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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Com papas e bolos se enganam os tolos

Afinal companheiros, o que nos trás o “iluminado” projecto de lei do autocaravanismo apresentado pelos deputados do PSD(eCarvalho) e a fobia legisladora de uma minoria?
Que mais valia nos trás o referido projecto? Sejamos frios na análise!

Genericamente promove mais regras, minorando os nossos direitos. Exige um maior policiamento, logo mais “perseguição”. Traz-nos o “acantonamento” forçado, logo maior discriminação. E finalmente, obriga-nos ao contra-relógio, ou melhor, oferece-nos uma bomba-relógio, já que se nos atrasamos, pode “rebentar-nos” na mão uma coima que nos deixará umas semanas com a AC na garagem… (para os que a têm).

Quando formos passar um fim de semana fora, a qualquer lado, (e não pode ser daqueles prolongados ou com “ponte”), não se esqueçam do cronómetro em casa, pois o vosso tempo de lazer será contabilizado ao minuto. Não se descuidem no café, na cervejaria, no museu, na praia, no restaurante, na loja de artesanato, pois a factura pode crescer muito... em pouco tempo!

Em algumas artérias de cidades e vilas é comum o parquímetro, naturalmente fixo. Com esta lei, as nossas autocaravanas passarão a ser, elas próprias, uns parquímetros móveis!

Qual “cinderela” em conto de fadas, o autocaravanista tem que se precaver quanto à possibilidade do súbito fim do “sonho de liberdade” que pensou realizar quando comprou uma autocaravana. Se o tempo passar para além da hora marcada, o sonho virará um pesadelo!
Por isso não adormeça. Ponha o despertador a tempo. A sesta terá que ficar para a próxima paragem.

Com as papas do reconhecimento do interesse económico do Autocaravanismo (como “enchemos” o nosso ego com tão pouco!) e os bolos das ESA – Estações de Serviço para Autocaravanas em Bombas de Combustível (quase só as das auto-estradas, porque as outras ficam dentro das localidades e foram excluídas!), este projecto é, sobretudo, um atropelo ao livre estacionamento a que temos já direito por via do Código da Estrada.

Senão, pergunta-se:

- Para que existam hoje - embora em número ainda insuficiente - umas quantas áreas de serviço e “acolhimento” para as AC’s (Abrantes, Batalha, Aldeia da Luz, S. Pedro do Sul, Vermoil, Aveiro, Izeda, Castro Marim, Vila N. Gaia, Estarreja, Valhelhas, Terrugem, Moncorvo, Lorvão, Freixo Numão, etc., etc.) foi necessária alguma lei? Não!
Estas resultaram da iniciativa e da conjugação de esforços de pessoas individuais ou entidades associativas e afins, e de compromissos e interesses livremente assumidos por parte de autarquias.

- Para que em França, Itália, Alemanha, etc. existam “centenas e centenas” de “áreas de acolhimento” ou áreas de serviço e pernoita, foi necessária a existência de uma Lei das respectivas Assembleias Legislativas? Não!
Estas resultaram do interesse do poder local e da “sedução” que o movimento associativo exerceu junto delas.

- Para que sejam devidamente penalizados os procedimentos negativos, para a sociedade e o ambiente, que alguns proprietários de autocaravanas têm na sua passagem/estadia por esse país fora é necessária uma nova Lei? Não!
Já existem regulamentos e leis que proíbem e reprimem quem prevarica. Basta fazê-los cumprir!

- Naqueles países, para que fossem corrigidas algumas discriminações e perseguições injustas aos autocaravanistas foi preciso uma Lei? Não!
Bastou a actuação do movimento associativo junto da Justiça para que as leis gerais que existem, - tanto lá, como cá - repusessem a legalidade.

Então para que nos serve esta projectada Lei?

- Esta projectada lei, ardilosamente elaborada, parece querer dar-nos algo de substancial, quando na verdade nos tira muito mais do que o que nos dá.
Vemos várias alíneas de (correctos) deveres, inspirados, aliás, no que o Movimento há muito assumiu como seus, mas quanto a direitos... estamos conversados! - passaremos a andar a “toque de caixa”, de terra em terra à procura de uma vaga numa, ainda imaginária, Área de Acolhimento a Autocaravanas ou, naturalmente, num camping, para podermos descansar um pouco mais. De contrário, seremos forçados, de 48 em 48 horas a fugirmos à polícia.

Se há um ano tínhamos uma mão vazia e outra cheia de nada, amanhã teremos uma vazia e outra acorrentada.

Foi este o serviço público prestado aos autocaravanistas pelo frenético, mas insignificante e sem legitimidade representativa, grupo de protagonistas transversais que surgiu entre nós nos últimos meses. Os mesmos que ainda há pouco nos garantiam que a GNR lhes tinha assegurado que não havia nenhum problema legal com o estacionamento das autocaravanas. Se então falaram verdade aos autocaravanistas, como se justifica agora este Projecto-Lei para regulamentar o estacionamento das autocaravanas?

Para pior já basta assim!



Laucorreia

terça-feira, 19 de maio de 2009

Alerta: a miragem do “éden” ou o lobo com pele de cordeiro?

A todos os companheiros autocaravanistas descomprometidos

Há muito que venho escrevendo sobre a liberdade do autocaravanismo. Quer eu, quer os restantes integrantes desta Tribuna, temos chamado a atenção para as diferentes iniciativas e as diferentes formas com que alguns pretensos amigos e defensores da modalidade procuram camuflar os seus potenciais intentos.

Apresenta-se-nos agora uma nova etapa tão difícil como perigosa. Difícil de interpretar e perigosa na sua formulação já que é susceptível de induzir em erro qualquer incauto bem intencionado. Refiro-me ao pré-projecto apresentado ou a apresentar por 2 deputados em sede da AR.

O que para já sugiro a todos, sem querer emitir juízos de valor, é que parem para pensar em profundidade e dêem à vossa mente a liberdade para seguir todos os percursos, nomeadamente em matéria de contraditório. Pensem no que têm e no que verdadeiramente pode resultar de valor acrescentado, se esse projecto vier a ver a luz do dia, ou se pelo contrário, ele nos vai limitar mais do que aquilo que, pontualmente, já nos acontece.

Procurem questionar-se sem preconceitos, assumam sem receios ou pruridos as dúvidas, todas elas, mesmo que vos pareça injusto questionar a boa fé dos 2 deputados, que julgo não estar em causa mas, ainda assim, ousem interrogar-se.

Lembro-vos, tão só, que em países europeus bem mais avançados - nesta e noutras matérias - e onde o nosso estilo de vida “carrega” mais anos e muitos mais praticantes do que entre nós, não existe nenhuma lei específica e, no entanto, é um prazer sempre renovado, podermo-nos movimentar livremente neles, como a França, apenas para dar um (bom) exemplo.

A finalizar, sugiro-vos que releiam o que escrevi aqui em:
http://tribuna-autocaravanista.blogspot.com/2009/04/de-autocaravana-pela-estrada-da.html

Até breve!
Laucorreia

segunda-feira, 11 de maio de 2009

MANIFesta… mente inconcebível!

Nesta tribuna, e muito justamente, aqui divulgámos, o texto de Vítor Andrade sobre o MANIFesta 09 a ter lugar em Peniche nos dias 21 a 24 de Maio.

Fizemo-lo, naturalmente, “sem nada pedirmos em troca”, ou sequer reivindicar qualquer protagonismo ou reclamar qualquer “parceria”.

O evento, fruto da iniciativa da ANIMAR e da conjunção de vontades da Câmara Municipal de Peniche e da ADEPE, tem uma componente apelativa para o Autocaravanismo, resultante do trabalho e da forte motivação do companheiro Vítor Andrade, do qual já vimos bons resultados em S. Pedro do Sul, aquando da realização das várias edições do Gesto Eco-Solidário.

É, por isso, confrangedor verificar como se “acotevelam” e se “põem em bicos de pés” algumas das entidades de quem se esperaria uma postura séria, contributiva sim, mas humilde e reconhecedora de méritos terceiros.

Ao visitarmos os fóruns quer do CPA, quer do CCP, constatamos a fobia de protagonismo, em ambos os casos, por parte dos respectivos responsáveis e da “forçada” (e forçosa, diremos nós) “emenda” ensaiada pelo moderador do CampingCarPortugal.

Senão vejamos:

Companheiros O CPA numa acção conjunta com o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CampingCar Portugal convida os seus associados a estarem presentes na MANIFesta de 21 a 24 de Maio.

InfoCPA (in forum CPA )

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Companheiros, Numa acção conjunta entre o Portal CampingCar Portugal, o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e o CPA, convidamos todos os autocaravanistas, que possam estar presentes, a comparecerem na MANIFesta de 21 a 24 de Maio, em Peniche. Esta participação é livre de qualquer inscrição ou pagamento, estando previstos estacionamentos dedicados às autocaravanas.
… … …
Paulo moderador (In forum CCP)
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Bom dia companheiro Paulo! Pode-nos esclarecer em que consiste a acção conjunta do CCP,CCCB e CPA para a Manifesta em Peniche?

DeMatos (In forum CCP)

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Caro amigo
Dematos, A iniciativa de ter os autocaravanistas na MANIFesta é exclusiva do companheiro Vitor Andrade, dada a sua proximidade à ANIMAR e às ADL. É uma ideia antiga e que nos foi ventilada após o Verão de 2008 (não nasceu agora!). O Portal CampingCar, o CPA e CCCB foram convidados pelo referido companheiro para a criação desta "acção conjunta" (reforço: o CampingCar é só e apenas convidado!).

A referida "acção" é, só e exclusivamente, de divulgação deste evento.

Paulo moderador (In forum CCP)

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É verdadeiramente lamentável o espectáculo “mediático” e triste a que se prestam tão ilustres defensores do Movimento Autocaravanista.

O CPA, que deveria ser o Clube de referência do Autocaravanismo em Portugal, depois de ter falhado essa missão, e de continuar a falhar, por evidente vazio de ideias, a organização coerente e objectiva dos colóquios ocorridos em Abrantes e na FIL durante a Nauticampo, parece cada vez mais orientado para a sua vocação de nascença: as festas e romarias. Basta atendermos às notícias veiculadas na imprensa sobre o Encontro de Abrantes e à total ausência de repercussão que esses eventos tiveram - até no respectivo fórum - para a clarificação da modalidade. Já todos perceberam que existem muitas autocaravanas, já todos perceberam que os autocaravanistas são potenciais turistas itinerantes e que apreciam a natureza, as cidades, os monumentos, a gastronomia, as manifestações culturais, etc.
Mas falta o essencial – a dura batalha pela não discriminação e pela criação das condições essenciais ao usufruto deste tipo de veículo/equipamento com dignidade e liberdade.

É por isso que qualquer companheiro insuspeito, como o é Vítor Andrade, seja forçado a referir, nos dois respectivos fóruns, o seguinte:

….....
Durante este tempo tenho sentido, como ninguém, o quanto falta faz uma instituição que represente e onde os ACs se sintam representados. Mas como sou uma pessoa persistente, não tendo cão caço com o gato.
….....

