opiniões sobre eles. Reconheço que há verdades que incomodam, mas são apenas factos.

Raul Lopes
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Quem anda a enganar quem no autocaravanismo?

Durante esta semana passámos aqui em revista algumas das trapalhadas e malabarismos com que o "movimento transversal" dos autocaravanistas nos tentou fazer crer que são os salvadores da pátria do autocaravanismo. Para finalizar a semana escolhemos o tema das reuniões entre o MIDAP e o Turismo de Portugal.

Em Dezembro último uma delegação dos “autocaravanistas sérios” reuniu-se com dois técnicos do Turismo de Portugal e descreveu assim a reunião:

"Neste contexto, foi sublinhado o entendimento aliás maioritário no sector, de que a recente legislação sobre turismo do espaço rural e a portaria sobre parques de campismo apenas se aplica as autocaravanas se e quando usadas como alojamento em campismo, e não em autocaravanismo itinerante.
Deste modo, a actividade do autocaravanismo que não implique a pratica de campismo continua, do ponto de vista oficial, livre e desregulamentada, sujeitando-se apenas à legislação genérica, designadamente ao código da estrada, e demais diplomas do domínio do ordenamento do território e ambiental e ainda às posturas municipais
."

Este arrasoado não faz sentido e é contraditório nos seus próprios termos. Para ver que assim é basta pegar no final da frase e lembrar que não faltam por ai “posturas municipais” que definem como sendo campismo a simples utilização da autocaravana no espaço público. Mas, ... fixemos a nossa atenção noutro aspecto: quem constitui o tal entendimento maioritário no sector? Será a AECAMP, a FCMP, o CPA, o CAB e o MIDAP??? Uma coisa é certa, o membro do Governo responsável pela publicação da Portaria não é certamente como no final poderemos constatar…

Mais recentemente e ainda segundo o MIDAP, graças aos “esforços desenvolvidos de forma desinteressada, e em regime de voluntariado dos seus colaboradores”, ficamos a saber que está em curso “pelo núcleo de apoio ao autocaravanismo criado neste departamento do Estado” (Turismo de Portugal) várias iniciativas que vão proporcionar melhores condições para a prática individual e em liberdade do autocaravanismo.

Em rigor podemos dizer que FINALMENTE concordamos em absoluto com o MIDAP. Realmente o “trabalho” aqui mencionado pelo MIDAP em conjunto com o Turismo de Portugal vai proporcionar melhores condições para a prática do autocaravanismo. Como todos sabemos dentro dos parques de campismo temos à nossa disposição energia eléctrica, água, casas de banho, lavandarias, e outras infra-estruturas que não encontramos num simples estacionamento de automóveis… Não pensem os nossos estimados leitores que estamos de algum modo a ser irónicos. É que a (triste) realidade é mesmo esta, as melhores condições que o Turismo de Portugal vai proporcionar (em colaboração com o MIDAP) é remeter as autocaravanas para os parques de campismo. Certamente que nos próximos dias teremos mais uma investida do MIDAP e respectivos voluntários colaboradores a tentar desviar a atenção dizendo que o assunto da Portaria 1320/2008 está já mais que esclarecido de que só se reporta ao autocaravanismo enquanto campismo e que todos os que não pensem assim estão a agir de má fé….

Pois bem, para além dos elementos da Tribuna, que não acham que esta portaria só regulamenta o autocaravanismo enquanto forma de campismo e que ela é altamente lesiva dos nossos interesses enquanto praticantes do turismo itinerante, existe pelo menos mais outra pessoa que (acreditando nas palavras do MIDAP) está a agir de má fé nesta questão. Essa pessoa é apenas o Secretário de Estado do Turismo (o membro do governo responsável pelo Turismo de Portugal e pela portaria 1320/2008), que nas sessões de esclarecimento sobre o Novo Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos claramente indica que uma das novas modalidades do novo regime será o Autocaravanismo, a que, finalmente, é dada a autonomização face ao campismo, através da portaria 1320/2008….

Curiosamente esta informação está disponível no site do…Turismo de Portugal!!! Para aceder clicar aqui e ver o slide 13, que seguidamente reproduzimos.


