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sexta-feira, 29 de maio de 2009

FIM DE LINHA: Há pessoas que nos fazem sentir vergonha de sermos autocaravanistas

Ao longo de 6 meses, diariamente, subimos a esta Tribuna para apontar caminhos, apoiar iniciativas válidas, divulgar e partilhar informações de interesse para os autocaravanistas, assim como para denunciar os erros e sobretudo as manobras perversas daqueles que se têm aproveitado dos autocaravanistas, manipulando-os.


Com a apresentação na Assembleia da República do Projecto-Lei 778/X atinge-se o culminar de um processo que no essencial visa alimentar vaidades pessoais e promover interesses materiais à custa do aprisionamento dos autocaravanistas em "AAA-Áreas de Acantonamento de Autocaravanas".

Desde o primeiro momento que aqui denunciámos as iniciativas errantes e perversas que culminaram na tentativa legal de nos acantonar, pondo fim ao autocaravanismo itinerante em liberdade. Na nossa mensagem de ontem fica bem evidente que afinal tínhamos razão desde a primeira hora.

Lamentavelmente os protagonistas principais deste processo são autocaravanistas, o que configura uma traição. Com o nosso silêncio de pesar da semana passada quisemos dar-lhes a oportunidade de virem a público retratar-se, pedir desculpa aos autocaravanistas, e dispor-se a tentar emendar o erro que cometeram.
Infelizmente... em vez disso apressaram-se a ir para Cascais onde o manipulador DeAlém se exibiu ao mais alto nível, fazendo desfilar as suas marionetas enquanto se escondia por detrás do pano do palco.

Cascais foi anunciado como uma festa, e até já houve quem tenha escrito que foi um virar de página do autocaravanismo. Com efeito, no fim-de-semana passado em Cascais não se virou uma página, fechou-se o livro. A festa em que alguns participaram em Cascais afinal era o funeral do autocaravanismo livre, como ontem deixámos aqui demonstrado.

Os autocaravanistas tem o direito, e o dever, de recordar o nome dos principais responsáveis por esta tentativa de aprisionamento do autocaravanismo:

Luís Nandin de Carvalho (Newsletter, MIDAP, CAB, ONGA, CPA, ACP, Jurisconsulto especialista em lobbing, Secretário do ONGA, Director dos Gabinetes de estudos da Newsletter, Bar de Além, A. Camping, exGLRP, etc.)

Ruy Figueiredo (CPA-Clube Português de Autocaravanas e MIDAP-Movimento dos transversais ingénuos)

JJ Carvalho dos Santos (CCL-clube de campismo de Lisboa, CPA, MIDAP)

Seco dos Santos (MIDAP e CAB-Circulo de Autocaravanistas da Blogosfera)

Diogo Ferreira (MIDAP e CAB)

Ana Pressless Duque (MIDAP e CAB)

Luís Almeida (site Camping-Car Portugal e MIDAP)

Paulo Rosa (site Camping-Car Portugal)

Fernando Luís (site Camping-Car Portugal e MIDAP)

Rui Narciso (blog Pápa-Léguas e CAB)

Teresa Paiva (CPA)

Nuno Pires (MIDAP, CAB, CPA e CASaloios)

O comportamento destas pessoas deixa-nos envergonhados de sermos autocaravanistas. Por isso, e como gesto de solidariedade para com as vítimas da sua acção, recusamo-nos a continuar a partilhar o palco do autocaravanismo com pessoas deste nível.

É pois com pesar que anunciamos que de hoje em diante as nossas vozes vão deixar de ouvir-se na Tribuna Autocaravanista.

Aos companheiros que sempre souberam tributar-nos o calor do seu apoio, deixamos aqui um fraterno abraço.

Vamo-nos vendo por aí, on the road... a caminho da Europa.

Entretanto, deixamos-vos uma sugestão para este fim de semana: vão ao teatro.

Em Lisboa, na sala Garrett do Teatro D.Maria II, estará em cena o Vampiro, representado pela Companhia holandesa Stuffed Puppet Theatre assim apresentado:

Num parque de campismo holandês, que à primeira vista parece muito divertido, o dono e o seu assustador ajudante preparam planos sombrios. Vampyr é um conto de fadas para adultos, uma história que junta rituais, medos, romantismo, coragem, cobardia, condimentada com terror, humor e infidelidade.

Neville Tranter, actor-manipulador, apresenta-se sozinho em cena, num cenário que combina os dispositivos teatrais mais antigos com as tecnologias mais modernas, e evoca imagens que o público dificilmente esquecerá.


Se por ventura não conseguir bilhete, não se preocupe: há uma versão portuguesa que continuará em exibição num parque de campismo perto de si.

Lau Correia
Nuno Ribeiro
Raul Lopes


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Projecto-Lei Nº 778/X do PSD é uma armadilha para o autocaravanismo

Mendes Bota e Nuno da Câmara Pereira subscrevem uma proposta de Projecto-Lei que tem como propósito regulamentar o autocaravanismo. Pelas considerações do preâmbulo, pesem embora algumas confusões conceptuais de que não serão os principais responsáveis, somos levados a crer que estes dois deputados do Grupo Parlamentar do PSD estão genuinamente convencidos da bondade do Projecto que subscrevem.

Infelizmente, os senhores deputados foram enganados pelas mesmas pessoas que têm vindo a enganar os autocaravanistas.

O que está em cima da mesa não é um diploma para salvaguardar a liberdade do autocaravanismo. Isto é um articulado deliberadamente enganador, é uma artimanha que entre os autocaravanistas só podia ser gerada pela mente perversa do manipulador DeAlém. Aliás, ele não perdeu tempo a vir a público reclamar os louros da coautoria do Projecto-Lei. Esse senhor, não satisfeito com o uso da internet para manipular e descredibilizar o autocaravanismo, permitiu-se agora envolver no seu jogo os srs deputados (cuja boa fé não questionamos).

Depois dos (poucos e hesitantes) aplausos que já se ouviram por aí, como se a existência de uma iniciativa legislativa fosse por si só uma boa notícia, estas nossas palavras podem parecer despropositadas. A quem assim pense sugerimos que leia com atenção o texto do Projecto-Lei e que com ele na mão coteje os seguintes comentários.

  1. Na ordem jurídico-constitucional portuguesa é aos Municípios que compete regulamentar a utilização do espaço público, nomeadamente quanto às condições de circulação e estacionamento dos veículos automóveis. A competência regulamentar dos Municípios está sujeita aos limites da lei superior, estando-lhes vedada a capacidade jurídica para, por exemplo, criar sinais de trânsito.

  2. De entre todos os problemas dos autocaravanistas, o que ressalta como principal quer no momento actual quer no futuro previsível, é a utilização de Regulamentos Municipais e de sinalização avulsa para, de forma indiscriminada, negar aos autocaravanistas o legítimo direito de estacionar as autocaravanas em condições que respeitam escrupulosamente o estabelecido no Código da Estrada.

  3. O corolário dos dois factos anteriores é imediato, a salvaguarda dos legítimos direitos dos autocaravanistas só pode passar por dois caminhos: ou pela contestação casuística da discriminação aos autocaravanistas, em sede de Tribunal Administrativo, ou por um diploma legal de ordem superior que ponha fim às práticas regulamentares persecutórias dos autocaravanistas.

  4. O Projecto-Lei em apreço salvaguarda os autocaravanistas da perseguição de que vêm sendo vítimas? Manifestamente NÃO. Pior do que isso, não só não impede a continuação dos actos persecutórios, como barra o caminho de afirmação dos nossos direitos por via judicial. Ou seja, deixa-nos completamente indefesos.

  5. Com efeito, o que o Projecto-lei faz é legalizar a perseguição. Mas fá-lo de forma ardilosa, dando a entender que está a consagrar direitos aos autocaravanistas. De entre as 14 páginas do Projecto-Lei o que releva juridicamente são os artigos 2º, 3º, 4º, 5º e 14º, sobretudo estes dois últimos. O resto é retórica. Veja-se o que aí se estabelece.

  6. O artigo 14º vem abrir a porta à criação de sinais de trânsito que tornem legal a proibição do estacionamento das autocaravanas, mesmo que respeitando as actuais normas do Código da Estrada. Desde a primeira hora que denunciámos como disparatada a ideia de pretender ver alterado o Código da Estrada. Por exemplo, actualmente o Código da Estrada tem um sinal com uma caravana, cuja existência se justificaria para sinalizar a localização de parques de campismo. Percorrendo o país, quantas vezes vemos esse sinal usado com essa finalidade? Ele é usado simplesmente para de forma abusiva (e por enquanto ilegal) proibir o estacionamento às autocaravanas. É fácil de ver o que acontecerá se no Código da Estrada for introduzido um sinal que permita discriminar as autocaravanas. De resto, se temos contestado a discriminação, que legitimidade têm agora os autocaravanistas para reclamar uma situação de privilégio para as autocaravanas relativamente aos restantes veículos automóveis? Está bem de ver que não é essa a finalidade deste anunciado sinal de trânsito. Isto é uma casca de banana!

  7. O artigo 5º é, de entre todos os outros, o mais ardiloso. O nº 1 do artigo 5º parece generoso: autoriza o estacionamento em locais “de estacionamento exclusivo de autocaravanas” durante 48 horas. Isto é uma dádiva aos autocaravanistas? Não, é uma limitação dos direitos que decorrem do Código da Estrada, conforme resulta da articulação do artigo 5º com a alínea g) do artigo 2º. Em último caso este texto serviria para autorizar o estacionamento nos espaços de acolhimento às autocaravanas, como as áreas de serviço. Mas quem nos nega tal direito? E se ninguém o nega, para que precisamos nós de uma Lei a dizer que o temos? Simplesmente porque esta anunciada lei não está a dar, está a tirar. O que o nº 1 do artigo 5º se propõe conceder por 48 horas já o Código da Estrada autoriza por 30 dias.

  8. O nº 2 do referido artigo 5º também não dá nenhuns direitos aos autocaravanistas, pelo contrário, retira-lhes o direito que o Código da Estrada nos dá de estacionar na via pública em condições de igualdade com os outros veículos ligeiros. Mais, obrigará os autocaravanistas a retirar do espaço público as suas autocaravanas quando não estão a viajar, pois em caso algum poderão estar estacionados no mesmo local por mais de 48 horas. Estacionar a autocaravana à porta de casa passará a ser proibido, bastará que um vizinho desejoso do espaço para estacionar o seu carro telefone para a polícia.

  9. A conjugação do artigo 4º com os nºs 1 e 2 do artigo 5º resulta simplesmente nisto: bastará a qualquer Câmara reservar um terreiro de 100m2 a que chame “área de acolhimento de autocaravanas” para que por Regulamento (agora tornado legal) possa proibir o estacionamento de autocaravanas em todo o Concelho, sinalizando (agora legalmente) tal proibição com os sinais introduzidos pelo artigo 14º. Esta é rebuscada, é de Gra(nde)Mestre. Bem pode Nandin de Carvalho vangloriar-se de ter levado a sua carta a Garcia. Com efeito... só nos resta dar-lhe os parabéns: está quase a conseguir os seus intentos.