É claro que estas palavras se fossem ditas pelos subscritores desta Tribuna, não passariam de mais uma crítica infundada, feita de má vontade, por pessoas mal intencionadas e “intelectualóides”!
Não faltaria uma chuva de comentários azedos em fóruns, blogues, esferas e outras geometrias feitas a esquadro e compasso dos que à crítica fundamentada nas ideias e na razão, respondem com a calúnia.

Mas como somos, também, persistentes, manteremos vivo o nosso olhar crítico, verdadeiramente independente e livre.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cinco meses depois, já não é possível continuar a confundir o trigo com o joio

Passaram-se 150 dias sobre a criação da Tribuna Autocaravanista. Os propósitos que nos levaram a enveredar por este trilho verdadeiramente livre e independente estão plenamente justificados à luz da evolução do autocaravanismo em Portugal, sobretudo se tivermos em conta a intervenção dos principais “actores” nesta matéria. O grito de alerta que há cinco meses lançámos, e que caiu como uma pedrada no charco, tinha toda a razão de ser, como a realidade se encarregou de demonstrar.

Assumimos na altura uma ruptura, talvez incompreendida por muitos companheiros, essencial à clarificação e à “separação do trigo do joio”. É hoje indiscutível o papel que temos desempenhado na desmistificação de atitudes e procedimentos que, para além de quererem iludir as consciências livres de cada autocaravanista, procuravam calar qualquer voz crítica que os desmascarasse e que se opusesse ao acondicionamento mental (e físico) de um colectivo que, justamente ávido de um futuro mais digno, poderá não distinguir o acessório do essencial.

Invocando em vão o interesse colectivo, foram-se amontoando contradições e tentadas várias posições de “concertação” entre agentes com diferentes interesses e objectivos. Procurou-se, mascarar essa realidade com base em múltiplas plataformas “colectivas”, reuniões, círculos, etc., entre várias outras geometrias desenhadas a esquadro e/ou a compasso de espera da sua oportunidade mediática (ou política?).

Caluniou-se e denegriu-se quem não aceitou um jogo viciado onde a regra foi a da confusão de princípios e conceitos, em nome de uma unidade que não existirá nunca, se não for assente, precisamente, na clareza e na objectividade das metas a atingir e na verdadeira identidade do que é ser autocaravanista.

Para além do dúbio posicionamento do CPA, então clube de referência do movimento, balouçando entre a vertente “campista” e o canto de “novas sereias”, foram surgindo no espectro nacional um conjunto de “entidades”, umas mais virtuais que outras, que procuraram mudar de alguma forma o cenário, mas não a realidade.

Quando fomos protagonistas da evolução do CPA fomos mal considerados. Quando perante os primeiros sinais antecipámos o seu apagamento e desagregação, foi-nos respondido que essas evidências não passariam de “nados-mortos”. Infelizmente, a realidade está aí para nos dar razão, tal como previmos noutras situações.

A pulverização sem critério não uniu, mesmo que conjunturalmente o possam querer fazer crer, os seus protagonistas. A falta de critérios é gritante. O oportunismo mediático é avassalador. Quando a poeira assentar e o pano da teatral encenação se correr, vamos ver o que resta.

Pela nossa parte continuaremos a defender princípios e critérios objectivos ao serviço da liberdade autocaravanista. Denunciaremos o que pensamos oportuno fazê-lo, criticaremos o que nos parecer menos próprio e, como não podia deixar de ser, apoiaremos e elogiaremos o que de bom vier a ser feito para bem da comunidade que partilha os sentimentos e o estilo de vida do turismo itinerante em autocaravana.

Por isso, como dizia o poeta (Zeca Afonso):

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dáquém e Dálém-Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

Tribuna Autocaravanista

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DE AUTOCARAVANA, PELA ESTRADA DA LIBERDADE


Comemoram-se em 2009, 35 anos de LIBERDADE política.
Tal como o fazemos hoje nas nossas autocaravanas, há séculos os portugueses revelaram novos mundos ao Mundo que percorreram, tomando conhecimento de novas e diferentes realidades. Mais tarde, tal como agora, esquecemos o direito à Liberdade e Identidade dos outros e quisemos aproveitar abusivamente o que nos era dado a conhecer, e acabámos a condicionar-lhes a vida, a cultura e a Liberdade, com os resultados que são de todos nós conhecidos. As quatro décadas do Estado Novo foram o período mais negro da nossa História, que quase fazia esquecer os gloriosos tempos da epopeia quinhentista. Por isso, a queda da ditadura foi um facto social e historicamente transcendente que modificou a face de um país fechado ao Mundo, à cultura, ao avanço civilizacional económico e social.


A 25 de Abril de 1974, a Democracia veio devolver a todos os cidadãos o Direito à Cidadania plena, que implica a co-responsabilização na vida de todos nós enquanto país e, com a nossa adesão à União Europeia, enquanto cidadãos europeus, membros de uma comunidade que acarreta uma história em que a LIBERDADE sempre procurou assumir o papel central desse Direito.


A necessidade de “gerir” essa LIBERDADE para todos os cidadãos obrigou à criação de Leis e Regras que deveriam prevenir comportamentos e reprimir atitudes que colidem com o bem-estar colectivo. Mas nem sempre o legislador conseguiu o desejável equilíbrio entre a Liberdade Individual e a Liberdade Colectiva, confundindo esta com interesses corporativos.


As “regras”, bastas vezes, resultam apenas do poder de influência de grupos de pressão (lobbies) que apenas pretendem fazer valer os seus interesses particulares ou de grupo. Ficam desprotegidos, geralmente, aqueles que querem verdadeiramente usufruir da LIBERDADE integral, entendida no quadro de respeito educacional e civilizacional que deve balizar a vida em sociedade. Ficam “marginalizados” aqueles que não querem submeter-se a lógicas de poder e “condicionamento” de ideias e movimentos, porque se assumem de espírito livre e verdadeiramente independente.
Estes são os excluídos e de alguma forma os proscritos, já que a Democracia pouco reforçou a sua capacidade individual de participação social e política e os seus direitos individualmente considerados, manietando o completo usufruto do verdadeiro âmago da LIBERDADE, enquanto bem único e Direito Humano Universal e Fundamental.


Ao contrário da humanização das sociedades, tendo em vista aquele bem essencial, estas vêm reforçando a componente da “harmonização forçada” do indivíduo, cedendo a uma “organização” pensada por poucos mas destinada a ser seguida, pelo menos, pela esmagadora maioria dos cidadãos.


Vêm estas palavras a propósito, também, do Autocaravanismo.


Na França, cujo lema republicano é a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, no espírito sobrevivente do Maio de 68, o Autocaravanista é um cidadão que goza de ampla liberdade e de apoios generalizados por parte da esmagadora maioria das autarquias locais, ao contrário do que acontece em terras lusas, onde se multiplicam as restrições à liberdade do autocaravanista e onde as autarquias “amigas” são uma minoria e, geralmente, estão localizadas em regiões do interior onde o turismo é uma miragem.
Em França nasceu e alicerçou-se um movimento associativo que sustentou e perspectivou com coerência e sentido de LIBERDADE o desenvolvimento do nosso estilo de vida e dos sentimentos que nos animam, obtendo resultados que a todos dignificam.


Por cá, pelo contrário, os principais “actores” ligados ao meio autocaravanista estão mais preocupados em como “gerir” comercialmente o mercado do “touring”, do que em assegurar a LIBERDADE dos Autocaravanistas, criando as condições adequadas a uma utilização socialmente correcta, mas livre, das autocaravanas.
Em Portugal tudo tem sido conduzido no sentido de condicionar a LIBERDADE autocaravanista, seja pelos “pró-campistas” com interesses comerciais ou associativos, seja pelos “ingénuos” representantes (e outros auto-intitulados) defensores do movimento que, com o “touring”, pretendem associar - confundindo - autocaravanismo e automobilismo.
Todos têm seguido uma política de conciliação de objectivos, tantas vezes ao arrepio da nossa LIBERDADE. Procuram parcerias e plataformas, ajustando interesses e sensibilidades, para nos convencerem da sua benevolência, procurando escamotear a apetência pelo condicionamento dos nossos movimentos e pelo nosso dinheiro.
Proclamam-se portadores de boa vontade e de seriedade, difamando quem tem a coragem de assumir a LIBERDADE de pensar diferente, procurando elevar-se no pedestal de uma pretensa vanguarda defensora do direito ao autocaravanismo (ou será antes ao “touring”?).


Tal como em França no rescaldo do Maio de 68, parece haver entre nós quem, receando a LIBERDADE, se junte em iniciativas e tomadas de decisão de, pelo menos, duvidosa representatividade. Com isso podem acabar por condicionar o ideal, mas, como a História revela, nunca conseguirão acabar com o seu espírito.
Por aqui, o espírito da LIBERDADE não morrerá, mesmo que os defensores do “touring” ordeiro e (a)condicionado consigam os seus intentos. Aqui na Tribuna Autocaravanista continuaremos a seguir pela Estrada da Liberdade, porque não há machado que corte a raiz ao pensamento.


Laucorreia

quinta-feira, 26 de março de 2009

No CPA, quem é o Senhor que se segue?

Há qualquer coisa de errado na cultura organizacional do CPA. O Clube em vez de uma força aglutinadora revela-se um triturador de competências e boas-vontades. Cingindo-me apenas ao topo dos órgãos sociais, e sem preocupações de exaustividade, facilmente verificamos ser esta uma característica do Clube. Ora vejamos.
O primeiro Presidente do Clube abandonou-o em conflito com o Presidente que lhe sucedeu, igualmente seu sócio-fundador. Este, por sua vez, acabaria expulso do CPA pela mão de Ruy Figueiredo, o terceiro e actual presidente da história do Clube.
Durante a dinastia de Ruy Figueiredo, para além do anterior Presidente, saíram do Clube, em ruptura com ele, o presidente do Conselho Fiscal e um dos dois sócios de mérito do CPA.
Ruy Figueiredo teve 3 vice-presidentes diferentes. O primeiro afastou-se do clube (demitiu-se entretanto?) em conflito com Ruy Figueiredo. O segundo (eu próprio), saiu do CPA empurrado por ele (de braço dado com os seus amigos). O terceiro vice-presidente, o actual, simplesmente hibernou, pois se ainda está em funções ninguém deu por isso (e não será por falta de experiência nem de competência para certas funções).
Se Ruy Figueiredo é o personagem conciliador, cordato e simpático que a imagem pública dele transmite, então como se explica que pela sua mão tenham saído do clube, entre outras, as pessoas que antes referi, pessoas que cada uma à sua maneira deixaram bem vincada a sua passagem pelo CPA? Isto devia dar que pensar àqueles que dizem preocupar-se com o futuro do Clube, mas esses preferem atirar pedras e espalhar cascas de banana pelo caminho.
Se o CPA não for capaz de reflectir seriamente sobre a sua cultura organizacional, então o melhor a fazer será começar a receber apostas sobre quem será o próximo a ser enxotado do Clube. Será o próprio Ruy Figueiredo o senhor que se segue? Por enquanto a sua cabeça vai sendo exibida na praça pública como troféu de caça tanto no CPA como fora do Clube, especialmente no MIDAP (e não só). Mas chegará o dia em que a sua cabeça deixará de ter utilidade no jogo das marionetas e será então retirada para a parede de uma qualquer recondida sala de troféus. Querem apostar?

