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quarta-feira, 6 de maio de 2009

As quatro estações da Andaluzia

Sevilha, Granada e Córdova: um “triângulo” incomparável de arquitectura branca misturada com o árabe, aglomerados labirínticos de ruas, cheiros a tapas e cavalos, sol fortificante e alegre, pessoas, agitação, alegria, horas tardias, noche animada...

...e, aliadas à Semana Santa, as três cidades andaluzas ganham ainda mais cor e luz.

Sevilha foi a primeira ponta do “triângulo”. Três dias antes de Domingo de Ramos, as procissões aguardavam, mas a cidade já fervilhava de palanques, filas de cadeiras pelas avenidas principais e colchas vermelhas a acenar às varandas.

Esse era o ar espanhol, morno e “habitué”; mas Sevilha ganhou entretanto um ar mais cosmopolita, relembrando algumas cidades do norte europeu, com a sua rede de bicicletas de aluguer que se estende por toda a cidade em múltiplas estações e com a mais recente inovação, um metro à superfície todo ecológico e de linhas modernas.

Desta vez, sem mapas, explorámos os cantos à casa ao sabor da intuição e dos apelos visuais: a catedral e a sua Giralda

(li recentemente que a catedral consta do Guiness como a maior do mundo); a judiaria; as pequenas plazas repletas de esplanadas e pessoas tapeando e bebendo canhas;

a praça da Maestranza, qual palácio ao Toro; um merecido jantar numa taberna típica, com croquetas, ensaladilla russa, tortilla, pescoço de boi ou um lanche de canhas e croquetas, reencontrando por mero acaso pessoas que não víamos há mais de 15 anos…

Do lado oposto há ainda a possibilidade das ruas comerciais, como a Tetuan, onde apetece fazer como os espanhóis: entrar e alargar os cordões à bolsa…


Para pernoitar tínhamos a indicação, via net, de uma zona na Marina de Gelfes, fomos lá, mas havia um portão fechado e acabámos (como já havia acontecido em anos anteriores) no camping Vilson, bem servido de autobus, 500 m já em Los Hermanas. Os autocarros são frequentes e circulam até perto da meia-noite. O pior mesmo é que entre parque (para 4) e bilhetes fizemos uma diária de 40€.

Antes de chegar ao segundo ponto do triângulo (Granada), ainda há a hipótese de passar pela serra e gozar um belo sol, mesmo frente ao mar. A volta foi por Ronda, local de difícil estacionamento para AC e servida apenas de um camping caro (30€ antes da Semana Santa, 35 € nas ditas Festas), a 3 km a pé até ao pueblo. Optámos por não ficar, uma vez que já conhecíamos, mas com pena de não haver ali uma área para AC.

E a partir dali constatámos que a vida do autocaravanista cada vez se torna mais difícil, sobretudo em locais à beira-mar. Em Marbella não arriscámos e não vislumbrámos muito espaço; até Cala de Mijas espaços reduzidos e poucos parques de estacionamento, nalguns, estreitos, algumas AC arriscavam e tinham mesmo por cima a autovia barulhenta. Encontrámos um bom espaço ferial em Cala de Mijas (N36º 30’20,2’’ W4º 40’ 53.6’’) onde descansámos e pernoitámos sossegadamente, ao lado de outra.


Antes de continuar pela costa, havia que fazer um pequeno desvio até Mijas, pueblo serrano e solarengo, que inaugurava a manhã com a procissão de Domingo de Ramos. Desde a ermida na rocha até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os ramos de palmeira e oliveira são agitados por uma multidão ruidosa que, depois da missa, sai em procissão pelo centro, acompanhando o andor de Jesus montado no burrico, como não podia deixar de ser, já que Mijas é o berço dos burros.


Espanha é também touradas, por isso não nos pareceu nada mal visitar uma praça miniatura e bem típica, a de Mijas, claro!



(O táxi de Mijas)


Para almoço alguma vez tinha de ser a famosa paella, e, recordados de um pequeno bar em Mijas, há mais de 12 anos, que fazia uma excepcional, bisámos. Mas como tudo na vida, a segunda vez nunca é igual à primeira…

A partir de Mijas, há outro roteiro processional aconselhado - Málaga - mas ao que parece pernoitar ali não é fácil. Em cidades grandes há sempre o factor insegurança que nos faz recuar, optamos pelo camping, mas neste caso, o de Málaga era a mais de 30Km. Talvez tenhamos saltado alguma coisa, não percebi, o facto é que antes de Málaga conseguimos ficar em Torremolinos, mas já depois de Málaga, só Motril.

Em Torremolinos a discriminação AC é visível em placas como esta:


ainda assim, no final do Paseo Marítimo a proibição não existe e passámos lá uma boa parte da tarde, para passear e rodar nas biclas ao longo do Paseo. À noite passámos para a parte proibida, já que não havia guarda nem ninguém. A polícia passou e nada disse, ao lado uns franceses.

Até Motril tínhamos a indicação de duas zonas de AC em Nerja, fomos lá mas estavam ambas fechadas ?!