E agora, quem engana quem? Serão os elementos desta tribuna que desde sempre alertaram para os perigos que a publicação da portaria traria para o autocaravanismo enquanto turismo itinerante, ou serão, os elementos do MIDAP que desde o primeiro momento se congratularam por terem ajudado a alterar (em prejuízo da nossa liberdade) a portaria?
Será isto apenas o resultado da incompetência e das trapalhadas próprias de quem entrou em frenesim para “mostrar serviço” escondendo a sua incapacidade para reflectir sobre autocaravanismo, ou será que existem outras motivações para sistematicamente andarem,
“simplesmente”, a mistificar a realidade tentando iludir os autocaravanistas?

Sabemos que no jogo político a demagogia não é crime, mas há limites para tudo, até para a demagogia. Todos temos presente que a justificação dada para a criação atabalhoada do MIDAP foi para ir a tempo de intervir na discussão pública da Portaria sobre campismo. Entretanto fizeram-no, com os resultados que estão à vista de todos, mas não revelaram capacidade para fazer o que quer que fosse de positivo (tão pouco mostraram saber sobreviver sem a protecção tutelar do fundador). Esgotado que está o projecto do MIDAP, não seria altura de decidirem acabar com a palhaçada e extinguir aquilo que verdadeiramente nunca existiu?

Seguramente esse seria o melhor serviço que actualmente o MIDAP poderia prestar ao autocaravanismo português.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Legislação sobre Autocaravanismo:... mais trapalhadas transversais

Quando se fala em legislação sobre autocaravanismo há duas posições igualmente legítimas e sensatas sobre o assunto. Há quem pense que a única maneira de impedir que as Autarquias Locais continuem a perseguir os autocaravanistas é obter do Governo legislação que reconheça os direitos dos autocaravanistas. Mas há quem duvide da possibilidade de se conseguir um adequado enquadramento legal e, consequentemente, pense que a melhor estratégia é não promover a criação de legislação nenhuma, o que nos permitirá continuar a ter no Código da Estrada o bastião da defesa do direito a circular e estacionar em liberdade. Nesta Tribuna já foram expressos estes dois entendimentos.

O que é inaceitável, por ser altamente perigoso para a preservação dos direitos dos autocaravanistas, é a criação de legislação avulsa, ora regulamentando um aspecto ora outro, particularmente sem a participação da comunidade autocaravanista na sua elaboração.

Ora, infelizmente foi isso que já se passou com a Portaria 1320/2008 que o Director do Gabinete de Estudos do MIDAP e outros dos seus "coloridos" membros analisaram de forma descabida e caricata chegando a afirmar tratar-se de legislação “apenas para parques de campismo com fins lucrativos”. Para além do mais, esta abordagem traduz uma confrangedora incapacidade para ler as consequências políticas da aprovação da referida Portaria.

Infelizmente, a via da alteração casuística foi também o caminho seguido pelo MIDAP quando foi para a Assembleia da República propor a alteração do Código da Estrada com o fim de nele incluir um sinal que defina as autocaravanas como uma categoria específica de veículos. Para ver como esta é uma ideia disparatada e irreflectida basta pensar que se tal acontecesse esse sinal iria servir principalmente para as Câmaras estabelecerem a proibição das autocaravanas estacionarem (e neste caso com suporte legal). Assim sendo a iniciativa do MIDAP é ... simplesmente mais uma trapalhada.

Mas as trapalhadas do círculo do MIDAP sobre legislação não se ficam por aqui.
A propósito da reunião na Assembleia da República entre a FCMP e a Subcomissão Parlamentar de Turismo, Nandin de Carvalho escreveu em Julho de 2007 algo com que concordamos. Dizia ele:
“… Assembleia da República, que assim fica reconhecida como um epicentro político responsável e interessado pelos fenómenos sociais, e que fica enobrecida pelo sua disponibilidade e estudo das matérais sobre autocaravanismo, remetidas para a responsabilidade de iniciativa de cada um dos grupos parlamentares, sendo que, em nossa opinião, cabe ao GP do PS, pela sua sintonia com o Governo, o dever de avançar e concretizar as iniciativas legislativas adequadas.”

Uma pessoa minimamente atenta, sabe que qualquer iniciativa parlamentar estará condenada ao fracasso se não dispuser do apoio do partido da maioria e era isso exactamente a que se aludia na passagem que referimos atrás. Por isso concordamos que a haver uma iniciativa parlamentar sobre o assunto tal iniciativa teria que envolver o grupo parlamentar do PS.

Contudo, 20 meses depois destas declarações e sem que a representatividade na AR tenha sido alterada, vêm gora dizer-nos que na sequência da visita do MIDAP à AR vai ser criada legislação especifica para o autocaravanismo, graças a uma iniciativa de dois deputados do PSD: Mendes Bota e Nuno da Câmara Pereira.