  10. O artigo 4º só está no diploma justamente para permitir que o artigo 5º, sem o afirmar, legitime as práticas de acantonamento das autocaravanas nas cercas agora designadas de áreas de acolhimento (mistificando aquilo que os autocaravanistas designam por tal). Note-se que nestas ditas “áreas de acolhimento” não se aplica o limite de 48 horas de estacionamento, nem lhe é exigido que disponham de área de serviço. Porquê? Porque o que se está aqui a regulamentar não é o autocaravanismo mas sim os espaços de armazenamento das autocaravanas que o artigo 5º impede que fiquem estacionadas na via pública. O que se está aqui a regulamentar é a utilização dos parques de campismo falidos como espaços de acantonamento das autocaravanas. Na região de Lisboa, que dispõe de cerca de 4 mil autocaravanas, possuir um terreiro para encher de autocaravanas é muito mais rentável do que ter um camping. Um camping obriga a que se tenham equipamentos de qualidade e tem custos de funcionamento, converter um camping sem clientes num amontoado de autocaravanas fica muito mais barato e dá mais dinheiro. Não é Dr. Nandin de Carvalho? Destes negócios percebe o senhor, parabéns! Isto é muito mais inteligente do que inventar o conceito de praia no deserto de Alenquer. Afinal um mercado de 5 milhões de euros/ano, só na Região de Lisboa, desperta a imaginação e é motivação bastante para "levar a carta a Garcia", não é verdade?

  11. O artigo 3º também só está no diploma para em articulação com o artigo 5º, beneficiando da confusão de conceitos estabelecida no artigo 2º, criar procura suficiente para rentabilizar os espaços de acantonamento das autocaravanas. De outra forma o ACP, por exemplo, não se interessaria pelo negócio de criar uma rede nacional de “áreas de acolhimento de autocaravanas” (de resto já anunciada como o grande contributo do ACP para o autocaravanismo). Se o que se pretendesse fosse combater o campismo selvagem não se precisava de recorrer a estes articulados rebuscados, nem se teria redigido nos termos em que está a alínea c) do artigo 6º. Cuidado, quando saírem não levem o periquito na autocaravana, se ele cantar isso é razão legal para a polícia vos negar o direito a estar estacionados na via pública. Se o cão ladrar ao ver a polícia aproximar-se da autocaravanas, imaginem só o que acontece.

  12. Por força do estabelecido neste Projecto-Lei passará a ser possível (e legal!) ,por simples Regulamento municipal, proibir o estacionamento das autocaravanas fora das áreas de acantonamento, mesmo no curto período de tempo em que vamos ao restaurante, ao supermercado ou ao cinema. É este o preço que os autocaravanistas se arriscam a pagar em consequência de terem permitido ao manipulador DeAlém andar a divertir-se à sua custa.

  13. As trapalhadas DeAlém não ficam por aqui. Por exemplo, quando no artigo 2º se introduz a definição de autocaravanista que lá está (como se disso precisássemos!), o que se está fazer é a tornar os autocaravanistas numa categoria diferente dos normais condutores. Ou seja, está-se a retirar-nos os direitos que o Código da Estrada nos concede enquanto condutores. Está-se a abrir o caminho para que em sede de regulamento "desta" Lei se obrigue os autocaravanistas a disporem de uma licença especial para conduzir a autocaravana. Como acontece no Brasil, por exemplo. Claro que a concessão dessa licença pode vir a ser autorgada ao ACP, que assim passa a ter mais um interesse em envolver-se no negócio do autocaravanismo. Por isso Nandin de Carvalho não perdeu tempo a propor que o ACP tenha um "parque de instrução" para autocaravanistas. Alguma razão o ACP precisava de ter para se empenhar na legitimação da fantochada que permitirá ao manipulador DeAlém continuar a sua obra: o designado Observatório Não Governamental do Autocaravanismo (presidido pelo ACP tendo como Secretário-Geral autonomeado o interessado Luís Nandin de Carvalho).

  14. Ah, por certo já você estava a pensar: então e o nº 3 do artigo 5º não é muito bom para os autocaravanistas? Assim parece, mas também aqui o que parece não é. O problema com os POOC (Planos de ordenamento da orla Costeira) é o seu normativo impedir as autocaravanas de pernoitarem nos parques de estacionamento das praias. Mas actualmente nada impede os autocaravanistas de passarem o dia na praia deixando a autocaravana estacionada no respectivo parque, só têm que chegar antes dos outros condutores que aí desejem estacionar. Assim sendo, reservar um ou dois lugares do parque aos autocaravanistas não parece que seja grande compensação para a liberdade de ser autocaravanista que este Projecto-Lei nos retira.

O Problema dos autocaravanistas não é a falta de lugares para estacionar, o nosso problema é defrontarmo-nos com posturas municipais que nos proíbem de estacionar onde aos outros veículos é autorizado.

Em síntese, nenhuma das ideias consagradas neste Projecto-Lei é nova, nem uma boa notícia para os autocaravanistas. É fácil reconhecer a sua autoria, como fácil é fazerem-nos a justiça de reconhecer que há meses que na Tribuna Autocaravanista se tem vindo a denunciar esta cavalgada de instrumentalização do movimento associativo para fazer a coisa mais perversa que uma mente sã pode imaginar: acantonar as autocaravanas em cercas com a legitimação do próprio movimento associativo dos autocaravanistas (ainda que para tal seja necessário multiplicar organizações virtuais, obviamente sem qualquer tipo de legitimidade representativa).

Com este projecto o manipulador DeAlém deixou cair a máscara. Isto é uma traição aos autocaravanistas!

Quem duvidou da razão de ser de Luís Nandin de Carvalho andar num frenesim a criar organizações virtuais como o MIDAP, o CAB e o dito Observatório do autocaravanismo, tem agora perante os olhos a resposta. Só não vê mesmo quem não quer ver.

Bem que nós alertámos para o perigo de deixar andar o manipulador DeAlém à solta (sabíamos bem do que falávamos, pois durante dois anos mantivê-mo-lo de rédea-curta) . Perverso como é, em vez de abrir portas para passarmos com as autocaravanas, tenta derrubar as muralhas que nos protegem das investidas inimigas. Está profundamente enganado quem pense que Nandin de Carvalho pode abrir alguma porta por onde passe a defesa dos interesses dos autocaravanistas.

Tudo o que precisávamos era de uma Lei que impedisse a continuação de práticas municipais de perseguição às autocaravanas estacionadas na via pública, no respeito pelo estabelecido pelo Código da Estrada (que compete às Autarquias Locais respeitar). Afinal precisávamos, simplesmente, que a Lei existente fosse respeitada pelas autoridades oficiais. Em vez disso o que fez Nandin de Carvalho? Empenhou-se na legalização da perseguição aos autocaravanistas, cuidando de pelo caminho arranjar motivos de interesse para que outros parceiros se interessassem pelo negócio associado ao autocaravanismo. É vergonhoso de verificar que esta tentativa de acantonar os autocaravanistas está a ser executada pela mão de quem se diz autocaravanista, mas não o é menos verificar que tal tem vindo a ser legitimado pela acção (e pela omissão) daqueles que no movimento associativo têm a responsabilidade de dar voz ao interesse dos autocaravanistas. Isso é uma traição!

O autocaravanismo está pois à beira de resvalar para o abismo, e os responsáveis são todos aqueles que ignorando as sucessivas denúncias que fomos fazendo, legitimaram a farsa, especialmente aqueles que se permitiram surgir na Assembleia da República como representantes dos autocaravanistas portugueses. A todos esses, sem excepção, apontamos o dedo.

Como é fácil de ver estamos perante uma armadilha para o autocaravanismo. Uma traição! Não adianta ter a ilusão de que o problema se resolve com “sugestões de alteração” (que de resto nos não compete fazer).
A única maneira de evitar que sejamos todos presa fácil desta manobra ardilosa é impedir a aprovação deste Projecto-Lei. E só há uma maneira de o fazer: apelar ao Grupo Parlamentar do PS para que inviabilize esta iniciativa legislativa.

Enquanto os nossos dirigentes associativos se ocupam da organização de arraiais, aqui ficam alguns contactos que podem ser usados por aqueles que se não resignam e pretendam sensibilizar os deputados do PS para o problema:


Grupo Parlamentar PS: gp_ps@ps.parlamento.pt

Deputados do PS na Sub-Comissão de Turismo:

hortensemartins@ps.parlamento.pt

davidmartins@ps.parlamento.pt


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Companheiros, ACORDAI... enquanto é tempo

"Podem pois calar-se os profetas da desgraça que, por despeito e incapacidade, procuram denegrir o autocaravanismo e que apoucam estas iniciativas registadas desde há um ano com a fundação do MIDAP e que agora chegam com sucesso ao seu termo com o Seminario de Cascais."

DeCarvalho, in Newsletter


Não somos profetas da desgraça, mas honramo-nos de desde a primeira hora ter denunciado a falsa generosidade de propósitos do salvador do autocaravanismo.

Agora que o seu jogo de mistificação conceptual e de manipulação atinge o auge, decidimos fazer uma interrupção silenciosa. Não por despeito, nem por incapacidade, mas como forma de protesto por esta ardilosa tentativa de legalizar o acantonamento das autocaravanas em cercas a que querem chamar “áreas de acolhimento de autocaravanas”.

Por vontade de muito poucos, as "áreas de acantonamento das autocaravanas" passarão a ser o único sítio onde o estacionamento de autocaravanas será autorizado por mais de 48 horas, retirando-nos os direitos que o actual Código da Estrada nos consagra.

Os espaços de recolha de autocaravanas vão florescer pelo país fora, tal como os campings floresceram com a instalação permanente de caravanas.

O momento é pois da maior gravidade para o autocaravanismo. Cansados de gritar, remetemo-nos agora a 7 dias de silêncio, esperando desta forma contribuir para ajudar à reflexão daqueles que têm a obrigação de fazer ouvir a sua voz.

Com o nosso silêncio dos próximos dias também queremos partilhar a tristeza dos milhares de autocaravanistas que, ignorando o que se está a passar ou sentindo-se impotentes para travar mais esta trapalhada, virão a ser as vítimas dos gestos irreflectidos de meia dúzia de pessoas que têm vindo a arrastar o autocaravanismo por caminhos pantanosos e que agora se preparam para o projectar no abismo.

Aqueles que com a sua cumplicidade têm incentivado e conferido uma pseudo legitimidade às iniciativas errantes e sem nenhuma representatividade, têm agora a oportunidade de se redimir, fazendo ouvir a sua voz em defesa dos autocaravanistas exigindo ampla discussão e não coloquiais discursos de puro exibicionismo, vazios de debate e do contraditório, e realizados nas costas dos principais interessados.