Para quem tenha acabado de chegar, quero lembrar que não é de agora que levanto esta questão. Já na Primavera de 2008, quando ainda era sócio do CPA, questionei os responsáveis do Clube, sobre: Quem anda a tentar reescrever a história do CPA? Também nessa altura alertei os sócios de que havia quem estivesse a empurrar-me para fora do clube, o que não era uma originalidade. Fica aqui a transcrição de parte dessa mensagem.
Com resposta ou sem ela, as perguntas aqui ficam (a propósito Ruy, continuo à espera da resposta da Direcção aos meus emails das últimas semanas). É que mal avisados andam aqueles de curta memória que pensam que as instituições sem história nem memória colectiva podem ter futuro. Estranho sentido de gratidão se cultiva neste Clube. Não admira que não haja nem um sócio activo no CPA de entre aquelas que nos últimos 18 anos foram dirigentes. Aliás, os Presidentes anteriores ao Ruy Figueiredo (felizmente vivos) já não estão no CPA. Agora há quem me esteja a empurrar para fora do Clube, porquê? Porque fui vice-presidente. Assim não vamos lá (por muito que alguns pulem de contentes).
Ruy, daqui te
deixo o apelo: pára para pensar o rumo que estás a dar ao CPA e no propósito (ou despropósito) dos conselhos que certas pessoas te dão.
É forçoso concluir que Ruy Figueiredo não escutou o que lhe disse, pelo contrário, franqueou as portas de pare em pare àqueles que corroem os pilares do CPA.
A história se encarregará de julgar cada um conforme as suas responsabilidades. Para já registo com tristeza que na Assembleia Geral quem fala pelo presidente do CPA é Jorge Guimarães; no fórum e no Boletim é a mulher dele, Teresa Paiva, quem se substitui ao presidente; se é de áreas de serviço que falamos, então quem toma o lugar do presidente do CPA é o seu amigo Boaventura; se o assunto é o arraial de Abrantes quem surge em bicos de pés é o ZéVieira; finalmente, Nandin de Carvalho fala pelo presidente do CPA na Assembleia da República e onde mais se lembra (excepto quando despe a pele de sócio do CPA para se tornar na sombra tutelar do MIDAP ou do CAB ou do MONGA, ou do...). Agora, até o Cipriano campista foram buscar para reforçar a equipa dos que ocupam o palco que se impunha fosse ocupado por Ruy Figueiredo. Acontece que nem uma só destas pessoas foi eleita para a Direcção do CPA. Daí que se estranhe como podem ser elas a mandar no Clube, contando para tal com a cumplicidade do presidente. Não haverá no CPA quem veja que ao procederem como vêm fazendo estão a fazer de Ruy figueiredo um "presidente faz de conta"?

Depois ainda há quem se admire por Ruy Figueiredo ter sido olimpicamente ignorado quando recentemente veio ao fórum (coisa rara!) fazer um apelo. É sintomático que nestas semanas tenha havido menos pessoas interessadas em ler o que escreveu Ruy Figueiredo do que aquelas que diariamente vêm ler a Tribuna. E nem um só lhe respondeu. Que os sócios deixem a falar sozinho o Nadin de Carvalho ignorando "as mensagens" que teima em colocar no fórum, é absolutamente natural. Exprimem desta forma o desprezo que tal personalidade lhes inspira. Mas concederem ao seu Presidente o mesmo tratamento já não é natural e devia dar que pensar, a começar por Ruy Figueiredo, que não soube dar-se ao respeito e já começa a pagar por isso.
Este é parte do preço a pagar por quem se deixa envolver no jogo daqueles para quem parece que vale tudo, como se o autocaravanismo fosse a encenação de um filme à americana com polícias, ladrões, advogados, juízes e testemunhas abonatórias com depoimentos de conveniência. Há quem se esqueça que a realidade não deixa de o ser por mais que se fantasie.

A ver vamos o que se seguirá. Pela minha parte, em nome da memória de uma relação pessoal, apenas digo: Ruy, já que não soubeste retirar-te de cena na altura certa, agora tem cuidado com as cascas de banana... ou poderás ser o senhor que se segue, mais cedo do que supões.

PS.
Faço notar que, mais uma vez, não fiz ataques pessoais a ninguém. Limitei-me a alinhar factos e a dar opiniões sobre eles. Reconheço que há verdades que incomodam, mas são apenas factos.

Raul Lopes
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Quem anda a enganar quem no autocaravanismo?

Durante esta semana passámos aqui em revista algumas das trapalhadas e malabarismos com que o "movimento transversal" dos autocaravanistas nos tentou fazer crer que são os salvadores da pátria do autocaravanismo. Para finalizar a semana escolhemos o tema das reuniões entre o MIDAP e o Turismo de Portugal.

Em Dezembro último uma delegação dos “autocaravanistas sérios” reuniu-se com dois técnicos do Turismo de Portugal e descreveu assim a reunião:

"Neste contexto, foi sublinhado o entendimento aliás maioritário no sector, de que a recente legislação sobre turismo do espaço rural e a portaria sobre parques de campismo apenas se aplica as autocaravanas se e quando usadas como alojamento em campismo, e não em autocaravanismo itinerante.
Deste modo, a actividade do autocaravanismo que não implique a pratica de campismo continua, do ponto de vista oficial, livre e desregulamentada, sujeitando-se apenas à legislação genérica, designadamente ao código da estrada, e demais diplomas do domínio do ordenamento do território e ambiental e ainda às posturas municipais
."

Este arrasoado não faz sentido e é contraditório nos seus próprios termos. Para ver que assim é basta pegar no final da frase e lembrar que não faltam por ai “posturas municipais” que definem como sendo campismo a simples utilização da autocaravana no espaço público. Mas, ... fixemos a nossa atenção noutro aspecto: quem constitui o tal entendimento maioritário no sector? Será a AECAMP, a FCMP, o CPA, o CAB e o MIDAP??? Uma coisa é certa, o membro do Governo responsável pela publicação da Portaria não é certamente como no final poderemos constatar…

Mais recentemente e ainda segundo o MIDAP, graças aos “esforços desenvolvidos de forma desinteressada, e em regime de voluntariado dos seus colaboradores”, ficamos a saber que está em curso “pelo núcleo de apoio ao autocaravanismo criado neste departamento do Estado” (Turismo de Portugal) várias iniciativas que vão proporcionar melhores condições para a prática individual e em liberdade do autocaravanismo.

Em rigor podemos dizer que FINALMENTE concordamos em absoluto com o MIDAP. Realmente o “trabalho” aqui mencionado pelo MIDAP em conjunto com o Turismo de Portugal vai proporcionar melhores condições para a prática do autocaravanismo. Como todos sabemos dentro dos parques de campismo temos à nossa disposição energia eléctrica, água, casas de banho, lavandarias, e outras infra-estruturas que não encontramos num simples estacionamento de automóveis… Não pensem os nossos estimados leitores que estamos de algum modo a ser irónicos. É que a (triste) realidade é mesmo esta, as melhores condições que o Turismo de Portugal vai proporcionar (em colaboração com o MIDAP) é remeter as autocaravanas para os parques de campismo. Certamente que nos próximos dias teremos mais uma investida do MIDAP e respectivos voluntários colaboradores a tentar desviar a atenção dizendo que o assunto da Portaria 1320/2008 está já mais que esclarecido de que só se reporta ao autocaravanismo enquanto campismo e que todos os que não pensem assim estão a agir de má fé….

Pois bem, para além dos elementos da Tribuna, que não acham que esta portaria só regulamenta o autocaravanismo enquanto forma de campismo e que ela é altamente lesiva dos nossos interesses enquanto praticantes do turismo itinerante, existe pelo menos mais outra pessoa que (acreditando nas palavras do MIDAP) está a agir de má fé nesta questão. Essa pessoa é apenas o Secretário de Estado do Turismo (o membro do governo responsável pelo Turismo de Portugal e pela portaria 1320/2008), que nas sessões de esclarecimento sobre o Novo Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos claramente indica que uma das novas modalidades do novo regime será o Autocaravanismo, a que, finalmente, é dada a autonomização face ao campismo, através da portaria 1320/2008….

Curiosamente esta informação está disponível no site do…Turismo de Portugal!!! Para aceder clicar aqui e ver o slide 13, que seguidamente reproduzimos.


E agora, quem engana quem? Serão os elementos desta tribuna que desde sempre alertaram para os perigos que a publicação da portaria traria para o autocaravanismo enquanto turismo itinerante, ou serão, os elementos do MIDAP que desde o primeiro momento se congratularam por terem ajudado a alterar (em prejuízo da nossa liberdade) a portaria?
Será isto apenas o resultado da incompetência e das trapalhadas próprias de quem entrou em frenesim para “mostrar serviço” escondendo a sua incapacidade para reflectir sobre autocaravanismo, ou será que existem outras motivações para sistematicamente andarem,
“simplesmente”, a mistificar a realidade tentando iludir os autocaravanistas?

Sabemos que no jogo político a demagogia não é crime, mas há limites para tudo, até para a demagogia. Todos temos presente que a justificação dada para a criação atabalhoada do MIDAP foi para ir a tempo de intervir na discussão pública da Portaria sobre campismo. Entretanto fizeram-no, com os resultados que estão à vista de todos, mas não revelaram capacidade para fazer o que quer que fosse de positivo (tão pouco mostraram saber sobreviver sem a protecção tutelar do fundador). Esgotado que está o projecto do MIDAP, não seria altura de decidirem acabar com a palhaçada e extinguir aquilo que verdadeiramente nunca existiu?

Seguramente esse seria o melhor serviço que actualmente o MIDAP poderia prestar ao autocaravanismo português.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Legislação sobre Autocaravanismo:... mais trapalhadas transversais

Quando se fala em legislação sobre autocaravanismo há duas posições igualmente legítimas e sensatas sobre o assunto. Há quem pense que a única maneira de impedir que as Autarquias Locais continuem a perseguir os autocaravanistas é obter do Governo legislação que reconheça os direitos dos autocaravanistas. Mas há quem duvide da possibilidade de se conseguir um adequado enquadramento legal e, consequentemente, pense que a melhor estratégia é não promover a criação de legislação nenhuma, o que nos permitirá continuar a ter no Código da Estrada o bastião da defesa do direito a circular e estacionar em liberdade. Nesta Tribuna já foram expressos estes dois entendimentos.

O que é inaceitável, por ser altamente perigoso para a preservação dos direitos dos autocaravanistas, é a criação de legislação avulsa, ora regulamentando um aspecto ora outro, particularmente sem a participação da comunidade autocaravanista na sua elaboração.

Ora, infelizmente foi isso que já se passou com a Portaria 1320/2008 que o Director do Gabinete de Estudos do MIDAP e outros dos seus "coloridos" membros analisaram de forma descabida e caricata chegando a afirmar tratar-se de legislação “apenas para parques de campismo com fins lucrativos”. Para além do mais, esta abordagem traduz uma confrangedora incapacidade para ler as consequências políticas da aprovação da referida Portaria.