A “notícia” é tanto mais estranha quando surge a escassos meses do fim do mandato dos actuais deputados, nada garantindo sequer que sejam reeleitos nas eleições do próximo mês de Outubro. E está fora de questão que o que quer que seja venha a ser aprovado antes disso.

Assim sendo é inevitável que nos interroguemos: tudo isto não passa de mais uma das trapalhadas a que vamos ficando habituados, ou, mais grave, é uma jogada de demagogia político-partidária com antecâmara eleitoral, em jeito de quem tenta mostrar serviço para ganhar peso político nos bastidores manipulando e iludindo os autocaravanistas?

A resposta fica ao cuidado de cada um de vós. Mas talvez vos ajude saber que um dos deputados que agora nos é apontado como o herói salvador é o mesmo que em 2006 disse na reunião na AR ter visto no Algarve autocaravanas (a que chamou caravanas) estacionadas em “sítios turisticamente atractivos” (depreende-se que tais sítios deviam ser proibidos aos autocaravanistas), tendo ainda considerado “que os parques de campismo são locais seguros e fora deles seria inseguro estacionar autocaravanas.”

Depois destas considerações, quem tem dúvidas sobre quais são os locais que o senhor deputado considera adequados para as autocaravanas pernoitarem?
Nós não temos, por isso dizemos: oxalá as trapalhadas do MIDAP-Carvalho não tenham continuidade na acção destes deputados do PSD.

Como dizia a canção: pra melhor, está bem, está bem. Pra pior já basta assim!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porquê envolver a GNR nas trapalhadas do MIDAP?

Para o comentário de hoje da TAC, elegemos a mais recente excursão do MIDAP. Desta vez a visita foi ao Quartel do Carmo em mais uma iniciativa espalhafatosa de que não resulta qualquer proveito para os autocaravanistas, mas apenas e tão só, mais um banal desfile público de vaidades, que o uso de maquilhagem envolvente não disfarça e que só impressiona quem pela sua cabeça não pensar. Resultados concretos? Só o risco de efeitos colaterais que fazem dos autocaravanistas as principais vítimas.

O comunicado da delegação dos autocaravanistas “bem formados” presentes na reunião de trabalho com a GNR deixa-nos com uma simples e singela dúvida. O que foram realmente lá fazer? É que as conclusões referidas não acrescentam nada ao que o CPA já em 2006 tinha obtido, com uma ligeiríssima diferença: o CPA obteve por escrito todos os esclarecimentos devidos do Comando Geral da GNR.

Aqui reproduzimos o ofício com os esclarecimento da GNR divulgados em 2006 pelo CPA através de uma Press Release e no Boletim “O Autocaravanista”:

(Clicar na imagem para aumentar)

Para uma melhor compreensão do ofício, reproduzimos as questões colocadas em Setembro de 2006 pelo CPA através de uma carta então enviada ao Comando Geral da GNR:

1. No caso das autocaravanas com menos de 3500Kg, as regras aplicáveis à circulação e estacionamento das autocaravanas são distintas das aplicáveis aos restantes veículos ligeiros?

2. A adopção pelos municípios de normas de regulação do estacionamento na via pública que discriminam as autocaravanas, proibindo o seu estacionamento, tem suporte legal?

3. A verificar-se a legalidade do procedimento anterior, qual da sinalética definida pelo Código da Estrada deve ser afixada no local? Em particular, qual o suporte normativo para placas de sinalização vertical onde por debaixo do normal sinal de proibição de estacionamento surge a inscrição “autocaravanas” e/ou um desenho estilizado de uma autocaravana, quando não de uma caravana?

4. Existe alguma norma legal que imponha uma distância mínima a partir de um Parque de Campismo para uma autocaravana poder estacionar (no respeito pela lei geral de estacionamento de veículos ligeiros)?

5. Existe alguma norma legal que proíba que se pernoite no interior de um veículo ligeiro, nomeadamente de uma autocaravana, quando legalmente estacionado no espaço público?

6. Com que fundamento legal se pode considerar que os ocupantes de uma autocaravana estão acampados se esta estiver legalmente estacionada e, cumulativamente, não se encontrar a derramar qualquer tipo de fluído nem de alguma forma a ocupar um espaço para além do perímetro dos limites físicos do veículo?