Se não conseguis ouvir as vozes de protesto que se vão levantando, ouvi pelo menos o ensurdecedor silêncio que deixou confrangedoramente a falar sozinho o dito jurisconsulto que se apresenta como salvador do autocaravanismo.

Pensem: quantas vozes se levantaram em defesa desta iniciativa disparatada?

O vosso silêncio só vos compromente ainda mais com esta traição ao autocaravanismo. Mais vale falar tarde do que nunca!

Acordai... enquanto é tempo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Com papas e bolos se enganam os tolos

Afinal companheiros, o que nos trás o “iluminado” projecto de lei do autocaravanismo apresentado pelos deputados do PSD(eCarvalho) e a fobia legisladora de uma minoria?
Que mais valia nos trás o referido projecto? Sejamos frios na análise!

Genericamente promove mais regras, minorando os nossos direitos. Exige um maior policiamento, logo mais “perseguição”. Traz-nos o “acantonamento” forçado, logo maior discriminação. E finalmente, obriga-nos ao contra-relógio, ou melhor, oferece-nos uma bomba-relógio, já que se nos atrasamos, pode “rebentar-nos” na mão uma coima que nos deixará umas semanas com a AC na garagem… (para os que a têm).

Quando formos passar um fim de semana fora, a qualquer lado, (e não pode ser daqueles prolongados ou com “ponte”), não se esqueçam do cronómetro em casa, pois o vosso tempo de lazer será contabilizado ao minuto. Não se descuidem no café, na cervejaria, no museu, na praia, no restaurante, na loja de artesanato, pois a factura pode crescer muito... em pouco tempo!

Em algumas artérias de cidades e vilas é comum o parquímetro, naturalmente fixo. Com esta lei, as nossas autocaravanas passarão a ser, elas próprias, uns parquímetros móveis!

Qual “cinderela” em conto de fadas, o autocaravanista tem que se precaver quanto à possibilidade do súbito fim do “sonho de liberdade” que pensou realizar quando comprou uma autocaravana. Se o tempo passar para além da hora marcada, o sonho virará um pesadelo!
Por isso não adormeça. Ponha o despertador a tempo. A sesta terá que ficar para a próxima paragem.

Com as papas do reconhecimento do interesse económico do Autocaravanismo (como “enchemos” o nosso ego com tão pouco!) e os bolos das ESA – Estações de Serviço para Autocaravanas em Bombas de Combustível (quase só as das auto-estradas, porque as outras ficam dentro das localidades e foram excluídas!), este projecto é, sobretudo, um atropelo ao livre estacionamento a que temos já direito por via do Código da Estrada.

Senão, pergunta-se:

- Para que existam hoje - embora em número ainda insuficiente - umas quantas áreas de serviço e “acolhimento” para as AC’s (Abrantes, Batalha, Aldeia da Luz, S. Pedro do Sul, Vermoil, Aveiro, Izeda, Castro Marim, Vila N. Gaia, Estarreja, Valhelhas, Terrugem, Moncorvo, Lorvão, Freixo Numão, etc., etc.) foi necessária alguma lei? Não!
Estas resultaram da iniciativa e da conjugação de esforços de pessoas individuais ou entidades associativas e afins, e de compromissos e interesses livremente assumidos por parte de autarquias.

- Para que em França, Itália, Alemanha, etc. existam “centenas e centenas” de “áreas de acolhimento” ou áreas de serviço e pernoita, foi necessária a existência de uma Lei das respectivas Assembleias Legislativas? Não!
Estas resultaram do interesse do poder local e da “sedução” que o movimento associativo exerceu junto delas.

- Para que sejam devidamente penalizados os procedimentos negativos, para a sociedade e o ambiente, que alguns proprietários de autocaravanas têm na sua passagem/estadia por esse país fora é necessária uma nova Lei? Não!
Já existem regulamentos e leis que proíbem e reprimem quem prevarica. Basta fazê-los cumprir!

- Naqueles países, para que fossem corrigidas algumas discriminações e perseguições injustas aos autocaravanistas foi preciso uma Lei? Não!
Bastou a actuação do movimento associativo junto da Justiça para que as leis gerais que existem, - tanto lá, como cá - repusessem a legalidade.

Então para que nos serve esta projectada Lei?

- Esta projectada lei, ardilosamente elaborada, parece querer dar-nos algo de substancial, quando na verdade nos tira muito mais do que o que nos dá.
Vemos várias alíneas de (correctos) deveres, inspirados, aliás, no que o Movimento há muito assumiu como seus, mas quanto a direitos... estamos conversados! - passaremos a andar a “toque de caixa”, de terra em terra à procura de uma vaga numa, ainda imaginária, Área de Acolhimento a Autocaravanas ou, naturalmente, num camping, para podermos descansar um pouco mais. De contrário, seremos forçados, de 48 em 48 horas a fugirmos à polícia.

Se há um ano tínhamos uma mão vazia e outra cheia de nada, amanhã teremos uma vazia e outra acorrentada.

Foi este o serviço público prestado aos autocaravanistas pelo frenético, mas insignificante e sem legitimidade representativa, grupo de protagonistas transversais que surgiu entre nós nos últimos meses. Os mesmos que ainda há pouco nos garantiam que a GNR lhes tinha assegurado que não havia nenhum problema legal com o estacionamento das autocaravanas. Se então falaram verdade aos autocaravanistas, como se justifica agora este Projecto-Lei para regulamentar o estacionamento das autocaravanas?

Para pior já basta assim!



Laucorreia

terça-feira, 19 de maio de 2009

Alerta: a miragem do “éden” ou o lobo com pele de cordeiro?

A todos os companheiros autocaravanistas descomprometidos

Há muito que venho escrevendo sobre a liberdade do autocaravanismo. Quer eu, quer os restantes integrantes desta Tribuna, temos chamado a atenção para as diferentes iniciativas e as diferentes formas com que alguns pretensos amigos e defensores da modalidade procuram camuflar os seus potenciais intentos.

Apresenta-se-nos agora uma nova etapa tão difícil como perigosa. Difícil de interpretar e perigosa na sua formulação já que é susceptível de induzir em erro qualquer incauto bem intencionado. Refiro-me ao pré-projecto apresentado ou a apresentar por 2 deputados em sede da AR.

O que para já sugiro a todos, sem querer emitir juízos de valor, é que parem para pensar em profundidade e dêem à vossa mente a liberdade para seguir todos os percursos, nomeadamente em matéria de contraditório. Pensem no que têm e no que verdadeiramente pode resultar de valor acrescentado, se esse projecto vier a ver a luz do dia, ou se pelo contrário, ele nos vai limitar mais do que aquilo que, pontualmente, já nos acontece.

Procurem questionar-se sem preconceitos, assumam sem receios ou pruridos as dúvidas, todas elas, mesmo que vos pareça injusto questionar a boa fé dos 2 deputados, que julgo não estar em causa mas, ainda assim, ousem interrogar-se.

Lembro-vos, tão só, que em países europeus bem mais avançados - nesta e noutras matérias - e onde o nosso estilo de vida “carrega” mais anos e muitos mais praticantes do que entre nós, não existe nenhuma lei específica e, no entanto, é um prazer sempre renovado, podermo-nos movimentar livremente neles, como a França, apenas para dar um (bom) exemplo.

A finalizar, sugiro-vos que releiam o que escrevi aqui em:
http://tribuna-autocaravanista.blogspot.com/2009/04/de-autocaravana-pela-estrada-da.html

Até breve!
Laucorreia

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mais uma vez, o CPA vai apanhar as canas dos foguetes do Boaventura

De cada vez que aqui me refiro ao CPA há por aí uns sendeiros de hálito salazarento que sobem ao castelo de Abrantes a urrar. Clamam pela unidade dos Cruzados DeAlém e de Aquém para silenciar esta Tribuna, perigoso reduto de infiéis ao bem-comum, “totalitários” “intelectualóides” e doidos varridos a precisar de urgente internamento psiquiátrico (entre outros “mimos”). Coitados, faz pena vê-los esgrimir tanto ódio e tanta tentativa reles de assassinato de carácter.

Exibindo a sua falta de educação e a sua diminuta capacidade intelectual (que a miude os impede mesmo de perceber o que aqui escrevemos), tentam atingir-nos com as suas atordoadas, não compreendendo que o insulto só a si próprios denigre, pois que sendo incapazes de discutir civilizadamente uma só ideia que seja, o que resulta das suas palavras é simplesmente um hino de louvor à ignorância. Tal como Salazar, sentem-se incomodados pelo facto de haver quem tenha craveira intelectual reconhecida. Por haver quem se atreva a pensar autocaravanismo e ouse dizer em público o que pensa.

Apetece-me fazer-lhes a vontade. Não por tais criaturas, mas por mim próprio que já estou farto de escrever sobre as derivas errantes do CPA e do MIDAP-Dc . Mas de cada vez que digo a mim mesmo que não vou escrever sobre coisas patéticas, logo os protagonistas do costume me obrigam a reconsiderar, pois há coisas que não podemos ignorar. Há coisas que é preciso denunciar!

Já há dias o companheiro Eugénio nos transmitiu o seu grito de indignação:

... já que se fala em ridículo, junto este também ... o Boaventura, sim o tal que em Abrantes gritou alto e bom som, "acabar com as ervas daninhas"; "correr com o professor" e outras coisas similares, é o mesmo que a "mando" do Ruy Figueiredo, segundo ele diz: "lhe deu os contactos, nº tlm e emails" anda a angariar autocaravanistas pra irem a Almeida, "a mais um arraial" com José Cid, Malhoa e afins, há e tudo grátis!!
... valhe-me Sto Ambrósio; o Ruy que sempre ignorou os sócios, que nunca respondeu no Fórum CPA quando foi interpelado pelos mesmos, agora delega nos seus "acólitos" a angariação pra arraiais... não há pachorra! ...

A situação a que se refere o companheiro Eugénio é grave de mais para poder ser ignorada por quem quer que esteja preocupado com o futuro do autocaravanismo em Portugal. Desta vez, para não variar, a Direcção do CPA voltou a esquecer a responsabilidade institucional do Clube e continua a permitir-se usar os sócios para apanhar as canas dos foguetes que o Boaventura lançou. Ora veja-se esta amostra do desnorte que grassa no CPA.

· A 14 de Dezembro, o vendedor Boaventura usa o Fórum do CPA para anunciar que 3 meses depois iria ser inaugurada uma Área de Serviço “no Parque Fluvial a borda da Ribeira de Meimôa na Freguesia de Benquerença”. Para que não houvesse dúvidas de quem era o mordomo da festa, Boaventura acrescenta: “Foi-me prometido pelo Srº Presidente da junta que haverá uma pequena supresa e animação”. (no lugar de "supresa" deve ler-se comezaina à borla).