Acabámos em Motril, na praia de Granada, depois dos dois campings. Já conhecíamos e sabíamos ser seguro, ainda por cima com a vantagem de estar na 1ª linha da praia. O pior é que precisávamos de despejar e encher! Dando o exemplo civilizado, pusemos gasolina, pedimos autorização para encher, despejámos (sorrateiramente) a sanita no WC exterior da Gasolinera, demos banho à Casinha nas lavagens automáticas de carros, para podermos, em simultâneo, despejar as águas sujas. Talvez não tenha sido o mais higiénico, mas depois de termos pedido autorização nos campings de Motril, e de a terem negado, não havia outra hipótese. Por que razão os campings não têm um preço simbólico para AC, só para despejos e reabastecimento? Porque se calhar é melhor estas andanças, ou então fazer como a senhora alemã que estava ao nosso lado: pegar na sanita e despejá-la no mato, do outro lado da estrada?!




(Motril)


Em poucas horas, do Verão passámos ao Inverno: já que se vai a Granada, por que não uma subida até à Sierra Nevada? A época é de facto de estância de Inverno, os turistas abundam, o desporto deslizante está no auge! No topo da montanha (2.379 mt alt.) há uma zona para AC, por 10€ diários, com água e sítio para despejos ( N37º 05’ 57.9’’ W 00 3º 23’ 33,2’’). Estava bastante cheio, também com portugueses armados dos seus skis, gorros e gaffas de sol! Para quem não pratica, como nós, o passeio até ao pueblo, ou melhor, uma base de lojas caras, restaurantes e hotéis, é uma espécie de passeio por uma base de astronautas, onde os alliens somos nós próprios.




Mas vale a pena estar no meio de tanta neve, num cenário de algodão doce com temperaturas nocturnas de 5 º negativos! Impressionante! Mais impressionante ainda é a carrinha não pegar no outro dia de manhã, quando nos propomos descer até Granada! Tem de se chamar o especialista, que com um milagroso spray a põe a funcionar em 5 segundos e estende a mão para em troca receber 60€, bela aventura na neve!

O que vale é que Granada é cor e alegria! Haja sol, novamente! E dinheiro, claro, porque aqui vale mais jogar pelo seguro e ir até ao Camping Sierra Nevada (36,60€).

Granada é aquela jóia árabe, onde apetece estar, ficar, sonhar…

Chega-se à Plaza Nueva e há logo um íman a puxar-nos para o emaranhado de ruelas do Albaicin, bairro típico, de recantos árabes, labirínticas calles onde apetece perdermo-nos e espreitar pela portas, muros, e pátios. Subindo ao mirador San Nicolás , o Alambra esmaga-nos,

de beleza, num choque de frente.

Gastam-se rolos de fotografia, para além de ter a sensação de paragem no tempo, com tanta concentração, de hippies, por metro quadrado. Esperar-se-ia mais pelos árabes, mas à falta deles, populam os hippies e o artesanato mourisco e as teterias e o cheiro a incenso marroquino…

(mirador San Nicólas)

Parar, estar e contemplar são sempre verbos que por ali reinam: andar pelo Albaicín e parar no Miradouro; descer a Calle do rio entre a plaza Nueva e o Passeo dos Tristes, e parar aí, olhando as pessoas, ouvindo música dos muitos grupos de jovens que por ali conversam , namoram, dormitam…


(Passeo dos Tristes)

Ou andar mais ainda e fazer um intervalo para uma tapa regalada entre duas canhas, quejo, presunto, patatas, azetonas…

(Teteria no Albaícin)

E eis que irrompe, pelo peso da História e do passado “herege”, o culto e peso do catolicismo, com outro cheiro a incenso e outra música: a das bandas que choram Cristo. Afinal era quarta-feira santa e os andores de centenas de quilos, escorriam lentamente pelas calles, enclausurando-nos no labirinto e fazendo-nos calcorrear avenidas à espera do autocarro até ao Camping…


Faltava a ponta do triângulo, desta vez Cáceres, onde uns amigos eborenses, igualmente andarilhos (numa Westfalia vermelha e hippie), já vacaceavam.

Em Cáceres, cidade mais pacata e espaçosa para AC, há a possibilidade de pernoitar gratuitamente, ao lado do espaço ferial, onde muitos buses param. Um pouco barulhento mas passa-se. Muitas AC, algumas portuguesas, como um sr. da Guarda que muito dialogou connosco sobre outras paragens, como Noruega (ai, ai…).

Em Córdova, as procissões são uma constante, desde Domingo de Ramos, cinco e seis por dia. Na quinta e sexta-feira Santa quase tropeçámos nos andores e fomos encurralados por nazarenos encapuzados de preto, roxo, vermelho…


Uma “quadrilha de costeleros” carrega o andor – quase uma vintena deles – com camisolas a proteger ombros e cabeça, debaixo do peso, quase sem verem. Em alguns dos andores, a quadrilha, em uníssono, dá um salto e o andor sobe. O público aplaude, a procissão passa, de 30 em 30 metros, durante 5 minutos, o andor volta a parar para depois subir e continuar, horas sem fim.


(preparativos)

(debaixo do andor)

(o andor)


As procissões entravam e saíam na Catedral: Dolores, Sepulcro, Expiración, Cristo na cruz, a Virgem chorando, a última ceia, Cristo morto…


A mesquita árabe ali ao lado, duas religiões quase irmanadas, a Judiaria no lado oposto, as rezas, as pipas no chão, o incenso…

Córdova é mais um exemplo do espírito andaluz, luz e cor e sol (33º para no dia seguinte serem apenas 20º), as pensões e hotéis sempre “completo”.