Como facilmente se constata a delegação do MIDAP limitou-se a copiar as questões colocadas pelo CPA e a transmitir os esclarecimentos da GNR como se fossem pela primeira vez obtidos. Por várias razões esta reunião mais parece uma fantasia à maneira das "mesas redondas sobre autocaravanismo" protagonizadas pela Lady Nokia e companhia.

Para os autocaravanistas mais desatentos, esta nova “trapalhada” do MIDAP pode-se revestir de alguma gravidade pois são fornecidas informações que não correspondem à verdade. A GNR nunca poderia dizer que “considera ainda que não existe nenhuma lei que proíba o uso de calços nas rodas das autocaravanas. E ainda, que não existe nenhum normativo legal que obrigue as autocaravanas a recolherem a parques de campismo...” Usar este argumento com um agente da autoridade é criar um conflito gratuito que em nada nos beneficia.

Com efeito, esta afirmação não pode ser atribuída a um responsável da GNR pois este sabe que existem regulamentos e posturas municipais (que a GNR faz cumprir) que proíbem exactamente estas situações. Infelizmente existem vários exemplos, como Esposende, Espinho, Vila do Conde, Vila Real de Sto António e Odemira entre outros. Por exemplo, no município de Odemira o aparcamento de viaturas com a finalidade de pernoitar só é permitido nos parques de campismo e nos locais definidos para o efeito e devidamente identificados, mediante pagamento de taxa, quando afixada. Até há existência de locais definidos para o efeito, só é permito a prática nos parques de campismo. Este normativo legal foi publicado em 2004 em Diário da República, mantendo-se ainda em vigor. Com a entrada em vigor da Portaria 1320/2008, entende-se claramente de que tipos de locais definidos para o efeito, serão considerados pelo município de Odemira...

Neste regulamento estão ainda definidas as seguintes situações:
Estacionamento: Fora dos locais destinados ao aparcamento apenas é permitindo o estacionamento de viaturas, não sendo permitido o aparcamento, assim definido:
Aparcamento: Será considerado aparcamento sempre que se verifiquem uma ou mais das seguintes situações:
- Arrear os estabilizadores e colocar calços, etc.


Ou seja, no território nacional existem locais em que a utilização de calços na via pública é proibida e que o único local para as autocaravanas estarem é nos parques de campismo, ao contrário do que o comunicado do “movimento transversal” erradamente transmite.

Aqui não está em causa a concordância ou não com o regulamento do município de Odemira. Nem sequer está em equação a (i)legalidade de tal Regulamento (que não compete à GNR julgar). O que está em causa é mais um péssimo serviço prestado à causa autocaravanista por parte do MIDAP levando as pessoas ao engano. Já são erros e trapalhadas a mais para poderem explicar-se simplesmente pela incompetência.

O MIDAP/DeCarvalho, depois da patetice de se proporem dar aulas às forças policiais para os formarem sobre autocaravanismo, vêm agora propor a elaboração de uma circular para ser distribuída organicamente pela GNR o que é algo que temos dificuldade em qualificar. Ridículo é o mínimo que pode dizer-se. Os militares cumprem instruções recebidas hierarquicamente, não são marionetas que se movimentem ao sabor dos caprichos de alguém, por mais iluminado que se considere.

Se não sabem fazer bem, melhor fora que estivessem quietos e calados em vez de saltarem de trapalhada em trapalhada com a febre de quem quer mostrar serviço. Não é que nos incomode as suas tristes figuras, mas preocupam-nos as consequências dos seus gestos irreflectidos para a liberdade de ser autocaravanista em Portugal.

terça-feira, 17 de março de 2009

MIDAP: obra feita, ou apenas demagogia e trapalhadas sem fim?

Conforme antecipámos ontem, no texto publicado na Tribuna, iniciamos hoje uma série de comentários na TAC onde demonstramos clara e inequivocamente, que a frenética actividade do auto-entitulado grupo transversal de representantes dos autocaravanistas não passa de um exercício estéril e sem sentido, que nada de novo, e sobretudo de positivo, acrescenta ao movimento autocaravanista. Em bom rigor os autocaravanistas só têm a perder com as “trapalhadas” do MIDAP.

A primeira grande preocupação deste grupo tem sido mascarar a evidente falta de representatividade que tem entre os autocaravanistas. Ainda no último comunicado é referido que já se sentam à “volta da mesma mesa” vários clubes e entidades que depois vêm desmentir categoricamente que não fazem parte do MIDAP. Só por aqui podemos constatar a confusão e sobretudo a falta de rigor e seriedade que este “movimento transversal” vem emprestando ao movimento autocaravanista. Apesar da mestria colocada na arte da manipulação, do comunicado apenas ressalta a demagogia.