· A 5 de Fevereiro “o CPA” vem de mansinho anunciar a AS como se de obra sua se tratasse:
"Companheiros
Nova Área em Benquerença
Esta nova Área será inaugurada no fim de semana de 13 a 15 de Março.
Mais informações sobre a inauguração serão fornecidas brevemente
."

· Mas, um mês depois é de novo Boaventura quem vem a terreiro:
comunico-vos que a data de 13/14 de Março prevista para a inauguraçãoda A/S em Benquerença fica adiada por motivos alheios á nossa vontade

· Em Abril, 2 dias depois da AG (onde não consta que o anúncio tenha sido feito), ficamos a saber que:
O CPA vai realizar o seu 40º encontro de 29 a 31 de Maio de 2009, integrando no programa a inauguração da àrea de Serviço de Bemquerença”.

· Só que, dias depois, quando nada o faria supor, o CPA vem dizer que:
O 40º Encontro anunciado é adiado devido ao convite feito pela Cãmara de Almeida aos autocaravanistas através do CPA, para a 3ª Edição da Feira das Artes e da Cultura e Festa do Bacalhau, nos dia 29, 30 e 31 de Maio.”

Que falta de profissionalismo!!!!

Desde o dia 1 de Abril que a Feira de Almeida estava anunciada. Agora é que a Câmara de Almeida convida “através do CPA”? O que se passou que justifique a anulação do Encontro em Benquerença?

O que aconteceu, simplesmente, foi que o Sr. Boaventura (que não tem qualquer cargo dirigente no Clube) já se tinha comprometido a levar “muitas autocaravanas” para a patuscada do bacalhau, pomposamente designada por “Encontro luso-francês de autocaravanistas em ambiente cultural”. Ou seja, o arraial do Boaventura et ses amis. A prova de que tal evento nada tem a ver com o CPA é que o Clube disse aos sócios esta coisa extraordinária: “os interessados devem contactar o companheiro Cândido Boaventura para: candidoemilia@iol.pt “.

Será que o CPA deixou de ter sede, telefones, funcionária e email? Ou esta é mais uma forma de tentar justificar o injustificável: como é que o sr. Boaventura dispõe da lista de contactos telefónicos de todos os sócios do Clube?

Como é possível que o CPA deixe de acarinhar a inauguração de uma área de serviço, anulando mesmo um Encontro do Clube já anunciado, para ir atrás dos foguetes do Boaventura? Será que para o CPA uma patuscada vale mais do que uma Área de Serviço?
Como pode um Clube com o historial do CPA deixar-se instrumentalizar pelos interessesinhos do amigo do presidente Ruy Figueiredo? Afinal quem manda no CPA? Como pode a vontade do Boaventura sobrepor-se a uma decisão da Direcção?

Com estas trapalhadas o CPA está a prestar um péssimo serviço à imagem do autocaravanismo português. Um clube que assim se comporta não pode esperar ser levado a sério pelas instituições públicas, nem sequer pelos autocaravanistas que não sejam afectados pela gula de alarves provincianos.


E não se pense que isto é uma estratégia para criar mais uma AS. Há 3 anos aconteceu exactamente a mesma coisa, e já então se disse que a razão de ser da patuscada em Almeida era a criação de uma área de serviço. Já então houve quem tentasse manipular e servir-se do CPA para fins de promoção pessoal. Por isso a Direcção de então decidiu que não se associaria ao evento. Mas já há 3 anos, mesmo contrariando a decisão da Direcção a que presidia, Ruy Figueiredo decidiu ir “a título pessoal” à patuscada do seu amigo Boaventura. E este retribuiu-lhe o apoio com a deselegância de falar aos jornalistas na qualidade de representante dos autocaravanistas portugueses, tudo tendo feito para que a presença do presidente do CPA no local fosse ignorada. Tanto assim que até houve quem viesse a público afirmar que o mérito das 6 dezenas de autocaravanas presentes se devia ao esforço de mobilização dos dirigentes de outro clube.


Enfim, há 3 anos, como agora, parece que Ruy Figueiredo não aprendeu a lição. Por isso companheiro Haddock se o espectáculo do Ruy Figueiredo e do seu tradutor Boaventura em Abrantes foi fonte de inspiração para a sua rábula dos gauleses, recomendo-lhe vivamente que não perca a parte II em Almeida, onde le moussier Boneventure exibirá perante ses amis francius os seus predicados. Os franceses retribuirão com um convite para outra patuscada em terras gaulesas, a que não faltarão les 2 amis portugas. Os francius não têm bacalhau, mas têm bom vinho! Ah... e oferecem medalhas de "mérito" a quem lhes serve de guia em Portugal e os leva a degustar umas patuscadas, de preferência pagas pelas Autarquias Locais.

Assim vai o autocaravanismo português... Até quando vamos continuar a confundir responsabilidades institucionais com interesses e caprichos de vaidade pessoal?
Como disse o Eugénio: ... não há pachorra!


Raul Lopes

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cinco meses depois, já não é possível continuar a confundir o trigo com o joio

Passaram-se 150 dias sobre a criação da Tribuna Autocaravanista. Os propósitos que nos levaram a enveredar por este trilho verdadeiramente livre e independente estão plenamente justificados à luz da evolução do autocaravanismo em Portugal, sobretudo se tivermos em conta a intervenção dos principais “actores” nesta matéria. O grito de alerta que há cinco meses lançámos, e que caiu como uma pedrada no charco, tinha toda a razão de ser, como a realidade se encarregou de demonstrar.

Assumimos na altura uma ruptura, talvez incompreendida por muitos companheiros, essencial à clarificação e à “separação do trigo do joio”. É hoje indiscutível o papel que temos desempenhado na desmistificação de atitudes e procedimentos que, para além de quererem iludir as consciências livres de cada autocaravanista, procuravam calar qualquer voz crítica que os desmascarasse e que se opusesse ao acondicionamento mental (e físico) de um colectivo que, justamente ávido de um futuro mais digno, poderá não distinguir o acessório do essencial.

Invocando em vão o interesse colectivo, foram-se amontoando contradições e tentadas várias posições de “concertação” entre agentes com diferentes interesses e objectivos. Procurou-se, mascarar essa realidade com base em múltiplas plataformas “colectivas”, reuniões, círculos, etc., entre várias outras geometrias desenhadas a esquadro e/ou a compasso de espera da sua oportunidade mediática (ou política?).

Caluniou-se e denegriu-se quem não aceitou um jogo viciado onde a regra foi a da confusão de princípios e conceitos, em nome de uma unidade que não existirá nunca, se não for assente, precisamente, na clareza e na objectividade das metas a atingir e na verdadeira identidade do que é ser autocaravanista.

Para além do dúbio posicionamento do CPA, então clube de referência do movimento, balouçando entre a vertente “campista” e o canto de “novas sereias”, foram surgindo no espectro nacional um conjunto de “entidades”, umas mais virtuais que outras, que procuraram mudar de alguma forma o cenário, mas não a realidade.

Quando fomos protagonistas da evolução do CPA fomos mal considerados. Quando perante os primeiros sinais antecipámos o seu apagamento e desagregação, foi-nos respondido que essas evidências não passariam de “nados-mortos”. Infelizmente, a realidade está aí para nos dar razão, tal como previmos noutras situações.

A pulverização sem critério não uniu, mesmo que conjunturalmente o possam querer fazer crer, os seus protagonistas. A falta de critérios é gritante. O oportunismo mediático é avassalador. Quando a poeira assentar e o pano da teatral encenação se correr, vamos ver o que resta.

Pela nossa parte continuaremos a defender princípios e critérios objectivos ao serviço da liberdade autocaravanista. Denunciaremos o que pensamos oportuno fazê-lo, criticaremos o que nos parecer menos próprio e, como não podia deixar de ser, apoiaremos e elogiaremos o que de bom vier a ser feito para bem da comunidade que partilha os sentimentos e o estilo de vida do turismo itinerante em autocaravana.

Por isso, como dizia o poeta (Zeca Afonso):

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dáquém e Dálém-Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

Tribuna Autocaravanista

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CPA: e depois de Abrantes?

Se tivéssemos acreditado no que nos foi sendo dito ao longo do último ano teríamos ficado convencidos de que depois do arraial de Abrantes nada voltaria a ser como dantes no autocaravanismo. Abrantes seria uma espécie de congresso fundador do autocaravanismo. Simplesmente uma revolução.
No arraial de Abrantes se consagraria a unidade suprema de todos os actores do autocaravanismo, sentando de braço dado na mesma mesa deus e o diabo, com destaque para: a Federação Campista, a Associação dos donos dos campings privados, o Automóvel Clube Português, a Associação dos comerciantes de automóveis, o CPA, o MIDAP-DeCarvalho, os donos do Camping-Car, etc.
A ideia despertou tantos apetites que o MIDAP-DeCarvalho chegou ao ponto de anunciar como sua a organização do grande Seminário Internacional que iria fundar o autocaravanismo e criar o Observatório, resolvendo de uma penada todos os problemas do autocaravanismo. De Sol que iluminaria o palco, o movimento dos transversais transformou-se afinal numa nuvem que se esfumou pelos céus de Além sem que no arraial de Abrantes alguém desse por isso. Para quem cultiva as fábulas da selva, chama-se a isto ter entrada de leão e saída de sendeiro (no dicionário sendeiro= burro, velho ruim, homem desprezível). Conclusão inevitável: o MIDAP-DeCarvalho foi o grande derrotado na batalha de Abrantes.
Assim se compreende melhor o esforço para ressuscitar a casa do sino de Cascais, agora na versão "entrincheirados na Fortaleza do partido laranja". Ai os transversais vão curtir as mágoas de terem sido ignorados em Abrantes e fazer em paz o seu semináriozinho sobre touring e anunciar mais um nado-morto no reino de além: o Observatório do MONGA (ou será o miradouro do falcão?).