E sempre uma rua estreita para descobrir, um páteo andaluz, um arco em ferradura, malvas às janelas…

Na Plaza de la Corredera há alegria e artesanato de outros tempos, surge quase cozida ao emparedado Templo Romano. Nada que se compare ao de Évora…

(La Corredera)

(Templo Romano)

Na Plaza del Poltro - e as suas joalharias nas redondezas - apetece tapear…

Em San Pedro apreciar mais uma reunião de uma congregação…

Muito e sempre mais a repetir…ficaram a faltar-nos saborear algumas tapas, por exemplo, em La Bacalá, taberna típica com bom ambiente.

Estava na hora de voltar à realidade, Córdova-Zafra-entrada em Portugal por Mourão e, para descansar, uma noite bem dormida no descanso alentejano, na Aldeia nova da Luz, na recém-inaugurada zona para AC. O Alqueva ao fundo, outra vez o frio. Alentejo, mas parecido às noites frias andaluzas.




(Luz)


PAULA VIDIGAL

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Viajar Pela Patagónia

A Tribuna volta hoje ao tema das Viagens. Desta vez à mítica Patagónia na Argentina. Temos vários leitores brasileiros, tendo já publicado um post do companheiro Luiz Tostes sobre o Autocaravanismo no Brasil e os companheiros Graça e Renato são presença habitual como nossos "comentaristas".

Hoje a reportagem é da companheira Nadja Gomes Sampaio que a bordo do "Farofa", percorreu mais de 14 mil kms em 41 dias. Foi uma grande epopeia como podemos facilmente constatar pelas palavras desta aventureira e que mereceu honras de publicação no Jornal O Globo.



A BORDO DO FAROFA

Atravessar a Argentina percorrendo 14.527 quilômetros em um motor home (uma Kombi com a casa em cima) é uma aventura... e das melhores! O motor home, no caso, é uma Kombi Safari da Karmann Ghia, o Farofa: ano 1993, duas camas de casal; mesa; banheiro químico, pia e chuveiro de água quente; cozinha com fogão de duas bocas, pia, frigobar e armários. Esta foi a nossa confortável casa durante 41 dias. Nesta expedição estávamos eu, minha filha e dois amigos. Vivemos e vimos muito nas estradas de retas enormes, com vento da Patagônia, e ainda caminhos de rípio, um cascalho de pequenas pedras redondas. Nas partes onde está mais endurecido, pelas quais passam caminhões, formam-se costeletas, a casa sacode toda, a poeira invade tudo, depois é preciso fazer uma faxina.
O Farofa anda devagar, não passava de 60 km/h quando havia vento, e só chegava a 90 km/h nas melhores estradas, o que nos permitia apreciar a paisagem, que, mesmo no deserto, vai mudando. E, depois de muita estrada, sempre chegávamos a um lugar lindo, como se fosse um presente para os desbravadores.

Saímos do Rio em 27 de dezembro passado e rodamos três dias até Foz do Iguaçu. Primeiro problema: a validade da Carta Verde, seguro obrigatório para dirigir pelos países do Mercosul, começava no dia 1 de janeiro, e estávamos em 30 de dezembro. Policiais argentinos nos deixaram seguir para comprar em Puerto Esperanza o seguro do dia que faltava. Custou 170 pesos (cerca de R$ 100), mais da metade do que fora pago por um mês.

Nas estradas argentinas, é obrigatório andar com o farol aceso durante o dia. E a sinalização para ultrapassagem é ao contrário da usada no Brasil: quando o motorista da frente liga a seta da esquerda, é porque se pode passar. Na divisa das províncias Corrientes e Entre Ríos, fomos parados por não ter faixas refletoras nas laterais do veículo nem a velocidade máxima atrás. O patrulheiro já começou negociando, baixando a multa de 1.100 para 800 pesos, se pagássemos em moeda argentina. Depois de uma hora e meia de conversa, em que apelamos até para o aniversário da minha filha, naquele dia, chegamos ao valor de R$ 150 (passamos para reais porque tínhamos poucos pesos).

Após pagar, disse que gostaria de saber o número da lei pela qual estava sendo multada. O policial pegou meus documentos, foi conversar com o chefe e, na volta, devolveu o dinheiro, anunciando ser um regalo, um presente de aniversário, para minha filha. E não disse o número da lei. Chegamos a Buenos Aires às 21h30m, para passar o réveillon e comemorar o aniversário.

No dia 2 de janeiro, seguimos pela Ruta 3 em direção à Patagônia. Depois de três dias, alcançamos Puerto Pirámide, onde passeamos de barco (100 pesos por pessoa) e vimos leões-marinhos, elefantes-marinhos, pinguins e outras aves. Acho que chegamos no único dia de verão da Península Valdés: fazia um calor de 40 graus Celsius. Dormimos no camping municipal, a 15 pesos por pessoa.

No dia seguinte, andamos 268 km de rípio para conhecer outro habitat de leões-marinhos e pinguins na Península Valdés. Depois, seguimos para Usuhuaia. A primeira parada foi em Comodoro Rivadávia. A partir de lá, começa a ventar muito. O Farofa tem três metros de altura; rodas para dentro do limite do carro, o que aumenta a instabilidade, e uma folga na direção, natural numa Kombi. Era preciso segurar o motor home no braço. Quando éramos ultrapassados por caminhões, balançava ainda mais.