O espalhafatoso anúncio de um parque de estacionamento na capital, acessível a autocaravanas, não passa afinal de uma promessa e, como todos bem sabemos, de promessas está o mundo, aqui e além cheio, bem como de trocadilhos e provérbios usados ao sabor da corrente, para melhor iludirem a verdadeira realidade.
Por exemplo, e no caso concreto do concelho de Lisboa, já há 2 anos que o CPA tinha, também, a promessa da construção de uma AS com pernoita no Parque das Nações e que a CM Lisboa estudaria a proposta de localização de uma AS junto a Belém. Mas daí a ter-se concretizado no terreno as promessas, vai uma grande distância, ainda mais com eleições autárquicas pelo meio.

À medida que vamos lendo o comunicado do MIDAP, algumas preocupações vamos registando. Reveste-se-nos de particular gravidade a afirmação de que poderá ser criado um espaço como “alternativa ao parque de campismo de Monsanto para os autocaravanistas nacionais e estrangeiros que demandam a capital, poderem estacionar e pernoitar em segurança na suas viaturas.” Ou seja, o MIDAP não só deixa transparecer que concorda com a AECAMP e com a FCMP, de que o lugar das autocaravanas é nos parques de campismo, como retoma a ideia expressa na célebre Portaria n.º1320/2008 de que, fora dos campings, as autocaravanas terão espaços especialmente a elas destinadas, de acordo com o que lá se encontra estipulado.

Sabendo nós a apetência que as câmaras municipais têm para produzirem regulamentos de trânsito limitadores da permanência e estacionamento das autocaravanas, é de extrema gravidade que sejam os próprios autocaravanistas a proporem, directa ou indirectamente, a inibição ao livre estacionamento das autocaravanas.

Aqui está um claro exemplo de como uma boa ideia - a construção de parques de estacionamento e áreas de serviço - se pode converter numa má solução, se não forem tomadas as devidas cautelas, ou se deixarmos que estas pessoas se apresentem às autoridades como representantes dos autocaravanistas que não são, enquanto não se sujeitarem ao plebiscito de quem de direito. O uso e pelos vistos o abuso do nome de terceiros para lhes dar uma pretensa legitimidade terá os dias contados, quando a “máscara” cair e as consciências de todos os autocaravanistas despertarem.

Pela nossa parte, enquanto autocaravanistas, continuaremos firmes nos alertas, mesmo que vozes surjam a “querer” calar-nos e retirar-nos direitos de opinião e cidadania. Ao contrário de alguns, não nos insinuamos junto de ninguém como “representantes” de terceiros que nunca consultámos. Assumimos publicamente as nossas opiniões enquanto autocaravanistas livres. Tão só isso.

Constatar que cada dia que passa são mais os autocaravanistas que se reconhecem na nossa voz não é para nós um troféu, nem nenhuma premissa fundadora de qualquer movimento transversal, de um clube, observatório ou outra trapalhada qualquer. Sermos o espaço mais lido do cyberespaço autocaravanista é uma honra, é um estímulo, mas é também para nós uma responsabilidade acrescida.

Não nos calarão!

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Tribuna Autocaravanista e o actual momento do Autocaravanismo em Portugal

Face ao aparecimento de alguns comentários em fóruns e blogs, inclusive na TAC, impõe-se fazer alguns públicos esclarecimentos.

A Tribuna Autocaravanista tem como único e central objectivo contribuir para o debate sobre a temática do autocaravanismo e as suas várias vertentes, com especial ênfase sobre o autocaravanismo enquanto turismo itinerante. Várias vezes nos últimos 3 meses de uma forma clara, directa e objectiva temos dado o nosso contributo através da publicação diária de sugestões, opiniões, comentários críticos e alertas sobre o actual momento que atravessa o autocaravanismo.

Se de alguma forma temos visado alguém ou algum grupo em particular isso deve-se, tão só, a uma análise crítica sobre o percurso por eles escolhido, que somos livres de considerar incorrecto. Vivemos em Democracia e sentimo-nos com iguais direitos de cidadania, que nos permitem comentar ou agir em função das nossas convicções. Se existem tantos “agentes” que se vêm arrogando como “nossos” defensores, sem que para isso lhes tenhamos passado qualquer credencial, porque razão haveríamos de ser cerceados de um Direito Constitucional – o da livre expressão e pensamento?