Como vingança desta vez são os transversais a ignorar o CPA. Parece-me justo! Afinal o CPA também tem vindo a ignorar que tem como sócio um elefante que outra coisa não tem andado a fazer do que desacreditar o autocaravanismo e armadilhar o caminho que o Clube devia percorrer.
Mas voltemos a Abrantes. Agora que o Encontro terminou impõe-se fazer o seu balanço. Parece óbvio que o Encontro não deixou eufóricos os que nele participaram. Ao que se diz, o trio de mordomos (Ruy Figueiredo, Teresa paiva e José Vieira) cometeram falhas imperdoáveis, mesmo para amadores. Mas sobre isso prefiro não falar, pois não tendo estado presente apenas posso falar considerando os ecos que me chegaram do que por lá se passou. Há todavia uma coisa que é evidente para todos: o Encontro de Abrantes nem uniu nem mobilizou os autocaravanistas portugueses, nem sequer serviu para projectar para a sociedade portuguesa uma imagem positiva do autocaravanismo. Abrantes não foi a revolução no autocaravanismo que alguns tentaram convencer-nos que seria. De Abrantes não saiu uma só ideia nova capaz de nortear o rumo do autocaravanismo e mobilizar os autocaravanistas.
Não obstante Abrantes foi um evento positivo, não tanto para o Autocaravanismo português, mas pelo menos para a imagem do CPA que se vinha a degradar a olhos vistos.
Quando digo que foi positivo não é pelo número de participantes, que foi apenas 20% do que o CPA tinha por objectivo, juntando menos autocaravanistas portugueses do que aqueles que já reuniu em vários Encontros anteriores do Clube. Aliás, uma semana depois o CAN, clube com meia dúzia de sócios, reuniu quase tantas autocaravanas em Braga como o CPA em Abrantes. Ou seja, o número de participantes no arraial de Abrantes, que o CPA exagerou, não consegue esconder a desagregação que está a ocorrer no Clube, nem a sua notória perda de capacidade aglutinadora do movimento autocaravanista português. Afinal é sob o signo dos campeões da unidade que se assiste à multiplicação de clubes que disputam a influência ao CPA: no último ano já surgiram 4 clubes, e o 5º deu este fim de semana mais um passo no sentido da sua criação.
O que considero positivo é a circunstância de pela primeira vez na história das concentrações do Clube haver um espaço nobre dedicado à discussão dos problemas do autocaravanismo. Mas nem aqui a organização conseguiu acertar, havendo a lamentar, entre outros, os seguintes aspectos.

· O CPA organizou um colóquio para discutir autocaravanismo, mas nada disse aos autocaravanistas sobre o que tem em mente fazer para resolver os problemas que nos afectam. Parece que o CPA navega sem bússola nem GPS.
· Pior do que isso, o CPA não só insiste em chamar a Federação campista para a mesa onde é suposto discutir-se autocaravanismo, como parece confiar a essa Federação o
papel de porta-voz institucional dos autocaravanistas. Enquanto não forem os autocaravanistas a determinar o seu destino, obviamente não vamos a lado nenhum.
· O CPA também é filiado na Federação internacional de autocaravanismo, mas não aproveitou o facto para dar ao debate uma dimensão internacional, convidando representantes de clubes amigos a trazerem a Portugal o testemunho da sua experiência.

· Finalmente, o CPA anunciou este encontro como o momento da reconciliação e da união de TODOS os autocaravanistas (menos algumas ervas daninhas intelectualóides, claro!) mas na hora de discutir o futuro do autocaravanismo ignorou os outros clubes autocaravanistas portugueses. Se foi este o preço a pagar pela acertada exclusão dos campeões do touring MIDAP-Decarvalho, então é óbvio que quem pagou a factura foram as pessoas erradas.

O CPA preferiu ter em Abrantes a FCMP em vez dos outros clubes de autocaravanistas, preferiu o folclore de exibir cabeças sem ideias em vez de promover um verdadeiro debate entre quem pensa autocaravanismo. Teresa Paiva, a responsável pela imagem do Clube, já tinha mostrado esse mesmo erro infantil quando instrumentalizou à mesquinhez o último número do Boletim do CPA. Agora a FCMP veio dar razão a quem pensa como eu: a Braga enviou o seu presidente, a Abrantes enviou um moço de recados. Assim se vê o valor que a federação campista dá ao facto do CPA se colocar de cocaras. Assim se vê, como o CPA ficou prisioneiro da FCMP por tentar usá-la para dar cobertura a uma declaração infeliz do presidente do CPA.

À margem do Colóquio outra questão se coloca. É sabido que um dos maiores problemas com que se defronta o autocaravanismo em Portugal é a má imagem social dos autocaravanistas. Entre outras coisas tal imagem limita a disponibilidade das autarquias locais em promoverem o autocaravanismo, até pelos custos políticos que daí decorrem. Impõe-se pois perguntar: o que foi feito pelos organizadores do Encontro para melhorar a imagem dos autocaravanistas e salvaguardar a Câmara de Abrantes de ataques político-partidários como estes que reproduzo de seguida, tornados públicos na arena política local?
Raul Lopes
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Só num concelho minado pela contra-informação virada para o enlevo da incompetência e da mediocridade, se tolera o relevo dado a um agrupamento de 700 visitantes, que correram a provas de vinho e a serões culturais preparados para o efeito e que beneficiaram de infra-estruturas de acolhimento muito próprias, especialmente construídas para o seu grupo, contrariando o princípio da universalidade da utilização das benfeitorias municipais.
Estranha-se pois, que um executivo socialista ainda fale orgulhosamente, de uma actividade que ao passar por Abrantes, não ocupou um único quarto de hotel, nem usou os cafés e os restaurantes com a expressão económica devida a outro qualquer grupo de 700 visitantes. O autocaravanismo é sinónimo de auto-suficiência nos meios utilizados, comida e dormida. Logo, não traz aquele rasto de consumo tão necessário à sustentabilidade dos parceiros económicos e turísticos de um concelho.

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Salazar e o autocaravanismo

Hoje, ao percorrer o ciber-espaço autocaravanista português dei comigo a pensar: afinal Salazar é o grande responsável pela actual situação do autocaravanismo em Portugal.
Não estou a delirar, sei muito bem que no tempo de Salazar não havia autocaravanas. Mas também sei que foi na sociedade que Salazar asfixiou que foram moldadas as mentes de mais de metade dos actuais autocaravanistas. Esta é a questão: Salazar deixou a sua marca indelével no comportamento (quantas vezes inconsciente) de várias gerações de pessoas, entre elas dos actuais autocaravanistas.
Salazar levou ao extremo o culto da personalidade e da autoridade do chefe. Hoje em dia o autocaravanismo está cheio de pessoas com tanto de vaidoso quanto de arrogante pois se sentem no direito de não ser questionados nem confrontados pelo simples facto de disporem de um qualquer estatuto de dirigente-chefe (independentemente da sua fonte de legitimidade ser ou não democrática).
Salazar cultivava o silêncio voluntário como forma de não se expor, ao mesmo tempo que pela força da repressão impunha aos seus adversários o silêncio. Há hoje por aí quem mostre o maior desprezo por aqueles que era suposto representar e quem ache que o autocaravanismo estaria muito melhor se aos autocaravanistas fosse proibido interpelar e/ou criticar os seus dirigentes.
Salazar formatou as pessoas na convicção de que sexo, religião, política e interesse colectivo não eram assuntos que se discutissem. Ora porque tinham uma complexidade que exigia conhecimentos só ao alcance dos iluminados, ora porque fazia despertar ideias perversas na cabeça do povo, ora porque só podia servir para criar inimizades entre amigos. O povo devia contentar-se em falar de futebol e em cavaquear sobre coisas mundanas, fúteis e circunstanciais, valorizando a confraternização no adro da Igreja celebrada com uns copos do vinho que dava de comer a 5 milhões de portugueses.
Também hoje o autocaravanismo está cheio de pessoas que se apresentam como os campeões da boa educação e da defesa da unidade. Mal alguém se envolve numa troca de argumentos ou confronta ideias logo vêm a terreiro clamar que acabem com as discussões que só servem para dividir o movimento autocaravanista. Que vergonha (dizem eles) transformarem a praça pública numa arena de combate pessoal. Daí o apelo que fazem: vamos mas é falar sobre o que nos une (querem eles dizer: não vamos falar de nada), vamos mas é confraternizar (que de festas e romarias é que o povo gosta).
Mas estes campeões da boa educação são também os primeiros a hipocritamente aparecerem de mansinho por detrás dos desavindos para os picar, para candidamente lançarem mais uma intriga, ou mais uma provocação, assim em jeito de quem atira a pedra e a seguir esconde a mão no bolso e assobia para o ar.

Moral da estória. Quer os dirigentes quer os autocaravanistas em que se apoiam sofrem do mesmo mal: a falta de cultura democrática de discussão. E o grande culpado disso é o Salazar que nos legou esta herança cultural.
Nunca é demais recordá-lo, menos ainda quando se celebra essa radiante madrugada que permitiu ao Povo português redescobrir-se e sentir o prazer de viver em Liberdade.
Modestamente aqui fica o meu tributo a todos os que tornaram o 25 de Abril uma realidade. BEM-HAJAM pela vossa acção e pelo vosso exemplo: Acreditar e lutar colectivamente organizados... é vencer.

Raul Lopes

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Se vires as barbas do vizinho a arder...

Presentemente a legislação inglesa apenas permite o estacionamento de autocaravanas com mais de 3.050 kg (sim leu bem, não é 3.500kg) na via pública (ou mesmo nas vias privadas de acesso público sujeitas a limite de velocidade) entre as 7 da manhã e as 6 da tarde, de Segunda a Sexta-feira.
Este quadro já de si não é nada animador, mas ultimamente têm surgido conflitos vários entre moradores, por exemplo na zona de Onchan, devido ao facto de haver autocaravanistas que mantém as autocaravanas estacionadas junto às suas residências, ocupando espaço de estacionamento que os outros moradores reclamam para os seus carros.
Na discussão pública sobre o assunto já há quem defenda a completa proibição das autocaravanas estacionarem na via pública: I would generally support Motorhomes not being able to park on the roadside at all.
Há também moradores que se queixam de terem comprado autocaravanas pequenas para, nos termos da lei local, poderem mantê-las estacionadas na via pública, não obstante verificam que as suas autocaravanas aparecem vandalizadas.
No meio desta polémica o Ministro dos Transportes, David Anderson, anunciou que o Governo inglês iria rever a legislação relativa ao estacionamento de autocaravanas e carrinhas comerciais.
Receio bem que a anunciada mudança legislativa não seja para trazer boas notícias aos autocaravanistas.
De há muito que me habituei a aprender com as pessoas que sabem mais e/ou com a realidade dos países que estão mais adiantados do que nós. É por isso, e por as situações que aqui vou relatando se multiplicarem, que nesta Tribuna tenho lançado o meu grito de alerta aos autocaravanistas portugueses: mobilizem-se, organizem-se e lutem pelos nossos direitos colectivos. Não é com arraiais, muito menos com tontos malabarismos exibicionistas, que lá vamos.

Bem diz o povo: Se vires as barbas do vizinho a arder... põe as tuas de molho!

Raul Lopes

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Homenagem ao generoso inventor do touring

Directamente da cidade Luz, recebemos este naco de fina literatura que não resistimos a partilhar com os nossos leitores:

"À entrada do camping... Ainda espreitei pelo canto dos olhos para ver se estava por ali algum dos escorrimentos rancorosos e ressabiados, da bancada do bota-abaixo do movimento dos autocaravanistas. Mas não, ficaram a falar sozinhos na berma da estrada da internet, a olharem para os egos mal contidos pelos espelhos em que se remiram, babados na auto contemplação doentia. Ninguém à vista! E entrámos, suspeitando porém de uns feios bichos anões, um falcão, um lacrau, uma caracoleta e um tartarugo aluados e ranhosos, com ares de xerifes frustrados."