Infelizmente, a via da alteração casuística foi também o caminho seguido pelo MIDAP quando foi para a Assembleia da República propor a alteração do Código da Estrada com o fim de nele incluir um sinal que defina as autocaravanas como uma categoria específica de veículos. Para ver como esta é uma ideia disparatada e irreflectida basta pensar que se tal acontecesse esse sinal iria servir principalmente para as Câmaras estabelecerem a proibição das autocaravanas estacionarem (e neste caso com suporte legal). Assim sendo a iniciativa do MIDAP é ... simplesmente mais uma trapalhada.

Mas as trapalhadas do círculo do MIDAP sobre legislação não se ficam por aqui.
A propósito da reunião na Assembleia da República entre a FCMP e a Subcomissão Parlamentar de Turismo, Nandin de Carvalho escreveu em Julho de 2007 algo com que concordamos. Dizia ele:
“… Assembleia da República, que assim fica reconhecida como um epicentro político responsável e interessado pelos fenómenos sociais, e que fica enobrecida pelo sua disponibilidade e estudo das matérais sobre autocaravanismo, remetidas para a responsabilidade de iniciativa de cada um dos grupos parlamentares, sendo que, em nossa opinião, cabe ao GP do PS, pela sua sintonia com o Governo, o dever de avançar e concretizar as iniciativas legislativas adequadas.”

Uma pessoa minimamente atenta, sabe que qualquer iniciativa parlamentar estará condenada ao fracasso se não dispuser do apoio do partido da maioria e era isso exactamente a que se aludia na passagem que referimos atrás. Por isso concordamos que a haver uma iniciativa parlamentar sobre o assunto tal iniciativa teria que envolver o grupo parlamentar do PS.

Contudo, 20 meses depois destas declarações e sem que a representatividade na AR tenha sido alterada, vêm gora dizer-nos que na sequência da visita do MIDAP à AR vai ser criada legislação especifica para o autocaravanismo, graças a uma iniciativa de dois deputados do PSD: Mendes Bota e Nuno da Câmara Pereira.

A “notícia” é tanto mais estranha quando surge a escassos meses do fim do mandato dos actuais deputados, nada garantindo sequer que sejam reeleitos nas eleições do próximo mês de Outubro. E está fora de questão que o que quer que seja venha a ser aprovado antes disso.

Assim sendo é inevitável que nos interroguemos: tudo isto não passa de mais uma das trapalhadas a que vamos ficando habituados, ou, mais grave, é uma jogada de demagogia político-partidária com antecâmara eleitoral, em jeito de quem tenta mostrar serviço para ganhar peso político nos bastidores manipulando e iludindo os autocaravanistas?

A resposta fica ao cuidado de cada um de vós. Mas talvez vos ajude saber que um dos deputados que agora nos é apontado como o herói salvador é o mesmo que em 2006 disse na reunião na AR ter visto no Algarve autocaravanas (a que chamou caravanas) estacionadas em “sítios turisticamente atractivos” (depreende-se que tais sítios deviam ser proibidos aos autocaravanistas), tendo ainda considerado “que os parques de campismo são locais seguros e fora deles seria inseguro estacionar autocaravanas.”

Depois destas considerações, quem tem dúvidas sobre quais são os locais que o senhor deputado considera adequados para as autocaravanas pernoitarem?
Nós não temos, por isso dizemos: oxalá as trapalhadas do MIDAP-Carvalho não tenham continuidade na acção destes deputados do PSD.

Como dizia a canção: pra melhor, está bem, está bem. Pra pior já basta assim!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Porquê envolver a GNR nas trapalhadas do MIDAP?

Para o comentário de hoje da TAC, elegemos a mais recente excursão do MIDAP. Desta vez a visita foi ao Quartel do Carmo em mais uma iniciativa espalhafatosa de que não resulta qualquer proveito para os autocaravanistas, mas apenas e tão só, mais um banal desfile público de vaidades, que o uso de maquilhagem envolvente não disfarça e que só impressiona quem pela sua cabeça não pensar. Resultados concretos? Só o risco de efeitos colaterais que fazem dos autocaravanistas as principais vítimas.

O comunicado da delegação dos autocaravanistas “bem formados” presentes na reunião de trabalho com a GNR deixa-nos com uma simples e singela dúvida. O que foram realmente lá fazer? É que as conclusões referidas não acrescentam nada ao que o CPA já em 2006 tinha obtido, com uma ligeiríssima diferença: o CPA obteve por escrito todos os esclarecimentos devidos do Comando Geral da GNR.

Aqui reproduzimos o ofício com os esclarecimento da GNR divulgados em 2006 pelo CPA através de uma Press Release e no Boletim “O Autocaravanista”:

(Clicar na imagem para aumentar)

Para uma melhor compreensão do ofício, reproduzimos as questões colocadas em Setembro de 2006 pelo CPA através de uma carta então enviada ao Comando Geral da GNR:

1. No caso das autocaravanas com menos de 3500Kg, as regras aplicáveis à circulação e estacionamento das autocaravanas são distintas das aplicáveis aos restantes veículos ligeiros?

2. A adopção pelos municípios de normas de regulação do estacionamento na via pública que discriminam as autocaravanas, proibindo o seu estacionamento, tem suporte legal?

3. A verificar-se a legalidade do procedimento anterior, qual da sinalética definida pelo Código da Estrada deve ser afixada no local? Em particular, qual o suporte normativo para placas de sinalização vertical onde por debaixo do normal sinal de proibição de estacionamento surge a inscrição “autocaravanas” e/ou um desenho estilizado de uma autocaravana, quando não de uma caravana?

4. Existe alguma norma legal que imponha uma distância mínima a partir de um Parque de Campismo para uma autocaravana poder estacionar (no respeito pela lei geral de estacionamento de veículos ligeiros)?

5. Existe alguma norma legal que proíba que se pernoite no interior de um veículo ligeiro, nomeadamente de uma autocaravana, quando legalmente estacionado no espaço público?

6. Com que fundamento legal se pode considerar que os ocupantes de uma autocaravana estão acampados se esta estiver legalmente estacionada e, cumulativamente, não se encontrar a derramar qualquer tipo de fluído nem de alguma forma a ocupar um espaço para além do perímetro dos limites físicos do veículo?

Como facilmente se constata a delegação do MIDAP limitou-se a copiar as questões colocadas pelo CPA e a transmitir os esclarecimentos da GNR como se fossem pela primeira vez obtidos. Por várias razões esta reunião mais parece uma fantasia à maneira das "mesas redondas sobre autocaravanismo" protagonizadas pela Lady Nokia e companhia.

Para os autocaravanistas mais desatentos, esta nova “trapalhada” do MIDAP pode-se revestir de alguma gravidade pois são fornecidas informações que não correspondem à verdade. A GNR nunca poderia dizer que “considera ainda que não existe nenhuma lei que proíba o uso de calços nas rodas das autocaravanas. E ainda, que não existe nenhum normativo legal que obrigue as autocaravanas a recolherem a parques de campismo...” Usar este argumento com um agente da autoridade é criar um conflito gratuito que em nada nos beneficia.

Com efeito, esta afirmação não pode ser atribuída a um responsável da GNR pois este sabe que existem regulamentos e posturas municipais (que a GNR faz cumprir) que proíbem exactamente estas situações. Infelizmente existem vários exemplos, como Esposende, Espinho, Vila do Conde, Vila Real de Sto António e Odemira entre outros. Por exemplo, no município de Odemira o aparcamento de viaturas com a finalidade de pernoitar só é permitido nos parques de campismo e nos locais definidos para o efeito e devidamente identificados, mediante pagamento de taxa, quando afixada. Até há existência de locais definidos para o efeito, só é permito a prática nos parques de campismo. Este normativo legal foi publicado em 2004 em Diário da República, mantendo-se ainda em vigor. Com a entrada em vigor da Portaria 1320/2008, entende-se claramente de que tipos de locais definidos para o efeito, serão considerados pelo município de Odemira...

Neste regulamento estão ainda definidas as seguintes situações:
Estacionamento: Fora dos locais destinados ao aparcamento apenas é permitindo o estacionamento de viaturas, não sendo permitido o aparcamento, assim definido:
Aparcamento: Será considerado aparcamento sempre que se verifiquem uma ou mais das seguintes situações:
- Arrear os estabilizadores e colocar calços, etc.


Ou seja, no território nacional existem locais em que a utilização de calços na via pública é proibida e que o único local para as autocaravanas estarem é nos parques de campismo, ao contrário do que o comunicado do “movimento transversal” erradamente transmite.

Aqui não está em causa a concordância ou não com o regulamento do município de Odemira. Nem sequer está em equação a (i)legalidade de tal Regulamento (que não compete à GNR julgar). O que está em causa é mais um péssimo serviço prestado à causa autocaravanista por parte do MIDAP levando as pessoas ao engano. Já são erros e trapalhadas a mais para poderem explicar-se simplesmente pela incompetência.

O MIDAP/DeCarvalho, depois da patetice de se proporem dar aulas às forças policiais para os formarem sobre autocaravanismo, vêm agora propor a elaboração de uma circular para ser distribuída organicamente pela GNR o que é algo que temos dificuldade em qualificar. Ridículo é o mínimo que pode dizer-se. Os militares cumprem instruções recebidas hierarquicamente, não são marionetas que se movimentem ao sabor dos caprichos de alguém, por mais iluminado que se considere.

Se não sabem fazer bem, melhor fora que estivessem quietos e calados em vez de saltarem de trapalhada em trapalhada com a febre de quem quer mostrar serviço. Não é que nos incomode as suas tristes figuras, mas preocupam-nos as consequências dos seus gestos irreflectidos para a liberdade de ser autocaravanista em Portugal.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Tribuna Autocaravanista e o actual momento do Autocaravanismo em Portugal

Face ao aparecimento de alguns comentários em fóruns e blogs, inclusive na TAC, impõe-se fazer alguns públicos esclarecimentos.

A Tribuna Autocaravanista tem como único e central objectivo contribuir para o debate sobre a temática do autocaravanismo e as suas várias vertentes, com especial ênfase sobre o autocaravanismo enquanto turismo itinerante. Várias vezes nos últimos 3 meses de uma forma clara, directa e objectiva temos dado o nosso contributo através da publicação diária de sugestões, opiniões, comentários críticos e alertas sobre o actual momento que atravessa o autocaravanismo.

Se de alguma forma temos visado alguém ou algum grupo em particular isso deve-se, tão só, a uma análise crítica sobre o percurso por eles escolhido, que somos livres de considerar incorrecto. Vivemos em Democracia e sentimo-nos com iguais direitos de cidadania, que nos permitem comentar ou agir em função das nossas convicções. Se existem tantos “agentes” que se vêm arrogando como “nossos” defensores, sem que para isso lhes tenhamos passado qualquer credencial, porque razão haveríamos de ser cerceados de um Direito Constitucional – o da livre expressão e pensamento?

Sentimos que os caminhos percorridos são perigosos e que nos podem levar a perder o maior dos fundamentos de um autocaravanista – o da sua liberdade de viajar, usufruindo das potencialidades da viatura que adquiriu. Não procuramos atacar pessoas, mas criticamos acerrimamente as ideias que alguns procuram impor como “salvadoras”, quando delas abertamente discordamos ou sobre as quais temos fortes dúvidas.