Anoitecia às 23h30m, e viajamos até as 21h. Paramos em Comandante Luis Piedra Buena, uma cidadezinha linda, no ótimo Camping Vial (18 pesos por pessoa). A Argentina tem muitos campings, quase todos com boas duchas a gás e energia a 220 volts.
A próxima parada foi em Rio Grande, na Terra do Fogo, onde dormimos na rua mesmo. Para chegar à ilha onde fica a cidade, é preciso passar por quatro alfândegas (sair da Argentina, entrar no Chile, sair do Chile e entrar de novo na Argentina), rodar 120 km de rípio e cruzar de balsa o Estreito de Magalhães. Uma epopeia!

Finalmente, Ushuaia. Passeamos de barco pelo Canal de Beagle (80 pesos por pessoa), fizemos um tour para conhecer a história da cidade (20 pesos), visitamos o Parque Nacional Tierra del Fuego (50 pesos) e fomos à Baía de Lapataia, onde termina a Ruta 3 - a 3.075 km de Buenos Aires.
Começamos o caminho de volta e dormimos no Estreito de Magalhães, no porto da balsa. Vimos uma linda lua cheia nascer amarela, quase à meia-noite, no Farol do Estreito. De El Calafate, voltamos para Rio Gallegos, para pegar a Ruta 3, desta vez para subir. Chegamos a Puerto San Julian, onde há uma réplica da nau Victoria e um museu contando como foi a chegada da frota do espanhol Fernão de Magalhães, na sua volta ao planeta. O camping municipal é baratinho: 10 pesos pelo veículo e 1 peso por pessoa.

De Puerto San Julian, na Patagônia, voltamos para Comodoro Rivadávia. No caminho, o pneu da frente furou num declive. Tivemos dificuldades, até porque o acostamento da Ruta 3 é pequeno e de cascalho. Resolvemos mudar a rota e ir para Bariloche.

Nossa primeira parada foi em Esquel. Ficamos no Camping Nahuel Pan, o mais caro de toda a viagem, a 28 pesos por pessoa (menos de R$ 20). No dia seguinte, descobrimos que o posto Petrobras, em frente ao camping, tinha uma ducha maravilhosa, a 3 pesos por pessoa. Em Esquel, fizemos a manutenção do veículo, e ainda deu tempo de aproveitar uma viagem no La Tronchita (tíquete a 50 pesos), um trem a vapor de 1916, original. Ele percorre 400 km entre Esquel e El Maitén (na divisa das províncias de Rio Negro e Chubut), passando por paisagens e formações rochosas lindíssimas. Em El Maitén, visitamos um museu de culturas originárias da Patagônia.

Entre Esquel e Bariloche, almoçamos em El Bolsón, cidade cheia de mochileiros, de ecopasseios, e com uma cerveja artesanal deliciosa. Chegamos quase à noite em Bariloche. Dormimos em um estacionamento em frente ao Lago Nahuel Huapi, com a melhor vista da cidade. No dia seguinte, fizemos o circuito Chico, que inclui subir de teleférico (35 pesos) e se deslumbrar com a vista do Cerro Campanário. Como havia sol e estava muito quente, minha filha e um amigo se aventuraram em um mergulho nas águas gélidas do Lago Moreno. Eu me contentei em molhar as pernas em ambos.

De Bariloche, rodamos por Neuquén, Bahía Blanca, e fomos dormir em Tres Arroyos. No dia seguinte, chegamos a Buenos Aires. Depois de saracotear quatro dias pela capital, pegamos a estrada de volta para o Brasil, fazendo o mesmo percurso.
De novo, em Entre Ríos, fomos parados em uma barreira. Depois de não achar nada para multar, o policial nos pediu uma ajuda para a caixinha. Dei 10 pesos e seguimos para dormir em um posto YPF.

No dia seguinte, chegamos a Puerto Iguazu. Ficamos em outro posto da bandeira, do lado da alfândega, que tinha toda a estrutura, para economizar e, depois, gastar nas lojas duty free, que são de enlouquecer os consumistas. Conhecemos as Cataratas do Iguaçu, mais bonitas do lado argentino.

Qualquer um com um carro de boa mecânica e bons pneus pode fazer essa aventura. Nem precisa de GPS. Eu levei o meu, a Maria do Socorro, que foi de grande auxílio para entrar e sair de Buenos Aires. Mas, de um modo geral, bastam bons mapas.

Praticamente todos os campings argentinos têm as chamadas cabañas, pequenos apartamentos confortáveis e com preços bem mais em conta do que os de hotéis, principalmente para quem viaja com criança. O campismo é muito difundido na Argentina, e muitas pessoas usam motor homes e trailers.

É uma viagem barata. Gastamos na média 80 pesos (R$ 50) por dia, em alimentação e acomodação, num total de R$ 2.173 por pessoa (41 dias). A gasolina custou R$ 4.684,28, ou R$ 1.171 para cada um. O gasto total, por pessoa, não incluindo os passeios pagos nem as comprinhas pessoais, foi de R$ 3.344. Na minha conta ficaram os consertos do Farofa e a troca de óleo e de pneus, num total de 1.400 pesos (R$ 860). Mas o prazer de desbravar a Patagônia e a Terra do Fogo, esse não tem preço...