Sentimos que os caminhos percorridos são perigosos e que nos podem levar a perder o maior dos fundamentos de um autocaravanista – o da sua liberdade de viajar, usufruindo das potencialidades da viatura que adquiriu. Não procuramos atacar pessoas, mas criticamos acerrimamente as ideias que alguns procuram impor como “salvadoras”, quando delas abertamente discordamos ou sobre as quais temos fortes dúvidas.

Paralelamente, temos também sido contundentes com o CPA, pela forma como o maior e mais representativo clube de autocaravanismo português tem sido (mal) gerido, desbaratando um capital ganho no biénio 2006/07.

Nada nos move contra ninguém a título pessoal. Mais, não temos interesses particulares, económicos, políticos ou de qualquer outra espécie no meio autocaravanista. Se somos incómodos é porque não assobiamos para o lado ou voltamos a cara quando vemos que algo está mal ou do qual não concordamos. Não fazemos acusações gratuitas só porque existem pessoas com ideias diferentes daquelas que publicamente assumimos. Também ninguém nos viu fazer ameaças ou infundados assassinatos de carácter. O que nos move é o direito de opinião cimentado na defesa intransigente da nossa liberdade individual – um anseio colectivo - que não pode nem deve ser posta em causa por ninguém, mesmo que por mera ingenuidade, e muito menos por parte de quem tenha eventuais interesses particulares. O que lastimamos profundamente é a evidente e incompreensível situação penosa porque passa o maior clube português de autocaravanismo. A nossa actuação, a nossa crítica, não pode ser interpretada com o fundamento da “destruição” mas antes como um alerta à consciência dos seus associados para uma desejável reversão. Quem se calou ou, pior ainda, apoia a actual desgovernação do CPA, é que será responsabilizado pelas consequências negativas que esta gestão trará ao Clube e aos autocaravanistas num futuro próximo.
Como pode um clube com quase dois mil sócios ficar feliz com a unanimidade de uma AG onde apenas compareceram umas escassas dezenas de pessoas?
Melhor fora que aqueles que sem mostrar dispor de uma única ideia válida para o autocaravanismo apenas se preocupam em atingir o bom-nome dos autores deste Blog, se preocupassem antes em encontrar resposta para estas questões:
- O que pensarão do actual momento do CPA os mil e tal sócios que deveriam estar na AG e não estiveram?
- Porque será que cada dia que passa é menor a proporção de autocaravanistas que se revê no CPA?
- Porque foram criados no último ano 4 Clubes formados por autocaravanistas sem que o CPA revelasse qualquer capacidade de inverter este processo de fragmentação do movimento associativo?

Parece que anda por aí muita gente com medo de enfrentar a verdade dos factos!

Não dizemos mal só por dizer ou só para contrariar quem quer que seja. Demonstramos inequivocamente porque criticamos as opções que alguns insistem em seguir e apontamos soluções e possíveis caminhos que poderão ser seguidos em alternativa.

Não nos escondemos em pseudónimos ou em acrónimos. Damos o nome e a cara em defesa das nossas convicções, não porque somos melhores que os outros, mas porque assumimos a nossa discordância legitimados na saudável frontalidade que só dignifica quem se sente com direito e vontade de intervir.

Não somos, certamente, mais uns teóricos que do seu pedestal imaginário, vão mandado “bitaites” que apenas contribuem para o ruído de fundo que vai afastando aos poucos e poucos os autocaravanistas do associativismo. Temos provas dadas sobre o que fazer e da forma de proceder para atingir uma correcta dinâmica institucional do autocaravanismo e para a dignificação social da imagem dos autocaravanistas. Ao contrário de muitos, temos provas dadas e temos ainda bem presente na memória aquilo que foi possível atingir em tão pouco tempo.

Vamos continuar a mostrar como a demagogia, a hipocrisia e a manipulação tem sido usada e abusada pelos pseudo autocaravanistas “bem formados” que constituem um pretenso movimento representativo dos autocaravanistas portugueses.

Dito isto reafirmamos do alto desta Tribuna que não somos, nem ambicionamos ser, nenhum Clube mas que nada nos demoverá de prosseguir o caminho que anunciámos na primeira mensagem que aqui publicámos e que parcialmente recordamos:

Porque não há machado que corte a raiz ao pensamento...a Tribuna segue os trilhos dos autocaravanistas itinerantes que buscam a liberdade alicerçada na razão crítica e na dignidade social.