Quem é o “iluminado” autor? Ora descubra lá... nós ajudamos: é um autocaravanista sério, de boa vontade que, com serenidade, tranquilidade e perseverança luta de forma desinteressada, altruísta e voluntária por uma nobre causa de turismo, lazer e cultura, que alguns saloios designam por “touring” por pensarem que é mais fino e distintivo.

Ainda não descobriu quem escreveu aquela frase única? Nós damos mais uma ajuda. Leia lá esta obra prima do mesmo autor d´O Direito ao Autocaravanismo:

"Quem de certeza não representa os Homens, nem tem qualquer representatividade para questionar, senão o próprio ego, são os miseráveis que desenvolvem comportamentos anti-sociais, e se excluem do convívio em sociedade, e que no seu bota-abaixo falam sozinhos como autistas, perante espelhos que lhe reproduzem os gestos inconsequentes.
O movimento autocaravanista tem vindo a conhecer cada vez mais evidências de tomada de consciência pelo autocaravanismo, não apenas sobre os veículos, a problemática das autocaravanas e os estacionamentos, nem sobre questiúnculas entre autocaravanistas provocadas por quem não cresceu até ser Homem. Assim, multiplicam-se construtivamente, os blogs, as iniciativas e as realizações quer por parte da sociedade civil, quer por parte das autoridades públicas. O movimento dos autocaravanistas atingiu a sua maioridade, está pois em marcha: ordeira, consciente, cooperante e sistemática. Sem papas, sem papões, sem papás.
"

Do alto desta Tribuna fazemos uma vénia ao nobre e distinto autor deste fel que a Bocage faria inveja.

Para quem tivesse dúvidas, aqui está a prova de que o culto e erudito Doutor Luís Nandin de Carvalho é um autocaravanista de bem, sério, bem formado... e sobretudo muito bem educado!

Isto sim, é mostra de classe e nobreza só ao alcance dos iniciados e dos escolhidos. Faz tempo que a ditosa Pátria nos não legava um tão distinto filho. Que privilégio o dos autocaravanistas em poderem contar com ele, não exactamente entre nós, mas bem acima de nós.

Pela proliferaria das suas inigualáveis ideias, pelo empenho que tem colocado na construção de castelos na areia, pela insuspeita postura que em público e em privado tem mantido, pela esmerada educação e fino trato que tem revelado, já era altura dos autocaravanistas se unirem para lhe erguerem uma estátua, senão igual à do Marquês de Pombal, pelo menos com o gabarito de um elefante com o tamanho dos que cresceram até à idade de caminharem para o cemitério pelo seu próprio pé.
Assim sendo, daqui se convocam todos os autocaravanistas de bem e se lhes ordena: FAÇA-SE, JÁ! Nem que para isso seja necessário derrubar todas as estátuas erigidas a Gil Vicente, Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Saramago e outros que tais!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Legislação sobre Autocaravanismo:... mais trapalhadas transversais

Quando se fala em legislação sobre autocaravanismo há duas posições igualmente legítimas e sensatas sobre o assunto. Há quem pense que a única maneira de impedir que as Autarquias Locais continuem a perseguir os autocaravanistas é obter do Governo legislação que reconheça os direitos dos autocaravanistas. Mas há quem duvide da possibilidade de se conseguir um adequado enquadramento legal e, consequentemente, pense que a melhor estratégia é não promover a criação de legislação nenhuma, o que nos permitirá continuar a ter no Código da Estrada o bastião da defesa do direito a circular e estacionar em liberdade. Nesta Tribuna já foram expressos estes dois entendimentos.

O que é inaceitável, por ser altamente perigoso para a preservação dos direitos dos autocaravanistas, é a criação de legislação avulsa, ora regulamentando um aspecto ora outro, particularmente sem a participação da comunidade autocaravanista na sua elaboração.

Ora, infelizmente foi isso que já se passou com a Portaria 1320/2008 que o Director do Gabinete de Estudos do MIDAP e outros dos seus "coloridos" membros analisaram de forma descabida e caricata chegando a afirmar tratar-se de legislação “apenas para parques de campismo com fins lucrativos”. Para além do mais, esta abordagem traduz uma confrangedora incapacidade para ler as consequências políticas da aprovação da referida Portaria.

Infelizmente, a via da alteração casuística foi também o caminho seguido pelo MIDAP quando foi para a Assembleia da República propor a alteração do Código da Estrada com o fim de nele incluir um sinal que defina as autocaravanas como uma categoria específica de veículos. Para ver como esta é uma ideia disparatada e irreflectida basta pensar que se tal acontecesse esse sinal iria servir principalmente para as Câmaras estabelecerem a proibição das autocaravanas estacionarem (e neste caso com suporte legal). Assim sendo a iniciativa do MIDAP é ... simplesmente mais uma trapalhada.

Mas as trapalhadas do círculo do MIDAP sobre legislação não se ficam por aqui.
A propósito da reunião na Assembleia da República entre a FCMP e a Subcomissão Parlamentar de Turismo, Nandin de Carvalho escreveu em Julho de 2007 algo com que concordamos. Dizia ele:
“… Assembleia da República, que assim fica reconhecida como um epicentro político responsável e interessado pelos fenómenos sociais, e que fica enobrecida pelo sua disponibilidade e estudo das matérais sobre autocaravanismo, remetidas para a responsabilidade de iniciativa de cada um dos grupos parlamentares, sendo que, em nossa opinião, cabe ao GP do PS, pela sua sintonia com o Governo, o dever de avançar e concretizar as iniciativas legislativas adequadas.”

Uma pessoa minimamente atenta, sabe que qualquer iniciativa parlamentar estará condenada ao fracasso se não dispuser do apoio do partido da maioria e era isso exactamente a que se aludia na passagem que referimos atrás. Por isso concordamos que a haver uma iniciativa parlamentar sobre o assunto tal iniciativa teria que envolver o grupo parlamentar do PS.

Contudo, 20 meses depois destas declarações e sem que a representatividade na AR tenha sido alterada, vêm gora dizer-nos que na sequência da visita do MIDAP à AR vai ser criada legislação especifica para o autocaravanismo, graças a uma iniciativa de dois deputados do PSD: Mendes Bota e Nuno da Câmara Pereira.

A “notícia” é tanto mais estranha quando surge a escassos meses do fim do mandato dos actuais deputados, nada garantindo sequer que sejam reeleitos nas eleições do próximo mês de Outubro. E está fora de questão que o que quer que seja venha a ser aprovado antes disso.

Assim sendo é inevitável que nos interroguemos: tudo isto não passa de mais uma das trapalhadas a que vamos ficando habituados, ou, mais grave, é uma jogada de demagogia político-partidária com antecâmara eleitoral, em jeito de quem tenta mostrar serviço para ganhar peso político nos bastidores manipulando e iludindo os autocaravanistas?

A resposta fica ao cuidado de cada um de vós. Mas talvez vos ajude saber que um dos deputados que agora nos é apontado como o herói salvador é o mesmo que em 2006 disse na reunião na AR ter visto no Algarve autocaravanas (a que chamou caravanas) estacionadas em “sítios turisticamente atractivos” (depreende-se que tais sítios deviam ser proibidos aos autocaravanistas), tendo ainda considerado “que os parques de campismo são locais seguros e fora deles seria inseguro estacionar autocaravanas.”

Depois destas considerações, quem tem dúvidas sobre quais são os locais que o senhor deputado considera adequados para as autocaravanas pernoitarem?
Nós não temos, por isso dizemos: oxalá as trapalhadas do MIDAP-Carvalho não tenham continuidade na acção destes deputados do PSD.

Como dizia a canção: pra melhor, está bem, está bem. Pra pior já basta assim!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porquê envolver a GNR nas trapalhadas do MIDAP?

Para o comentário de hoje da TAC, elegemos a mais recente excursão do MIDAP. Desta vez a visita foi ao Quartel do Carmo em mais uma iniciativa espalhafatosa de que não resulta qualquer proveito para os autocaravanistas, mas apenas e tão só, mais um banal desfile público de vaidades, que o uso de maquilhagem envolvente não disfarça e que só impressiona quem pela sua cabeça não pensar. Resultados concretos? Só o risco de efeitos colaterais que fazem dos autocaravanistas as principais vítimas.

O comunicado da delegação dos autocaravanistas “bem formados” presentes na reunião de trabalho com a GNR deixa-nos com uma simples e singela dúvida. O que foram realmente lá fazer? É que as conclusões referidas não acrescentam nada ao que o CPA já em 2006 tinha obtido, com uma ligeiríssima diferença: o CPA obteve por escrito todos os esclarecimentos devidos do Comando Geral da GNR.

Aqui reproduzimos o ofício com os esclarecimento da GNR divulgados em 2006 pelo CPA através de uma Press Release e no Boletim “O Autocaravanista”:

(Clicar na imagem para aumentar)

Para uma melhor compreensão do ofício, reproduzimos as questões colocadas em Setembro de 2006 pelo CPA através de uma carta então enviada ao Comando Geral da GNR:

1. No caso das autocaravanas com menos de 3500Kg, as regras aplicáveis à circulação e estacionamento das autocaravanas são distintas das aplicáveis aos restantes veículos ligeiros?

2. A adopção pelos municípios de normas de regulação do estacionamento na via pública que discriminam as autocaravanas, proibindo o seu estacionamento, tem suporte legal?

3. A verificar-se a legalidade do procedimento anterior, qual da sinalética definida pelo Código da Estrada deve ser afixada no local? Em particular, qual o suporte normativo para placas de sinalização vertical onde por debaixo do normal sinal de proibição de estacionamento surge a inscrição “autocaravanas” e/ou um desenho estilizado de uma autocaravana, quando não de uma caravana?

4. Existe alguma norma legal que imponha uma distância mínima a partir de um Parque de Campismo para uma autocaravana poder estacionar (no respeito pela lei geral de estacionamento de veículos ligeiros)?

5. Existe alguma norma legal que proíba que se pernoite no interior de um veículo ligeiro, nomeadamente de uma autocaravana, quando legalmente estacionado no espaço público?

6. Com que fundamento legal se pode considerar que os ocupantes de uma autocaravana estão acampados se esta estiver legalmente estacionada e, cumulativamente, não se encontrar a derramar qualquer tipo de fluído nem de alguma forma a ocupar um espaço para além do perímetro dos limites físicos do veículo?

Como facilmente se constata a delegação do MIDAP limitou-se a copiar as questões colocadas pelo CPA e a transmitir os esclarecimentos da GNR como se fossem pela primeira vez obtidos. Por várias razões esta reunião mais parece uma fantasia à maneira das "mesas redondas sobre autocaravanismo" protagonizadas pela Lady Nokia e companhia.