Nadja Gomes Sampaio

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Rio-Torto

Depois de Gouveia eis que chegamos à “minha aldeia”, Rio-Torto:

À entrada, no Adro da Igreja, estacionem as autocaravanas, podem pernoitar em segurança se desejarem, até têm sanitários públicos e água potável, e vão há descoberta:

Como paróquia é muito antiga tendo o documento onde se pode encontrar o registo de Rio Torto a data de 1269. Contudo, na Grande Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura, ao descrever e contextualizar Rio Torto, vem mencionada, em documento de 13 de Julho de 1091. Por outro lado há que considerar que esta pequena aldeia do interior não existia ainda como freguesia, constituída no Século XIII.Entretanto tira-se das mesmas inquirições a agradável conclusão de que se a freguesia ainda não existia no Século XIII, já existia a povoação, o lugar, pois de outra forma não podia compreender-se que Rivo Torto (do Latim Rivus, Ribeiro, Ribeira, Rego e Levada) repetidas vezes fosse repetido em Acta da Vila de Fornos, incorporada em tais inquirições, para se dar notícia algo desenvolvida da existência e movimento de propriedades (herdades) em Rio Torto, pertencentes a entidades e pessoas quer de Fornos, quer de Vila Cova e ainda de Torre de Tavares, no Século XIII.

- Capela de Nossa Senhora do Carmo

-Capela de Nossa Senhora dos Verdes

-Capela de Nossa Senhora da Conceição

- Ponte Romana, com caminho de S’antiago, sobre a ribeira de Rio Torto

Solar Boffa Mollinar

Casa dos finais do Século XVIII, com Capela datada de 1748, actualmente Turismo de Habitação

Dólmen - Monumento Pré-Histórico
Este dólmen, construído em pedra, está situado em propriedade privada, a 120 metros à esquerda da Estrada Nacional 17, no sentido Coimbra / Celorico da Beira, ao quilómetro 103.É constituído por elementos verticais, os esteios (pedras colocadas ao alto, formando uma parede) e um elemento horizontal colocado sobre os esteios como um tecto (tampa ou chapéu).Tanto os esteios como o chapéu são lajes graníticas, de grandes dimensões, cada elemento pesando toneladas.Está cientificamente provado que esta construção se destinava a rituais fúnebres ao povo paleolítico que habitava a região.Neste monumento pré-histórico foram encontradas ossadas humanas (do crâneo), mais de uma dezena de pontas de setas, vários fragmentos de setas, uma placa de argila, facas e um vaso de argila.

NOTA: “Há muitos milénios a região era habitada por uma raça de origem celta que professava a religião druidica.Os sacerdotes tinham um grande poder religioso, político e administrativo.Acreditavam na metempsicose (teoria que admite a transmissão das almas de um corpo para o outro), bem como na virtude de algumas plantas como medicamentos, como o visco (plantas parasitas) que era uma planta sagrada, sendo colhida em noites de lua cheia com uma foice de osso, com grande cerimonial e servia para fazer augúrios.”

Ermida Nossa Senhora dos Verdes

A Ermida Nossa Senhora dos Verdes, está inserida na Herdade do Monte Aljão, actualmente um parque de lazer e aventura de desportos radicais, muito bem estruturado, o qual possui um Parque Campismo Rural.

Festas e Romarias: Festa de São Domingos (2º Domingo de Agosto, sendo a festa principal), festa de Nossa Senhora da Conceição (1º Domingo de Agosto) e festa de Nossa Senhora dos Verdes (no 7º Domingo depois da Páscoa);Locais de Interesse Turístico: Azenhas, parque de merendas do Rascão, campo desportivo e açudes da ribeira de Rio Torto, onde podem pescar barbos e trutas.


Gastronomia e Artesanato

Neste domínio a referência vai para o Queijo da Serra e o requeijão, por muitos considerado o melhor queijo do Mundo.

Mas há muito mais: São também deliciosos o pão de centeio, a morcela, o chouriço, a farinheira, o cabrito assado, a alambicada de borrego, as feijocas “à pastor”, a sopa de moiros, a sopa de bacalhau, o caldo de castanha, o arroz de carqueja, as bôlas de carne, só para abrir o apetite.No âmbito das sobremesas, destacam-se o arroz doce confeccionado com leite de ovelha, o doce de castanha, o leite-creme, o doce de abóbora e os bolos doces.Acompanhar, não pode faltar o bom vinho Dão da região.No que respeita ao artesanato merecem especial destaque os trabalhos de tecelagem manuais, as camisas e casacos de pastor, os chinelos e mantas de trapos, as botas cardadas, a olaria e tanoaria tradicionais.

O Concelho de Gouveia, tem uma oferta diversificada de locais onde se pode desfrutar de esplêndidos sabores e aromas da gastronomia da Serra da Estrela.


Verde Água / Parque de Nossa Senhora dos Verdes / 6290 Rio Torto

ABM / Estrada Nacional 232 / 6290 - 414 S. Paio

O Júlio / Rua do Loureiro, 11 A / 6290 – Gouveia

O Flôr / Rua Cardeal Mendes Belo / 6290 - Gouveia

O Albertino / Largo da Igreja , 5 / 6290 - 081 Folgosinho

O Mocas / Rua do Oitão, nº 8 / 6290 - 081 Folgosinho

Sabores da Serra / Hotel Eurosol / Av. 1º. de Maio / 6290 - Gouveia

A Brasa / Rua Casimiro de Andrade, 14 r/c Esq. / 6290 - 320 Gouveia

Cunha / Rua Dr. Carlos A. Ferreira / 6290 - Vila Nova de Tazem

Fonte dos Namorados / Bairro Fonte dos Namorados / 6290 - 121 Melo

O Parrô / Zona Industrial de Gouveia / 6290 Gouveia

O Túnel / Escadinhas da Misericórdia / 6290 - Gouveia

Quinta das Cegonhas / Nabaínhos – Melo / 6290 - 122 Gouveia

Quinta do Adamastor / Rua do Hospital, nº 215 / 6290 - 071 Figueiró da Serra

Ponte dos Cavaleiros / Bairro da Serrã / 6290 - 051 Arcozelo da Serra

Parques, pernoita e campismo

… Sugiro para os itinerantes, estacionar e pernoitar, os centros das aldeias e seus adros, para os campistas, deixo estes exemplares.


