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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Boletins Associativos

Já sairam as edições dos Boletins da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e do Clube Português de Autocaravanas, cujas capas aqui reproduzimos.





Se fizermos uma ronda pelos vários blogs e fóruns relacionados com o autocaravanismo, praticamente não encontramos qualquer eco dos artigos e das opiniões expressas nestes duas revistas. Sinais do tempo em que cada vez mais nos vamos afastando do associativismo ou "receio" de manifestações contra o poder instalado e o politicamente correcto?

sexta-feira, 27 de março de 2009

A MISÉRIA DO AUTOCARAVANISMO...

O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.

Quem o disse foi Mia Couto, esse grande cultivador e recriador da língua portuguesa e do imaginário africano. Não me consta que o escritor seja autocaravanista, mas se o fosse por certo seria capaz de escrever algo assim:

O que mais dói no movimento autocaravanista é a ignorância que ele tem de si mesmo. Confrontados com a ausência de tudo, os autocaravanistas abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que amarrará autocaravanas nos campings enquanto as vozes vão anoitecendo. É a liberdade que se consome na negação do prazer da itinerância em liberdade.

Afinal este é um tema recorrente: a alienação individual que tolhe e bloqueia essa força enorme do ser colectivo.
Alexandre Herculano bem lembrou que “querer é poder”. Mas para querer é necessário fazer esse penoso caminho de libertação do espírito que é romper com as amarras que nos alienam e torna prisioneiros de nós mesmos.
Para “querer” é necessário adquirir consciência colectiva, como teorizou Marx no século XIX e mais recentemente John Friedman com o seu Empowerment escrito no final do século XX. Justamente a consciência que continua a faltar aos autocaravanistas para que o querer se possa transformar em poder. Para que o sonho possa virar realidade, para que o nada dê lugar ao usufruto da liberdade de ser autocaravanista itinerante.
Claro que para isso precisamos de instituições que nos representem e que dêem voz ao nosso querer, mas de nada servem as instituições se elas não forem servidas por pessoas esclarecidas e conscientes da tarefa que têm pela frente. Enquanto individualmente nos entregarmos ao prazer da alienação abstendo-nos do sonho e do desejo de sermos outros... é a própria realidade que resta um sonho adiado.
O último número do Boletim do agrupamento de escuteiros do CPA é bem o espelho desta miséria em que definha o autocaravanismo: será que as pessoas não têm memória nem espinha vertebral? É por isso que cada dia que passa é maior o silêncio que recebem como resposta. Estranhamente, ou talvez não, permitem-se interpretar o ensurdecedor silêncio de desprezo como manifestação de apoio:
O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma.

Já tarda o momento da clarificação. Há vozes que vão anoitecendo, sentindo o vazio da vida que pára, sentindo que alguém nos arrasta por trilhos estreitos que conduzem a lado nenhum.
Autocaravanistas, acordai antes que seja tarde!
Raul Lopes
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Portaria 1320/2008: Autocaravanismo é campismo?

Companheiros, o último Boletim do CPA foi já aqui devidamente analisado. Contudo, pela sua importância, queremos destacar a comunicação da posição do CPA sobre a Portaria 1320/2008, que aqui reproduzimos e que se encontra publicada na página 5 do referido Boletim:

"Foi publicada no passado dia 17 de Novembro a portaria 1320/2008 que estabelece as normas de instalação, classificação e funcionamento dos parques de campismo e caravanismo. Nesta portaria foram incluídas algumas normas também respeitantes á utilização e concepção das áreas de serviço para autocaravanas. Numa portaria que não foi elaborada tendo como base o autocaravanismo mas sim o campismo, as normas que às áreas de serviço dizem respeito podem, na opinião do CPA, vir a prejudicar o trabalho que tem vindo a ser realizado e vir a dificultar a instalação das várias áreas já programadas. O Clube Português de Autocaravanas vai, através dos respectivos Ministérios, apresentar um pedido de alteração á recente portaria .
Ruy Figueiredo"

Lamentamos que o CPA quando se discutiu no seu Fórum esta portaria não tenha vindo esclarecer a sua posição sobre esta legislação. O CPA não se pode dar ao luxo de "enterrar a cabeça na areia". Se quer liderar o movimento autocaravanista, não pode ter receio de emitir as suas opiniões e pareceres, transmitindo a sensação de estar altamente condicionado pela opinião dos outros.

Lamentamos também que o CPA não tenha querido (ou podido!?) aprofundar mais esta questão, limitando-se a esta pequena declaração. Deveria explicar as razões objectivas pelas quais não está de acordo e identificar claramente o que a aplicação desta legislação pode significar. É isso que se espera de uma instituição líder...

Lamentamos também que só depois do facto consumado, o CPA apareça a querer contestar a legislação quando o podia e deveria ter feito no período de discussão pública que foi amplamente divulgado no fórum do CPA.

Mais uma vez o CPA parece não querer desempenhar o seu papel de actor principal no movimento autocaravanista. Será por displicência? Será por incompetência?