Paralelamente, temos também sido contundentes com o CPA, pela forma como o maior e mais representativo clube de autocaravanismo português tem sido (mal) gerido, desbaratando um capital ganho no biénio 2006/07.

Nada nos move contra ninguém a título pessoal. Mais, não temos interesses particulares, económicos, políticos ou de qualquer outra espécie no meio autocaravanista. Se somos incómodos é porque não assobiamos para o lado ou voltamos a cara quando vemos que algo está mal ou do qual não concordamos. Não fazemos acusações gratuitas só porque existem pessoas com ideias diferentes daquelas que publicamente assumimos. Também ninguém nos viu fazer ameaças ou infundados assassinatos de carácter. O que nos move é o direito de opinião cimentado na defesa intransigente da nossa liberdade individual – um anseio colectivo - que não pode nem deve ser posta em causa por ninguém, mesmo que por mera ingenuidade, e muito menos por parte de quem tenha eventuais interesses particulares. O que lastimamos profundamente é a evidente e incompreensível situação penosa porque passa o maior clube português de autocaravanismo. A nossa actuação, a nossa crítica, não pode ser interpretada com o fundamento da “destruição” mas antes como um alerta à consciência dos seus associados para uma desejável reversão. Quem se calou ou, pior ainda, apoia a actual desgovernação do CPA, é que será responsabilizado pelas consequências negativas que esta gestão trará ao Clube e aos autocaravanistas num futuro próximo.
Como pode um clube com quase dois mil sócios ficar feliz com a unanimidade de uma AG onde apenas compareceram umas escassas dezenas de pessoas?
Melhor fora que aqueles que sem mostrar dispor de uma única ideia válida para o autocaravanismo apenas se preocupam em atingir o bom-nome dos autores deste Blog, se preocupassem antes em encontrar resposta para estas questões:
- O que pensarão do actual momento do CPA os mil e tal sócios que deveriam estar na AG e não estiveram?
- Porque será que cada dia que passa é menor a proporção de autocaravanistas que se revê no CPA?
- Porque foram criados no último ano 4 Clubes formados por autocaravanistas sem que o CPA revelasse qualquer capacidade de inverter este processo de fragmentação do movimento associativo?

Parece que anda por aí muita gente com medo de enfrentar a verdade dos factos!

Não dizemos mal só por dizer ou só para contrariar quem quer que seja. Demonstramos inequivocamente porque criticamos as opções que alguns insistem em seguir e apontamos soluções e possíveis caminhos que poderão ser seguidos em alternativa.

Não nos escondemos em pseudónimos ou em acrónimos. Damos o nome e a cara em defesa das nossas convicções, não porque somos melhores que os outros, mas porque assumimos a nossa discordância legitimados na saudável frontalidade que só dignifica quem se sente com direito e vontade de intervir.

Não somos, certamente, mais uns teóricos que do seu pedestal imaginário, vão mandado “bitaites” que apenas contribuem para o ruído de fundo que vai afastando aos poucos e poucos os autocaravanistas do associativismo. Temos provas dadas sobre o que fazer e da forma de proceder para atingir uma correcta dinâmica institucional do autocaravanismo e para a dignificação social da imagem dos autocaravanistas. Ao contrário de muitos, temos provas dadas e temos ainda bem presente na memória aquilo que foi possível atingir em tão pouco tempo.

Vamos continuar a mostrar como a demagogia, a hipocrisia e a manipulação tem sido usada e abusada pelos pseudo autocaravanistas “bem formados” que constituem um pretenso movimento representativo dos autocaravanistas portugueses.

Dito isto reafirmamos do alto desta Tribuna que não somos, nem ambicionamos ser, nenhum Clube mas que nada nos demoverá de prosseguir o caminho que anunciámos na primeira mensagem que aqui publicámos e que parcialmente recordamos:

Porque não há machado que corte a raiz ao pensamento...a Tribuna segue os trilhos dos autocaravanistas itinerantes que buscam a liberdade alicerçada na razão crítica e na dignidade social.

Afinal quem somos e o que queremos nós ao envolver-nos na criação desta Tribuna Autocaravanista?Bom, em face do que se tem visto por aí nos últimos tempos, o melhor é começar por esclarecer o que não somos: não somos o embrião de nenhum clube; não somos obreiros de nenhum círculo, nem triângulo, nem sequer um quadrado ou um losango. Somos simplesmente autocaravanistas com o saber acumulado pela vida e pela experiência enquanto dirigentes associativos. Somos autocaravanistas que seguem com apreensão o rumo que o autocaravanismo vem seguindo em Portugal. Somos autocaravanistas que cultivam a liberdade alicerçada na responsabilidade, e que não hipotecam a consciência ao jogo oportunista do discurso politicamente correcto.

quarta-feira, 4 de março de 2009

EM DEFESA DA LIBERDADE EM AUTOCARAVANA

Muito se vem escrevendo e discutindo sobre Autocaravanismo. Como turista itinerante, proprietário de uma AC, quero-vos transmitir o meu apego profundo à liberdade “on the road” e a minha rejeição do “escutismo autocaravanista”.

Foi por “perseguir” essa liberdade de poder viajar (quase) sem limites, sem hora nem lugar marcado, ao sabor do “sonho” e da “aventura” e da vontade da ocasião, que troquei, nas minhas viagens, uma viatura ligeira (e tenda ou caravana), por outra viatura “completa”, mas ainda assim, no mesmo escalão rodoviário, isto é, uma viatura ligeira, com os mesmos direitos e deveres face à lei.

Como cidadão responsável, com suficiente educação cívica, social e ambientalmente interessado e respeitador, tenho sabido usar a minha “casinha itinerante” com base nos pressupostos legais existentes e, sem qualquer problema com as autoridades, tenho até agora usufruído dessa vivência extraordinária que se consubstancia no estilo de vida “autocaravanista”.

Não compreendo, por isso, a “fobia” em legislar sobre a prática, porquanto, todas as situações que se relatam de donos de autocaravanas com práticas “estranhas” à modalidade e que envergonham o “movimento” têm na lei vigente forma de serem devida e correctamente punidos.

O “campismo selvagem”, os atentados ambientais resultantes do lixo, despejos, ocupação da via pública, e outros comportamentos ilegais, estão todos devidamente assinalados na Lei, sendo passíveis de punição.

Se as autoridades cumprissem o seu papel fiscalizador correctamente, todos os prevaricadores seriam penalizados, sem haver necessidade de legislação específica, qual obsessão “colectiva” que se instalou no meio autocaravanista.

Por outro lado, algumas autarquias vêm praticando “abusos de poder” face à legislação existente em matéria de trânsito, a única que do meu ponto de vista pode ser aplicada ao veículo “autocaravana”. Esses actos, ao contrário do que seria de esperar dos “nossos representantes”, nunca foram contestados até à última etapa - nos tribunais - como bem aconteceu em França, onde diversos episódios idênticos resultaram na condenação e anulação de “despachos” municipais.

Aqui, por terras lusas, assistimos à “bajulação” do poder, às romarias à AR, aos salamaleques a deputados, numa autêntica “feira de vaidades”, jogos de influência e pedantismo, numa espiral de exibicionismo lamentável.

A falta de discernimento quanto aos verdadeiros interesses do “turismo itinerante” em autocaravana, agora pomposamente chamado de “touring”, para lhe dar um ar de “finess”, é confrangedora por parte de muitos autocaravanistas.

Não nos espanta que haja entidades comerciais ou mesmo associativas interessadas em legislação e sinalização “amigavelmente” castradora, para melhor promoverem os seus interesses em nos “acantonar”, seja em campings, áreas especiais para autocaravanas ou afins, querendo limitar a nossa liberdade de estacionar, usando todas as faculdades que uma autocaravana nos disponibiliza (comer, dormir, etc.).

Se dormirmos num automóvel, alguém se interessa? Se comermos num carro alguém se preocupa? Se estacionamos a nossa “berlina” num parque de estacionamento à beira-mar, alguém se incomoda? Se um camião estaciona numa área pública e nele dorme o seu condutor, só ou acompanhado, alguém o vai incomodar?
Todos eles podem andar a fazer “turismo itinerante” sem que legislação especial seja necessária.
As leis que existem são suficientes e condenam os abusos e atentados que possam ser perpetrados pelas pessoas, seja qual for o veículo utilizado. Os actos ilegais são praticados pelas pessoas, não pelo veículo que utilizam.

O que pedimos, e nisso, infelizmente, os nossos “iluminados” representantes, com maior, menor ou mesmo nenhuma representatividade não entendem, ou não querem entender, é que “actividade autocaravanista” deve permanecer livre e não condicionada à prática campista ou de alguma forma com ela confundida.

Uma autocaravana pode ser um veículo adequado à utilização num parque de campismo, mas está a “anos-luz” de ser um mero meio de fazer campismo. Uma autocaravana é um veículo (ligeiro ou pesado) sujeito às leis do trânsito e tão só isso.

Assim sendo não precisamos que se defenda o Direito ao Autocaravanismo (utilização de autocaravana), esse não está, nem pode nunca estar em causa numa sociedade democrática. Precisamos sim de ver consagrado em Lei o Direito do Autocaravanismo, que no caso o mesmo é dizer, os Direitos dos Autocaravanistas, reforçando a ideia da igualdade no tratamento geral rodoviário e na criação das melhores condições para podermos abastecer e fazer despejos em condições de salubridade e dignidade.

Precisamos fazer entender à sociedade que se formos bem recebidos, se nos forem dadas as melhores condições para a utilização das nossas autocaravanas, poderemos corresponder, visitando as localidades, frequentando o seu comércio, os seus museus, restaurantes, etc. e dessa forma contribuir para economia local, regional e nacional de que Portugal tanto necessita.

Precisamos de ver reconhecido e “acarinhado” o nosso contributo positivo com iniciativas que visem criar as melhores condições de uma utilização livre da autocaravana e não de acções destinadas a castrar essa liberdade.

Para me obrigarem a parquear e a dormir onde bem querem, fico em casa. O que me fez escolher uma autocaravana foi precisamente a liberdade que ela me proporciona.

Se todos meditarmos nisto, podemos compreender que qualquer tentativa “legisladora” não reflectida pode resultar numa castração da nossa liberdade que, com responsabilidade, todos os verdadeiros autocaravanistas sabem e querem continuar a usufruir.

Não podemos deixar-nos iludir com a ideia de que uma legislação específica nos vem favorecer. Desiludam-se disso. Não precisamos que nos regulem. Precisamos que nos criem as condições adequadas, proliferando as áreas de serviço, bastando para tanto, as de tipologia utilizada no “projecto CPA”, ou até de tipo mais simples.

Dispensamos que nos limitem o espaço, para além do que já existe em matéria viária, ambiental e de ordenamento do território, sem descriminações, sob pena de perdermos aquilo com que sonhámos ao adquirir as nossas autocaravanas.