Parque de Campismo do Curral do Negro
Curral do Negro
6290 - Gouveia

Telefones: 238491008
Fax:
Web:
e-mail: curral.negro@fcmportugal.com


Quinta das Cegonhas
Nabainhos
6290 - 122 Melo
(campismo, quartos, apartamento - todo o ano)
Telefones: 238745886
Fax:
Web: http://www.cegonhas.com/
e-mail: cegonhas@cegonhas.com


Parque de Campismo do Vale do Rossim
Vale do Rossim
6290 - Gouveia

Telefones: 275336679
Fax:
Web:
e-mail: atorre@iol.pt

Consulte e descubra mais aqui: http://www.cm-gouveia.pt/
… Espero que se divirtam e desfrutem da melhor maneira, se ficaram apaixonados e quiserem radicar-se nesta zona, é dirigirem-se à “Serrana” Imobiliária ou Predimarvão, digam ao meu irmão que vão da minha parte; E SEJAM FELIZES !!! …

Eugénio Santos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pelas fraldas da Serra da Estrela: Gouveia

… Cá estou eu a “dizer presente” ao desafio, em boa hora lançado pela Tribuna Autocaravanista, e mostrar, um pouco (queriam tudo?), das minhas raízes o meu “berço”.

- Em tempos num Fórum, abordei o assunto telegraficamente, desta vez pretendo mostrar algo mais elaborado, mostrar “caminhos”, quer viários, de cultura, lazer ou gastronómicos, (os bailes e bailaricos deixo que os adeptos os descubram) … interessa-me “levar” o Autocaravanista Itinerante, a debruçar-se, com outros olhos, pelo lado Ocidental da Serra da Estrela, mais concretamente GOUVEIA e RIO-TORTO, a sede do concelho e uma das suas freguesias, por sinal a “MINHA”, viajando e itinerando num todo, pois no meu conceito, “viajar itinerando” é fotografar com os olhos, não fossemos nós os lobos dos Montes Hermínios.


… Com este pensamento; vamos rolar:

A cidade de Gouveia, sede concelhia, encontra-se situada a cerca de setecentos metros de altitude. Edificada na encosta ocidental da Serra da Estrela, subindo a estrada N232 – Gouveia - Vale do Rossim (Mondeguinho, nascente do Rio Mondego) – Manteigas, o melhor acesso à Serra da Estrela para autocaravanas, subida mais suave, o panorama que dali se desfruta com paisagens a “perder de vista” são das mais belas do país.

Desconhece-se a época da sua fundação, possivelmente ao domínio romano da península ibérica. Velhas crónicas afirmam ter sido povoada pelos Túrdulos, 500 anos antes da era cristã os quais lhe teriam dado o nome de Gouvé. “ Aparentemente Gouveia ficava num cruzamento de vias romanas”.

Em 1083 D. Fernando I, Magno, (Rei de Leão e Castela), integrado no movimento da Reconquista Cristã retomou Gaudela aos Mouros. O primeiro foral de Gouveia foi concedido no ano de 1186 por El-rei D. Sancho I e confirmado por D. Afonso II em Coimbra a 11 de Novembro de 1217. Diz-se que D. Manuel concedeu novo foral “em 1 de Julho de 1510”.Também em Gouveia a família judaica teve acentuada influência, exemplo disso é uma judiaria no bairro da Biqueira, que dão testemunho vários edifícios, entre os quais a capela de Santa Cruz.

Dos Bairros de Gouveia, destaco dois, pelas marcas que ajudam a definir a cidade:

Bairro do Castelo

Considerado o berço de Gouveia, o denso casario é entrecortado por ruas estreitas e tortuosas que conduzem à Igreja paroquial de S. Julião, edifício barroco de traçado simples, onde sobressai a torre sineira única. No interior encontram-se sete retábulos de talha que foram transladados da Igreja do Convento de S. Francisco. Encontra-se aqui a Biblioteca Vergílio Ferreira.



Biblioteca Municipal - Vergílio Ferreira
O Solar dos Serpa Pimentel é um edifício setecentista, com capela provada dedicada à invocação de Santa Eufémia. Destacam-se as suas marcas barrocas e o brasão esquartelado e trabalhado em granito, na janela central da fachada principal. Após as obras de restauro foi aqui instalada a Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira. Natural do concelho de Gouveia (freguesia de Melo), Vergílio Ferreira notabilizou-se como romancista e ensaísta.

Bairro do Toural

Ainda na freguesia de S. Pedro, o Bairro do Toural e a sua Rua Direita, via sinuosa onde se situa a Fonte do Assento e a Igreja Matriz. No seu seguimento pode apreciar-se a Casa da Torre, com a sua janela manuelina classificada como monumento nacional em 1928 e o Museu Abel Manta.