Afinal quem somos e o que queremos nós ao envolver-nos na criação desta Tribuna Autocaravanista?Bom, em face do que se tem visto por aí nos últimos tempos, o melhor é começar por esclarecer o que não somos: não somos o embrião de nenhum clube; não somos obreiros de nenhum círculo, nem triângulo, nem sequer um quadrado ou um losango. Somos simplesmente autocaravanistas com o saber acumulado pela vida e pela experiência enquanto dirigentes associativos. Somos autocaravanistas que seguem com apreensão o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal. Somos autocaravanistas que cultivam a liberdade alicerçada na responsabilidade, e que não hipotecam a consciência ao jogo oportunista do discurso politicamente correcto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

TOLEDO: mais um gesto de perseguição aos autocaravanistas

Pela mão do companheiro Vicente, de Gijon (http://www.areasac.es/), tomei conhecimento de mais um gesto de perseguição (i)legal aos autocaravanistas.
Desta vez é em Toledo, onde o Município acaba de aprovar um Regulamento Municipal sobre a ocupação do espaço público. Para além de definir as condições de licenciamento de bares, esplanadas e quiosques, o Regulamento estabelece na secção 10, artigo 107, que é proibido:
“Acampar nas vias e espaços públicos, acção que inclui a instalação no espaço público ou nos seus elementos móveis de tendas, veículos, autocaravanas ou caravanas, salvo em lugares concretos autorizados. Também não é permitido dormir de dia ou de noite nesses espaços.”
Este é mais um exemplo do que pode vir a acontecer-nos em Portugal no futuro, até porque também cá a regulamentação do uso do espaço público é competência das Autarquias Locais. O artigo 29º da recente Portaria regulamentadora do campismo até já definiu quais são os “lugares concretos autorizados” para a pernoita das autocaravanas.... só não vê quem não quer ver.
Este é mais um exemplo que mostra como é importante os autocaravanistas organizarem-se, mobilizarem-se e lutarem pela defesa dos seus direitos. Para ser autocaravanista não basta ter uma autocaravana, temos que colectivamente criar condições para podermos desfrutar dela em liberdade.
Este é mais um exemplo que mostra o perigo que é os autocaravanistas deixarem-se conduzir por entidades a quem apenas interessa rentabilizar os Parques de Campismo.
Este é mais um exemplo que mostra como é um disparate querer alterar-se o Código da Estrada para criar um sinal de trânsito que permita a descriminação das autocaravanas. Já nos basta o sinal com a caravana que foi criado apenas para indicar a localização dos parques de campismo, mas agora só é usado para nos empurrar para lá.
Este é mais um exemplo que mostra como temos razão em criticar o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal.
Este é mais um exemplo que mostra o baixo nível intelectual daqueles que nos acusam de fazer ataques pessoais quando nos limitamos a criticar ideias, daqueles que têm necessidade de permanentemente dizer que são sérios e bem intencionados (certamente por duvidarem de que o sejam), daqueles que perdendo a noção do ridículo nos chamam cobardes, daqueles que revelam a sua ordinarice ao socorrerem-se de ditados populares para chamarem aos autores desta Tribuna “cães” que rosnam e “burros” cujas vozes não chegam ao céu, etc... Assim se vê quem é que diz adoptar códigos comportamentais de RESPEITO mas passa a vida a fazer ataques pessoais do mais baixo nível, ataques que de tão ordinários não atingem ninguém apenas desqualificam quem os faz. É triste ver pessoas que são incapazes de contrariar um só dos nossos argumentos a reagirem desta forma.
Se não fosse tão pequena a capacidade intelectual dessas pessoas usariam antes aquele ditado que diz: se vires as barbas do vizinho a arder põe as tuas de molho.
Isso lhes permitiria perceber que aquilo que está a acontecer em Espanha nos pode acontecer a nós em qualquer momento e que, face a esta ameaça, muito do que os auto intitulados heróis do autocaravanismo português vêm fazendo não passa de uma sucessão de atitudes irreflectidas, de trapalhadas e asneiras pelas quais mais tarde ou mais cedo todos os autocaravanistas terão que pagar.
A informação que a TAC divulgou anteontem sobre o que já se está a passar no Algarve é bem clara. Só não vê quem teima em não querer ver.