Não vos deixeis, por isso, ir atrás dos “falsos profetas” do paraíso, que apenas procuram com as suas acções “mostrar serviço” e melhor defenderem os seus lugares e, quiçá, os seus interesses escondidos.
O nosso “movimento” representa um “apetitoso mercado”, mas cabe-nos a nós escolher livremente a quem e onde queremos “comprar”.
Estejamos alerta e livres para pensar e agir.

Laurindo Correia

segunda-feira, 2 de março de 2009

Um ano de mandato de Ruy Figueiredo, balanço: sete erros capitais


Com a realização da primeira Assembleia Geral após as últimas eleições no CPA, cumpre-se um ano de mandato dos actuais órgãos sociais do clube. É pois tempo de balanço. Infelizmente salta à vista de todos que o CPA mergulhou numa profunda crise de amorfismo, quiçá mesmo de desagregação. E o primeiro grande responsável pelo actual estado do clube é o seu presidente Ruy Figueiredo. Não há como escondê-lo.

Em 2006 e 2007 o CPA rasgou horizontes, abriu-se ao mundo, promoveu uma outra imagem do autocaravanismo, definitivamente projectou a ideia de que o autocaravanismo é turismo itinerante e não campismo. Paralelamente o CPA foi o responsável pela dinâmica de criação das áreas de serviço que não tínhamos em Portugal. O CPA deixou de ser um clube de amigos que faziam uns passeios e tornou-se no legítimo representante dos autocaravanistas junto das autoridades oficiais e da comunicação social, tendo começado a granjear a credibilidade necessária para enfrentar os desafios institucionais que o autocaravanismo tem pela frente, nomeadamente os legislativos.
O que fez Ruy Figueiredo com esta herança? É simples, desbaratou-a numa sucessão de trapalhadas e erros capitais.

Ruy Figueiredo tornou-se refém de quem tinha minado o terreno

Contrariando aquilo com que se comprometera perante os seus pares de Direcção, Ruy Figueiredo apresentou-se na AG de Abrantes disposto a aceitar ser eleito presidente pela mão daqueles que nos bastidores mais tinham feito para diminuir, e até boicotar, o trabalho dos dois anos anteriores, e este foi seguramente o seu primeiro erro capital.

Ruy Figueiredo não se revelou digno da solidariedade, colaboração e herança recebida

Uma vez eleito, Ruy Figueiredo não soube assumir a herança da Direcção anterior e deixou-se arrastar pela vontade dos seus velhos (e dos novos) amigos preocupados sobretudo em fazer esquecer a passagem do Raul Lopes e do Nuno Ribeiro pela Direcção do CPA. Ruy Figueiredo não teve mão, ou não quis ter, nos seus amigos, deixou que eles tudo fizessem para denegrir a imagem e o bom-nome de quem mais tinha trabalhado pelo Clube e pelo seu próprio prestígio enquanto Presidente. Nesta fase valeu tudo, desde as tentativas de reescrever a história do Clube até ao alimentar à mão da falcoaria e outra bicharada da pradaria. Ruy Figueiredo não se revelou digno da solidariedade, colaboração e herança recebida, e este foi o seu segundo erro capital.

Ruy Figueiredo escancarou as portas do Clube aos oportunistas

Nos bastidores o presidente Ruy Figueiredo fez tudo para se afastar de nós, especialmente de mim, certamente achando que quanto mais mostrasse para o exterior que estava em rotura comigo mais apoios obteria da parte daqueles que outra coisa não tinham feito nos anos anteriores do que dizer o contrário das ideias que eu ia afirmando. Esta procura de novos parceiros alicerçada não em novas e válidas ideias para o autocaravanismo, mas simplesmente no desejo de vingança pessoal abriu a porta do CPA a toda a espécie de lambe-botas e oportunistas, e este foi o terceiro erro capital de Ruy Figueiredo.

Ruy Figueiredo foi coveiro do Fórum do Clube e praticou uma política de comunicação que revela desprezo pelo sócios

No anterior mandato eram mais os autocaravanistas que diariamente passavam pelo fórum para ver o que por lá se dizia do que o número de sócios que habitualmente comparece nos Encontros do Clube. Não obstante os velhos do Restelo, alguns ainda de tenra idade, desprezaram o fórum seja enquanto instrumento de afirmação do Clube, seja enquanto veículo de promoção do autocaravanismo, seja até enquanto instrumento de diálogo da Direcção com os sócios. É sintomático que os dedos de uma mão sejam suficientes para contar as mensagens escritas pelos membros da Direcção no fórum, e que tenham sido mais as vezes que o Presidente foi publicamente denunciado como estando por detrás de “fugas de informação” do que aquelas que veio ao Fórum do seu Clube dar explicações aos sócios. Paralelamente o Boletim do CPA regressou ao seu conteúdo e linha editorial do passado, só o aspecto impedindo que se volte a confundir com o jornal de qualquer agrupamento de escuteiros. Esta política de comunicação e de (ausência) de diálogo substantivo com os sócios, foi o quarto erro capital de Ruy Figueiredo.

Ruy Figueiredo permitiu a manipulação do CPA em função de interesses pessoais

Desbravadas as primeiras dificuldades, plantadas que estavam as sementes, este era o mandato para colher os frutos do trabalho feito com vista a criar uma rede de áreas de serviço para autocaravanas por todo o país. Em vez disso a actual Direcção ignorou umas mãos cheias de contactos com Autarquias Locais em curso, alguns em fase avançada de definição (chegando ao ponto de permitir que o CCP viesse reclamar louros de trabalho que tinha sido feito por mim em nome do CPA um ano antes). Nesta área de actuação tudo o que o CPA fez foi deixar-se usar como engodo para um vendedor de máquinas mais facilmente convencer algumas Câmaras a alimentarem-lhe o negócio: “se comprarem a máquina eu trago cá uma centena de autocaravanistas à inauguração”.
Todos sabemos que não é o Boaventura que leva os autocaravanistas mas sim o CPA e as patuscadas pagas pelas Autarquias. Ninguém se preocupa em avaliar da viabilidade futura da AS, ou mesmo de a divulgar. Uma vez inaugurada... todos viram as costas. O negócio está feito. Há quem esqueça que se um caso de sucesso alimenta e incentiva alguns seguidores, um caso de fracasso desmotiva muitos mais. Por tudo isto, ir atrás de todos os foguetes do Boaventura e permitir a manipulação do CPA em função de interesses pessoais (materiais e simbólicos), foi seguramente o quinto erro capital de Ruy Figueiredo.

Ruy Figueiredo hipotecou a credibilidade institucional do CPA

Em 2006 e 2007 o CPA acumulou um capital de credibilidade institucional que se esperava ver investido durante o actual mandato na construção das condições institucionais para a consequente defesa dos interesses dos autocaravanistas (com ou sem Federação de Autocaravanismo), em especial no que se refere ao enquadramento legal do autocaravanismo. Estranhamente, ou talvez não já que a única linha de rumo parece ser a de fazer o contrário do que sempre preconizei, o CPA abdicou desta pretensão e o seu Presidente arrastou o Clube para a mais completa situação de achincalhamento institucional. O cúmulo desta irreflectida actuação foi quando, com a sua adesão ao MIDAP, o presidente do CPA Ruy Figueiredo legitimou uma aventura institucional errante de um patético personagem que mais não faz do que construir castelos na areia, de tudo fazendo um jogo de diversão, ou melhor dito de manipulação.
O MIDAP falhou a sua abordagem à FCMP, à Associação dos proprietários de campings privados (AECAMP-Orbitur), ao ACP e à Associação dos vendedores de automóveis, com esses fracassos se tendo evaporado a ideia do Observatório do Autocaravanismo, agora resumido a Nandin de Carvalho e às suas múltiplas sombras.
O MIDAP falhou a aposta num Seminário fundador da Federação das trapalhadas DeAlém, onde o presidente do Observatório e director do Gabinete de Estudos do MIDAP se iria exibir ao seu melhor estilo contando fantasias sobre a legislação autocaravanista por si inventada.
O MIDAP falhou a abordagem à ANMP (Associação Nacional de Municípios) e às Autarquias Locais em geral. O MIDAP trouxe do Ministério da Economia, do Instituto de Turismo e da Assembleia da República uma fotografia e uma mão cheia de nada. Ou seja, ao fim destes meses de frenesim apenas sobram as trapalhadas e o contributo que o MIDAP reclama ter dado para que na legislação sobre campismo fosse aberta a porta legislativa a que as autocaravanas sejam acantonadas nos campings.
Perante este desaire do Movimento Inibidor do Autocaravanismo o que fez Ruy Figueiredo? Veio dar a mão ao MIDAP emprestando-lhe a credibilidade e legitimidade que não tem e... foi para a Assembleia da República sentar-se à mesa onde Nandin de Carvalho se exibia perante o deputado Mendes Bota, em jeito de quem diz: “vês velho correlegionário, olha como eu consigo manipular estes pacóvios autocaravanistas, simplesmente impressionando-os com as minhas fantasias”.
Três anos antes Ruy Figueiredo tinha estado a fazer o mesmo papel na AR, então sob a batuta do Presidente da FCMP (que nem sequer o apresentou como presidente do CPA). Também nessa altura o interlocutor foi o deputado Mendes Bota. Os resultados dessa visita à AR em 2006 estão à vista, basta ler o Relatório Mendes Bota, mas parece que o CPA e o seu Presidente não aprenderam nada com a experiência. Ruy Figueiredo não percebeu, ou não quis perceber, que o CPA não precisa de almas errantes para lhe abrir as portas das instituições públicas. O problema do CPA é não ter uma agenda própria nem propostas para fazer, o problema do CPA começa por ser o de não ter capacidade nem lucidez para identificar os seus parceiros estratégicos. deixando-se arrastar por más companhias. Ruy Figueiredo ao hipotecar a credibilidade institucional do CPA às almas errantes DeAlém cometeu o seu sexto erro capital, seguramente um dos mais graves pois causou danos dificilmente reparáveis na imagem do CPA.