Casa da Torre - janela manuelina

Museu de Arte Moderna Abel Manta
O museu Municipal Abel Manta (1888 – 1982), instalado no antigo Solar dos Condes de Vinhó e Almedina. Este edifício setecentista foi recuperado com o propósito de ali acolher parte do espólio do ilustre pintor gouveense, Abel Manta. O museu, para além desta riqueza artística, encontra-se valorizado com esculturas, gravuras e pinturas gentilmente doadas pelo seu filho, arquitecto João Abel Manta.


Praça de S. Pedro
Situada no coração da cidade, podem admirar-se aqui alguns testemunhos importantes da riqueza do seu património, como a Igreja de S. Pedro, a Igreja da Misericórdia, o Solar dos Serpa Pimentel e a Fonte de S. Lázaro, datada, segundo a sua própria cronologia, de 1779. A Igreja de S. Pedro é a matriz. Trata-se de uma construção datada do século XVII que impressiona, no exterior, pela sua traça arquitectónica e no interior, pela beleza da talha dourada que ostenta. A Igreja da Misericórdia data do século XVIII e sobressai pelo barroquismo e pela aplicação dos azulejos que lhe cobrem a fachada.

Paços do Concelho - antigo Colégio da Santíssima Trindade

O edifício dos Paços do Concelho (antigo Colégio da Santíssima Trindade) data do século XVIII e foi mandado edificar, para o ensino de Latim e da Moral, tarefa de que foram incumbidos, até à sua expulsão em 1759, os Jesuítas. Durante as invasões francesas, em 1809, foi transformado em quartel, servindo também como hospital militar. Depois de 1839 serviu de instalações ao Tribunal da Comarca e da Cadeia Pública. Já no século XX, em 1964, o edifício foi objecto de obras de conservação e remodelação, preservando-se cuidadosamente os seus traços arquitectónicos dos quais cumpre destacar a fachada principal, com as armas nacionais, ao centro.

Monte do Calvário - Capela do Senhor do Calvário

Outrora conhecido como “Monte Ajax”, o Monte do Calvário constitui o local sagrado por excelência, de Gouveia. A importância deste lugar deve-se à iniciativa dos padres jesuítas do Colégio de Gouveia que ali mandaram edificar uma capela ao Senhor do Calvário, em reconhecimento da protecção divina quando do terramoto de 1755. Na escadaria que leva à capela, encontram-se duas capelinhas alusivas aos Passos da Paixão de Cristo: a Agonia de Jesus no Horto e o Beijo de Judas. As festas do Senhor do Calvário realizam-se todos os anos na primeira metade de Agosto e têm a duração de cinco dias. Trata-se da maior romaria anual da região beirã.


Dos restantes Bairros de Gouveia, deixo à descoberta, apenas deixo a dica:
Gouveia chegou a ser considerada “O tear da Beira” (...) Por volta de 1873 havia em todo o concelho 23 fábricas de tecidos, com 192 teares manuais. A base da indústria de lanifícios estava aliada à riqueza de pastagens que abundam em toda a serra e a prática do pastoreio que fornecia matéria-prima às fábricas de fiação tecidos e lacticínios por todo o concelho. O declínio da indústria têxtil obrigou a recentrar todo o tecido económico. Actualmente aposta no turismo como factor de desenvolvimento.

Amanhã será a vez da "minha aldeia”, Rio-Torto.

Eugénio Santos

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Viajar na minha terra: ÉVORA

Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas… Ruas frades
(…)
Évora!... O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,

Florbela Espanca


O perfil de Évora é o recorte circular das suas ameias, e no topo, vigilante e altaneiras, o zimbório e as torres da Sé que, desde longe se avistam.

Experimente-se pois esta visão da estrada que liga o Redondo a Évora, imaginando que veio de Espanha e já passou por Estremoz, Borba (terra de bons vinhos e petiscos), Vila Viçosa, a princesita alentejana e terra natal da Poetisa.
Estacione fora das muralhas e, se quiser marcar já lugar na sua “quintinha”, terá vários pontos simpáticos à escolha. O Rossio de S. Brás, um terreiro imenso de terra batida muito concorrido por AC, mesmo em frente de uma das portas da cidade: a da rua da República (de meados de Maio até à 1ª semana de Julho, terá forçosamente de escolher outro poiso porque as Festas da Cidade – a centenária Feira de S. João – enche o espaço do habitual local de estacionamento).



Ermida de S. Brás (Rossio)

Rossio: modelo gigante


Rossio: modelo improvisado
Outras hipóteses são perto da Porta da Lagoa, ou ao lado da Porta de Avis. Menos silenciosas que o Rossio, mas a primeira com algum carisma, mesmo ali ao lado do Aqueduto da Água da Prata e da relva.


Aqueduto


Qualquer deles são meros parques de estacionamento, Évora, como tantas outras cidades portuguesas, ainda não acordou para a recepção de AC em zonas próprias e acolhedoras. Quanto a mim, já pensei várias vezes num parque completamente desaproveitado, onde ninguém estaciona, perto da Porta da Lagoa e mesmo ao lado da entrada por um arco cortado na muralha, em direcção ao Teatro Garcia de Resende. Se tivesse dinheiro, até criava ali uma zona simpática e colocaria lá uma casinha de recepção com atendimento personalizado… devaneios de autocaravanista e amante das línguas.



A zona AC sonhada...