Raul Lopes

quinta-feira, 12 de março de 2009

Correio da Tribuna: vamos criar um novo Clube?

A propósito da nossa mensagem "Abriu a época de caça às autocaravanas no Algarve" publicada ontem, o companheiro Vitor Viegas (que não temos o prazer de conhecer) fez-nos o seguinte comentário:

Tenho seguido atentamente os artigos publicados na TAC.
De um modo geral estou em total sintonia com as opiniões e críticas manifestadas.
No fim da leitura de cada manifesto, fico sempre em mente, com a ideia da criação de um novo clube, com base na TAC. E aqui fica uma pergunta. Ainda não há condições para tal? Ainda falta muito?
Um abraço autocaravanista.
Vitor Viegas
Porque a pergunta é pertinente, não podíamos ficar-lhe indiferentes, apesar de sabermos que era mais cómodo ficar calados, evitando assim as críticas. Quem nos conhece sabe que somos pessoas frontais e transparentes, gostamos de falar claro, pelo que aqui fica a resposta à questão colocada.


Estimado companheiro Vítor. Obrigado pelo estímulo das suas palavras.
Compreendemos bem o seu estado de espírito. Temos, aliás, razões para pensar que são cada vez mais os autocaravanistas a comungar do mesmo sentimento. Em todo o caso, desde o primeiro momento, assumimos com os nossos leitores o compromisso de não contribuir para aumentar a descredibilização do movimento autocaravanista criando mais um "clubezeco". Continuaremos firmes no apontar de caminhos e soluções, mas não nos cabe (pensamos nós) a iniciativa de um processo do tipo daquele que sugere.

De resto, apesar dos tiros no pé que o CPA vem dando e as trapalhadas que o circulo do MIDAP vem protagonizando, pensamos que não há condições para que, actualmente, se pense numa iniciativa séria e verdadeiramente mobilizadora dos autocaravanistas esclarecidos. Pelo menos nos termos em que pensamos que ela faz falta em Portugal.

Mas sobre isso quem tem a palavra são os autocaravanistas, na certeza de que se tal consciência colectiva se manifestar terá nesta Tribuna uma trombeta.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ser dirigente é um prémio de reconhecimento ou uma responsabilidade?

Normalmente as colectividades debatem-se com a dificuldade de encontrar quem esteja disponível para assumir a sua liderança. Mas, paradoxalmente, não faltam nos clubes quem esteja desejoso de se exibir em palco. Resultado: muitas vezes colocam-se na Direcção dos clubes pessoas que não têm um mínimo de competência para o cargo, mas que estão desejosas de o ocupar. Mais, acham que têm direito a ocupá-lo, como compensação pela dedicação tributada ao Clube.

A meu ver, enquanto aceitarmos a lógica de usar os lugares nos cargos dos órgãos sociais dos clubes como prémio, como compensação, como “pagamento de favores”, etc. estamos a hipotecar o futuro esses clubes. Estamos a fazer definhar o espírito associativo.

O movimento associativo está cheio de situações que me contradizem, mas para mim ser dirigente é assumir uma responsabilidade, não é usufruir de um prémio de reconhecimento social pelos bons serviços antes prestados à colectividade a que se pertence. Para estas pessoas os Clubes devem dispor de uma Galeria dos Notáveis onde exibam as fotos emoldurada dos sócios que se distinguiram no passado do Clube. No presente o Clube , qualquer que ele seja, precisa de quem trabalhe, precisa de quem assuma a atitude inerente ao dever de serviço público, precisa de quem entenda que ser dirigente é carregar a responsabilidade de honrar o passado do Clube e de construir os alicerces do seu futuro.

Como pode alguém projectar o futuro de um clube se não tem qualquer Projecto, uma ideia coerente, um programa substantivo de política associativa que sirva de referência à actuação, que indique os objectivos do clube que se quer ter no futuro. Seguramente não é ficando sentados a olhar para o passado, por muito glorioso que ele seja.

Ser dirigente é (devia ser!) ter rasgo, ter ousadia, ter horizontes largos. Podemos fazer pequeno hoje pensando grande no futuro, mas seguramente que no futuro não haverá muito para recordar do que fazemos hoje se agora fazemos muitas coisas mas sem a capacidade para idealizar o futuro, se não formos capazes de sonhar com o futuro. É que o futuro começou ontem.

É por isso que digo: ser dirigente é assumir as responsabilidades do cargo, não pode ser entendido como um meio de satisfazer vaidades pessoais.
Raul Lopes