Ruy Figueiredo não soube retirar consequências dos seus erros

Em síntese, um ano de mandato e o que tem Ruy Figueiredo para apresentar aos sócios? Apenas o desbaratar do capital associativo acumulado nos dois anos anteriores. Ao longo deste ano o CPA foi um clube sem rumo nem Direcção, um clube sem qualquer tipo de projecto colectivo nem mesmo de respeito pelos associados ou pela história do Clube. Foi apenas um clube que serviu de suporte à actuação errante e solitária do seu presidente, que foi colocando o clube à disposição dos apetites mais diversos, saltando do arraial do CampingCar para a mesa do Boaventura e desta para o terreiro DeAlém, de permeio foi correndo de romaria em romaria ao ritmo dos foguetes que ouvia sem cuidar de saber quem e porque os lançava. No final da festa regressa aos braços da Federação de Campismo.
Neste percurso de zigzags e fugas para o abismo por não saber o que fazer, Ruy Figueiredo cedeu à tentação narcisista do protagonismo fácil esquecendo-se das responsabilidades inerentes ao estatuto e ao cargo que ocupa. Mais do que a incompetência chama a atenção um tão grande número de erros para tão pouco tempo. Demasiados para se poderem desculpar.
Já não é possível continuar a tapar o sol com a peneira (embora Teresa Paiva se não canse de o tentar): a Direcção do CPA é um estado de espírito, ninguém mexe uma palha pelo Clube ou para dar cobertura às decisões do presidente. Ruy Figueiredo está notoriamente só, sem rumo nem estratégia e mal aconselhado pelos amigos que escolheu (e que mais não têm feito que não seja servirem-se dele e do CPA). Por isso o seu derradeiro erro foi ter desperdiçado a oportunidade de se demitir na AG deste fim de semana.
Não o fez, e com isso desperdiçou a última oportunidade de sair da Direcção do CPA sem ser enxovalhado, e sem afundar definitivamente o Clube no pantanal de areias movediças para onde o arrastou e de onde dificilmente sairá. Aquilo que Ruy Figueiredo no passado deu de si ao CPA merecia uma saída de cena com maior dignidade. Ao prosseguir nesta linha de desnorte está a arrastar-se a si e ao CPA para um buraco que nem o clube nem ele mereciam. Mas a verdade é que está a caminhar pelo caminho que construiu, por isso só pode queixar-se de si próprio... e dos seus amigos de ocasião.
Raul Lopes
Nota PS.
Há quem queira exibir o silêncio da AG como apoio unânime, dando mostras de uma cegueira sem igual.
Também não adianta diabolizar quem teima em pensar pela sua cabeça e exercer o direito à crítica. Acusar alguém de não ter coragem para ir à AG do CPA assumir as críticas que vem fazendo em público é simplesmente patético. Será que não percebem que são cada vez mais aqueles que acham que o Clube bateu tão fundo que já não há nada a fazer por ele? Ultimamente o que mais ouvi foi: "ir à AG do CPA, para quê?"
Ou seja, que adianta gritar perante um grupo de surdos?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Contra o acantonamento dos autocaravanistas nos campings

No Verão passado fomos surpreendidos por algumas propostas constantes no primeiro estudo oficial sobre autocaravanismo em Portugal: um relatório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Alg).

Oportunamente contestámos a ideia de encurralar os autocaravanistas nos Parques de Campismo e lançámos um apelo na Internet à mobilização dos autocaravanistas. Em poucos dias reuniram-se 555 assinaturas, que subcreveram os comentários entretanto enviados à CCDR-Alg.

O Verão aproxima-se e este dossier parece ter caído em saco roto. Por isso, e por outros sinais preocupantes que entre nós se vão revelando, parece-nos oportuno relembrar aqui o que então escrevemos.


CARTA DIRIGIDA À CCDR

Exmº Sr. Presidente da CCDR-Algarve, Dr. João Varejão Faria

Assunto: Apelo à revisão de conteúdo do Relatório de Caracterização do Autocaravanismo na Região do Algarve.

Exmº Sr. Presidente,
Somos um grupo de 555 cidadãos que partilha a paixão pelo autocaravanismo. Conscientes das dificuldades existentes para a sua prática salutar no país, e especialmente no Algarve, foi com enorme expectativa que tomámos nota do anúncio de que a CCDR-Algarve iria realizar um estudo com vista a identificar os problemas e as vias de solução para o autocaravanismo na Região. Agora que o estudo se encontra em fase pública de apreciação, queremos endereçar-lhe os parabéns pela iniciativa, mas igualmente transmitir-lhe a enorme apreensão com que lemos algumas das passagens do referido relatório. Por isso lhe fazemos o público apelo a que a actual versão do texto seja revista, cotejando-a com os comentários na especialidade que se enviam em anexo. Estamos certos de que o Sr. Presidente se não revê no teor das propostas feitas na parte final do estudo (pp.126-129) que objectivamente advogam a proibição das autocaravanas pernoitarem fora dos campings ou das ”áreas de serviço”, aqui concebidas como algo que se assemelha a locais de acantonamento. Tais orientações vão exactamente no sentido contrário do tratamento que o assunto vem merecendo nos diversos países da Europa onde o autocaravanismo tem maior expressão: França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha. Nos termos do próprio estudo o autocaravanismo no Algarve já representa actualmente 1 milhão e 200 mil dormidas, assim como a injecção de cerca de 50 milhões de euros na economia regional. Valores que tenderão a subir rapidamente por estarmos perante o segmento de turismo que mais cresce na Europa. A CCDR-Algarve não quererá desperdiçar este contributo para o desenvolvimento regional tornando-se na única região da Europa desenvolvida onde os autocaravanistas são forçados a viver em regime de acantonamento, tipo campo de refugiados. Até pelo marketing negativo que isso traria à Região. Pelo contrário, a adopção conjunta das propostas que sugerimos no nosso texto (criação de infra-estruturas de perfil diverso e dispersas pela Região acompanhadas de normas clarificadoras que distingam “pernoitar” de “acampar” e prevejam a punição de comportamentos ambientais irresponsáveis) colocará o Algarve como uma Região pioneira na Europa no que toca às condições de acolhimento aos autocaravanistas. Os autocaravanistas, portugueses e europeus, são generosos e não deixarão por mãos alheias a divulgação da Região além fronteiras, dando corpo à campanha de marketing territorial mais barata que alguma vez se terá feito do Algarve. Em nome de todos os subscritores, apresento-lhe os meus cordiais cumprimentos

Raul Lopes


APELO AOS AUTOCARAVANISTAS PORTUGUESES PARA ASSINAREM A PETIÇÃO COLOCADA A SUFRÁGIO

Companheiro, junte-se a nós na luta Contra o Aprisionamento dos Autocaravanistas nos Campings do Algarve. Assine a petição online: http://www.petitiononline.com/ccdra501/petition.html
Companheiro, A CCDR-Algarve (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, que representa o Governo na região em tudo o que tem a ver com desenvolvimento e ordenamento do território) realizou um estudo sobre a prática do autocaravanismo no Algarve, que pode consultar no site do CPA: http://www.cpa-autocaravanas.com/materiais/Auto_Caravanismo.pdf Este estudo teve o mérito de revelar que o autocaravanismo em Portugal é muito mais importante em termos turísticos do que normalmente se supõe: mais de 1 milhão e 200 mil dormidas de autocaravanistas só no Algarve durante o ano de 2007. Mas a grande dimensão do autocaravanismo na região pode ser aproveitada também para iniciar um processo de perseguição aos autocaravanistas. Nos últimos meses tivemos a FCMP (Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal) e a AECAMP (Associação de empresas proprietárias de campings) a pedir que fosse proibido às autocaravanas estacionar fora dos campings. Agora, os autores deste estudo da CCDR-Algarve alinham pelo mesmo registo e escreveram:

a. página ix e p.35 do estudo, que o “autocaravanismo é uma modalidade de campismo”, pelo que “de acordo com a legislação portuguesa o autocaravanismo está confinado aos parques de Campismo”, sendo que os locais autorizados para o estacionamento das autocaravanas são apenas os campings e as áreas de serviço para autocaravanas. Isto é falso, mas arriscamo-nos a que se converta em lei;

b. página 38: “no que respeita às condicionantes identificadas nos instrumentos de gestão territorial (IGT) verifica-se que uma parte muito significativa das localizações (79%) encontra-se abrangida por uma ou mais condicionantes”. Também isto é falso, mas os autores usam-no para tentar justificar a proposta de proibição do estacionamento das autocaravanas em 80% dos locais habituais, de forma complementar à medida legislativa que obrigaria as autocaravanas a pernoitar nos campings ou nas áreas de serviço convertidas em locais de acantonamento de refugiados, tipo o que acontece na Croácia.

c. Quem tenha dúvidas sobre a intenção dos autores do relatório leia na página xiv as propostas dos pontos 7 e 10, que dizem nomeadamente: § “a polícia deve encaminhar os autocaravanistas para os locais apropriados para o efeito (áreas de serviço e parques de campismo)”;
§ Propõe-se a alteração do Código da Estrada por forma a incluir “normas que possibilitariam o estacionamento de autocaravanas apenas nos locais indicados para o efeito (parques de campismo, áreas de serviço e áreas de estacionamento devidamente autorizadas). "

Companheiro, em face da gravidade do que isto pode vir a representar para o autocaravanismo português (em Portugal as leis são para o país todo, não para uma região específica), ditou-nos a consciência que não podíamos ficar de braços cruzados. Por isso escrevemos o texto anexo que no início de Outubro enviaremos à CCDR do Algarve assinado por todos os autocaravanistas que assim o desejem. É esse o convite que aqui lhe viemos fazer: entre neste endereço (http://www.petitiononline.com/ccdra501/petition.html) e assine a petição contra o aprisionamento das autocaravanas nos campings, tornando-se assim autor colectivo do documento que será entregue à CCDR. Nós fizemos o nosso trabalho de casa, contamos que agora faça o seu. Divulgue este apelo junto dos seus amigos autocaravanistas, aos familiares e a todos aqueles que um dia esperam vir a ser autocaravanistas.

Um abraço cordial

Raul Lopes e Nuno Ribeiro


NOTA: os interessados em obter cópia do parecer que elaborámos sobre o estudo da CCDR-Alg, poderão obtê-la por email desde que nos manifestem esse interesse: tribuna.autocaravanista@gmail.com

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Os Autocaravanistas vão deixar que seja o lobby campista a “defender” os seus interesses?

Nos últimos dias, por força da publicação do entendimento da Tribuna Autocaravanista sobre a Portaria 1320/2008 na revista El Camping Y su Mundo, assim como devido ao Colóquio da Federação de Campismo na FIL (a que o CPA emprestou legitimidade para reivindicar ser a entidade tutelar do AC), o assunto da Portaria (e não só) voltou à ribalta.
O CPA fez o frete à FCMP de se apresentar como organizador do Colóquio, mas mais uma vez revelou o respeito que tem pelos autocaravanistas e pelos seus próprios sócios ao nada divulgar sobre o que lá se passou. Que factura está o presidente do CPA a pagar ao presidente da Federação?
Foi graças ao blog Papa-Léguas que a comunidade autocaravanista tomou conhecimento do que lá se disse. Pela minha parte, obrigado ao Papa-Léguas.
Pelo menos aparentemente nada do que por lá se disse é novidade, mas o cenário empresta nova dimensão a 2 coisas que já se sabiam: que está em curso a criação de uma plataforma agregadora dos interessados em acantonar as autocaravanas nos parques de campismo (sobre isto já antes tinhamos visto foguetes vindos do além, e não só); e que os donos dos parques de campismo não descortinam qualquer razão para os autocaravanistas se queixarem da Portaria 1320. Fixemos a nossa atenção neste último aspecto.
No dito colóquio terá sido dito que não havia problema nenhum, pois se a Lei não proíbe… é permitido (no caso estacionar-pernoitar). Pois… o problema é quando há “leis municipais” feridas de ilegalidade mas não impugnadas judicialmente. Neste caso, é ilegal, mas para a polícia é suporte bastante para nos multar e/ou escorraçar. E se por acaso alguém ouvir o pedido entregue na Assembleia da Republica pelo MIDAP e seus guarda-costas, então deixará mesmo de ser ilegal: pois o maior problema actual das Câmaras é não terem um sinal de trânsito que permita descriminar as autocaravanas (o tal sinal que Nandin de Carvalho se não cansa de reclamar).
Os ecos do Colóquio serviram também para que o malabarista DeCarvalho se apressasse a vociferar e a exibir as suas habilidades para iludir pacóvio: “vêem, eu não dizia que a Portaria era só para regular o campismo?”. Claro que se esqueceu de dizer que o diploma legal que esgrime não distingue entre autocaravanismo e campismo, logo os autocaravanistas são simplesmente tratados como campistas. E, assim sendo, ou acampam nos campings normais, ou nos campings especiais para autocaravanas definidos na Portaria, … ou são campistas selvagens como a AECAMP e a FCMP pretendem. O futuro se encarregará de mostrar quem é que chumbaria no primeiro ano de qualquer curso de Direito.
No meio de tamanhas patetices e completa ausência de lucidez, cumpre-me desta vez saudar o Paulo Rosa, que já antes aqui critiquei. Ele teve a lucidez (e desta vez a coragem) de vir a público dizer que o rei vai nu: os autocaravanistas não podem confiar a defesa dos seus interesses às organizações ligadas aos interesses campistas. É uma questão de elementar bom senso!
Ao que ele disse só acrescentaria isto: não podemos confiar a defesa dos nossos interesses aos donos dos parques de campismo, nem sequer às empresas mascaradas de clubes de automóveis.