Entretanto assistimos a mais um episódio caricato que pode vir a ser profundamente negativo para os autocaravanistas. O MIDAP, que é um minúsculo grupo sem qualquer legitimidade, arrogou-se no direito de se apresentar perante o Estado Português, auto-intitulando-se representante dos autocaravanistas, a quem apresentou um conjunto de "propostas elaboradas pelo respectivo gabinete de estudos com vista ao Desenvolvimento do Autocaravanismo em Portugal, como forma de turismo itinerante."

Depois da rábula do texto do projecto de Portaria que começámos por referir ter sido habilidosamente transformado, é legítimo esperar que mais uma vez a intervenção deste pretenso movimento venha a "conseguir" mais desenvolvimentos importantes para quem tenta desesperadamente salvar os seus investimentos através da condução das autocaravanas para dentro dos parques de campismo.

Quando será que tais génios do autocaravanismo compreendem que soluções avulso, como a criação de sinais oficiais identificadores das autocaravanas, é uma arma que de imediato se virará contra os autocaravanistas? A quem faz falta um tal sinal desenquadrado de legislação mais geral: aos autocaravanistas ou àqueles a quem actualmente falta fundamento legal (nomeadamente sinalização) para nos colocar de uma vez por todas nos parques de campismo?

E o que faz o CPA e o seu presidente da Direcção? Vão continuar com a cabeça enterrada na areia, deixando que chicos espertos ocupem o lugar de representação institucional que cabe ao CPA?

Finalmente os signatários da Tribuna reafirmam a sua disponibilidade para ceder ao CPA os argumentos que sobre a Portaria em referência fizeram no fórum do Clube.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Boletim Nº11 do CPA

Está já disponível no site do CPA a edição nº 11 do Boletim "O Autocaravanista", o qual reproduzimos aqui a capa. Curiosamente uma inadmissível escolha para a fotografia de capa, pois reproduz uma contra-ordenação grave. Uma ultrapassagem com traço contínuo!!! Atrevo-me a dizer que é uma imagem horrível para a credibilidade do autocaravanismo. Esta fotografia devia estar num local de denúncia de comportamentos incorrectos, nunca numa capa do Boletim do CPA...




Apesar deste desagradável início, o Boletim no seu geral merece uma nota positiva. Este é o 4 número da actual direcção onde se nota uma constante melhoria de número para número. Começou por ser francamente mau e neste momento parece que encontrou finalmente o bom caminho. Não nos podemos esquecer que este é um boletim associativo muito especial, pois corresponde ao orgão de informação do único clube em Portugal com implantação nacional dedicado em exclusivo ao autocaravanismo. Para "cumprir" o seu papel deverá ser um formador de opiniões e deverá resistir ao politicamente correcto, assumindo quando estiver em causa a nossa liberdade enquanto utilizador de uma veículo especial, mas ligeiro, as rupturas que tiveram que ser feitas para que o autocaravanismo não seja apenas e só mais uma modalidade de campismo.

Depois da fotografia da capa, temos na página 3 outro lapso. Existe uma contradição entre o valor da quota. Num lado, aparece 20 euros e noutro 22 euros. Partindo do pressuposto que o valor correcto é de 22 euros, a actual direcção agiu bem em aplicar o que foi deliberado em Assembleia Geral no dia 11 de Fevereiro de 2007, onde a AG autorizou a Direcção a proceder a alterações no valor da jóia e da quota a pagar pelos sócios activos com um limite máximo de 10%. É muito importante que a direcção vá para a AG com o valor da quota já definido de modo a poder apresentar um orçamento o mais fidedigno e realista possível.

Continuando com os lapsos, apesar de neste caso, corresponder mais correctamente a uma omissão. Na página 11 é publicada uma lista das AS para autocaravanas existentes em Portugal. Deveria ter sido aqui incluida as AS dos parques de campismo de Alenquer e da Praia de Pedrogão. Afinal de contas foram AS que foram criadas através de um protocolo com o CPA e uma vez que se encontram dentro de parques de campismo, os respectivos responsáveis comprometeram-se com o CPA a permitir a sua utilização por autocaravanistas que não pernoitem no parque. É preciso ser muito cuidadoso com estes aspectos e aproveitar sempre que possível para agradecer e enaltecer a construção de AS pelos parceiros do CPA.


É de registar também a pujança manifestada pelo CPA que é aferida pela entrada de novos associados. São quase 300 até final de Novembro. É um número bastante interessante e que muito se deve certamente ao protocolo estabelecido com a Allianz. Contudo é importante que estes associados não estejam só no CPA por causa do seguro. É preciso realmente que o CPA assuma o papel de instituição a consultar sobre a temática do Autocaravanismo, que se tem perdido ao longo do ano de 2008, por incompreensível ausência de opinião da direcção do CPA sobre assuntos vitais para o nosso movimento. É preciso inverter esta situação e espero que o Encontro Autocaravanista apresentado na página 9 seja um ponto de viragem decisivo para esta actual situação. Contudo é preciso ser muito cuidadoso com as "parcerias e plataformas". Já em diversos locais (sobretudo aqui, mas também aqui e aqui) se faz pressão para que determinados projectos sem qualquer representatividade estejam lado a lado com o CPA nesta organização. Espero que os dirigentes do CPA sejam suficientemente lúcidos para não se deixarem lubridiar por esses pretensos movimentos.


Nuno Ribeiro