Para os autocaravanistas mais desatentos, esta nova “trapalhada” do MIDAP pode-se revestir de alguma gravidade pois são fornecidas informações que não correspondem à verdade. A GNR nunca poderia dizer que “considera ainda que não existe nenhuma lei que proíba o uso de calços nas rodas das autocaravanas. E ainda, que não existe nenhum normativo legal que obrigue as autocaravanas a recolherem a parques de campismo...” Usar este argumento com um agente da autoridade é criar um conflito gratuito que em nada nos beneficia.

Com efeito, esta afirmação não pode ser atribuída a um responsável da GNR pois este sabe que existem regulamentos e posturas municipais (que a GNR faz cumprir) que proíbem exactamente estas situações. Infelizmente existem vários exemplos, como Esposende, Espinho, Vila do Conde, Vila Real de Sto António e Odemira entre outros. Por exemplo, no município de Odemira o aparcamento de viaturas com a finalidade de pernoitar só é permitido nos parques de campismo e nos locais definidos para o efeito e devidamente identificados, mediante pagamento de taxa, quando afixada. Até há existência de locais definidos para o efeito, só é permito a prática nos parques de campismo. Este normativo legal foi publicado em 2004 em Diário da República, mantendo-se ainda em vigor. Com a entrada em vigor da Portaria 1320/2008, entende-se claramente de que tipos de locais definidos para o efeito, serão considerados pelo município de Odemira...

Neste regulamento estão ainda definidas as seguintes situações:
Estacionamento: Fora dos locais destinados ao aparcamento apenas é permitindo o estacionamento de viaturas, não sendo permitido o aparcamento, assim definido:
Aparcamento: Será considerado aparcamento sempre que se verifiquem uma ou mais das seguintes situações:
- Arrear os estabilizadores e colocar calços, etc.


Ou seja, no território nacional existem locais em que a utilização de calços na via pública é proibida e que o único local para as autocaravanas estarem é nos parques de campismo, ao contrário do que o comunicado do “movimento transversal” erradamente transmite.

Aqui não está em causa a concordância ou não com o regulamento do município de Odemira. Nem sequer está em equação a (i)legalidade de tal Regulamento (que não compete à GNR julgar). O que está em causa é mais um péssimo serviço prestado à causa autocaravanista por parte do MIDAP levando as pessoas ao engano. Já são erros e trapalhadas a mais para poderem explicar-se simplesmente pela incompetência.

O MIDAP/DeCarvalho, depois da patetice de se proporem dar aulas às forças policiais para os formarem sobre autocaravanismo, vêm agora propor a elaboração de uma circular para ser distribuída organicamente pela GNR o que é algo que temos dificuldade em qualificar. Ridículo é o mínimo que pode dizer-se. Os militares cumprem instruções recebidas hierarquicamente, não são marionetas que se movimentem ao sabor dos caprichos de alguém, por mais iluminado que se considere.

Se não sabem fazer bem, melhor fora que estivessem quietos e calados em vez de saltarem de trapalhada em trapalhada com a febre de quem quer mostrar serviço. Não é que nos incomode as suas tristes figuras, mas preocupam-nos as consequências dos seus gestos irreflectidos para a liberdade de ser autocaravanista em Portugal.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Tribuna Autocaravanista e o actual momento do Autocaravanismo em Portugal

Face ao aparecimento de alguns comentários em fóruns e blogs, inclusive na TAC, impõe-se fazer alguns públicos esclarecimentos.

A Tribuna Autocaravanista tem como único e central objectivo contribuir para o debate sobre a temática do autocaravanismo e as suas várias vertentes, com especial ênfase sobre o autocaravanismo enquanto turismo itinerante. Várias vezes nos últimos 3 meses de uma forma clara, directa e objectiva temos dado o nosso contributo através da publicação diária de sugestões, opiniões, comentários críticos e alertas sobre o actual momento que atravessa o autocaravanismo.

Se de alguma forma temos visado alguém ou algum grupo em particular isso deve-se, tão só, a uma análise crítica sobre o percurso por eles escolhido, que somos livres de considerar incorrecto. Vivemos em Democracia e sentimo-nos com iguais direitos de cidadania, que nos permitem comentar ou agir em função das nossas convicções. Se existem tantos “agentes” que se vêm arrogando como “nossos” defensores, sem que para isso lhes tenhamos passado qualquer credencial, porque razão haveríamos de ser cerceados de um Direito Constitucional – o da livre expressão e pensamento?

Sentimos que os caminhos percorridos são perigosos e que nos podem levar a perder o maior dos fundamentos de um autocaravanista – o da sua liberdade de viajar, usufruindo das potencialidades da viatura que adquiriu. Não procuramos atacar pessoas, mas criticamos acerrimamente as ideias que alguns procuram impor como “salvadoras”, quando delas abertamente discordamos ou sobre as quais temos fortes dúvidas.

Paralelamente, temos também sido contundentes com o CPA, pela forma como o maior e mais representativo clube de autocaravanismo português tem sido (mal) gerido, desbaratando um capital ganho no biénio 2006/07.

Nada nos move contra ninguém a título pessoal. Mais, não temos interesses particulares, económicos, políticos ou de qualquer outra espécie no meio autocaravanista. Se somos incómodos é porque não assobiamos para o lado ou voltamos a cara quando vemos que algo está mal ou do qual não concordamos. Não fazemos acusações gratuitas só porque existem pessoas com ideias diferentes daquelas que publicamente assumimos. Também ninguém nos viu fazer ameaças ou infundados assassinatos de carácter. O que nos move é o direito de opinião cimentado na defesa intransigente da nossa liberdade individual – um anseio colectivo - que não pode nem deve ser posta em causa por ninguém, mesmo que por mera ingenuidade, e muito menos por parte de quem tenha eventuais interesses particulares. O que lastimamos profundamente é a evidente e incompreensível situação penosa porque passa o maior clube português de autocaravanismo. A nossa actuação, a nossa crítica, não pode ser interpretada com o fundamento da “destruição” mas antes como um alerta à consciência dos seus associados para uma desejável reversão. Quem se calou ou, pior ainda, apoia a actual desgovernação do CPA, é que será responsabilizado pelas consequências negativas que esta gestão trará ao Clube e aos autocaravanistas num futuro próximo.
Como pode um clube com quase dois mil sócios ficar feliz com a unanimidade de uma AG onde apenas compareceram umas escassas dezenas de pessoas?
Melhor fora que aqueles que sem mostrar dispor de uma única ideia válida para o autocaravanismo apenas se preocupam em atingir o bom-nome dos autores deste Blog, se preocupassem antes em encontrar resposta para estas questões:
- O que pensarão do actual momento do CPA os mil e tal sócios que deveriam estar na AG e não estiveram?
- Porque será que cada dia que passa é menor a proporção de autocaravanistas que se revê no CPA?
- Porque foram criados no último ano 4 Clubes formados por autocaravanistas sem que o CPA revelasse qualquer capacidade de inverter este processo de fragmentação do movimento associativo?

Parece que anda por aí muita gente com medo de enfrentar a verdade dos factos!

Não dizemos mal só por dizer ou só para contrariar quem quer que seja. Demonstramos inequivocamente porque criticamos as opções que alguns insistem em seguir e apontamos soluções e possíveis caminhos que poderão ser seguidos em alternativa.

Não nos escondemos em pseudónimos ou em acrónimos. Damos o nome e a cara em defesa das nossas convicções, não porque somos melhores que os outros, mas porque assumimos a nossa discordância legitimados na saudável frontalidade que só dignifica quem se sente com direito e vontade de intervir.

Não somos, certamente, mais uns teóricos que do seu pedestal imaginário, vão mandado “bitaites” que apenas contribuem para o ruído de fundo que vai afastando aos poucos e poucos os autocaravanistas do associativismo. Temos provas dadas sobre o que fazer e da forma de proceder para atingir uma correcta dinâmica institucional do autocaravanismo e para a dignificação social da imagem dos autocaravanistas. Ao contrário de muitos, temos provas dadas e temos ainda bem presente na memória aquilo que foi possível atingir em tão pouco tempo.

Vamos continuar a mostrar como a demagogia, a hipocrisia e a manipulação tem sido usada e abusada pelos pseudo autocaravanistas “bem formados” que constituem um pretenso movimento representativo dos autocaravanistas portugueses.

Dito isto reafirmamos do alto desta Tribuna que não somos, nem ambicionamos ser, nenhum Clube mas que nada nos demoverá de prosseguir o caminho que anunciámos na primeira mensagem que aqui publicámos e que parcialmente recordamos:

Porque não há machado que corte a raiz ao pensamento...a Tribuna segue os trilhos dos autocaravanistas itinerantes que buscam a liberdade alicerçada na razão crítica e na dignidade social.

Afinal quem somos e o que queremos nós ao envolver-nos na criação desta Tribuna Autocaravanista?Bom, em face do que se tem visto por aí nos últimos tempos, o melhor é começar por esclarecer o que não somos: não somos o embrião de nenhum clube; não somos obreiros de nenhum círculo, nem triângulo, nem sequer um quadrado ou um losango. Somos simplesmente autocaravanistas com o saber acumulado pela vida e pela experiência enquanto dirigentes associativos. Somos autocaravanistas que seguem com apreensão o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal. Somos autocaravanistas que cultivam a liberdade alicerçada na responsabilidade, e que não hipotecam a consciência ao jogo oportunista do discurso politicamente correcto.