Pela sua pertinência, transcreve-se de seguida, na integra, o texto de Paulo Rosa.

A separação dos representantes do “Autocaravanismo” e do “Campismo” é essencial.

Não adianta insistir que os representantes sejam comuns e que a defesa de interesses se assuma independente, pois as motivações e orientações são muito diferentes. Não adianta querer ou acreditar que uma federação de parques e clubes campistas vá defender uma actividade turística que pode utilizar, esporadicamente, ou não, os serviços dos campings. Esta perspectiva é tão real, como a realidade de os nossos campings, em geral, não darem um só passo em frente na adaptação dos seus serviços aos interesses e necessidades dos autocaravanistas. Falo concretamente de zonas de serviços e acolhimento anexos aos campings, de tarifas atractivas para autocaravanas, etc. Construir hoje para colher amanhã é algo que ainda não chegou à visão da generalidade dos empresários dos campings. Assim, criar modelos de negócio que captem os autocaravanistas é algo que não é implementado. Em alternativa insistem que, através de interpretações abusivas da Lei e redutoras da nossa actividade, sejamos obrigatoriamente encaminhados para os campings ao final do dia. Por outro lado, não chegaremos a lado nenhum enquanto não for aceite e reconhecida esta vertente do autocaravanismo, como forma de turismo itinerante, a qual é perfeitamente sustentável sem recurso aos campings, mas sim a zonas de serviços e parqueamento de ACs. Observe-se o desenvolvimento que este tipo de turismo tem em França, Itália ou Alemanha, onde este modelo funciona e é (bem) reconhecido e apoiado pelos governos, comparativamente com aqueles países onde o autocaravanismo é reconhecido apenas como uma modalidade campista (Croácia, Bélgica, Suíça, …etc). Para nós, autocaravanistas, o desejo é claro de não sermos representados por associações campistas. É essencial que a convergência no meio autocaravanista se assuma e as “plataformas sectoriais campistas” defendam os seus interesses específicos, os quais são bem diferentes dos nossos.Faço votos de que os nossos representantes olhem em frente, se inspirem no crescimento do autocaravanismo, para adiantar a marcha e as acções, deixando as federações e clubes campistas correrem ao seu ritmo, na defesa da sua actividade básica – o campismo.
_________________Paulo http://www.campingcarportugal.com/

Raul Lopes

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem seguir na marcha do autocaravanismo?

Na vida os erros pagam-se caro. Quando nos aliamos aos perdedores, acabamos derrotados com eles. No autocaravanismo as coisas não são diferentes. Daí que precisemos escolher bem as nossas companhias, daí que seja importante saber reconhecer os vencidos e os vencedores. Hoje, Sexta-Feira dia 13, aqui ficam 13 contributos para identificar uns e outros no palco autocaravanista português.

  1. Um vencedor não teme o erro, pois sabe admiti-lo com humildade e está sempre pronto a corrigi-lo e a aprender com os seus erros. Um perdedor recusa-se a reconhecer que errou, e quando é obrigado a fazê-lo desculpa-se atribuindo a culpa a outros.
  2. Um vencedor enfrenta as críticas com lealdade e frontalidade. Um perdedor quando criticado vai a correr retocar o perfil, apressa-se a modificar ou mesmo a apagar o que antes escreveu de si mesmo, auto-elogia-se freneticamente para fazer esquecer as críticas que lhe são dirigidas.
  3. Um vencedor assume com humildade os seus actos, as suas vitórias e as suas derrotas. Um derrotado clama vitória antes de travar o combate e passa a vida a reescrever a história e a dizer que nunca disse o que disse, que nunca fez o que fez, que nunca esteve onde esteve.
  4. Um vencedor aprende com as críticas que lhe fazem e enfrenta as adversidades com redobrada energia. Um perdedor encara a crítica como um ataque pessoal sem quartel e refugia-se no discurso da vítima enraivecida a espumar de ódio.
  5. Um vencedor tem uma estratégia que prossegue com determinação e critério, enfrentando as dificuldades uma a uma. Um perdedor comporta-se como uma barata tonta vinda do além, mistura alhos com bugalhos, dispara em todas as direcções e não consegue acertar em nenhum alvo.
  6. Um vencedor é um guerreiro frontal e leal. Um perdedor é um cobarde que morde pela calada, que atira a pedra e esconde a mão.
  7. Um vencedor tem ideias próprias que não teme submeter ao escrutínio da crítica. Um perdedor refugia-se no discurso politicamente correcto para esconder a ausência de ideias ou fantasia e mistifica pois só sabe que tem que dizer o contrário do que os seus rivais dizem.
  8. Um vencedor é autoconfiante, consciente das suas capacidades, mas também das suas limitações, não dispensando a autocrítica. Um perdedor é um vaidoso convencido, alguém que passa a vida a tocar o seu umbigo enquanto olha para o espelho, alguém cuja motivação para o combate se esgota na inveja e na rivalidade mesquinha.
  9. Um vencedor compromete a sua palavra e tudo faz para a honrar. Um perdedor está sempre prenhe de ideias e de promessas mas é incapaz de as honrar ou mesmo de se empenhar na sua concretização.
  10. Um vencedor ouve o que os outros dizem, pondera os seus argumentos e pronuncia-se sem subterfúgios. Um perdedor não se ouve a si próprio, ignora os argumentos que lhe apresentam, mas tem sempre resposta para tudo, mesmo antes dos outros colocarem as questões.
  11. Um vencedor reconhece aqueles que sabem mais do que ele e procura aprender com eles. Um perdedor declara seu inimigo quem revelar sabedoria e concentra-se nos seus defeitos para tentar denegrir a sua imagem pública.
  12. Um vencedor arranja sempre maneira de ser parte da solução. Um perdedor não consegue evitar ser parte do problema.
  13. Um vencedor é um líder natural que não precisa de se impor para ser reconhecido entre os seus pares. Um perdedor é simplesmente um derrotado permanentemente em bicos de pés, alguém capaz de conduzir um exército para um abismo sem saída, alguém incapaz de perceber que o deixaram a falar sozinho (como é sina dos tolos).

De entre os actores que evoluem no palco do autocaravanismo em Portugal, pode não ser fácil identificar os vencedores, mas os perdedores só não os identifica aquele que é cego por não querer ver.

A si que me lê, cabe a responsabilidade de decidir se quer ser parte da solução ou do problema, se quer seguir ou barrar o caminho aos perdedores que inevitavelmente conduzirão o autocaravanismo para os terrenos pantanosos onde se vai afundando.

Raul Lopes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O que quer afinal o CPA?

O CPA vai “organizar” um colóquio sobre Autocaravanismo na FIL, no decorrer da edição de 2009 da Nauticampo.

Dito desta forma, poder-se-ia dizer que estávamos perante uma eventual iniciativa interessante e num quadro adequado à sua realização, já que, esta feira tem uma forte componente expositora na área do autocaravanismo.

Contudo, o colóquio será organizado pelo Clube, mas… a “convite” da FCMP, indo o CPA, mais uma vez (e desta feita), a reboque da Federação de Campismo, como já tinha ido na visita e almoço à AR, nessa altura, a reboque/convite do MIDAP.

Curiosamente, este “movimento de movimentações” ditas “independentes”, tão proclamado nas últimas etapas do autocaravanismo virtual como o “salvador da nação autocaravanista”, não foi contemplado na participação coloquial.
Das duas uma, ou a FCMP pura e simplesmente não os quis lá, reduzindo-os à sua real (in)significância, ou o CPA deixou cair os “amigos”, não chegando sequer a sugerir a sua participação.

Para além deste aspecto de cariz institucional tão importante, levantam-se outras questões de orientação que não podem ser descuradas.

Não se compreende, desde logo, em que águas navega, afinal, o CPA – se nas águas da concepção estritamente campista, sob o cioso “controlo” da FCMP, ou nas águas lodosas do pseudo multi-associativismo-unitário-e-de-boa-fé, resultante da “agremiação” de clubes, círculos, movimentos, blogues e portais, sob a batuta de um(a) ONGA virtual.

A deriva do Clube é cada vez mais evidente, desdobrando-se a acompanhar, de forma sempre arrastada, todos os que aspiram a falar sobre autocaravanismo, sem perceber qual a sua legitimidade, coerência e identidade de princípios.

O CPA desbaratou, há muito, qualquer sentido de dignidade e de orientação. O Clube vira-se, qual cata-vento, a qualquer brisa, por mais insignificante que ela possa ser. O sentido ético e de honradez em defesa do Autocaravanismo, de acordo com aquilo que eram os seus princípios e a identidade com o sentimento maioritário dos autocaravanistas, perderam-se em absoluto.

Não se compreende que no colóquio “organizado” pelo CPA, seja “entregue” ao Clube apenas um dos temas, e logo o de menor impacto, reduzindo-o à mera condição de mais um clube federado e não, como seria de esperar, elevando-o à condição de Instituição referência do Autocaravanismo em Portugal.

Com uma oportunidade única de introduzir e liderar a discussão de temáticas mais importantes - nomeadamente nas que pretendeu assumir-se como “oposição” às teses da FCMP, se fizermos fé nas afirmações de um passado recente - preferiu aceitar ser relegado para um papel de menor relevo, apresentando-se, uma vez mais, de cócoras, perante aqueles que mais têm apostado na fórmula redutora e “aprisionada” de Autocaravanismo.

Tristes cenas desta Direcção e triste sina a deste Clube. Mas é o que dá quando o sentido de oportunidade e liderança cede lugar ao oportunismo próprio dos papalvos ávidos de exibicionismo sem qualquer conteúdo sério.

Esta participação tem ainda o condão de ampliar a confusão entre campismo e autocaravanismo.
Se já assistimos a um CPA soçobrando ao “encanto das sereias troianas”, agora assistimos ao mesmo filme perante as “sereias gregas”.

O CPA, qual meretriz do autocaravanismo, desdobra-se em participações espúrias, deixando os seus associados e autocaravanistas em geral na maior das confusões.
O que quer afinal o CPA?

Laucorreia