Estacionada a AC, está na hora de partir à exploração. Exige-se bom calçado nos pés, porque as “ as ruas frades” se percorrem a pé e sempre com uma máquina fotográfica já que a cidade é vaidosa e esbelta. Se o propósito for histórico e detalhado, um gordo fim-de-semna não chegará para tanta História e arredores. Fechado entre muralhas, o centro histórico é um labirinto de ruas – ermas, frades… - por onde a História respira, desde o período romano, passando por todos os estilos artísticos e arquitectónicos: medieval, gótico, clássico, barroco…, enfim, todas as assinaturas, cores e odores.Logo no Rossio, a ermida de S. Brás; subindo a Rua da República, à esquerda, a Igreja de S. Francisco (com a turística Capela dos Ossos) e à direita os Meninos da Graça.


Depois a Praça do Geraldo e as suas dez ruas (conte-se o número de carantonhas da fonte, na Praça…). Pela 5 de Outubro, peregrinação até à Sé, Templo Romano, Biblioteca, Pousada e Igreja dos Lóios, Paço dos Duques de Cadaval, Universidade, Portas de Moura….

Praça do Geraldo


Sé catedral



Carantonha e o Geraldo (Brasão da cidade)


A toponímia eborense é outro passeio: Esta era mesmo a rua do Diogo.

Regressando à Praça, na Rua da Moeda, a zona judaica, mais à frente pela Rua de Avis, a mouraria, já para não falar de dezenas de capelas com as quais nos vamos cruzando, numa azáfama de História e religião. A par, sempre o branco e o ocre. E o sol, de preferência. Não exagere, evite o mês de Agosto, sempre são 40 ou mais graus…



Poderá sempre refrescar-se nas piscinas municipais, há 40 e tal anos atrás, um exemplo de espaço de ócio, hoje uma estrutura ultrapassada e insuficiente para a procura jovem e desportiva. Opte pois pela Primavera, o sol será mais ameno e igualmente azul luminoso, bom para apreciar paragens em algumas esplanadas, como na Praça do Geraldo; no mercado, comendo um gelado da Zoka, ou uns caracóis e uma imperial, ao lado de S. Francisco.
Para apreciar a boa gastronomia, espaços não faltam, uns para bolsas recheadas, outros para mais parcas: “¼ para as nove” e o seu arroz de tamboril; petiscos vários no “Molhóbico” (também com boa esplanada); os pequenos restaurantes na Rua dos Mercadores…; o café Alentejo; a Cascata ou se a preferência for estrangeira, o “Italiano”. Para apreciadores de doçaria conventual, o “Mel e Noz” ou outras pastelarias menos sofisticadas (Violeta) e gourmets (Boa Boca) que começam agora a nascer.


O templo, claro!



Fonte das Portas de Moura e Palácio Cordovil

Aparte a História, caso tenha trazido o seu atrelado de bicicleta, tem ainda a possibilidade de pedalar ao longo da Ecopista, caso contrário poderá caminhar mais um pouco. A pista circunda Évora pelo lado Este, aproveitando a antiga linha de caminho-de-ferro até Arraiolos… passando pela Graça do Divor, paisagem a destacar, mesmo ali ao lado da barragem. Um salto a Arraiolos também é bom desvio, mesmo que não se comprem os famosos tapetes, é sempre aconselhável. Ou mesmo até Pavia, indo à pesca na barragem de Montargil, ou visitando o Fluviário de Mora...


O branco e o ocre

Enquanto enche os olhos do Passado, tem sempre o lado comercial, mesmo à mão de semear, na Praça dos Geraldo e ruas afins, basta seguir os anúncios…
Ou então, fora das muralhas, o “novo”, como o bairro branco do prestigiado Siza Vieira (Malagueira), naquela que foi (já alguns anos…) uma assinatura diferente de nova arquitectura.
(Lago da Malagueira)


Culturalmente, apesar de já não ser o que era, Évora ainda sopra alguns ventos naturais: o Cendrev, companhia de Teatro profissional terá certamente algo em cartaz no Teatro Garcia de Resende, como por exemplo os imperdíveis Bonecos de Santo Aleixo, ou então, de 2 em 2 anos a Bienal Internacional de Marionetas. Este ano é ano sim, em Maio…
Fora das Muralhas, na zona industrial, a Companhia de Dança Contemporânea, ou então o Espaço do Tempo (companhia do coreógrafo Rui Horta) em Montemor-o-Novo.
Antes de lá chegar convém, porém, um desvio por o cromoleque dos Almendres ou a gruta do Escoural (neste caso, não sem antes telefonar a marcar, 266 857 000).
Mais para sul, aconselham-se outras paragens a caminho do Alqueva: as olarias de S. Pedro do Corval, Monsaraz, a marina da Amieira, aldeia da Luz…
E, para fechar o capítulo, há sempre a possibilidade de regressar em qualquer estação, quiçá a neve se lembre de cair e nasça daí um belo e incomum postal ilustrado …
(Neve em Évora, 2006)
Mais difícil será o mar, mas até Alcácer não é assim tão longe e logo ali está a praia do Carvalhal ou Troia, ou então, para se pisarem MESMO, praias alentejanas, basta seguir Évora-Torrão-Grândola que, até Sines e à costa alentejana ( Porto Côvo , por exemplo) , é só um saltinho.
Em AC há sempre esse salto que torna possível qualquer destino, com ou sem neve, com ou sem praia e, como as estações agora se trocam e baralham como as cartas de jogar, nada é impossível. Boa viagem!

Paula Vidigal