sexta-feira, 13 de março de 2009

TOLEDO: mais um gesto de perseguição aos autocaravanistas

Pela mão do companheiro Vicente, de Gijon (http://www.areasac.es/), tomei conhecimento de mais um gesto de perseguição (i)legal aos autocaravanistas.
Desta vez é em Toledo, onde o Município acaba de aprovar um Regulamento Municipal sobre a ocupação do espaço público. Para além de definir as condições de licenciamento de bares, esplanadas e quiosques, o Regulamento estabelece na secção 10, artigo 107, que é proibido:
“Acampar nas vias e espaços públicos, acção que inclui a instalação no espaço público ou nos seus elementos móveis de tendas, veículos, autocaravanas ou caravanas, salvo em lugares concretos autorizados. Também não é permitido dormir de dia ou de noite nesses espaços.”
Este é mais um exemplo do que pode vir a acontecer-nos em Portugal no futuro, até porque também cá a regulamentação do uso do espaço público é competência das Autarquias Locais. O artigo 29º da recente Portaria regulamentadora do campismo até já definiu quais são os “lugares concretos autorizados” para a pernoita das autocaravanas.... só não vê quem não quer ver.
Este é mais um exemplo que mostra como é importante os autocaravanistas organizarem-se, mobilizarem-se e lutarem pela defesa dos seus direitos. Para ser autocaravanista não basta ter uma autocaravana, temos que colectivamente criar condições para podermos desfrutar dela em liberdade.
Este é mais um exemplo que mostra o perigo que é os autocaravanistas deixarem-se conduzir por entidades a quem apenas interessa rentabilizar os Parques de Campismo.
Este é mais um exemplo que mostra como é um disparate querer alterar-se o Código da Estrada para criar um sinal de trânsito que permita a descriminação das autocaravanas. Já nos basta o sinal com a caravana que foi criado apenas para indicar a localização dos parques de campismo, mas agora só é usado para nos empurrar para lá.
Este é mais um exemplo que mostra como temos razão em criticar o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal.
Este é mais um exemplo que mostra o baixo nível intelectual daqueles que nos acusam de fazer ataques pessoais quando nos limitamos a criticar ideias, daqueles que têm necessidade de permanentemente dizer que são sérios e bem intencionados (certamente por duvidarem de que o sejam), daqueles que perdendo a noção do ridículo nos chamam cobardes, daqueles que revelam a sua ordinarice ao socorrerem-se de ditados populares para chamarem aos autores desta Tribuna “cães” que rosnam e “burros” cujas vozes não chegam ao céu, etc... Assim se vê quem é que diz adoptar códigos comportamentais de RESPEITO mas passa a vida a fazer ataques pessoais do mais baixo nível, ataques que de tão ordinários não atingem ninguém apenas desqualificam quem os faz. É triste ver pessoas que são incapazes de contrariar um só dos nossos argumentos a reagirem desta forma.
Se não fosse tão pequena a capacidade intelectual dessas pessoas usariam antes aquele ditado que diz: se vires as barbas do vizinho a arder põe as tuas de molho.
Isso lhes permitiria perceber que aquilo que está a acontecer em Espanha nos pode acontecer a nós em qualquer momento e que, face a esta ameaça, muito do que os auto intitulados heróis do autocaravanismo português vêm fazendo não passa de uma sucessão de atitudes irreflectidas, de trapalhadas e asneiras pelas quais mais tarde ou mais cedo todos os autocaravanistas terão que pagar.
A informação que a TAC divulgou anteontem sobre o que já se está a passar no Algarve é bem clara. Só não vê quem teima em não querer ver.

Raul Lopes

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ser dirigente é um prémio de reconhecimento ou uma responsabilidade?

Normalmente as colectividades debatem-se com a dificuldade de encontrar quem esteja disponível para assumir a sua liderança. Mas, paradoxalmente, não faltam nos clubes quem esteja desejoso de se exibir em palco. Resultado: muitas vezes colocam-se na Direcção dos clubes pessoas que não têm um mínimo de competência para o cargo, mas que estão desejosas de o ocupar. Mais, acham que têm direito a ocupá-lo, como compensação pela dedicação tributada ao Clube.

A meu ver, enquanto aceitarmos a lógica de usar os lugares nos cargos dos órgãos sociais dos clubes como prémio, como compensação, como “pagamento de favores”, etc. estamos a hipotecar o futuro esses clubes. Estamos a fazer definhar o espírito associativo.

O movimento associativo está cheio de situações que me contradizem, mas para mim ser dirigente é assumir uma responsabilidade, não é usufruir de um prémio de reconhecimento social pelos bons serviços antes prestados à colectividade a que se pertence. Para estas pessoas os Clubes devem dispor de uma Galeria dos Notáveis onde exibam as fotos emoldurada dos sócios que se distinguiram no passado do Clube. No presente o Clube , qualquer que ele seja, precisa de quem trabalhe, precisa de quem assuma a atitude inerente ao dever de serviço público, precisa de quem entenda que ser dirigente é carregar a responsabilidade de honrar o passado do Clube e de construir os alicerces do seu futuro.

Como pode alguém projectar o futuro de um clube se não tem qualquer Projecto, uma ideia coerente, um programa substantivo de política associativa que sirva de referência à actuação, que indique os objectivos do clube que se quer ter no futuro. Seguramente não é ficando sentados a olhar para o passado, por muito glorioso que ele seja.

Ser dirigente é (devia ser!) ter rasgo, ter ousadia, ter horizontes largos. Podemos fazer pequeno hoje pensando grande no futuro, mas seguramente que no futuro não haverá muito para recordar do que fazemos hoje se agora fazemos muitas coisas mas sem a capacidade para idealizar o futuro, se não formos capazes de sonhar com o futuro. É que o futuro começou ontem.

É por isso que digo: ser dirigente é assumir as responsabilidades do cargo, não pode ser entendido como um meio de satisfazer vaidades pessoais.
Raul Lopes

quarta-feira, 4 de março de 2009

EM DEFESA DA LIBERDADE EM AUTOCARAVANA

Muito se vem escrevendo e discutindo sobre Autocaravanismo. Como turista itinerante, proprietário de uma AC, quero-vos transmitir o meu apego profundo à liberdade “on the road” e a minha rejeição do “escutismo autocaravanista”.

Foi por “perseguir” essa liberdade de poder viajar (quase) sem limites, sem hora nem lugar marcado, ao sabor do “sonho” e da “aventura” e da vontade da ocasião, que troquei, nas minhas viagens, uma viatura ligeira (e tenda ou caravana), por outra viatura “completa”, mas ainda assim, no mesmo escalão rodoviário, isto é, uma viatura ligeira, com os mesmos direitos e deveres face à lei.

Como cidadão responsável, com suficiente educação cívica, social e ambientalmente interessado e respeitador, tenho sabido usar a minha “casinha itinerante” com base nos pressupostos legais existentes e, sem qualquer problema com as autoridades, tenho até agora usufruído dessa vivência extraordinária que se consubstancia no estilo de vida “autocaravanista”.

Não compreendo, por isso, a “fobia” em legislar sobre a prática, porquanto, todas as situações que se relatam de donos de autocaravanas com práticas “estranhas” à modalidade e que envergonham o “movimento” têm na lei vigente forma de serem devida e correctamente punidos.

O “campismo selvagem”, os atentados ambientais resultantes do lixo, despejos, ocupação da via pública, e outros comportamentos ilegais, estão todos devidamente assinalados na Lei, sendo passíveis de punição.

Se as autoridades cumprissem o seu papel fiscalizador correctamente, todos os prevaricadores seriam penalizados, sem haver necessidade de legislação específica, qual obsessão “colectiva” que se instalou no meio autocaravanista.

Por outro lado, algumas autarquias vêm praticando “abusos de poder” face à legislação existente em matéria de trânsito, a única que do meu ponto de vista pode ser aplicada ao veículo “autocaravana”. Esses actos, ao contrário do que seria de esperar dos “nossos representantes”, nunca foram contestados até à última etapa - nos tribunais - como bem aconteceu em França, onde diversos episódios idênticos resultaram na condenação e anulação de “despachos” municipais.

Aqui, por terras lusas, assistimos à “bajulação” do poder, às romarias à AR, aos salamaleques a deputados, numa autêntica “feira de vaidades”, jogos de influência e pedantismo, numa espiral de exibicionismo lamentável.

A falta de discernimento quanto aos verdadeiros interesses do “turismo itinerante” em autocaravana, agora pomposamente chamado de “touring”, para lhe dar um ar de “finess”, é confrangedora por parte de muitos autocaravanistas.

Não nos espanta que haja entidades comerciais ou mesmo associativas interessadas em legislação e sinalização “amigavelmente” castradora, para melhor promoverem os seus interesses em nos “acantonar”, seja em campings, áreas especiais para autocaravanas ou afins, querendo limitar a nossa liberdade de estacionar, usando todas as faculdades que uma autocaravana nos disponibiliza (comer, dormir, etc.).

Se dormirmos num automóvel, alguém se interessa? Se comermos num carro alguém se preocupa? Se estacionamos a nossa “berlina” num parque de estacionamento à beira-mar, alguém se incomoda? Se um camião estaciona numa área pública e nele dorme o seu condutor, só ou acompanhado, alguém o vai incomodar?
Todos eles podem andar a fazer “turismo itinerante” sem que legislação especial seja necessária.
As leis que existem são suficientes e condenam os abusos e atentados que possam ser perpetrados pelas pessoas, seja qual for o veículo utilizado. Os actos ilegais são praticados pelas pessoas, não pelo veículo que utilizam.

O que pedimos, e nisso, infelizmente, os nossos “iluminados” representantes, com maior, menor ou mesmo nenhuma representatividade não entendem, ou não querem entender, é que “actividade autocaravanista” deve permanecer livre e não condicionada à prática campista ou de alguma forma com ela confundida.

Uma autocaravana pode ser um veículo adequado à utilização num parque de campismo, mas está a “anos-luz” de ser um mero meio de fazer campismo. Uma autocaravana é um veículo (ligeiro ou pesado) sujeito às leis do trânsito e tão só isso.

Assim sendo não precisamos que se defenda o Direito ao Autocaravanismo (utilização de autocaravana), esse não está, nem pode nunca estar em causa numa sociedade democrática. Precisamos sim de ver consagrado em Lei o Direito do Autocaravanismo, que no caso o mesmo é dizer, os Direitos dos Autocaravanistas, reforçando a ideia da igualdade no tratamento geral rodoviário e na criação das melhores condições para podermos abastecer e fazer despejos em condições de salubridade e dignidade.

Precisamos fazer entender à sociedade que se formos bem recebidos, se nos forem dadas as melhores condições para a utilização das nossas autocaravanas, poderemos corresponder, visitando as localidades, frequentando o seu comércio, os seus museus, restaurantes, etc. e dessa forma contribuir para economia local, regional e nacional de que Portugal tanto necessita.

Precisamos de ver reconhecido e “acarinhado” o nosso contributo positivo com iniciativas que visem criar as melhores condições de uma utilização livre da autocaravana e não de acções destinadas a castrar essa liberdade.

Para me obrigarem a parquear e a dormir onde bem querem, fico em casa. O que me fez escolher uma autocaravana foi precisamente a liberdade que ela me proporciona.

Se todos meditarmos nisto, podemos compreender que qualquer tentativa “legisladora” não reflectida pode resultar numa castração da nossa liberdade que, com responsabilidade, todos os verdadeiros autocaravanistas sabem e querem continuar a usufruir.

Não podemos deixar-nos iludir com a ideia de que uma legislação específica nos vem favorecer. Desiludam-se disso. Não precisamos que nos regulem. Precisamos que nos criem as condições adequadas, proliferando as áreas de serviço, bastando para tanto, as de tipologia utilizada no “projecto CPA”, ou até de tipo mais simples.

Dispensamos que nos limitem o espaço, para além do que já existe em matéria viária, ambiental e de ordenamento do território, sem descriminações, sob pena de perdermos aquilo com que sonhámos ao adquirir as nossas autocaravanas.

Não vos deixeis, por isso, ir atrás dos “falsos profetas” do paraíso, que apenas procuram com as suas acções “mostrar serviço” e melhor defenderem os seus lugares e, quiçá, os seus interesses escondidos.
O nosso “movimento” representa um “apetitoso mercado”, mas cabe-nos a nós escolher livremente a quem e onde queremos “comprar”.
Estejamos alerta e livres para pensar e agir.

Laurindo Correia